VI.1. Programas Orçamentais
VI.1.3. Quadro Plurianual de Programação Orçamental
O Quadro Plurianual de Programação Orçamental estabelece os limites de despesa financiada por receitas gerais para o conjunto da Administração Central e para cada um dos seus Programas Orçamentais.
O limite de despesa para a Administração Central é consistente com as perspetivas de médio prazo para as finanças públicas e o saldo da Conta das Administrações Públicas em Contabilidade Nacional.
O valor global da despesa financiada por receitas gerais considera a distribuição pelo conjunto dos Programas Orçamentais. Para 2017 o valor global da despesa a financiar por receitas gerais representa cerca de 25,9% do PIB, quando representava cerca de 26,2% em 2016.
Montante Estrutura
%
Continente 3 677,5 89,1
Norte 658,5 15,9
Centro 38,8 0,9
Área Metropolitana de Lisboa 77,7 1,9
Alentejo 68,9 1,7
Algarve 7,6 0,2
Várias Nuts II do Continente 2 826,0 68,5
Açores 0,0 0,0
Madeira 0,0 0,0
Várias NUTS I do País 404,5 9,8
Estrangeiro 46,5 1,1
Despesa Total excluindo transf. do OE p/ SFA's 4 128,5 100,0 NUTS I e II
Orçam ento de 2017
Quadro VI.1.9. Limites de Despesa coberta por receitas gerais (milhões de euros)
Fonte: Ministério das Finanças
Tendo em vista que, nesta fase, o QPPO é atualizado em consonância com o Programa de Estabilidade (que já incorpora a estratégia do Governo para os quatro anos seguintes), faz sentido que, a base de partida para a atualização da Lei n.º 7-C/2016, de 31 de março, sejam os limites publicados em abril de 2016 com o Programa de Estabilidade, ajustados das políticas definidas para o Orçamento do Estado para 2017.
Face aos limites publicados no Programa de Estabilidade e para o ano de 2017, os programas com maiores alterações são:
O Programa das Finanças com uma diminuição de cerca de 188 milhões de euros (em parte causada pela eliminação do montante correspondente à dotação centralizada neste Programa que visava cobrir os encargos com a reversão da redução remuneratória que passou a ser orçamentada nas entidades de todos os Programas Orçamentais);
O Programa da Gestão da Dívida Pública com um incremento de cerca de 323 milhões de euros;
O Programa dos Órgãos de Soberania que apresenta um incremento do seu limite, em grande medida justificado com a passagem para este programa das dotações associadas ao pagamento das despesas com pessoal do Conselho Superior de Magistratura justificando, assim, e, em parte, a diminuição do limite de despesa financiada por Receitas Gerais do Programa da Justiça;
2017 2018 2019 2020
Soberania P001 - Órgãos de soberania 3 457
P002 - Governação 114 Social P010 - Ciência Tecnologia e Ensino Superior 1 461
P011 - Ensino Básico e Secundário e Administração Escolar 5 254 P012 - Trabalho, Solidariedade e Segurança Social 13 650
P013 - Saúde 8 125
28 490 28 324 Económ ica P004 - Finanças e Administração Pública 3 588
P005 - Gestão da Dívida Pública 7 543
P014 - Planeamento e Infraestruturas 813
P015 - Economia 340
P016 - Ambiente 79
P017 - Agricultura, Florestas, Desenvolvimento Rural e Mar 313
P018 - Mar 48
O Programa Orçamental do Ensino Básico e Secundário e Administração Escolar e o Programa da Saúde apresentam um incremento do seu limite, principalmente justificado pela necessidade de fazer face à completa reversão das reduções remuneratórias;
A diminuição do limite de despesa financiada por receitas gerais do Programa Orçamental Planeamento e Infraestruturas deve-se à diminuição do valor da Indeminização Compensatória afeta à Infraestruturas de Portugal, SA, que tinha sido considerada no exercício do Programa de Estabilidade;
O Programa Orçamental da Agricultura, Florestas, Desenvolvimento Rural e Mar apresenta uma diminuição do seu limite de despesa financiada por receitas gerais, dado que a pressão que afetava este Programa se devia à Contrapartida Pública Nacional associada a projetos cofinanciados, a qual passou a contar, complementarmente, com uma dotação centralizada no Programa das Finanças.
Face aos limites publicados no Programa de Estabilidade, o limite de despesa da Administração Central financiada por Receitas Gerais apresenta, em 2017, um acréscimo de 596 milhões de euros, enquanto em 2018 a 2020 os limites se situam inalterados face aos publicados no Programa de Estabilidade (abril de 2016).
Importa ainda referir que o Programa “Finanças e Administração Pública” integra dotações específicas de despesa não associadas ao funcionamento das entidades, como as transferências no âmbito do Capítulo 60 – «Despesas Excecionais», dotações centralizadas com finalidades específicas para a prossecução de políticas que concorram para a resolução de necessidades das entidades da Administração Central, e ainda a Contribuição Financeira de Portugal para a União Europeia – Capítulo 70.
Repartição dos limites de despesa financiada por Receitas Gerais
A repartição dos limites de despesa financiada por receitas gerais pelos diversos agregados no ano de 2017, tem subjacente um crescimento da despesa de 1,7% e da despesa primária de 2%, em relação aos valores implícitos ao Orçamento do Estado do ano precedente. Prevê-se que os recursos do Orçamento do Estado necessários ao financiamento da despesa com juros e outros encargos da dívida direta do Estado se mantenham sensivelmente inalterados em 2017.
Quadro VI.1.10. Repartição dos limites de despesa financiada por Receitas Gerais (milhões de euros)
2016 2017
Orçam ento Orçam ento Var. absoluta Var. relativa (%)
1. Projetos (a) 584,0 594,2 10,2 1,8
2. Dotações específicas por program as 39 016,7 39 515,5 498,8 1,3
001 - Órgãos de Soberania 3 110,0 3 243,0 132,9 4,3
Transferências para a Assembleia da República 90,6 153,1 62,6 69,1
Transferências para as Regiões Autónomas - Lei de Finanças Regionais 496,3 492,4 -3,9 -0,8
Transferências orçamentais (art.º 48.º) 354,5 351,7 -2,8 -0,8
Fundo de Coesão para as Regiões Ultraperiféricas (art.º 49.º) 141,8 140,7 -1,1 -0,8
Transferências para a Administração Local 2 523,2 2 597,4 74,3 2,9
Lei das Finanças Locais - Participação Variável dos Municípios no IRS 398,5 375,8 -22,7 -5,7
Lei das Finanças Locais - outras componentes 2 101,2 2 197,9 96,6 4,6
Outras 23,4 23,8 0,4 1,7
003 - Representação Externa 71,5 71,5 0,0 0,0
Quotizações para organizações internacionais 71,5 71,5 0,0 0,0
004 - Finanças 3 353,4 3 353,2 -0,2 0,0
Transferências de receita consignada 248,4 235,5 -12,9 -5,2
Contribuições sobre o setor bancário 210,0 187,0 -23,0 -11,0
Cobranças coercivas 38,4 48,5 10,1 26,4
Capítulo 60 - "Despesas excecionais" - DG do Tesouro e Finanças 478,8 467,1 -11,7 -2,5
Bonificação de juros 72,5 49,5 -22,9 -31,6
Subsídios e indemnizações compensatórias 107,7 99,5 -8,3 -7,7
Encargos com protocolos de cobrança 21,2 21,2 0,0 0,0
Outras 277,4 296,9 19,5 7,0
Dotação provisional 501,7 535,0 33,3 6,6
Dotações centralizadas 447,2 503,0 55,8 12,5
Reversão da redução remuneratória nas Administrações Públicas 447,2 0,0 -447,2 -100,0
Regularização de passivos não financeiros da Administração Central 0,0 300,0 300,0
-Contrapartida pública nacional global 0,0 100,0 100,0
-Orçamento Portugal Participativo 0,0 3,0 3,0
-Sustentabilidade do setor da saúde 0,0 100,0 100,0
-Contribuição financeira para o orçamento da União Europeia 1 677,3 1 612,7 -64,7 -3,9
005 - Gestão da Dívida Pública 7 546,0 7 543,1 -2,9 0,0
Juros da dívida direta do Estado 7 546,0 7 543,1 -2,9 0,0
006 - Defesa 424,4 452,6 28,2 6,7
Encargos com saúde 20,0 20,0 0,0 0,0
Forças nacionais destacadas 56,5 58,0 1,5 2,7
Lei da Programação Militar 230,0 250,0 20,0 8,7
Pensões e reformas 117,9 124,6 6,7 5,7
007 - Segurança Interna 127,4 109,6 -17,8 -14,0
Pensões e reformas 127,4 105,2 -22,2 -17,4
Encargos com saúde 0,0 4,3 4,3
-009 - Cultura 199,2 214,0 14,8 7,4
Subsídios e indemnizações compensatórias 19,0 26,3 7,2 38,0
Transferências de receita consignada - Contribuição sobre o audiovisual 180,2 183,7 3,5 2,0
Porte pago / apoios à Comunicação Social 0,0 4,0 4,0
-010 - Ciência, Tecnologia e Ensino Superior 1 055,0 1 115,2 60,2 5,7
Ensino superior e ação social 1 055,0 1 115,2 60,2 5,7
011 - Ensino Básico e Secundário e Adm inistração Escolar 716,7 752,4 35,8 5,0
Educação pré-escolar 462,4 529,4 67,0 14,5
Transferências para o ensino particular e cooperativo 254,3 223,0 -31,3 -12,3
0,1
Nota: Não inclui ativos financeiros nem passivos financeiros. Valores não abatidos de cativos.
(a) - Exclui as seguintes componentes: a parte da transferência para a Infraestruturas de Portugal, S.A. relativa à contribuição do serviço rodoviário afeta à componente de projetos do orçamento daquela entidade, no valor de 524,2 e 553,3 milhões de euros, em 2016 e 2017, respetivamente; a parte da transferência para o Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, I.P. relativa à consignação de receita do Imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos, no valor de 10 milhões de euros, em 2017.
O contributo para o crescimento da despesa financiada por receitas gerais decorre dos seguintes fatores: Aumento da transferência do Orçamento do Estado para o Serviço Nacional de Saúde (+2%), tendo em vista o financiamento: do impacto orçamental associado à reversão integral da medida de redução remuneratória e da reposição do horário de trabalho de 35 horas;
do investimento em algumas unidades hospitalares; das medidas de política previstas na área dos cuidados primários e continuados;
Acréscimo do nível de financiamento do regime de proteção social convergente pelo Orçamento do Estado em 2,2%, o que decorre essencialmente de o sistema de pensões gerido pela Caixa Geral de Aposentações, I.P. se encontrar encerrado desde 2006, com a consequente redução do número de subscritores;
Reforço das transferências para a Administração Local visando dar cumprimento à Lei das Finanças Locais, em 2,9%, com especial destaque para as que se realizam no âmbito do Fundo de Estabilização Financeira, o qual integra uma componente relativa ao financiamento das despesas de funcionamento e investimento dos municípios (Fundo Geral Municipal) e uma outra cujo objetivo é o de reforçar a coesão municipal, fomentando a correção de assimetrias em benefício dos municípios menos desenvolvidos (Fundo de Coesão Municipal);
Reforço dos meios destinados ao alargamento da rede pública de educação pré-escolar (+14,5%), visando a concretização progressiva do objetivo de assegurar a universalidade da oferta da educação pré-escolar às crianças dos três aos seis anos de idade;
Aumento das verbas do Orçamento do Estado afetas à Assembleia da República com a finalidade de dotar esta entidade dos meios necessários ao pagamento das subvenções estatais para a campanha das eleições autárquicas a ocorrer em 2017;
Reforço das verbas afetas ao financiamento do Ensino Superior e da despesa com ação social (+5,7%), visando a cobertura dos encargos acrescidos com a eliminação da reversão da medida de redução incidente sobre as remunerações dos quadros de pessoal docente, de investigação
2016 2017
Orçam ento Orçam ento Var. absoluta Var. relativa (%)
012 - Trabalho, Solidariedade e Segurança Social 13 593,7 13 622,6 29,0 0,2
Pensões e reformas 4 938,0 5 046,5 108,6 2,2
Transferências para a Segurança Social 8 655,7 8 576,1 -79,6 -0,9
Lei de bases 7 400,6 7 303,7 -96,8 -1,3
IVA social 773,6 796,8 23,2 3,0
Pensões dos bancários 481,5 475,6 -6,0 -1,2
013 - Saúde 7 936,6 8 092,7 156,1 2,0
Transferências receita consignada - Contribuição Extraord. Ind. Farmacêutica 14,0 14,0 0,0 0,0
Transferências para o Serviço Nacional de Saúde 7 922,6 8 078,7 156,1 2,0
014 - Planeam ento e Infraestruturas 721,2 770,8 49,6 6,9
Subsídios e indemnizações compensatórias 38,4 86,4 48,0 125,1
Transferências de receita consignada - Contribuição de Serviço Rodoviário 682,8 684,4 1,6 0,2
015 - Econom ia 106,4 106,4 0,0 0,0
Transferências de receita consignada 106,4 106,4 0,0 0,0
Contribuição Extraordinária sobre o Setor Energético 90,0 90,0 0,0 0,0
IVA turismo 16,4 16,4 0,0 0,0
016 - Am biente 34,6 32,9 -1,7 -4,8
Subsídios e indemnizações compensatórias 6,8 6,8 0,0 0,4
Transferências de receita consignada - ISP 27,8 26,1 -1,7 -6,1
017 - Agricultura, Florestas, Desenvolvim ento Rural e Mar 20,6 35,4 14,8 71,8
Transferências de receita consignada - ISP e adicional ao ISP 20,6 35,4 14,8 71,8
3. Funcionam ento em sentido estrito 8 955,5 9 248,7 293,2 3,3
Despesa efetiva (1.+2.+3.) 48 556,2 49 358,4 802,2 1,7
0,0
e não docente, a qual não só será integral em 2017, como será financiada pelos orçamentos das entidades (enquanto em 2016 é coberta por contrapartida da dotação centralizada inscrita no orçamento do Ministério das Finanças para aquela finalidade). De relevar ainda o acréscimo de meios afetos ao reforço dos instrumentos de apoio social à frequência do ensino superior;
Inscrição de três dotações centralizadas no orçamento do Ministério das Finanças: uma primeira, no valor de 100 milhões de euros, tendo por finalidade assegurar o reforço da contrapartida pública nacional associada a projetos cofinanciados cuja execução ultrapasse a verba inicialmente prevista para o ano de 2017; uma segunda, no valor de 100 milhões de euros, visando a reforçar a sustentabilidade do sector da saúde sustentabilidade; e uma última, no montante de 300 milhões de euros, destinada à regularização de passivos não financeiros da Administração Central;
Aumento do valor da indemnização compensatória a atribuir em 2017 à Infraestruturas de Portugal, S.A., visando situá-la a um nível que permita cobrir integralmente os gastos decorrentes das obrigações de serviço público que não possam estar cobertos pelas receitas das atividades desta entidade, em cumprimento do direito europeu em matéria de equilíbrio das contas do gestor da infraestrutura ferroviária.
De referir que o aumento das despesas de funcionamento em sentido estrito se deve, em parte, ao facto de, no Orçamento do Estado para 2016, o regime de eliminação progressiva da medida de redução remuneratória durante aquele ano, previsto na Lei n.º 159-A/2015, de 30 de dezembro, ser financiado pela dotação centralizada inscrita no orçamento do Ministério das Finanças para aquele efeito enquanto, em 2017, será assegurado por conta das verbas inscritas nos orçamentos das entidades.