APRESENTAÇÃO
A Fundação Abrinq possui uma forte atuação voltada para o diálogo com o poder público, a fim de proteger, promover e buscar efetivação dos direitos das crianças e dos adolescentes por meio do monitoramento dos marcos legais e indicadores sociais. Atua na esfera federal por meio de ação e/ou negociação política com os três poderes, buscando intervir na qualidade das proposições legislativas voltadas a essa faixa etária, oferecendo seu posicionamento técnico, para que atendam ao princípio da prioridade absoluta e à doutrina da proteção integral, os mantendo como sujeitos de direitos.
Desde 2014, a Fundação vem acompanhando de forma sistemática os dados estatísticos e as propostas legislativas voltadas à infância e adolescência, reunindo esses estudos em publicações que se tornaram referência em informação de qualidade e apontamentos de soluções e caminhos para as políticas de infância em todo o país.
A instituição também mantém o Observatório da Criança e do Adolescente, uma plataforma que organiza e publica dados estatísticos e propostas legislativas que tramitam na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. O banco de dados do Observatório, que compila informações oficiais como número de nascimentos, óbitos, atendimentos de pré-natal e censo escolar, é um dos mais completos na área de políticas e indicadores sociais voltados para a criança e o adolescente, sendo muitas vezes utilizado como fonte de informação para a imprensa.
ATIVIDADES REALIZADAS EM 2020 Monitoramento
No ano de 2020, a temática da pandemia percorreu o debate político de forma intensa e foi necessário focar em medidas para o contorno da emergência em saúde pública. Das 792 proposições legislativas monitoradas ao longo do ano, 316 eram voltadas para essa questão.
O trabalho das Comissões Permanentes foi suspenso no Senado Federal e, na Câmara dos Deputados, as comissões não foram instaladas. Apenas as sessões dos Plenários das Casas Legislativas foram mantidas, mas funcionaram de forma remota.
Assim, diversos projetos de lei da pauta prioritária da Fundação Abrinq não tiveram tramitação, com poucas exceções, entre as quais se destaca a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) – PEC nº 15/2015, transformada na Emenda Constitucional 108/2020, e o PL n. 4372/2020, que regulamenta o novo Fundo permanente.
Considerando por áreas, das 792 proposições monitoradas, 357 pertencem à área da Proteção, com 119 tratando especificamente sobre a temática de COVID-19; 354 proposições são da área da Educação, com 164 sobre a COVID-19; e 81 proposições são da área de Saúde, com 33 sobre a COVID-19.
Para o Observatório da Criança e do Adolescente, a Fundação Abrinq requisitou informações do Disque 100 sobre dados que demonstrassem aumento dos
casos de violência durante o período de isolamento social. Ainda que o grupo de denúncias feitas considerando essa faixa etária não ocupe a maior concentração das denúncias de violação relacionadas ao Coronavírus, é marcante a evolução dos indicadores em pouco mais de três meses de acompanhamento (março a junho). Ao todo, foram reportados 18.586 casos de violação relacionados à COVID-19, entre 17 de março e 29 de junho de 2020, das quais 349 foram cometidas contra crianças e adolescentes (3,9%).
A principal faixa etária de incidência das denúncias é entre as crianças mais novas, de 05 a 11 anos de idade, seguidas pelas denúncias de crianças de 12 a 17 anos de idade.
ESPAÇOS OCUPADOS EM REDE E AÇÕES Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) – biênio 2019-2020 A Fundação Abrinq é suplente e atuou na Comissão de Direitos Humanos e Ação Parlamentar, monitorando os projetos de lei que tramitam pelo Congresso Nacional. A atuação do Conanda esteve presente em muitas recomendações, entre as quais se destacam aquelas relativas à preservação da saúde nos serviços de acolhimento e o uso dos recursos
dos Fundos da Criança e do Adolescente estaduais e municipais para finalidades diversas daquelas fixadas na Resolução nº 137/2010, em razão de situação de emergência ou de calamidade pública.
Outra discussão envolveu os adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de internação e a questão de saúde pública. Nesse caso, o debate foi mais amplo e culminou com a decisão da recriação da Comissão de Monitoramento do Plano Nacional de Atendimento Socioeducativo.
Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) A Fundação Abrinq é segundo suplente no segmento de entidades de assistência social.
Participa ativamente da Comissão de Finanças, na qual aprovou a proposta orçamentária do Conselho para o exercício de 2021 (Resolução nº 12/2020) e os relatórios de execução orçamentária e financeira do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), do 2° e do 3º trimestre de 2020 (Resolução nº 13/2020 e nº 19/2020, respectivamente).
A Fundação também ingressou no Grupo de Trabalho para Consolidação da Proposta de Aprimoramento do Programa Primeira Infância no Sistema Único de Assistência Social (SUAS), instituído pela Resolução nº 15/2020.
A grande conquista do conselho, todavia, foi o reconhecimento do direito de acesso de famílias pertencentes a povos indígenas aos benefícios e serviços ofertados no âmbito da rede socioassistencial (Resolução nº 20/2020).
Pacto Nacional pela Primeira Infância
A Fundação Abrinq participou do Pacto Nacional pela Primeira Infância para promover a garantia de direitos, promoção de melhoria da infraestrutura necessária à proteção do interesse da criança, em especial, da primeira infância, e à prevenção da
improbidade administrativa dos servidores públicos que têm o dever de aplicar essa legislação.
Membros da Fundação palestraram no evento 30 Anos do ECA, organizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), dentro do compromisso do Pacto.
Rede de Advocacy Colaborativo (RAC)
Coordenada pelo Instituto C&A, Instituto Ethos e Fundación Avina, com o apoio da Pulso Público, a rede articula-se com as casas legislativas e organizações da sociedade para a realização de advocacy focado em quatro temas: questões socioambientais, direitos humanos, transparência e integridade e nova economia. Busca, assim, conectar interesses coletivos e da sociedade civil junto ao parlamento brasileiro.
A participação da Fundação Abrinq em 2020 contribuiu para o debate sobre a Reforma Tributária e o Projeto de Lei Orçamentária de 2021 e seus impactos na esfera social e de políticas públicas.
Também atuou pela aprovação do novo Fundeb.
Rede Nacional pela Primeira Infância
A Fundação participa da rede para promover e garantir os direitos voltados à primeira infância. A principal ação em 2020 foi a luta pela aprovação da PEC do Fundeb e, na sequência, pela regulamentação do novo fundo com especial atenção à educação infantil, nas etapas creche e pré-escola.
Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI)
A Fundação Abrinq é entidade membro da Rede Nacional de Combate ao Trabalho Infantil e tem no Fórum um espaço de discussão de propostas, definição de estratégias e construção de consensos entre governo e sociedade civil sobre a temática do trabalho infantil.
Em 2020, a campanha anual de 12 de junho foi feita de forma online e teve sua temática atualizada para abordar o cenário da pandemia. Foi denominada como COVID-19: agora mais do que nunca, protejam crianças e adolescentes do trabalho infantil.
A Fundação também atuou na formulação da Nota Pública sobre ausência de dados sobre o trabalho infantil. Além da nota, foi encaminhada à presidente, ao diretor de Pesquisas e à assessoria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) um ofício do FNPETI requerendo acesso à informação sobre o trabalho infantil nos anos de 2017 e 2018.
Considerando o contexto das eleições municipais, o Fórum movimentou, ainda, a campanha
#VotePelaInfância para chamar a atenção da sociedade e dos jovens eleitores para a importância de escolher candidatos comprometidos com a proteção integral das crianças e dos adolescentes, com a garantia de todos os seus direitos fundamentais, especialmente, com o direito ao não trabalho.
ATUAÇÃO PARA TORNAR O FUNDEB PERMANENTE
A Fundação Abrinq possui um histórico na defesa da transformação do Fundeb em um mecanismo permanente de financiamento da educação básica pública, para a melhoria da qualidade da educação.
Para isso, articulou políticamente em torno do tema desde o PL nº 8035/2010 para aprovação do Plano Nacional de Educação, que resultou na Lei nº 13.005/2014, em vigor desde o dia 25 de junho de 2014.
A atuação da Fundação também se deu no apoio ao PL nº 7029/2013, que segue em tramitação na Câmara dos Deputados, e visa dobrar os recursos destinados às creches públicas que atendem crianças, de 0 a 3 anos, em período integral.
Com relação à PEC nº15/2015, apresentada pela deputada Raquel Muniz (PSC/MG), a Fundação vinha alimentando o debate com análises desde o Caderno Legislativo da Criança e do Adolescente 2016. Em 2017 acompanhou as audiências públicas realizadas na Comissão Especial sobre o tema e participou da audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados para defender um repasse maior por parte da União aos municípios, com o objetivo de investir o recurso, especialmente, na educação infantil, uma vez que é considerada a etapa mais cara da educação e recebe, proporcionalmente, menos recursos.
Em 2020, a instituição se articulou com parlamentares e organizações sociais, participando de audiências, conversando com assessores e enviando ofícios solicitando a aprovação da PEC, que se deu no dia 26 de agosto.
Após a promulgação da Emenda Constitucional, a atuação da Fundação Abrinq voltou-se para a regulamentação da distribuição desses novos recursos.
Em conjunto com a iniciativa Todos Pela Educação buscou-se que o PL nº 4372/2020, apresentado pela deputada professora Dorinha Seabra Rezende (DEM/
TO), fosse aprimorado pelo relator, o deputado Felipe Rigoni (PSB/ES). A Fundação também enviou carta a todos os deputados, lembrando-os da importância