• Nenhum resultado encontrado

QUADRO 6.3 NÚCLEO DE VIRTUOSIDADE COGNITIVA DA ABORDAGEM COOPERATIVA

6.2 NÚCLEO DE SENSIBILIZAÇÃO

QUADRO 6.3 NÚCLEO DE VIRTUOSIDADE COGNITIVA DA ABORDAGEM COOPERATIVA

6.2.3 - RESULTADOS DA ABORDAGEM COGNITIVA

• 1 . ONTOGENIA DA ABORDAGEM COGNITIVA

Iniciamos nosso trabalho em capacitação de adultos para as questões ambientais em 1987 mas somente em 1991 começamos a falar especificamente em Educacão Ambiental (EA). A abordagem cognitiva é resultante de nosso ponto de partida nesta nova fase: os conceitos em EA não poderiam ser apreendidos via urna metodologia expositiva, era necessário fazer as pessoas sentirem e construírem elas mesmas estes conceitos. Assim, a primeira fase desta abordagem foi essencialmente empírica e intuitiva, com o conhecimento anterior da pedagogia de Paulo Freire, estudada na década de 70, ainda quando estudante de engenharia. Começamos por valorizar as pessoas, suas histórias de vida, suas experiências e suas opiniões sobre EA, chegando ao final das sessões num Diagnóstico Inter-subjetivo de EA, construído a partir das participações estimuladas de cada um e de uma intervenção bastante intensa do instrutor, dado o baixo nível de informações e experiências em EA na época. Isto no início.

A partir de 1994, já trabalhávamos com maior clareza esta abordagem cognitiva, principalmente depois da revisão teórica sobre o paradigma da autopoiésis e o papel central das emoções como fundamento epistêmico da conduta e da cognição. A abordagem cognitiva assume, então, um papel central na construção do conhecimento produzido pelas aplicações do m o d e l o p e d s através de suas três

metodologias —p e d a g ó g i c a, h is t ó r ic a e e s t r a t é g i c a. Mas até então, esta

abordagem cognitiva era chamada de d i n â m i c a d o d o m í n i o l i n g ü í s t i c o e

estava integrada às demais dinâmicas de sensibilização. O conceito produzido por esta dinâmica sempre foi o de e d u c a ç ã o a m b i e n t a l, com o

objetivo de capacitar os participantes nas técnicas e regras construtivistas do texto coletivo bem como estabelecer um conceito inicial esclarecedor das atividades seguintes do processo.

A abordagem cognitiva como uma pedagogia do amor surge em 1997, agora sistematizada em quatro momentos construtivistas, testados em dezenas de aplicações e milhares de participantes. É explicitado o

a m o r como a emoção fundadora justificadora do esforço pedagógico de

valorização das pessoas e do reconhecimento da legitimidade do outro no processo de produção de conhecimento. O valor da estética, da intuição e da subjetividade como formas de acesso cognitivo à realidade ambiental e a uma nova consciência é, finalmente, reconhecido no m o d e l o.

UMA ABORDAGEM COGNITIVA AO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO - CAPÍTULO 6. 188

2

- ESTRUTURA COGNITIVA DA ABORDAGEM COGNITIVA

A Abordagem Cognitiva, conforme metodologia mostrada no Capítulo 5, é constituída de quatro momentos construtivistas: a revelação da subjetividade; a contribuição da diversidade; a construção da inter-subjetividade e a construção do domínio lingüístico. Veremos agora a estrutura cognitiva de cada um destes momentos, chamando a atenção para o seguinte: esta abordagem é um instrumento para a produção coletiva de conhecimento, assumindo variantes conforme a natureza do conhecimento a ser gerado. No caso de um conceito inicial, como o de Educação Ambiental, a carga de subjetividade será maior. No caso de um conceito como Biosfera, a subjetividade fica relativizada com as necessárias informações científicas que o participante deverá acessar para sua própria qualificação. Outra variante é o conhecimento produzido na forma de estratégias ou nas demais etapas específicas das metodologia estratégica e histórica. As distinções provocadas por estas variantes na estrutura cognitiva destes quatro momentos serão comentadas ao longo de todo o capítulo, conforme formos avançando na descrição dos resultados.

PRIMEIRO MOMENTO

a revelação da subjetividade:

a a firm a çã o d e cada um

A dinâmica inicia com o instrutor pedindo aos participantes para escreverem o seu conceito de EA no espaço próprio do formulário (Ver Manuais nos Anexos 2, 3 e 4), explicando o ponto de partida do m o d e l o: a r e a l i d a d e s o c ia l e c o g n i t i v a d a s p e s s o a s. O que vale é a experiência de

cada um ou, quando se está iniciando na área, sua opinião, seus valores. Esta valorização inicial da subjetividade é registrada nas avaliações dos cursos através de expressões do tipo: “a metodologia valorizou o participante; emiti opiniões com liberdade; senti-me extremamente valorizada; valorização do conhecimento dos participantes”. Toda a estrutura cognitiva para a revelação da subjetividade já foi construída nas dinâmicas das abordagens estética e cooperativa. Neste momento é só pedir que as pessoas afirmem sua autopoiésis e a manifestem através da formulação de um conceito.

SEGUNDO MOMENTO

a contribuição da diversidade:

o re co n h e cim e n to do o u tr o

O objetivo deste segundo momento é levar o participante ao reconhecimento do outro e a um conhecimento que vem de fora, na forma de um texto, de um conceito formulado por outra pessoa participante ou

autor referenciado pelo instrutor ou na forma de uma imagem, vivência ou vídeo. É mostrar e fazer sentir que não basta a subjetividade. Ela é nosso ponto de partida, mas não chegaremos a um novo estilo de desenvolvimento somente com ela. Ou seja, necessitamos do conhecimento do outro ao mesmo tempo que reconhecemos que o nosso próprio conhecimento não basta. Neste momento o instrutor solicita que cada participante fixe seu conceito na parede, de forma que todos possam conhecê-lo -- um comentário operacional que vale registrar é que no início das aplicações desta dinâmica os participantes escreviam os conceitos em folhas avulsas. Descontente com a falta de um padrão estético, passamos a usar uma folha no próprio manual metodológico. Quando se pedia que esta folha no manual fosse retirada para a exposição exigida por este segundo momento a maioria das pessoas relutava em mutilar o manual. Como, mais do que ninguém, estamos aprendendo com o nosso próprio operar, vamos anexar uma folha extra ao manual quando a dinâmica exigir sua retirada. A seguir o instrutor explica os critérios de agrupamento dos conceitos individuais — é bom lembrar que são vinte, trinta, quarenta participantes — e que são apenas dois, um quantitativo em função do número dos pequenos grupos de trabalho que por sua vez varia em função do número total de participantes. Estes pequenos grupos variam de três a dez pessoas. O outro critério é qualitativo e diz respeito à identificação de essências semânticas, através de palavras-chaves encontradas nos diversos conceitos. Os participantes vão realizando o agrupamento qualitativo e o instrutor observa o critério quantitativo.

TERCEIRO MOMENTO

construção da intersubjetividadeu

pedagogia do amor

Concluído o agrupamento dos conceitos passa-se à formação dos pequenos grupos. Este é um momento delicado para o qual muitas técnicas foram testadas e nenhuma mostrou-se sem problemas. A mais simples e mais rápida é apostar na “escolha do Universo” que é a mistura dos crachás ou de uma senha e deixar que as pessoas escolham. A

dinâmica da afinidade também foi testada como aglutinadora. Formados os grupos o instrutor pede que os participantes procedam à produção de uma primeira sintese do conceito a partir daquele conjunto de conceitos recebidos. Os critérios são os seguintes: a) a sintese não pode mudar a essência dos conceitos individuais; b) pode-se agregar adjetivos, substantivos e verbos, desde que estejam presentes em algum dos conceitos individuais e c) pode-se mudar a pontuação para melhorar o entendimento. Este é o momento mais rico desta abordagem pois as pessoas passam a trabalhar sobre o conhecimento dos outros ao mesmo tempo que procedem a uma apropriação coletiva. É o momento da aprendizagem ( v e r f o t o 09). É a pedagogia do amor em ação, já que é neste momento que o outro tem sua legitimidade reconhecida.

UMA ABORDAGEM COGNITIVA AO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO - CAPÍTULO 6. 190

QUARTO MOMENTO

construção do domínio lingüístico:

a ação comunicativa

Este é o momento de maior tensão da dinâmica. Sabe-se que algo novo está para surgir. Existe um clima de confiança e desconfiança ao mesmo tempo. Será possivel extrair um único conceito de mais de quarenta conceitos iniciais? Para o instrutor é o momento de maior desafio. Há que saber combinar humildade para abafar o seu próprio conceito; liderança para conduzir o processo em meio a quarenta ‘formuladores de conceitos’; clareza da utilização das regras e aptidão para saber valorizar e mediar as contribuições dos participantes. A dinâmica inicia solicitando-se a exposição e leitura dos conceitos sintetizados pelos pequenos grupos. Faz-se um grande grupo e o instrutor pede que todos leiam todos os conceitos-sinteses e passa a perguntar sobre as semelhanças existentes. À medida que os participantes vão apontando, o instrutor vai escrevendo noutra cartolina a síntese final. Parece fácil, mas não é. Quando não se consegue uma sintese satisfatória a regra é remeter as sinteses intermediárias a uma nova rodada de pequenos grupos. Ao final o instrutor deve perguntar se alguém discorda ou não está satisfeito com o resultado, ou melhor, se alguém tem dificuldade de assumir aquele conceito como seu. Acontecem situações interessantes neste final. Por fim o instrutor explora o valor pedagógico da dinâmica, mostrando que os conceitos assim construídos somente possuem validade para o grupo de trabalho que o produziu e sua importância é representar um espaço consensuado de representações semelhantes da realidade, ou seja, um domínio lingüístico e que este domínio, construído de forma coletiva, afetiva e cooperativa, é o primeiro passo para uma ação comunicativa transformadora da realidade.

Mostra-se a seguir o resultado desta dinâmica no e x p e r i m e n t o “C”.

O conceito revela a essência da missão da EA, qual seja, capacitar as pessoas para a construção do Desenvolvimento Sustentável, mas escrito com um arranjo semântico único, dado pela unicidade das pessoas reunidas naquele curso específico.