CAPÍTULO 1 APROXIMAÇÕES ENTRE POLÍTICAS SOCIAIS E
1.3 SÉCULO XX: DA MERITOCRACIA À UNIVERSALIZAÇÃO DAS
1.3.5 Quadro síntese das políticas e avanços sociais
A seguir encontra-se o quadro síntese que apresenta as políticas e os avanços sociais discutidos no decorrer deste capítulo, desde a Lei dos Pobres até o contexto atual.
(continua)
Ano País Política Direcionamento Situação/Avanços
1349 Inglaterra The Ordinance of Labourers – Decreto dos
Operários
Instituiu que nenhuma pessoa com condições de sustento (trabalhador ou empregador)
poderia auxiliar ou assistir
mendigos.
A situação dos pobres estava
agravada pelas condições
econômicas e sociais.
1388 Inglaterra The Statute of Cambridge –
Estatuto de Cambrigde
Introduziu regulações que
restringiam movimentos dos
trabalhadores e mendigos (sair da sua região, por exemplo).
1388 Inglaterra Poor Law Act - Lei dos Pobres
Considerada como uma das primeiras políticas sociais. Esta lei atendia os andarilhos e tinha
como objetivo combater a
“vagabundagem”.
Estes andarilhos deveriam ser confinados, pois a pobreza sem território poderia causar muitos danos à ordem social.
Esta lei não tinha um caráter social e assistencialista por princípio, mas sim, um caráter punitivo.
Possibilitou a fixação de salários,
mantendo a restrição de
movimentos (cada trabalhador
deveria manter-se em sua região).
1536 Inglaterra Ato de 1536 Instituiu que as igrejas deveriam ter uma caixa de arrecadação de
fundos para ajudar os
impossibilitados
Mantinha com severidade as
punições para aqueles
considerados capazes e que não trabalhavam. Houve a proibição do pedido de esmolas.
1572 Inglaterra Taxa dos pobres
Este imposto deveria ser
administrado em cada região, pela paróquia responsável e era destinado ao atendimento de idosos, enfermos e miseráveis.
Algumas ações menos punitivas
começaram a ocorrer. Foram
nomeados responsáveis em cada paróquia para buscar emprego para os pobres, como também encontrar lugares para a construção de casas para incapazes.
1601 Inglaterra The Act for the Relief of the Poor – Lei para
o Alívio dos Pobres
Trata-se de uma revisão das
políticas voltadas para os
pobres. Tinha como objetivos
tornar a paróquia unidade
administrativa responsável pela assistência aos pobres e a coleta
de taxas; criar asilos ou
hospícios para os idosos e deficientes (sem família); criar casas de correção para os
pobres com condições de
trabalho; instruir as crianças para o trabalho; criar workhouses.
Preocupação para a preparação dos sujeitos para o trabalho. Ainda mantinha o caráter punitivo para todos os que eram considerados aptos à atividade laboral e não o faziam. As paróquias continuavam
como gestoras da pobreza,
inclusive usufruindo, em alguns casos, das atividades e dos salários de seus assistidos. A assistência era restrita aos moradores da região, fundamento que se mantem na assistência social atual. QUADRO 1: Síntese das políticas e avanços sociais
(continuação)
Ano País Política Direcionamento Situação/Avanços
1834 Inglaterra Poor Law – Lei dos Pobres ou Nova Lei dos
Pobres
Alterava a lei anterior (1601) e exigia a melhor aplicação das leis relativas à pobreza. Esta lei
institui a nomeação de
comissários para a
administração e fiscalização das casas de assistência.
A nova lei surge para superar a condição de não trabalho, de muitas pessoas que estavam sobrevivendo sem realizar qualquer atividade (por meio da assistência ou doações). Os capazes não poderiam pedir auxílio nas casas de assistência ou
nas paróquias. Os auxílios
deveriam destinar-se apenas aos
realmente necessitados
(merecedores). Preocupação com
as crianças assistidas, ser
educadas para o trabalho.
Formação de trabalhadores para suprir a necessidade de mão de obra na indústria.
As workhouses passam de casas de punição e correção para casas de formação.
1834 Inglaterra Lei dos Pobres Objetivava a educação dos capazes, mas se restringia a uma instrução para o trabalho e para aceitação das condições postas pela classe dominante.
Diminuição do salário e exploração
do trabalhador do campo.
Transformação da categoria
pobreza: do ideal clássico, condição
como circunstância necessária
diante do desejo divino, ao
explorado nas relações sociais oriundas do capitalismo no Estado Moderno.
Retrocessos em relação à situação
da pobreza. Processo de
exploração do trabalho pelo capital.
1789 França Carta de Convocação dos Estados
Gerais
Após o encontro dos
representantes, uma nova
política é pensada,
ultrapassando as assembleias individuais (terceiro estado, clero e nobreza), unificando-as em
uma única Assembleia
Legislativa, instituindo os
poderes legislativo, executivo e judiciário, limitando assim os poderios monárquicos
A revolução buscava por meio de ideias progressistas, vencer a opressão proveniente do sistema feudal.
A crise foi se alastrando por todo o território, até os mais longínquos campos.
A revolução estava logrando êxito em sua fase inicial, principalmente com a queda da Bastilha, em julho de 1789.
1789 França Declaração dos Direitos do
Homem e do Cidadão
Com dezessete artigos, esta Declaração traz direitos de ordem de igualdade entre os homens, da liberdade a qual
todos podem gozar e os
preceitos da fraternidade.
É o primeiro documento formal que registra os direitos do homem, configurando-se como um avanço,
considerado pelo momento
histórico em que está alocado. Artigos prescritos nesta Declaração
serão fundamentos para a
“Declaração dos Direitos
Humanos”, publicada em 1948, no pós-guerra.
Baseia-se num contexto de
consolidação da sociedade
burguesa francesa, em que tais direitos refletem princípios liberais. QUADRO 1: Síntese das políticas e avanços sociais
(continuação)
Ano País Política Direcionamento Situação/Avanços
1791 França Constituição Francesa
A partir deste primeiro texto
constitucional do período
revolucionário, registram-se
consideráveis conquistas em
relação às demandas
apresentadas pelo terceiro
estado nos anos anteriores.
No texto introdutório, apresenta-se a extinção da nobreza e de todos os direitos a ela ligados. Também limita a participação do clero nas decisões políticas da Assembleia, considerando que por meio do voto,
o cidadão escolhe os seus
representantes.
Traz em suas disposições
fundamentais a prescrição de direitos naturais e civis, os quais estão à frente da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
1791 França Lei Le Chapelier Prescreveu a proibição da associação de trabalhadores, sindicatos, deliberações ou greves.
Representava o domínio burguês clássico, que tinha como preceitos a liberdade civil ao indivíduo cidadão, garantindo que a ordem seria estabelecida por um governo de contribuintes (todos) e proprietários (burgueses). Apresentava-se como contrária aos direitos estabelecidos na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, na qual registrava-se o direito à coalizão.
1793 França Lei do Máximo Geral
Esta lei foi criada pelos jacobinos (pequenos burgueses) como tentativa de controle da inflação, em decorrência dos altos juros.
A implantação refletiu em boicotes
dos produtores de alimentos
(burgueses), levando à carência de diversos produtos. Este processo culminou em disputas internas, na qual Robespierre chega ao poder. Inicia-se a República Jacobina.
1793 França Constituição Francesa
Foi a primeira constituição
democrática de um Estado moderno. Contemplava o direito do povo ao sufrágio universal, como também o direito à
insurreição, trabalho ou
subsistência. O texto
referendava que a felicidade de todos era objetivo do governo e os direitos do povo deveriam ser acessíveis e operantes.
Esta constituição de 1793 trouxe em sua publicação a “Declaração dos Direitos do Homem”, ampliando os direitos do homem contemplados na declaração de 1789.
O governo deve se instituir para que o homem goze dos seus direitos
sagrados e imprescritíveis:
liberdade, igualdade, seguridade e propriedade.
1833 Inglaterra Factory Act Regulamenta a carga horária diária de 12 horas de trabalho e intervalos para alimentação.
Esta condição foi de difícil aplicação pelos industriais. Nem mesmo as
crianças pequenas eram
respeitadas. Vários abusos são presenciados nas mais diversas linhas de produção.
1907 Inglaterra Seguro social Sistema de assistência aos acidentes de trabalho e à velhice.
No início deste século, os direitos provenientes dos seguros sociais começam a ganhar um novo status, sendo incorporados aos textos constitucionais de diversos países. A constituição pioneira a incluir a previdência social foi a mexicana (1917). Depois segue em larga expansão pelo leste europeu, como na constituição alemã, depois na francesa, inglesa e em demais países.
1908 Inglaterra Old Age Pensions Act
São instituídas as pensões para
os maiores de 70 anos,
independente de contribuição ou não.
1911 Inglaterra National Insurance Act
Processo compulsório das
contribuições sociais, tanto do
empregador, quando do
empregado e do próprio Estado.
(conclusão)
Ano País Política Direcionamento Situação/Avanços
1917 França Tratado de Versalhes
Criada a Organização
Internacional do Trabalho (OIT)
Surge com objetivo de assegurar a condição do trabalhador em realizar suas atividades e salvaguardar sua relação com o empregador. Busca a
ampliação dos direitos do
trabalhador, extensivas a sua família. 1948 França Declaração Universal dos Direitos do Homem Apontava os direitos
fundamentais do ser humano (independente da idade ou sexo).
Estas reorganizações tanto nos aspectos sociais, quanto políticos (Estado e governo), as ações sociais significaram o ciclo da seguridade no âmbito das políticas sociais, a qual já tinha ultrapassado o seguro social, o assistencialismo e a caridade (não que estes deixaram de existir).
1934 Brasil Constituição Direitos passam a ser
salvaguardados ao povo
brasileiro. Pode-se citar o direito ao voto; igualdade perante a lei; livre expressão política, filosófica e religiosa; a instrução pública e gratuita.
Destaca-se nesta Constituição, os
direitos relativos ao trabalho:
proteção social; salário mínimo; jornada; férias anuais remuneradas; instituição de previdência; amparo à
maternidade e à infância;
indenização por acidentes de
trabalho; atendimento aos
desempregados.
1937 Brasil Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT)
Para regulamentação da
legislação trabalhista foi criada a Justiça do Trabalho e a CLT.
No mesmo período, outras medidas foram tomadas, como a instituição
da Carteira de Trabalho, a
Expansão das Caixas de
Aposentadoria e Pensão (CAP) e a
criação dos Institutos de
Aposentadoria e Pensão (IAP). As conquistas sociais representam a “bondade” do estado paternalista. QUADRO 1: Síntese das políticas e avanços sociais