6.2 NÚCLEO DE SENSIBILIZAÇÃO
FOTO 06: SÍNTESE DAS ESTÉTICAS DA FEIURA E DA BELEZA (EXPERIMENTO I)
UMA ABORDAGEM COGNITIVA AO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO - CAPÍTULO 6. 178
• 3 . A ORGANIZAÇÃO AUTOPOIÉTICA DA ABORDAGEM ESTÉTICA
A aplicação do paradigma da autopoiésis a um sistema cognitivo exige uma clara relação entre a estrutura e a organização deste sistema. Assim a estrutura cognitiva é a estrutura de aprendizagem com a qual o sistema mantém sua organização e esta é o resultado do operar da estrutura, definida pelo espaço que ocupa no ambiente e por sua identidade. Na extensão difusa que estamos fazendo devemos ter clara também esta exigência. Desta forma, enquanto o objetivo do item anterior, a estrutura cognitiva, é mostrar como se processou a produção do conhecimento e qual o conhecimento produzido pela abordagem, com base nos resultados obtidos, o objetivo deste item, a organização autopoiética, é mostrar o significado organizacional daquela estrutura para o m o d e l o . O m o d e l o proposto por esta Tese articula, por diversas relações, duas palavras fundamentais e respectivos significados: e s t r a t é g i a e susTENTABiLiDADE. Vamos ver agora como as três palavras- chaves da Abordagem Estética -- essência, criatividade e estética —
contribuem para a organização autopoiética do m o d e l o .
SÓ O ESSENCIAL PERMANECE
A dinâmica do olhar essencial nos auxilia a ver a essência dos fenômenos. E assim como na história da arte, na qual as criações que ficam são aquelas nas quais as sucessivas gerações vêem nelas uma essência de beleza, os fenômenos que permanecem ao longo do tempo são os essenciais à manutenção de uma organização autopoiética. A idéia de essêncianos remete com facilidade à idéia de permanência. Somente o essencial permanece. Porque o essencial é negüentrópico, gerador de ordem e pode, portanto, desenvolver-se num ambiente entrópico. As essências não são eternas, apenas permanecem enquanto vistas como tais pelas pessoas ou enquanto permanecerem os fenômenos que delas se originam. A permanência, por sua vez, assume uma posição central para a construção de estratégiasvoltadas para a sustentabilidade, porque estas duas palavras exigem um claro e explícito entendimento de que só serão sustentáveis as estratégias que estiverem assentadas numa perspectiva de aproveitamento permanente e reciclável dos recursos. Do ponto de vista cognitivo, a dinâmica do olhar essencial provoca uma perturbação nas pessoas que é respondida com uma emoção: a emoção da descoberta do seu próprio olhar essencial. E que na essência dos fenômenos não há nem feiúra nem beleza, apenas uma forma estética que constitui uma essência, a partir da qual é possível desenvolver a criatividade.
A c r ia t iv id a d el i b e r t a 0 p o d e r c r i a d o rd on o v o
A dinâmica do criar é ser imortal nos auxilia a ver a criatividade como uma força libertadora do poder criativo do novo que há em cada um de nós. Do ponto de vista cognitivo, esta dinâmica provoca uma perturbação nas pessoas que também é respondida com uma emoção: a emoção da descoberta do seu próprio poder criativo. Este emocionar emerge de uma atividade artesanal, de uma ação concreta, manual, onde a estratégia é absolutamente individual, não depende de mais ninguém além da própria criatividade da pessoa. É a afirmação da autopoiésis.
A CONSTRUÇÃO DO MUNDO É MEDIADA PELOS PADRÕES ESTÉTICOS
Mas é com a dinâmica da estética do belo que o ciclo de cognição se completa. Enquanto nas duas dinâmicas anteriores a resposta à perturbação é o emocionar pela descoberta, nesta a resposta da pessoa é um emocionar dado pelo não mais reconhecimento dos padrões estéticos da feiúra do ambiente em que vive como sendo os seus. A perspectiva cognitiva aberta pela abordagem estética é a dialógica do desconforto com a feiura do mundo, num processo de desconstrução de identidade e do prazer de sua transformação pelo poder criativo de cada um, buscando, agora sim, seu próprio caminho da beleza.
A organização autopoiética da Abordagem Estética, que resulta de sua estrutura cognitiva, é dada pela possibilidade de as pessoas, ao se emocionarem, redefinirem seus padrões estéticos com os quais mediam a construção quotidiana do ambiente em que vivem, reconstruindo as relações que mantém com a natureza e a sociedade deste espaço e, consequentemente, reconstruindo a identidade que emerge destas relações. Ou seja, reconstruindo sua organização autopoiética através das mudanças em sua estrutura cognitiva. Esta é a contribuição da Abordagem Estética para o desenho do m o d e l o. O núcleo de virtuosidade
cognitiva da Abordagem Estética é dado, então, pelo seguinte fractal:
O EMOCIONAR DaESSÊNCIA O EMOCIONAR VACUM TIVJDADE
COMO GARANTIA DE COMO GERADOR DO
PERMANÊNCIA DOS FENÔMENOS PODER CRIATIVO DO NOVO
O EMOCIONAR DA ESTÉTICA
COMO PADRÃO MEDIADOR DA CONSTRUÇÃO DO MUNDO
UMA ABORDAGEM COGNITIVA AO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO - CAPÍTULO 6. 180
6.2.2 - RESULTADOS DA ABORDAGEM COOPERATIVA
• 1 . ONTOGENIA DA ABORDAGEM COOPERATIVA
A abordagem cooperativa aplicada como introdução ao processo de planejamento estratégico somente tomou corpo quando esclarecemos as dinâmicas empíricas que utilizávamos em cursos anteriores a 1994 com os seguintes encontros: primeiro o texto de Maturana sobre emoções e linguagem na educação ( m a t u r a n a , 1992) , onde ele trabalha 0 conceito de
relações sociais como aquelas ditadas pelo afetivo e pela cooperação e que a cognição exige este tipo de relação. Segundo, o encontro com a matemática difusa e 0 conceito de pertinência, através de disciplina regular cursada no Doutorado. Terceiro, através de um texto de Arthur da Távola sobre o sentimento da afinidade, recebido de uma participante depois de um curso em que introduzimos 0 conceito de pertinência, e por último, através de um curso de alfabetização de adultos promovido pelo Banco do Brasil, com uma metodologia construtivista, do qual tive a oportunidade de participar como aluno. Neste curso vivenciei as emoções de descobertade técnicas cognitivas que incorporei ao meu trabalho, em especial a da representação gráfica de uma essência do outro, utilizada na dinâmica da pertinência, e a dinâmica do “cego”, utilizada na dinâmica da solidariedade. Até este esclarecimento, a abordagem cooperativa estava restrita a uma dinâmica na qual destacávamos o histórico das pessoas como forma de valorização tanto das pessoas como da história ambiental para os trabalhos de educação ambiental.
Os e x p e r i m e n t o s “A” e “B”, realizados em 1994, já continham os
discursos das relações sociais e da pertinência. No e x p e r i m e n t o “C”,
realizado em 1995, 0 modelo já foi apresentado na forma de um manual e incluía os discursos da afinidade e da solidariedade. Todas estas dinâmicas eram pensadas como introdutórias ao exercício de construção do domínio lingüístico, cuja dinâmica também fazia parte desta introdução. Esta seqüência foi aplicada até o e x p e r im e n t o “H”. O desenho
atual da Abordagem Cooperativa, dado pelas dinâmicas da p e r t i n ê n c i a, a f i n i d a d e e s o l i d a r i e d a d e e sua lógica cognitiva, partindo da inserção das
pessoas no universo, passando pela descoberta da afinidade como o mais sutil e estratégico dos sentimentos e chegando à solidariedade como a ação de responsabilizar-se pela parte de si existente no outro, somente tomou corpo com a realização do e x p e r i m e n t o “r , quando tivemos claras
as relações entre a estética, 0 cooperativo e o cognitivo na formulação de estratégias voltadas para a sustentabilidade.
• 2
- ESTRUTURA COGNITIVA DA ABORDAGEM COOPERATIVAO Planejamento Estratégico nesta Tese foi proposto como um processo de produção de conhecimento. E enquanto tal poderia ser aplicado à formulação de estratégias voltadas ao Desenvolvimento Sustentável. Este, por sua vez, exige uma qualificação do participante no paradigma da sustentabilidade. A abordagem cognitiva desenvolvida no Capítulo 3 e aplicada ao Modelo, no Capítulo 4, nos permite apontar o seguinte: a aplicação do paradigma da autopoiésis, enquanto fundamento epistêmico da abordagem cognitiva, implica considerar a produção de conhecimento como um resultado do processo de humanização das pessoas através da linguagem e de relações sociais explicitamente determinadas por um comportamento afetivo e cooperativo. A Abordagem Cooperativa surge, então, como uma resposta a esta implicação epistêmica do paradigma da autopoiésis. Sua estrutura cognitiva é dada pela seqüência que permite ao participante a construção do significado de três palavras-chaves para o
m o d e l o: pertinência, afinidade e solidariedade.
pertinência
É O RECONHECIMENTO DO FENÔMENO FÍSICO DA EXISTÊNCIA DE PARTES DE SI NO