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REGRESSÃO DE MEMÓRIA

No documento A Magia Do Mundo Mental (páginas 112-150)

"A vida intra-uterina define as condições humanas." Quando ouvi essa afirmação de minha mestra, Maria Luiza Zancheta (uma religiosa que trabalhava com regressão), não concordava completamente com a sua posição. Mas, passaram-se os anos e tenho de admitir que ela estava com toda a razão.

É realmente nesse período que se definem muitas coisas em nossas vidas.

As emoções sentidas pela mãe (notadamente, aqueles sentimentos muito fortes), durante a gestação, podem afetar a nossa vida de maneira decisiva. Mais tarde, podemos de forma totalmente inconsciente usar essas emoções como referência e reagir, desta ou daquela maneira, dependendo de como isso ficou registrado em nosso subconsciente.

Agora, imagine por um momento uma senhora grávida sendo espancado por um marido violento e estúpido!

Se a criança ainda no ventre da mãe, não está sendo desejada, como será que vai reagir toda a vez que for rejeitada? E quando os pais querem um menino, e

nasce uma menina? Se uma mulher grávida tem um marido bêbado e jogador inveterado, que detesta crianças e tem que assumir a responsabilidade do lar?

Você pode fazer muitas perguntas para si mesmo e levantar hipóteses de como isto pode afetar a vida de uma pessoa.

Quem sabe você mesmo já viveu uma situação similar a esta.

Quando uma pessoa pensa em fazer uma terapia de regressão, normalmente sente insegurança quanto ao que pode acontecer durante a sessão. E o medo de não voltar, então?

Uma pessoa tem reações diferentes de outra diante de uma situação idêntica. Um determinado acontecimento pode causar uma reação negativa em uma; em outra pode gerar felicidade e alegria. Depende do que temos gravado como referência, em nosso computador pessoal.

Em certos casos, algumas pessoas se vêem como se estivessem na cena de um filme, mas sem sentir qualquer envolvimento emocional. Em outros

casos, ela participa emocionalmente e revive tudo o que ocorreu naquela época.

Outras, racionalizam o tempo todo, perguntando-se se aquilo que estão vendo ou sentindo é real ou apenas imaginação. Existem pessoas que nada vêem, nada sentem, mas em pensamento acompanham todo o processo regressivo, sempre com uma certa dose de cautela.

Após a sessão é discutida toda a situação com o cliente. Surge a grande dúvida: tudo o que vi ou senti era verdade mesmo ou apenas fantasia?

Sempre falo o seguinte: o que mais importa, para mim como terapeuta, é a melhora ou mesmo, cura do paciente. O subconsciente usa de expedientes desconhecidos, em muitos casos, para processar a cura. Mesmo a fantasia pode curar. Não estou dizendo, com isso, que tudo é fantasia. Em absoluto! Podemos comprovar cientificamente que é real, principalmente quando um membro da família está presente e conhece em detalhes a vida da pessoa, ou melhor ainda, a própria mãe.

MINHA MÃE ME FEZ NO MEIO DO MATO

Em 1982, eu tinha uma clínica de terapia, em Porto Alegre, onde todos os sábados fazia palestras com demonstrações práticas de regressão de memória, com entrada franqueada.

Numa dessas palestras, estava uma jovem senhora que queria fazer a regressão em público.

Antes de fazer a demonstração, eu expliquei que a pessoa não perde a consciência, que lembra de tudo no final da sessão e não haveria como se expor ao ridículo diante do público com assuntos pessoais e íntimos, a menos que a pessoa não se importasse com isso.

Depois de fazer o relaxamento e as instruções de praxe, coloquei-a na vida intra-uterina e ela começou a reviver coisas que estavam gravadas em seu inconsciente.

A cada cena vivida pela mesma, eu me voltava para a platéia e explicava o que estava acontecendo cientificamente.

A mãe da referida senhora, estava presente e assistia com muita atenção e, até o momento, confirmava tudo que a filha estava revivendo.

A certa altura, pedi-lhe que descrevesse os objetos no quarto onde fora concebida. Perguntei se tinha cortinas, ela disse que não. A cor das paredes, você pode descrever? Disse que não existia parede.

Todos que estavam assistindo a regressão ficaram espantados com a resposta e curiosos para saber mais. Para surpresa de todos ela disse: Não ... não tem nada disso! Eu fui feita no meio do mato, mesmo!

As pessoas que estavam assistindo permaneceram em total silêncio com a resposta.

Eu fiquei, confesso, um pouco encabulado diante da situação.

Mas como eu tinha dito anteriormente, ela só colocava em público o que achava conveniente.

A mãe ficou vermelha como uma pimenta. Eu pedi desculpas a ela, pois estava constrangida diante da revelação inesperada. Voltei para sua filha, que estava concentrada e disse-lhe que a mãe ficara muito constrangida ao que ela disse: - Que bobagem, mamãe, agora descobri porque eu gosto tanto do contato com a natureza.

A mãe começou a chorar e respondeu o que todos esperavam: "Eu nunca pensei que um dia minha filha pudesse descobrir uma coisa que eu guardava com tanto segredo. Foi assim que aconteceu, mesmo!

Ainda bem que ela gostou de descobrir isso, o que me deixa imensamente feliz!"

Agora, vamos analisar este caso. Porque essa pessoa gostava tanto da natureza? Porque o evento da concepção se deu num clima de paz e amor. Seus

pais se amavam muito e fora concebida nesse clima positivo.

Deu para notar que as coisas gravadas em nosso interior, mesmo antes de nosso nascimento, afetam-nos de maneira profunda. Você pode analisar suas lembranças, descobrindo certos eventos e coisas que não gosta e verificar, com surpresa, que estas coisas tem ligação com seu passado.

Em alguma época, você registrou essas informações e no momento certo as mesmas se manifestam no tempo e lugar certo.

A SIRENE A PERTURBAVA

Vou contar um caso bastante interessante de uma cliente. Ela enchia-se de pavor toda vez que ouvia uma sirene tocar. Podia ser qualquer sirene, mas o que mais a incomodava era a sirene do corpo de bombeiros.

Sentia-se angustiada, tensa, ansiosa e extremamente nervosa quando ouvia falar em incêndios. Isso chegava ao extremo. Reagia dessa forma, até mesmo quanto estava assistindo a uma notícia na televisão. Nunca soube o porque de tudo isso, até o dia em que fez uma regressão de memória.

Na primeira sessão de terapia, ensinei-lhe técnicas de relaxamento para que pudesse preparar-se para fazer a regressão posteriormente. Já obteve grande alivio, logo na primeira entrevista.

A mudança de atitude mental influiu de forma benéfica sobre seu comportamento. Depois de várias sessões

de relaxamento, resolvi que havia chegado a hora de fazer a regressão.

Eis a síntese da história revivida pela minha cliente:

Ela tinha 2 anos de idade. A mãe era separada e tinha que se virar sozinha na vida. Era muito querida pelos vizinhos, que a admiravam pela luta que travava diariamente para sobreviver e principalmente pela extrema dedicação à sua única filha.

Sua mãe fechou a casa e foi ao supermercado enquanto ela ficara dormindo.

Houve um defeito na instalação elétrica da casa, que era bastante precária, e o fogo se espalhou rapidamente.

Os vizinhos acudiram, mas não conseguiam abrir a porta que estava trancada com chave. Uniram forças e colocaram a porta abaixo, salvando a criança.

O corpo de bombeiros chegou em seguida e apagou o fogo.

Da casa restou quase nada. Quando a mãe retornou do supermercado e viu o que acontecia, simplesmente desmaiou.

A menina, fisicamente, nada sofreu, foi levada ao hospital junto com a mãe para fazerem exames de praxe.

Todos os detalhes desse terrível acontecimento, ficou registrado em sua mente interior.

Ela revivia com grande emoção, chorando compulsivamente durante a regressão. Sentiu-se como se estivesse ali, presente percebendo toda a movimentação dos vizinhos que prestavam auxílio e dos bombeiros, com sirenes barulhentas e luzes vermelhas piscando. Todas estas cenas deixaram marcas muito profundas em seu subconsciente e ali estava a causa de seu sofrimento.

Para concluir este relato, vale dizer que após a sessão de terapia essa senhora ficou integralmente curada. Agora, consegue ouvir sirenes e nada sente de negativo. Sua vida mudou para melhor!

ELE ODIAVA TODOS OS CACHORROS

Em 1983, tive um caso muito interessante e curioso para resolver. Procurou-me um senhor de meia idade, muito tenso e angustiado. Queria resolver um grave problema através da regressão de memória. Eis sua narração:

"Na verdade, eu não queria ter vindo aqui para contar esta história ridícula, mas minha mulher que ouve, todos os dias, seu programa na rádio, insistiu para que eu viesse e aqui estou meio sem jeito..." - Limpou a garganta e olhou para baixo, muito encabulado. - Pode confiar em mim! Nenhuma história é ridícula, - falei- Sempre existe uma causa para tudo o que acontece. Me conte seu problema para que possa ajudá-lo. Ajeitou-se na poltrona e disse:

“Bem... já que tenho que falar mesmo... é o seguinte: EU DETESTO CACHORROS!” - gritou e começou a contar nos mínimos detalhes os

acontecimentos que estavam registrados em sua mente e o perturbavam, (acelerando o ritmo da fala). "Pelo que eu lembro, - acrescentou - desde pequeno eu já detestava cachorros. Eu sentia uma ânsia de matá-los sem uma explicação lógica para o meu procedimento, sentindo um enorme prazer e isso me assustava ainda mais, pois analisava minhas estranhas reações e não conseguia chegar a nenhuma conclusão. A vontade de matar cachorros cada vez aumentava mais. Quando era criança tinha um inseparável estilingue e dizia para todos que era para machucar cachorros e todos riam de minha afirmação.

Um dia, quando tinha nove anos, fui na estância do sócio de meu pai e encontrei no meio de uns arbustos, uma "ninhada" de cachorros recém-nascidos, eu senti uma força esquisita tomando conta de mim que dizia que eu tinha que acabar com os cachorrinhos. A princípio fiquei muito assustado, mas depois comecei a bolar um plano para conseguir meu intento.

Fui até a cozinha, e quando dona Margarida, a empregada da casa, não estava olhando, surrupiei uma caixa de fósforos e sai correndo em direção ao matagal. Os lindos cachorrinhos estavam ali quietinhos e sem a mãe por perto. Risquei o primeiro palito de fósforo que caiu na relva muito seca, era época de estiagem, e logo uma chama avermelhada crescia assustadoramente e... (nesse momento ele começou a chorar muito)... Queimou tudo... Até um depósito de milho que estava próximo. Eu não contei a ninguém que eu era o responsável pelo maior incêndio que já tinha ocorrido nas redondezas. Foram os primeiros cachorros que eu matei.

Isso me marcou muito (continuava chorando) e prometi a mim mesmo que nunca mais ia judiar de qualquer animal e principalmente de cachorros, mas... Isso continuou acontecendo durante toda a minha vida.

Se eu lhe contar todos os episódios em relação a isso, daria para encher um livro."

Depois disso, passou a contar-me muitos outros acontecimentos relacionados sempre com cachorros. Entre os casos relatados, um é o mais dramático, pois mudou de forma definitiva a vida de uma pessoa.

Segundo ele, numa sexta-feira, ele, a mulher, os dois filhos e sua sogra, iam passar um final de semana na casa de praia. Havia algum tempo que não faziam um programa como esse. Ele trabalhava como representante comercial, conseguia um bom ordenado, mas sua vida era realmente muito atribulada e isso causava um constante estresse.

Apesar de tudo, sempre foi um bom marido, cumpridor de seus deveres, bom pai, amava sua esposa e, sobretudo era um homem íntegro e muito trabalhador.

A única coisa anormal que sempre ficava em sua cabeça, era o porque de sentir esta estranha força que fazia de um pacato cidadão, um matador de cachorros. Para quem nunca sentiu esse tipo de reação, pode até estar sorrindo neste

momento. Mas a coisa é realmente muito séria.

Enquanto ele ia refletindo sobre todas essas coisas, já estava quase chegando à praia, foi quando ele avistou um cachorro enorme, que fazia menção de atravessar a rodovia. De novo sentiu aquela sensação estranha e maravilhosa, imaginando que mais um cachorro desapareceria da face da terra. Como que tomado por mil demônios, ele acelerou ainda mais o carro, e inadvertidamente, girou o volante cerca de trinta a graus à esquerda na tentativa de atropelar o cachorro, sem se dar conta que outro automóvel vinha no sentido contrário. Ouviu-se um estrondo muito forte. O choque foi tão violento que jogou seu carro no lado aposto da pista.

Ele teve leves ferimentos. Sua mulher quebrou o braço, seus filhos nada sofreram. O motorista do outro carro feriu-se, também, levemente, mas... Sua sogra, hoje se encontra numa cadeira de rodas para sempre, por causa do acidente.

A REGRESSÃO EXPLICOU TUDO O caso que acabei de relatar, marcou- me bastante.

Que profundas e tristes recordações esse acontecimento deixou em todas as pessoas envolvidas.

Mas o que teria levado este homem, aparentemente normal, a cometer tal desatino?

Porque sentia tanta raiva de cachorros?

Eu tive a resposta definitiva nas sessões subseqüentes de terapia.

Apliquei o método de regressão de memória fazendo uma total revisão de vida, para detectar a causa de seu problema.

A VERDADE VEIO Á TONA

Sua família era muito pobre e residia no interior de uma pequena cidade. Seu pai sendo um agricultor, pouca chance teve de estudar ou procurar coisa melhor para oferecer uma qualidade de vida mais rica para seus entes queridos. Moravam em um pequeno chalé, com suas paredes de tábua apodrecidas pela ação do tempo. Eram duas crianças e sua mãe estava esperando outro!

O "mais um" era ele próprio. Sua vida intra-uterina foi muitíssimo tensa por causa de todos os problemas enfrentados pela sua família. Os pais não pretendiam ter mais nenhum filho. "Ele veio, por acaso. É o restinho que sobrou..." Dizia sua mãe às pessoas.

Vimos várias fases de sua vida, mas ainda não havia surgido a causa do terror a cachorros. Até que em uma sessão de psicoterapia, revivendo a vida intra- uterina, a verdade surgiu.

Sua mãe fora buscar água no poço que ficava meio distante da casa, cerca de trezentos metros. Ela levava dois baldes feitos de latão, com um pedaço de arame amarrado entre dois furos. Era muito pesado e cansativo para ela (ainda mais que estava grávida de oito meses), pois tinha que subir uma espécie de rampa para chegar em casa.

Quando estava quase chegando, repentinamente, surgiu um enorme cachorro e atacou-a.

Ela deixou cair os baldes. Pegou um pedaço de pau e defendeu-se corajosamente. O cachorro investiu novamente, arrancando um pedaço de sua surrada roupa de inverno. Ela caiu, mas reergueu-se, pegou o pedaço de pau e finalmente botou o cachorro para correr.

Os ferimentos foram leves, mas o susto foi grande! Isso a afetou bastante, mas principalmente ao feto em sua barriga.

Enquanto pegava os baldes vazios e dirigia-se para o poço para apanhar mais

água, praguejou em altos brados: "GOSTARIA QUE TODOS OS CACHORROS DO MUNDO MORRESSEM"

Um dia este mesmo paciente ligou- me dizendo que sua visão em relação ao mundo dos cachorros mudara radicalmente e que agora não só gostava de cachorros, como também tinha vários em sua casa e finalmente concordava que "o cachorro é o melhor amigo do homem”.

COMO ELA DESCOBRIU SEU VERDADEIRO PAI

Maria (vamos chamá-la assim), era uma pessoa muito ansiosa e triste. Apesar de muito jovem e bonita, o rosto começava a ganhar marcas profundas, denunciando que algo não andava bem. Magra, alta, de caminhar nervoso, de passos curtos e rápidos.

Queixava-se de dores por todo o corpo. Segundo ela, a muito tempo não sabia o que era dormir bem. Com a qualidade do sono diminuída, no dia seguinte sentia-se quase sem ânimo para os afazeres do dia a dia.A vida, segundo Maria, era passada em sua cabeça em preto e branco. Não sentia prazer em coisa alguma, nem mesmo o sexo a apetecia e que raramente praticava.

Irritava-se com quase tudo e com facilidade os acontecimentos do cotidiano a perturbavam. Em certas ocasiões, permanecia silenciosa na cama por vários

dias, deprimida e sem vontade de levantar-se.

Ela não compreendia porque isso acontecia, justamente com ela que tinha tudo para ser feliz. Quantas pessoas gostariam de estar em seu lugar e usufruir todas as coisas boas que a família lhe proporcionava.

Seu pai adotivo era um homem influente no mundo dos negócios da região. A situação financeira de seus pais era bastante sólida. A família possuía uma fábrica de calçados que estava indo muito bem, fora os investimentos que seu pai fazia em outros negócios que ela não entendia. Nunca faltara nada!

Estudara nos melhores colégios. Sempre a tratavam como filha de verdade, recebendo muito amor e carinho, e, além disso, era a única filha do casal.

Apesar de todo o amor que recebia, sempre evitavam tocar no assunto sobre as circunstâncias de sua adoção. Sim, ela sabia desde pequena que era filha adotiva, mas não entendia o motivo de seus

verdadeiros pais a entregaram à outra família para ser adotada.

Alguma coisa lhe dizia que tinha "algo esquisito nessa história", e tinha que desvendar esse mistério de qualquer jeito, pois do contrário, ela enlouqueceria.

Como sempre me ouvia no rádio, decidiu procurar-me para tentar resolver seu problema, através da regressão de memória.

PRIMEIRAS DESCOBERTAS

Nas primeiras sessões ensinei-lhe técnicas de relaxamento e aprofundamento mental preparando-a para fazer a regressão de memória; na terceira sessão, os mistérios do passado de Maria começaram a emergir de forma bastante espontânea.

O que passo a relatar, a partir de agora, foi descoberto nas sessões subseqüentes de terapia de regressão. Não sabíamos, ainda, se o que estava revivendo era produto de sua imaginação ou se correspondia à verdade.

Seu pai, sendo um homem bastante poderoso não podia expor-se em relação a mulheres, por isso vinha a Porto Alegre para divertir-se.

Numa dessas ocasiões, conheceu num barzinho, uma mulher muito bonita e jovial. Ela sabia como fazer para conquistar um homem. Assim, essa "amizade" foi crescendo e os dois

tornaram-se amantes. Seguidamente ele vinha a Porto Alegre para cair nos braços de sua amada.

Um dia, ela falou-lhe que estava grávida e queria dinheiro para tirar a criança, pois uma gravidez não estava em seus planos no momento e ia atrapalhar sua carreira.

Ele não aceitou as argumentações dela e pediu-lhe que não cometesse tal desatino, e confessou-lhe que já fazia muito tempo que ele e sua mulher queriam adotar uma criança, e agora que Deus havia colocado um filho em seu caminho, não podia deixar passar essa oportunidade, já que sua mulher não podia engravidar.

Depois de conversar longamente sobre o problema, os dois chegaram a um acordo de cavalheiros: ele daria toda a cobertura para ela durante a fase de gestação e quando a criança nascesse, depositaria uma alta soma em dinheiro como "indenização pelo trabalho."

Porém, havia uma condição, ela nunca mais devia procurá-lo e, sobretudo

jamais tentaria aproximar-se do filho. Ela concordou com tudo e assim foi feito.

Quando voltou para sua cidade, ele contou uma história para a esposa dizendo que encontrara na casa de um amigo uma empregada doméstica que estava grávida e que pretendia dar a criança a alguém que tivesse boa condição financeira para dar o melhor a filha.

Perguntou à mulher, o que achava de adotarem essa criança. A mulher ficou muito emocionada, pois sempre quisera ter um filho. Finalmente, poderia transformar seu desejo em realidade, tendo a chance de exercer o lado materno que esteve sempre adormecido. Seria maravilhoso ter uma criança para encher de alegria aquela casa com amplo espaço, mas tão sem vida, por falta de uma criança correndo e fazendo estrepolias.

Quando Maria nasceu, conforme combinado, a mulher recebeu a quantia estipulada em dinheiro e foi morar em outro país, e nunca mais voltou ao Brasil.

O PAI NEGA

De posse das informações colhidas na terapia, Maria voltou para casa e conversou reservadamente com seu pai contando o que descobrira na regressão de

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