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5.2 ANÁLISE DA ATIVIDADE FINAL

5.2.2 Questões de compreensão inferencial

Para investigarmos se os alunos conseguem compreender o texto, fazendo inferências, a partir das pistas textuais deixadas pelo autor, deduzindo, dessa maneira, as informações implícitas, apresentamos a eles as questões 4(a) e 8.

Q4. Ao lermos o título da notícia Governo paraense inicia combate ao bullying nas escolas, é possível depreendermos alguns dados. Analise esse título e responda

a) O índice de ocorrência da prática de bullying, nas escolas paraenses, é expressivo ou não? Explique.

Q8. Após os encontros de formação de agentes de prevenção ao bullying, que serão realizados no decorrer do ano de 2016, será elaborada uma cartilha contendo diversas orientações sobre o bullying, entre elas, orientações sobre como navegar de forma segura na web e o convívio mais seguro nas redes sociais. Quais seriam essas orientações?

As questões 4(a) e 8 se enquadram no nível inferencial da etapa de compreensão. Segundo Menegassi (2010), nesse nível, o leitor consegue ampliar seus esquemas cognitivos ao adentrar no texto e perceber, por meio de elementos textuais, informações que não estão presentes em sua superfície. Para resolver perguntas de nível inferencial, o aluno-leitor precisa relacionar os elementos presentes no texto aos seus conhecimentos prévios e, assim, realizar inferências, produzindo sentidos ao enunciado. Dessa maneira, a resposta a esse tipo de pergunta “não está no texto, está na relação do texto com as inferências produzidas pelo leitor” (MENEGASSI, 2010, p. 180). Portanto, os discentes terão que refletir sobre o que leram, mas deverão buscar as respostas no contextual, ou seja, em elementos extralinguísticos.

Como resposta à Q4(a), esperávamos que os alunos, a partir dos elementos textuais “inicia combate”, presentes no título da notícia, inferissem que o índice de ocorrência da prática de bullying nas escolas paraense é expressivo. Além disso,

presumíamos que eles dessem uma explicação lógica, com base em seus conhecimentos de mundo, para as suas respostas, como: alguém só combate aquilo que existe de forma expressiva e incomoda; as ações erradas precisam ser combatidas; quando algo incorreto acontece na sociedade, o governo precisa tomar medidas.

Conforme apresentamos a seguir, as respostas à Q4(a) evidenciaram que os dez alunos selecionados conseguiram adentrar no texto, identificar as pistas textuais, refletir sobre elas, relacioná-las aos seus conhecimentos de mundo, produzir inferências e construírem respostas-enunciados coerentes à questão que lhes foi proposta.

Jade: “O índice de ocorrência da prática de bullying nas escolas paraenses, é expressivo, porque se não fosse expressivo o governo não iria combate-lo”. Jessy Aline: “O indice de ocorrencia da pratica de bullying e expressiva porque o governo faz uma ação para combate o bullying”.

Jordan: “O indice é expressivo, poque não seria iniciado o combate do bullying se não fosse”.

Julie: “O índice de ocorrência de prática de bullying é expressivo, porque se não acontecesse nas escolas eles não precisariam combater e fazer leis etc...”. Melissa: “O índice de ocorrência da prática de Bullying nas escolas e expressivo, porque se não houvesse ocorrência o governo paraense não iniciaria um combate ao bullying nas escolas”.

Oliver: “O índice de ocorrência da prática de bullying, nas escolas paraenses, é expressivo porque o governo paraense não ia inicia uma coisa que não existe”. Rebeca: “O índice de olcorrência da prática do Bullying e expressivo, porque se não houvesse o Bullying o governo não ia precisar combater eles não iam combater uma coisa que não existe.

Vilella: “O índice de ocorrência de pratica de bullying é exprecivo, porque o bullying e visível porque muitas pessoas sofrem com o bullying e se apenas lançarem uma lei eles não vão conseguir combater”.

Yasmin: “O índice é expressivo, porque se não houvesse nas escolas eles não fazeriam a lei para esse combate ao bullying”.

Yasmin Sofia: “O indice de ocorrencia e expressivo, porque se não fosse expressivo ninguém combateria o bullying nas escolas”.

No entanto, vale ressaltar que a produção dessas respostas-enunciados dependeu de um trabalho árduo envolvendo a professora-pesquisadora e os alunos.

Durante a resolução da Q4(a), os discentes demandaram muito a nossa mediação. A dificuldade inicial surgiu em função de eles não entenderem a pergunta “O índice de ocorrência da prática de bullying, nas escolas paraenses, é expressivo ou não?”. Diante disso, fizemos o questionamento em voz alta, dando ênfase à entonação, mas percebemos, na expressão facial de alguns deles, que continuavam sem entender. Então, indagamos à turma se havia alguma palavra naquela questão que eles não conheciam o significado. De imediato, apontaram as palavras “índice” e “expressivo”. Logo, com outros enunciados, por meio de exemplos práticos, apresentamos aos discentes o significado das palavras. Além disso, falamos da importância do uso do dicionário para verificar verbetes, cujos significados desconhecemos.

Segundo Kleiman (2016, p.17), “o conhecimento linguístico desempenha um papel fundamental no processamento do texto” (grifo da autora) e a falta dele pode ocasionar problemas à compreensão. Como constatamos, o desconhecimento da conceituação dos termos “índice” e “expressivo” no enunciado da Q4(a) causou um problema de ordem linguística para os alunos, dificultando suas compreensões. Assim, se não houvesse nossa mediação, grande parte dos alunos não conseguiria resolvê-la adequadamente.

A segunda dificuldade manifestou-se em função de alguns discentes não saberem quais conhecimentos acionar para responder à questão, como podemos constatar na seguinte dúvida: “tia, de onde eu tiro essa resposta? Da minha cabeça ou do título do que a senhora deu?”. Dessa maneira, intervimos explicando que a resposta deveria partir de elementos presentes no título da notícia, os quais deveriam ser relacionados com os conhecimentos que eles possuíam sobre o tema tratado. Ademais, recorremos à exemplificação com outros enunciados.

Nas respostas de Julie, Vilella e Yasmim à Q4(a), identificamos que esses alunos, ao explicarem o porquê da ocorrência da prática de bullying nas escolas ser expressivo, mencionaram o termo “lei(s)”. Nesses registros, os discentes demonstraram seus conhecimentos enciclopédicos internalizados oriundos das atividades realizadas no desenvolvimento do bloco didático I do projeto pedagógico de leitura, como: leitura de memes sobre a Lei Federal nº 13.185/2015; leitura da notícia Dilma sanciona lei contra o bullying, e escolas devem impedir a intimidação; pesquisa realizada, em equipes, sobre a referida lei.

Na Q8, tencionávamos que, em suas respostas, os alunos elencassem possíveis orientações sobre como navegar de forma segura na web e, dessa maneira, conviver de forma mais segura nas redes sociais (sem ser vítima de ciberbullying e nem praticá-lo). Para isso, eles precisavam refletir sobre a pergunta, sobre o texto e inferir quais seriam as orientações que comporiam a cartilha cuja elaboração ocorreria após os encontros de formação de agentes de prevenção ao bullying.

Diante das respostas-enunciados dos alunos à Q8, observamos que nove alunos responderam adequadamente. Todavia, um não conseguiu elaborar sua resposta de acordo com o que foi solicitado no comando da questão.

Jade: “As orientações para ter um convívio mais seguro nas redes sociais seriam: não mandar vídeos de intimidade de pessoas, não aceitar falar com os estranhos virtualmente”.

Oliver: “As orientações para combater isto são: não mandar nudes, não mandar videos sexuais, não faze bullying pelo celular, não copatinhá videos é fotos intimas é etc...”.

Vilella: “As orientações para conviver seguro na web: é guardar coisas da sua intimidade e não fica mostrando porai para as pessoas não ficarem ferindo você ou você ferir alguêm”.

Yasmin Sofia: “As orientações pra conviver seriam: não aceitar pessoas que você não conheça no facebook, não manda nudes pras pessoas que você conheça ou não conheça e se elas mandarem pra você procure seus pais e avise eles que eles vão orienta você”.

Jade, Oliver, Vilella e Yasmin Sofia estão entre os nove alunos que conseguiram atender ao propósito da pergunta. Com base em suas respostas, deduzimos que eles refletiram sobre a pergunta e, a partir da leitura do texto, relacionaram os elementos presentes nele aos seus conhecimentos prévios, inferindo quais seriam as orientações que comporiam a cartilha.

Ao observar os discursos desses alunos, nos trechos “não mandar vídeos de intimidade de pessoas”, “não faze bullying pelo celular, não copatinhá videos é fotos intimas”, “não manda nudes pras pessoas que você conheça ou não conheça”, “não fica mostrando porai [coisas de sua intimidade] para as pessoas não ficarem ferindo você ou você ferir alguêm”, reconhecemos informações decorrentes de seus conhecimentos enciclopédicos ampliados pela pesquisa sobre a Lei Federal nº

13.185/2015 e pela apresentação oral do cartaz produzido por uma equipe de alunos, no qual foi explicitado como ocorre o ciberbullying.

Yasmin Sofia, em sua resposta, foi além do que lhe foi exigido na pergunta. A aluna diante da hipótese de alguém receber “nudes” por meio virtual, determina aos seus pares que confiem o fato ocorrido aos pais, justificando que eles irão orientá- los.

Jordan: “As orientaçoes para navegar seguro na web é não aseitar pessas estranhos”.

Ao analisarmos a resposta-enunciado de Jordan à Q8, constatamos que o aluno não conseguiu atender ao que lhe foi solicitado na questão. Nessa resposta, ao embasar-se em informações contextuais, manifestou habilidade de inferir. No entanto, produziu um enunciado muito objetivo, no qual aborda a temática de forma geral e apresenta uma única orientação “(...) é não aseitar pessas estranhos”. Percebemos que o aluno não considerou o que lhe foi solicitado no comando da questão, não apresentando as orientações relacionadas a um dos aspectos do tema tratado: o ciberbullying.

Durante a resolução de Q8, quase todos os alunos interagiram conosco, primeiramente, querendo constatar se a compreensão que eles tiveram do enunciado da questão era adequada. Depois, se a resposta construída estava de acordo com a pergunta. Dos alunos que solicitaram nossa mediação, apenas dois não haviam entendido a pergunta, todos produziram respostas satisfatórias.

Convém salientar que várias situações chamaram nossa atenção nessa interação, entre elas: a percepção dos alunos de que a resolução da questão inicia- se pela compreensão da questão-enunciado; o avanço na compreensão da pergunta e na habilidade de realizar inferências; a escrita e reescrita das respostas no caderno para depois passar para folha de atividade.