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133 Portanto, em função das observações locais, da interpretação dos resultados da pesquisa de campo e dos dados obtidos nos depoimentos de moradores e de responsáveis pela aplicação de políticas públicas no Combu, concluímos pela existência de um relacionamento harmônico entre Belém e a ilha ainda que pontilhado por situações de antropisação oriundas no continente e que se refletem no estuário, concluímos também que a população ribeirinha que habita o Combu está satisfeita com a vida que leva no ambiente insular, ainda que sinta os efeitos das carências em relação à infra-estrutura de saúde, educação e habitacionais hoje disponibilizadas lá, concluímos ainda que não há como caracterizar a exploração existente dos frutos da terra no Combu como elos de cadeias produtivas com impacto significativo na economia regional e finalmente concluímos que Belém precisa ter mais agilidade na solução de sua agenda “marrom” que acaba se refletindo no ambiente estuarino, como forma de permitir ao Combu cumprir uma agenda “verde” na busca da consolidação da sustentabilidade insular.
A figura apresentada a seguir (FIG. 54), busca traduzir espacialmente em linhas gerais o que se observou ao longo do processo de pesquisa e construção desta dissertação.
135 Sem ter a presunção de transformar-se num produto acabado, a montagem terá cumprido seu papel no conjunto da dissertação se servir como foco para um olhar mais atento ao espaço representado por esse ponto da fronteira sul do município.
Na montagem destacamos os usos produtivos dos espaços mais internos da ilha e a dispersão do uso habitacional ao longo das margens dos igarapés Combu e Periquitaquara e da orla Sul da ilha. Na orla Norte manifesta-se maior influência de Belém em termos de usos e de acúmulo de resíduos trazidos pelas correntes fluviais. Isso significa que o modo de ocupação, os sistemas produtivos e as necessidades ambientais estão articulados positivamente e que tal padrão sócio-espacial deve ser preservado para que o equilíbrio hoje constatado na interface insular x urbana contribua para a conservação da biodiversidade na fronteira sul de Belém,
Na ilha do Combu, o que se nos evidencia a partir da pesquisa, é a existência de uma comunidade que busca consolidar a ocupação do espaço a partir de práticas históricas no trato com a natureza, mas que não se beneficia dos avanços consolidados na metrópole que se emoldura na paisagem em frente à mesma, sofrendo muito mais com os resultados das pressões que sofre advindas de Belém; como é o caso do lixo lançado sobre o rio Guamá e que vai se depositar na costa da ilha; e com as impossibilidades de ver materializados no ambiente insular, entre outras coisas, os benefícios de uma educação eficiente e voltada para a sustentabilidade do arquipélago onde está inserida, desejo de muitos dos entrevistados na pesquisa.
Parece-nos urgente encontrar alternativas viáveis para a conservação do ambiente de várzea existente na ilha e para a manutenção da ocupação hoje observada por lá, sem permitir que as pressões do neoliberalismo econômico que grassa boa parte da economia observada no estuário; incluindo nelas as pressões habitacionais e pela implementação do turismo no ambiente insular; possam consolidar-se sem que a população da ilha seja provida prioritariamente de mecanismos de defesa que não a torne refém de uma ocupação predatória.
Nossas conclusões, sugestões e recomendações estão postas como ferramentas de apoio no sentido de auxiliar na discussão que possa consolidar o pensamento sobre aquilo que consideramos a interface insular/urbana que se forma no Combu em relação a Belém e que para nós representam a espacialidade e a sustentabilidade da ilha, observada na primeira metade deste ano de 2006.
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OBS: além desse referencial bibliográfico foram utilizados os dados relativos às observações do autor realizadas nas viagens de campo em 2005.