• Nenhum resultado encontrado

Figura 6.4: Dependˆencia da temperatura supercondutora TC em fun¸c˜ao da press˜ao

aplicada. Os diferentes tipos de pontos correspondem `as diferentes fases presentes no Hf. Figura retirada da Referˆencia [16].

do branching ratio em fun¸c˜ao da press˜ao pode fornecer informa¸c˜oes de como este me- canismo est´a possivelmente relacionado `a essas propriedades, que s˜ao induzidas pelo efeito da compress˜ao da rede cristalina.

6.2

Propriedades eletrˆonicas do Hf sob altas pres-

s˜oes

Como mencionado anteriormente, dadas as interessantes propriedades observadas no Hf metal sob altas press˜oes e a importˆancia da intera¸c˜ao spin-´orbita nos metais 5d, vale a pena verificar como esse acoplamento se comporta sob altas press˜oes. Com este intuito, experimentos de absor¸c˜ao de raios X em fun¸c˜ao da press˜ao foram realizados no Hf metal (Hf0, 5d2) na linha de luz 4-ID-D do APS. Os espectros de XANES fo-

ram obtidos nas bordas de absor¸c˜ao L2,3 do Hf, que ocorrem a 10.739 keV e 9.561

keV, respectivamente. Os experimentos foram realizados a temperatura ambiente, na geometria de transmiss˜ao, utilizando a c´elula de press˜ao de CuBe (Figura 3.9b) prepa- rada com bigornas de diamante (Figura 3.13a) com culetas de 180 µm (para chegar a press˜oes t˜ao altas quanto 65 GPa). P´o de Hf foi carregado em um furo de 60 µm de diˆametro feito em uma gaxeta de Re prensada a uma espessura final de 30 µm, junta- mente com p´o de rubi para calibrar a press˜ao in-situ e ´oleo de Si como meio de press˜ao. A Figura 6.5 mostra as intensidades das linhas brancas nas bordas de absor¸c˜ao L2,3 do

Hf juntamente com o c´alculo do BR em fun¸c˜ao do aumento e relaxa¸c˜ao da press˜ao. Pode-se observar na Figura 6.5e que o valor do BR ´e negativo para baixas press˜oes e aumenta progressivamente para press˜oes maiores que 30 GPa. Valores negativos de BR j´a foram observados para ´oxidos de metais de transi¸c˜ao 5d [141] e foram explicados em termos da ocupa¸c˜ao desses orbitais, j´a que para baixos n´umeros de el´etrons d, o BR ´e menos afetado pela intera¸c˜ao spin-´orbita. Al´em disso, o sinal negativo tem sido associado a diferen¸cas nos elementos de matriz de transi¸c˜ao dipolar (elementos inde-

0.0 0.5 1.0 1.5 1.0 1.2 1.4 1.6 1.8 2.0 9.55 9.56 9.57 9.58 0.0 0.5 1.0 1.5 2.0 10.73 10.74 10.75 10.76 1.0 1.2 1.4 1.6 1.8 2.0 (c) (d) (b) X A N E S 0.6 GPa 10.7 GPa 23 GPa 45 GPa 60 GPa 65 GPa Hf L3 P (a) Hf L2 0.6 GPa 10.7 GPa 23 GPa 45 GPa 60 GPa 65 GPa P P X A N E S Energia (keV) 62 GPa 59 GPa 41 GPa 31 GPa 16 GPa Energia (keV) 62 GPa 59 GPa 41 GPa 31 GPa 16 GPa P 0 10 20 30 40 50 60 1.9 2.0 2.1 2.2 α <L.S> = 0 I( L 3 )/ I( L 2 ) (B ra nc hi ng R at io ) ω β

Figura 6.5: Bordas L2 e L3 do Hf a T=300 K em fun¸c˜ao da aplica¸c˜ao (a) - (b) e

relaxa¸c˜ao da press˜ao (c) - (d). (e) BR calculado atrav´es dos espectros de absor¸c˜ao apresentados em (a) - (d).

pendentes de j ) e a pr´e-fatores da energia dos f´otons de raios X que s˜ao considerados na defini¸c˜ao das intensidades das linhas brancas nas bordas L2,3 [141]. Os valores de

BR calculados podem ser separados em diferentes regi˜oes, seguindo as transi¸c˜oes es- truturais encontradas para este metal sob altas press˜oes. ´E poss´ıvel verificar diferentes inclina¸c˜oes no comportamento do BR para essas diferentes fases. Atrav´es da Equa¸c˜ao 3.4, o comportamento da parte angular do valor esperado do acoplamento spin-´orbita (hL · Si) tamb´em foi obtido e encontra-se na Figura 6.6.

Pela dependˆencia linear com o BR, era de se esperar que o comportamento dehL · Si em fun¸c˜ao da press˜ao fosse parecido com o observado na Figura 6.5e. O acoplamento spin-´orbita aumenta monotonicamente nas fases ↵ e !; no entanto, na transi¸c˜ao !! h´a uma queda abrupta deste acoplamento, seguido por um aumento a press˜oes mais

6.2. Propriedades eletrˆonicas do Hf sob altas press˜oes 95 0 10 20 30 40 50 60 -0.2 0.0 0.2 0.4 < L. S > ( 2 )

α

ω

β

Figura 6.6: Comportamento da parte angular do valor esperado do acoplamento spin- ´orbita (h L · S i) em fun¸c˜ao da press˜ao. As ´areas rachuradas em cinza mostram os principais comportamentos em fun¸c˜ao da press˜ao.

altas (at´e 61.5 GPa). A redu¸c˜ao acentuada na fronteira da transi¸c˜ao para a fase pode ser melhor observada pelos dados sob relaxa¸c˜ao da press˜ao. A concordˆancia da abrupta queda do acoplamento spin-´orbita com a transi¸c˜ao para a fase e, conse- quentemente, com o dr´astico aumento da TC, indica que esse mecanismo de alguma

forma est´a contribuindo com o abrupto aumento da supercondutividade. ´E importante ressaltar que apesar do BR ser uma medida direta do acoplamento spin-´orbita, outros efeitos como campo el´etrico cristalino, largura de banda, hibridiza¸c˜oes e mudan¸cas na estrutura cristalina (e consequentemente, na ocupa¸c˜ao dos orbitais 5d ) tamb´em afetam o c´alculo desse parˆametro. Conforme descrito na Se¸c˜ao 6.1, o efeito da press˜ao sobre o acoplamento spin-´orbita na Pt tende a diminuir essa intera¸c˜ao atrav´es do alargamento da banda 5d e a consequente mistura dos estados 5d3/2 e 5d5/2. Dessa forma, o aumento

n˜ao convencional do acoplamento spin-´orbita sob press˜ao para o elemento Hf parece ter origem em fenˆomenos que dominam sobre o efeito do alargamento do orbital 5d.

A fim de verificar como a ocupa¸c˜ao dos orbitais 5d do Hf mudam em fun¸c˜ao da pres- s˜ao e, consequentemente em fun¸c˜ao das mudan¸cas na rede cristalina, c´alculos usando a teoria da densidade funcional (DFT) foram realizados atrav´es do programa Wien2k [142]. Os parˆametros de rede da c´elula cristalina para cada fase estrutural foram reti- rados da referˆencia [15] e podem ser encontrados no Apˆendice I. O comportamento da ocupa¸c˜ao 5d e da densidade de estados parciais (DOS) do elemento Hf encontram-se na Figura 6.7. ´E poss´ıvel observar que a ocupa¸c˜ao dos orbitais 5d aumenta monotonica- mente na regi˜ao da fase ↵; j´a na fase !, onde existe uma grande regi˜ao de coexistˆencia com a fase ↵, a ocupa¸c˜ao tamb´em aumenta mas a uma taxa menor. No entanto, h´a um abrupto aumento do n´umero de el´etrons na passagem da fase !! , seguida tamb´em por um aumento consider´avel no n´umero de estados em torno do n´ıvel de Fermi (DOS, Figura 6.7b). Esse mesmo comportamento foi verificado tamb´em para o elemento Zr

0 15 30 45 60 75 90 0.0 0.2 0.4 0.6 0.8 -4 -2 0 2 0.0 0.5 1.0 α ω β ∆ N d L D O S ( es ta do s/ eV ) α ω ω β

Figura 6.7: (a) Varia¸c˜ao da ocupa¸c˜ao do orbital 5d (em rela¸c˜ao a press˜ao ambiente) em fun¸c˜ao da press˜ao aplicada. (b) Dependˆencia da densidade de estados do orbital 5d com a press˜ao.

[143] e acredita-se que seja a causa do abrupto aumento da temperatura transi¸c˜ao su- percondutora TC. Pela semelhan¸ca desses elementos, acreditamos tamb´em que esse

fato seja uma das causas do aumento abrupto da TC no Hf metal sob press˜ao.

6.3

Discuss˜ao

O valor branching ratio para as bordas L2,3 do Hf metal e consequentemente, a parte

angular do valor esperado do acoplamento spin-´orbita hL · Si podem ser separados em dois diferentes comportamentos em fun¸c˜ao da press˜ao aplicada: uma regi˜ao de aumento monotˆonico at´e ⇠ 55 GPa e uma regi˜ao de queda brusca em torno de ⇠ 60 GPa. Os diferentes comportamentos concordam com as v´arias transi¸c˜oes de fases estruturais verificadas para o Hf sob altas press˜oes, onde na transi¸c˜ao para a fase h´a uma queda abrupta do valor de BR, que tamb´em coincide com o dr´astico aumento da temperatura supercondutora TC. Como mencionado anteriormente, apesar do BR ser uma medida

direta do acoplamento spin-´orbita, outros efeitos como campo el´etrico cristalino, largura de banda, hibridiza¸c˜oes e mudan¸cas na estrutura cristalina e nas ocupa¸c˜oes dos orbitais 5d tamb´em afetam o c´alculo desse parˆametro. Na Se¸c˜ao 6.1, mostramos que a aplica¸c˜ao da press˜ao enfraquece o acoplamento spin-´orbita na Pt (que a press˜ao ambiente exibe uma forte intera¸c˜ao SO) como resultado do alargamento dos orbitais 5d. Por outro lado, atrav´es dos c´alculos de DFT para o elemento Hf, a aplica¸c˜ao da press˜ao promove o aumento do n´umero de el´etrons do orbital 5d e o consequente aumento do n´umero de estados em torno da energia de Fermi em decorrˆencia das v´arias transi¸c˜oes estruturais verificadas para este elemento. J´a que o aumento da largura dos orbitais 5d do Hf n˜ao est´a sendo necess´ario para destruir o acoplamento spin-´orbita neste elemento, abaixo tentaremos discutir como o efeito da compress˜ao da rede cristalina pode afetar os fatores como intera¸c˜ao Coulombiana, campo cristalino e hibridiza¸c˜oes, que podem auxiliar no aumento desta intera¸c˜ao.

6.4. Conclus˜ao parcial 97 Sabe-se que a extens˜ao espacial dos orbitais 5d ´e larga, de forma que as intera¸c˜oes Coulombianas entre os el´etrons 5d s˜ao fracas. Sob altas press˜oes, a largura de banda desse orbital tende a aumentar, de forma a deixar as correla¸c˜oes ainda mais fracas. Com o aumento da largura de banda, as hibridiza¸c˜oes entre os diferentes orbitais pre- sentes no Hf metal tamb´em aumentam e este fato pode explicar o cont´ınuo aumento dos el´etrons nos n´ıveis 5d em fun¸c˜ao da press˜ao. Apesar de n˜ao termos muitos detalhes sobre o campo cristalino desse elemento, sabemos que esse mecanismo est´a intimamente relacionado `a estrutura cristalina do material. Dessa forma, com as sequˆencias de tran- si¸c˜oes estruturais induzidas pela aplica¸c˜ao de press˜ao, certamente este efeito est´a sendo tamb´em modificado. Assim, podemos dizer que o aumento do BR na primeira regi˜ao do gr´afico na Figura 6.6 est´a relacionado n˜ao somente ao aumento do acoplamento spin-´orbita, mas tamb´em aos efeitos associados `a transforma¸c˜ao da estrutura crista- lina. De certa forma, esses mecanismos est˜ao competindo entre si produzindo um leve aumento no BR e tamb´em na temperatura supercondutora do material. Quando a transi¸c˜ao para a fase ocorre, a abrupta queda do acoplamento spin-´orbita favorece os outros mecanismos (campo cristalino, hibridiza¸c˜oes e etc), ajudando tamb´em o r´apido aumento da temperatura de transi¸c˜ao supercondutora observado nesse material.

6.4

Conclus˜ao parcial

Neste trabalho, n´os utilizamos a seletividade qu´ımica e orbital da t´ecnica de XANES para investigar o acoplamento spin-´orbita nos elementos de transi¸c˜ao 5d e verificar como essa intera¸c˜ao se comporta sob condi¸c˜oes de altas press˜oes para dois representantes da s´erie: a Pt e o Hf, que possuem, respectivamente, um forte e fraco acoplamento SO a press˜ao ambiente. Especificamente, o elemento Hf (Hf0, 5d2) foi investigado com

mais detalhes por exibir uma s´erie de propriedades f´ısicas interessantes em fun¸c˜ao do aumento da press˜ao. Foi demonstrado brevemente que o valor do BR aumenta de Hf ! Pt (5d2 ! 5d9) a press˜ao ambiente (Figura 6.1), evidenciando o aumento

do acoplamento spin-´orbita para os elementos mais pesados da s´erie. Al´em disso, o acoplamento spin-´orbita na Pt diminui em fun¸c˜ao da press˜ao como resultado do alargamento dos orbitais 5d. No entanto, para o metal Hf, o acoplamento spin-´orbita se comportou de maneira oposta ao esperado sob condi¸c˜oes de altas press˜oes.

O c´alculo do BR a partir dos espectros de absor¸c˜ao nas bordas L2,3 do Hf revelaram

que o acoplamento spin-´orbita aumenta monotonicamente at´e ⇠ 55 GPa e cai drasti- camente em torno de ⇠ 60 GPa, regi˜ao onde h´a uma transi¸c˜ao estrutural para a fase (bcc). Os diferentes comportamentos do BR concordam com as v´arias transi¸c˜oes de fase estruturais induzidas pela aplica¸c˜ao da press˜ao. Apesar do efeito da press˜ao sobre o acoplamento spin-´orbita ser o de reduzir esse mecanismo, o que verificamos ´e que essa intera¸c˜ao, na verdade, aumenta sob altas press˜oes para o elemento Hf. Argumen- tamos que nessa regi˜ao de aumento do BR, al´em do acoplamento spin-´orbita outros mecanismos como campo cristalino e efeitos de hibridiza¸c˜oes est˜ao competindo entre

si, de forma a produzir um leve aumento da temperatura de transi¸c˜ao supercondu- tora TC. Por outro lado, na transi¸c˜ao para a fase bcc (maior simetria), o acoplamento

spin-´orbita ´e reduzido drasticamente, favorecendo outros mecanismos. Essa redu¸c˜ao do acoplamento spin-´orbita tamb´em favorece o abrupto aumento da TC. Al´em disso, na

transi¸c˜ao !! , um dr´astico aumento da ocupa¸c˜ao dos orbitais 5d e da densidade de estados em torno da energia de Fermi ocorre, o que tamb´em pode ser uma das causas do aumento abrupto da TC verificado no Hf metal.

Conclus˜oes gerais

7

Neste trabalho foram investigadas as propriedades eletrˆonicas, magn´eticas e estruturais de compostos `a base de terras raras e metais de transi¸c˜ao 3d - 5d sob altas press˜oes. Para isso, foram empregadas as t´ecnicas de espectroscopia de absor¸c˜ao de raios X (XANES e XMCD) e difra¸c˜ao de p´o de raios X acopladas `as c´elulas de press˜ao de diamantes. O papel de diversos mecanismos f´ısicos nas propriedades eletrˆonicas e magn´eticas desses sistemas foram sondados sob altas press˜oes, nos quais podemos citar: os efeitos do campo cristalino, as intera¸c˜oes de troca magn´eticas indiretas (intera¸c˜oes de Dupla Troca e Super-Troca), o acoplamento spin-´orbita, as contribui¸c˜oes quadrupolares e dipolares ao sinal de XMCD e as distor¸c˜oes da rede cristalina.

Os compostos da fam´ılia RERh4B4 (RE = Dy e Er), conhecidos por apresentarem

um forte ordenamento magn´etico na sub-rede das terras raras (mesmo na presen¸ca, em alguns casos, do fenˆomeno da supercondutividade) foram crescidos e suas propriedades magn´eticas e estruturais caracterizadas por medidas de magnetometria convencional e difra¸c˜ao de p´o de raios X, respectivamente. O composto DyRh4B4 apresenta orde-

namento ferromagn´etico abaixo de 10.5 K, enquanto que ErRh4B4 ´e supercondutor

abaixo de 8.6 K. A transi¸c˜ao magn´etica presente neste ´ultimo composto (TM  1 K)

e reportado na literatura, n˜ao foi confirmada devido `a temperatura m´ınima atingida pelo equipamento (2 K). As propriedades eletrˆonicas e magn´eticas dos orbitais 4f e 5d dos elementos terras raras sob altas press˜oes foram investigadas atrav´es dos expe- rimentos de XANES e XMCD na borda L3 do Dy e Er. Foi encontrado que os sinais

magn´eticos para as contribui¸c˜oes quadrupolar (2p3/2 ! 4f) e dipolar (2p3/2 ! 5d) em

ambos os compostos diminuem progressivamente em fun¸c˜ao da press˜ao. No intervalo de press˜ao de 20 - 25 GPa, observou-se o desaparecimento das oscila¸c˜oes de EXAFS nos espectros de absor¸c˜ao para ambos os compostos, apesar dos padr˜oes de difra¸c˜ao sob altas press˜oes n˜ao revelarem nenhuma transi¸c˜ao de fase ou mudan¸ca de simetria desses sistemas (medidos a temperatura ambiente e T = 8 K). Apesar de uma an´alise mais profunda dessas oscila¸c˜oes n˜ao ter sido realizada, acreditamos que esta altera¸c˜ao esteja relacionada `a mudan¸cas nas posi¸c˜oes atˆomicas dos primeiros vizinhos em torno dos ´ıons RE, j´a que pela simetria tetragonal desses sistemas, tanto o ´atomo de Rh quanto os ´atomos de B possuem posi¸c˜oes livres dentro da c´elula unit´aria que podem

ser alteradas em decorrˆencia da aplica¸c˜ao da press˜ao. Estes resultados indicam que a queda progressiva verificada no sinal de XMCD nos canais dipolar e quadrupolar est˜ao relacionadas `as altera¸c˜oes locais na estrutura atˆomica destes compostos, enfraquecendo as intera¸c˜oes de troca magn´eticas entre os ´ıons RE.

Seguindo para as propriedades eletrˆonicas e magn´eticas provenientes dos metais de transi¸c˜ao 3d e 5d, estudamos a combina¸c˜ao dos ´ıons de Fe e Os na estrutura de pe- rovskitas duplas de Sr2FeOsO6 e Ca2FeOsO6, e exploramos os efeitos da compress˜ao

da rede cristalina como uma ferramenta para manipular as intera¸c˜oes de troca mag- n´eticas e conduzir mudan¸cas nas propriedades magn´eticas do composto Sr2FeOsO6.

Utilizando as t´ecnicas de espectroscopia de absor¸c˜ao de raios X (XANES e XMCD) e difra¸c˜ao de p´o de raios X, juntamente com c´elulas de press˜ao de diamante, mudan¸cas dram´aticas na resposta magn´etica deste material foram descobertas `a medida que este se transforma de um sistema com magnetiza¸c˜ao remanente e coercividade praticamente nulas a press˜ao ambiente em outro com uma coercividade robusta (⇠ 0.5 T) e magne- tiza¸c˜ao de satura¸c˜ao expressiva a press˜oes acima de ⇠ 10 GPa. Al´em disso, padr˜oes de difra¸c˜ao de raios X e as oscila¸c˜oes de EXAFS sob altas press˜oes revelaram que o composto Sr2FeOsO6 permance tetragonal e n˜ao sofre distor¸c˜oes nas liga¸c˜oes Fe-O-Os

ao longo do eixo c. O aparecimento de uma magnetiza¸c˜ao l´ıquida e coercividade n˜ao nula sob compress˜ao da estrutura cristalina parece ter origem no aumento do campo el´etrico cristalino (em um ambiente octa´edrico) nos ´ıons de Fe e Os, que enfraquece o acoplamento ferromagn´etico (intera¸c˜oes de Dupla Troca) entre os mesmos ao longo do eixo c. Uma consequˆencia direta desse fato ´e o favorecimento das intera¸c˜oes de Super Troca antiferromagn´etica entre os ´ıons Fe-Os, que resulta em uma transi¸c˜ao de um or- denamento antiferromagn´etico para um ordenamento ferrimagn´etico. Estes resultados contrariam o que foi observado para o composto Ca2FeOsO6, cujo ordenamento ferri-

magn´etico tˆem origem nas distor¸c˜oes das liga¸c˜oes Fe-O-Os ao longo do eixo c (mudan¸ca para fase monocl´ınica).

Por fim, continuando com as propriedades eletrˆonicas dos metais de transi¸c˜ao 5d, utilizamos a seletividade qu´ımica e orbital da t´ecnica de XANES para investigar o aco- plamento spin-´orbita em dois representantes dessa s´erie: os elementos Hf (Hf0, 5d2) e Pt

(Pt0, 5d9). O comportamento do acoplamento SO no metal Hf foi relacionado `as pro-

priedades supercondutoras e estruturais verificadas nesse elemento sob altas press˜oes. Ao contr´ario do comportamento verificado para a Pt sob altas press˜oes, o acoplamento spin-´orbita para o elemento Hf aumenta monotonicamente at´e a press˜ao de⇠ 55 GPa e cai drasticamente em torno de⇠ 60 GPa, regi˜ao onde h´a uma transi¸c˜ao estrutural para a fase (bcc). Acreditamos que na regi˜ao de aumento do BR, al´em do acoplamento spin-´orbita outros mecanismos como campo el´etrico cristalino e efeitos de hibridiza¸c˜oes est˜ao competindo entre si, de forma a produzir um leve aumento da temperatura de transi¸c˜ao supercondutora TC. No entanto, na transi¸c˜ao para a fase de maior simetria,

o acoplamento spin-´orbita ´e reduzido drasticamente, favorecendo esses outros meca- nismos. A redu¸c˜ao do acoplamento spin-´orbita, assim como o dr´astico aumento da

Conclus˜ao e perspectivas 101 ocupa¸c˜ao dos orbitais 5d e da densidade de estados em torno da energia de Fermi na transi¸c˜ao ! ! , podem ser as poss´ıveis causas do aumento abrupto da TC verificado

no Hf metal.

Os resultados apresentados at´e aqui demonstram a potencialidade de se combinar t´ecnicas de luz s´ıncrotron `as instrumenta¸c˜oes de altas press˜oes no estudo das proprieda- des f´ısicas de diversos sistemas importantes existentes na f´ısica da mat´eria condensada. O ajuste fino da compress˜ao e das distor¸c˜oes da rede cristalina atrav´es dos experimentos sob altas press˜oes, proporciona o link entre as propriedades estruturais (que alteram campo el´etrico cristalino e hibridiza¸c˜oes) e as propriedades magn´eticas e eletrˆonicas (como intera¸c˜oes de troca, acoplamento spin-´orbita) cruciais para o desenvolvimento e teste de modelos te´oricos de sistemas intermet´alicos de terras raras e metais de transi- ¸c˜ao.

Apˆendices

Detalhes cristalogr´aficos das

amostras estudadas

Perovskitas Duplas A

2

FeOsO

6

(A = Ca e Sr)

Ca2FeOsO6 - Policristal

M´etodo de crescimento: Policristais sintetizados por rea¸c˜ao de estado s´olido sob altas press˜oes misturando raz˜oes estequiom´etricas de CaO2, Os, Fe2O3 e KClO4 dentro de

um ambiente com atmosfera de Ar. A mistura foi colocada e fechada dentro de uma c´apsula de Pt, seguida por uma gradual e isotr´opica compress˜ao por um aparato de altas press˜oes at´e a press˜ao m´axima de 6 GPa. Essa mistura foi ent˜ao aquecida at´e 1500 C por 1 hora, mantendo-se a press˜ao de 6 GPa. Ap´os o aquecimento, a c´apsula foi resfriada diretamente para a temperatura ambiente (em 1 min) seguida pela relaxa¸c˜ao da press˜ao

Crescida por : Hai L. Feng et. al. [13] do Superconducting Properties Unit, National Institute for Materials Science, Tsukuba, Jap˜ao.

Estrutura cristalina: Monocl´ınica (P 21/n, n 14) a T = 300 K

a = 5.3931(6) ˚A, b = 5.5084(3) ˚A, c = 7.6791(3) ˚A, = 90.021 (5) Magnetismo: Ferrimagnestismo, TC ⇠ 320 K.

Sr2FeOsO6 - Policristal

M´etodo de crescimento: Policristais sintetizados por rea¸c˜ao de estado s´olido sob altas press˜oes utilizando os mesmos procedimentos realizados para o crescimento da amos- tra Ca2FeOsO6, mas agora misturando raz˜oes estequiom´etricas de SrO2, Os, Fe2O3 e

KClO4.

Crescida por : Hai L. Feng et. al. [118] do Superconducting Properties Unit, National