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RELAÇÕES PÚBLICAS EM PEQUENAS E MICRO EMPRESAS

No documento Leonor Lencastre (páginas 53-56)

Capítulo III – RELAÇÕES PÚBLICAS COMO FUNÇÃO DE RELACIONAMENTO

3.3. RELAÇÕES PÚBLICAS EM PEQUENAS E MICRO EMPRESAS

O perfil da maioria das empresas mudou com a migração massiva da organização do trabalho, no qual a hegemonia das pequenas e micro empresas no mercado brasileiro, com demandas administrativas e de comunicação diferenciadas, é uma realidade incontornável. No entanto, todas as organizações se relacionam com públicos, se localizam em ambientes mutáveis e têm necessidade de ser competitivas, e a atividade organizada de comunicação é imprescindível na consecução desse objetivo.

Entenderam-se os preceitos teóricos genêricos das Relações Públicas e a importância do planejamento estratégico na viabilização das suas funções, e também que as organizações inscrevem suas peculiaridades nesses preceitos com as devidas adaptações, para alcançarem a efetividade dos seus objetivos.

Segundo Junior (2006), a necessidade da atividade de Relações Públicas ocorre em todos os segmentos da economia e o planejamento estratégico – ferramenta que viabiliza a sua atuação - é útil também nas pequenas e micro empresas. Todas as organizações se localizam num sistema econômico, político, cultural e social complexo e mutante, quer na sua dimensão externa e interna. Assim, independentemente de serem públicas ou privadas, grandes ou pequenas, as organizações debatem-se com um mesmo desafio de se diferenciarem e de se tornarem competitivas num contexto continuamente dinâmico.

Na atualidade, acredita-se que é muito difícil uma organização não se valer dos benefícios de um planejamento estratégico bem feito para poder se adaptar às demandas que a todo o momento surgem no ambiente em que está inserida. (KUNSCH: 2009, pág.109)

Krakauer, Fischman e Almeida (2010) confirmam a importância do planejamento, diante de um ambiente mutante, também para pequenas e médias empresas, explanando que essas organizações enfrentam dificuldades pela sua condição de vulnerabilidade em termos de recursos escassos e pelo pouco conhecimento e técnicas para viabilizar o planejamento, como foi explicado no capítulo 2.

Diante do contexto atual de constantes mudanças no ambiente, é certo que todas as empresas elaboram algum tipo de planejamento para o seu futuro, não sendo, muitas vezes, formais e estruturados estrategicamente em PMEs. Acredita-se que diversas são as dificuldades encontradas por estas empresas para realizar tal atividade, como a falta de recursos, de tempo e de conhecimento dos proprietários. (KRAKAUER; FISCHMAN; ALMEIDA: 2010, pág. 4)

Os autores explicam que o planejamento é um instrumento que permite conceder às pequenas e médias empresas uma tomada de decisão mais consistente.

O planejamento estratégico é uma técnica que pode direcionar estrategicamente PMEs, auxiliando os proprietários e gestores a entender o seu ambiente, fortalecendo pontos fortes e diminuindo riscos, possibilitando que essas empresas tomem decisões mais assertivas e estejam mais preparadas para o futuro. Inclusive Fischmann e Almeida (2009) citam que o planejamento estratégico é uma técnica que pode e deve ser utilizada por empresas de pequeno porte. (KRAKAUER; FISCHMAN; ALMEIDA: 2010, pág. 4)

Especificamente na questão da comunicação e na atividade de Relações Públicas, Simões (1995) acredita, no entanto, que não é justificável para as pequenas e micro empresas a presença de um profissional de Relações Públicas, já que

Uma organização assim não possui estrutura para admitir um profissional encarregado de uma atividade específica de Relações Públicas, e muito menos verbas para financiar programas como os utilizados pelas corporações multinacionais. (SIMÕES: 1995 apud JUNIOR: 2006, pág. 125)

Junior (2006, pág. 125) confirma que nas pequenas e micro empresas a questão financeira e a pouca exigência estrutural para ações estratégicas de longo prazo devem diferenciar a atividade de Relações Públicas, uma vez que essas organizações “não possuem estrutura, capital de giro, pessoal, material e espaço físico para um grande aumento na demanda de trabalho”.

As dificuldades no desempenho estratégico enfrentado pelas empresas de pequeno porte (vide Capítulo 2), como os recursos restritos, o conhecimento insuficiente de técnicas e procedimentos administrativos, o fato dos membros da administração serem formados apenas na prática do cotidiano e terem conhecimentos financeiros, comerciais e estratégicos muito pouco sólidos, distanciam as pequenas empresas do conceito de planejamento.

São micro e pequenos empresários que, muitas vezes, não dominam conceitos básicos de planejamento, vendas, marketing ou projeções de faturamento e, ainda assim, precisam lidar com uma gama de dificuldades, sem poder prescindir de atender bem o cliente, prospetar novos serviços e mercados e manter a atenção em boas oportunidades. (BARBOSA: 2006, pág.139)

Uma pequena ou micro empresa não comporta um departamento específico de comunicação, mas pode valer-se dos benefícios de um planejamento de Relações Públicas que tornem a comunicação num “recurso estratégico de entendimento,

persuasão e negócios” (BARBOSA: 2006, pág. 139). Adaptada às especificidades das pequenas organizações, a comunicação deve ser focada e direcionada aos públicos de interesse específicos, através de comunicação principalmente dirigida, ponderando sempre a viabilidade econômica (custo x benefício) das suas atividades. Barbosa (2006) acredita que as pequenas e micro empresas necessitam de uma comunicação “diferenciada, segmentada e específica”. A autora acrescenta que

As micro, pequenas e médias empresas necessitam de outra concepção de Relações Públicas, mesmo porque seus públicos não são numerosos e, normalmente, elas não se constituem como fonte de notícias para os meios de comunicação de massa. (SIMÕES: 1995 apud JUNIOR: 2006, pág. 126)

O fato da taxa de mortalidade das pequenas empresas estar relacionado ao planejamento (vide Capítulo 2), revela a sua importância existencial para essas organizações. Ainda, a estrutura enxuta, flexível e ágil característica das pequenas organizações pode ser uma vantagem na execução de um planejamento estratégico integrado. A característica da proximidade das pequenas organizações com seus públicos pode constituir numa oportunidade de diferenciação, na medida em que a organização se pode relacionar junto a eles de forma dirigida e específica.

Conclui-se que, ainda que as funções e respectivas atividades de Relações Públicas sejam genêricas e independentes do tipo ou porte da organização e a importância do planejamento na consecução desse objetivo seja transversal a todo o tipo de empresas, é necessário tratar as pequenas e micro empresas de forma diferenciada. A adaptação das atividades específicas de Relações Públicas deve ser pensada de acordo com as suas necessidades e expectativas. Ressalta-se, como o enunciado no capítulo 2, que os pequenos negócios têm a vantagem de estarem próximos aos seus públicos mais importantes: clientes, funcionários e fornecedores.

No documento Leonor Lencastre (páginas 53-56)