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Relacionamento (longevos, professores e colegas) 114

CAPÍTULO 3 ANÁLISE E DISCUSSÃO DO CORPUS DA PESQUISA 66

3.2   CATEGORIAS DE ANÁLISE 67

3.2.4   Quarta categoria relacionamento (longevos, professores e

3.2.4.3   Relacionamento (longevos, professores e colegas) 114

O relacionamento é outro aspecto importante não só para os longevos como para todas as pessoas, em qualquer idade e em qualquer circunstância. Entende-se que, quando as diferentes gerações convivem e trocam experiências, podem ser atenuados ou anulados os preconceitos, contribuir para o desenvolvimento de amizades e proporcionar maior conhecimento sobre o envelhecimento (SOMMERHALDER; NOGUEIRA, 2003).

Para Grün (2008), o êxito de um bom envelhecimento não depende apenas do longevo, da sua aceitação da velhice e na compreensão do seu sentido, mas depende também da atitude da sociedade. É necessário redescobrir o valor e o sentido da velhice e a sociedade precisa dar ao longevo um espaço no qual possa envelhecer bem e dignamente.

Com o objetivo de verificar como o aspecto relacionamento interpessoal se manifesta entre os participantes da pesquisa foram entrevistados, além dos treze longevos, seis colegas dos longevos de outra faixa etária e cinco professores.

Na análise desse aspecto, foram levados em conta a:

a) percepção dos longevos entrevistados quanto ao relacionamento com os colegas de outra faixa etária;

b) percepção dos longevos entrevistados quanto ao relacionamento com os professores;

c) percepção dos colegas de outra faixa etária quanto ao relacionamento com os longevos;

d) percepção dos professores quanto ao relacionamento com os alunos longevos.

Cada uma dessas percepções foi analisada e discutida com base no discurso dos respectivos entrevistados.

a) Percepção dos longevos entrevistados quanto ao relacionamento com os colegas de outra faixa etária

Cada vez mais o mundo contemporâneo exige que o ser humano cultive a solidariedade e, nesse sentido, é importante compreender as relações entre estes seres. Compreender os outros faz com que cada um conheça melhor a si próprio, melhorando, dessa forma, o relacionamento interpessoal com as pessoas que convivem no mesmo ambiente, como, por exemplo, o convívio com os colegas no ambiente escolar.

O bom relacionamento dos longevos com os colegas de outra faixa etária intensifica os contatos sociais e proporciona troca de vivências intergeracionais. Além disso, os colegas de outra faixa etária podem aprender com a experiência dos longevos, pois, segundo Couto (2003), na convivência entre diferentes gerações, pode ser explorada a riqueza da validade dos projetos educacionais para os longevos.

Os anos de vida passam para todos e, portanto, envelhecer juntos também significa convívio entre os jovens e longevos.

Assim, torna-se, necessário discutir sobre a equidade de direitos entre gerações, a convivência intergeracional, a nova configuração populacional e, frente à presença crescente dos longevos na sociedade contemporânea, incluí-los nas atividades que eles desejam participar.

De modo geral, os alunos longevos demonstraram sentimento de tolerância, paciência e compreensão às atitudes dos colegas de outra faixa etária. Acredita-se que a experiência dos anos vividos traz à tona a maturidade de observar o ambiente, as pessoas e a situação, antes de tomar uma decisão.

Na figura 31, são apresentadas as opiniões dos alunos longevos quanto ao relacionamento com os colegas de outra faixa etária:

Figura 31 - Mapa de práticas discursivas - 4ª Categoria – “Relacionamento com colegas de outra faixa etária” (Percepção dos longevos)

Fonte: Adaptação do mapa apresentado por Leite (2006).

Foi percebido que a atitude do próprio longevo é importante, ao relacionar-se com os colegas, por exemplo: no início, sentiu-se “estranho”, mas logo foi “se soltando” para compreender o outro (L9); se aproximar e “se apresentar” (L8); e ter a capacidade de fazer as possíveis adaptações em clima de respeito (L1).

Nota-se que alguns longevos ficaram com receio de serem rejeitados pelos jovens. L9 relatou que, no início, poderia sentir-se diferente, mas foi se aproximando dos colegas até “não olhar mais para a idade”. Já L5 afirmou que, na sala de aula, “são todos alunos, em igualdade de condições”. Dessa forma, os longevos se integram ao grupo social da sala e são aceitos pelos “meninos e meninas” (L1). Algumas vezes pode haver “incompreensão por parte dos colegas mais jovens” (L4).

O bom relacionamento com as colegas de sala de aula é relatado pelo L1, com satisfação: “meu relacionamento com as meninas é excelente, elas me tratam bem e me respeitam”. Brinca que elas poderiam ser suas netas e ri demonstrando sua satisfação. Nos grupos de trabalho, sua presença é disputada pelos colegas jovens e repete com orgulhoso a frase dita por eles “não, o senhor fica comigo!”.

É importante, também, que os longevos não sejam somente frequentadores de academias, de salões de estética, participantes de pacotes de turismo, mas que

Relacionamento com colegas de outra faixa etária

(percepção dos longevos ) Na sala de aula eu participo

de estudo de grupo e nunca fui recusado. Pelo contrário, às vezes os meninos dizem:”não, o senhor fica comigo”. [...] Podiam ser minhas netas.(risos) Meu relacionamento com as meninas é excelente, elas me tratam bem e me respeitam. (L1)

[...] em sala de aula a gente fica em igualdade de condições. Nós estamos ali em papel de alunos e somos quase todos iguais. São todos alunos. (L5)

Não há outro longevo na sala.[...] Não é discriminação. É incompreensão por parte dos colegas mais jovens . Na sala de aula, a minha presença é um referencial. [...] (L4)

Eles nos aceitam aqui de igual pra igual. É muito bom por isso. Eles não discriminam, não agem diferente, inclusive estar no meio das brincadeiras, isso faz parte [...] eu que achava que ia me sentir diferente. A gente quando chega a uma idade, às vezes se retrai. Porque vem de uma concepção de muitos tempos. A gente estranha, mas depois a gente vai se aproximando, se envolvendo, a gente vai se soltando, daqui a pouco não olha mais pra idade, [...] estou vivendo esse momento muito bom, me rejuvenesce [...] (L9) quando eu chego eu cumprimento

um, cumprimento outro, vou aqui, e comigo não acontece porque sou desse jeito. [...] E uma coisa engraçada foi que no dia da apresentação eu me apresentei e fui aplaudida. E umas três falaram: “professora, eu queria chegar na idade dela com esse vigor, com essa vontade de estudar”. Eu me senti muito bem. (L8)

tenham vida política atuante, como cidadãos conscientes dos seus atos, por exemplo, não olhar o voto como obrigação, mas como um direito adquirido.

De modo geral, os alunos longevos demonstraram sentimento de tolerância, paciência e compreensão às atitudes dos colegas de outra faixa etária. Acredita-se que a experiência dos anos vividos traz à tona a maturidade de observar o ambiente, as pessoas e a situação, antes de tomar uma decisão.

b) Percepção dos longevos entrevistados quanto ao relacionamento com os professores

A relação interpessoal professor e aluno é um fator fundamental no desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. Os autores Casassus (2002), Gomes (2005) e Placco (2005) argumentam que o clima emocional influencia o desempenho do estudante e ressaltam a importância do relacionamento socioafetivo e cognitivo entre o professor e o aluno. O professor universitário tem a função primordial de formar o aluno como cidadão pleno, capaz de intervenção digna, produtiva e consistente na sociedade.

Na figura 32 são apresentadas as falas dos longevos entrevistados quanto ao relacionamento entre o longevo e os professores:

Figura 32 - Mapa de práticas discursivas 4ª Categoria - “Percepção dos longevos: relacionamento com os professores”

Fonte: Adaptação do mapa apresentado por Leite (2006).

A gente vai conversar com o professor e parece que não consegue falar a língua dele, sabe. E eu senti a dificuldade, aquela restrição. Isso foi muito pouco, acho que foi umas duas vezes, que eu percebi. Em compensação, têm outras professoras que são fantásticas! As vezes, tem professor que até a idade de ser meus filhos e são fantásticos! (L10)

Eu estou sempre achando que sou jovem, estou sempre dando palpite, participando das aulas, inclusive os professores avaliam que eu contribuo participando, conversando,

incentivando, mostrando experiências, tem me ajudado também muito. Tem me ajudado e tenho procurado manter sempre comentários favoráveis (L9) Quando eu faço minhas

colocações os professores gostam.. É uma troca maravilhosa tanto pra mim quanto pra eles. Eu percebo isso. Mas em relação a esse relacionamento depende da gente. A gente quando quer se isola. (L8)

No primeiro semestre eu não disse pra nenhum professor que eu era professor. Um ser humano. [...] eles não sabiam que eu era professor. Eu era um senhor que estava fazendo o curso. No segundo semestre eu utilizei uma outra tática. No primeiro dia de aula, chegava pro professor e fazia essa abordagem: eu sou um amigo “senhor” da casa. Eu sou professor”. Houve uma mudança substancial com relação ao meu tratamento. Então eles mudaram o tratamento comigo porque eu era professor. Eu percebi que alguns deles até se seguravam pra fazer alguma explanação porque eu era professor. (L12)

Não há outro longevo na sala. Só a professora. É ela que

compreende. [...] Há um tratamento mais igualitário, porque ele sabe que você tem experiência, [...] (L4)

Relacionamento com os professores

(percepção dos longevos )

Quando L12 iniciou o curso, sentiu que os professores tratavam-no com indiferença - um “senhor” que estava cursando Direito – fato que o fez “sofrer muito”. Ao analisar a situação, o longevo começou a se “soltar” e entendeu que deveria mudar a tática. No semestre seguinte, revelou que era também professor do curso de graduação da Instituição, resultou, surpreendentemente, uma melhora “substancial” no tratamento. Já L10 relatou em forma de queixa que, apesar das palavras dirigidas a alguns professores, estes não lhe deram a devida atenção. Apesar da atitude sutil dos professores, L10 percebeu e se sentiu discriminada. Em compensação, “existem professores que poderiam ter a idade de seus filhos e são fantásticos!” exclamou a entrevistada abrindo um largo sorriso.

De acordo com o depoimento de L8, os professores gostam da sua participação nos debates em sala de aula e as suas colocações favorecem a troca de experiências e conhecimentos. Essa postura também foi descrita por L9, que contribui na aula com debates, incentivos, experiências, mantendo comentários favoráveis junto aos colegas e professores. Pelo relato de L4, pode-se perceber o apoio da professora para melhorar o clima de convivência na sala de aula, pois era o único longevo entre os alunos daquela turma.

Convém destacar o depoimento de dois longevos que se manifestaram de forma espontânea, mas firme: “Eu sou contra esse tratamento especial. [...] não me tratem diferente! Eu quero ser tratado como todo mundo. Igual aos outros.” (L1); “[...] esse tratamento diferenciado, cuidadoso e fingido, não aceito.” (L4).

Pela fala desses longevos, evidenciou-se que eles não gostam de receber tratamento diferenciado que reforçam a incapacidade, preconceitos e estigmas, principalmente no ambiente escolar. Confirma-se que, cultivar o bom relacionamento com os professores, eleva a autoestima para que eles se sintam colaboradores, integradores, participativos e úteis nas discussões em sala de aula.

c) Percepção dos colegas de outra faixa etária quanto ao relacionamento com os longevos

Segundo Both (2000), a boa convivência intergeracional pode suscitar relações afetivas enriquecidas pela sabedoria dos mais velhos, permitindo, dessa forma, aproximações mais generosas entre jovens e longevos. Tanto um grupo quanto o outro tem a ensinar e a aprender com o outro.

De acordo com o relatório de Jacques Delors (1998), “aprender a conviver” é um dos quatro pilares da educação, que significa “viver junto”, compreender o outro e praticar o exercício da solidariedade e respeito ao próximo. O termo “convívio” (viver junto) foi explicado também por Cícero (103-32 a.C.), no sentido “comunhão de vida”, quando se reunia à mesa e apreciava o momento da conversa com seus amigos (CÍCERO, 2008).

Para investigar como acontece a convivência intergeracional no ambiente escolar, foram entrevistados seis alunos de outra faixa etária que estudavam na mesma sala com os longevos, atores desta pesquisa.

Com o objetivo de preservar a identidade dos entrevistados, nas discussões sobre a análise dos dados, os colegas de outra faixa etária foram codificados com a letra “C” e o numeral sequencial à direita (C1, C2, C3... e assim por diante). Algumas características desses entrevistados estão resumidos no Apêndice G.

As falas dos colegas de outra faixa etária são apresentadas na figura 33 a seguir:

Figura 33 - Mapa de práticas discursivas - 4ª Categoria - “Relacionamento com os longevos” (Percepção dos colegas de outra faixa etária

Fonte: Adaptação do mapa apresentado por Leite (2006).

Conforme os depoimentos de C2, C3 e C4, existe uma convivência saudável entre os jovens e alunos longevos, num clima de bom relacionamento e cordialidade no ambiente escolar. Na visão dos três entrevistados, os colegas jovens

Relacionamento com os longevos

(percepção dos colegas de outra faixa etária)

Primeiro eu vejo com admiração. Uma pessoa que está ali estudando, batalhando, [...] vejo como uma pessoa que participa, que está

interessada, que mostra experiência de vida e que tem muita

experiência relacionada ao que a gente está aprendendo. Eu vejo como uma pessoa participativa que muito agrega aos nossos encontros. (C3)

São os que mais participam da aula. Eles acrescentam muito na vida da gente, porque acaba na sala de aula, fazendo um comentário maduro. Eu adoro essas pessoas, adoro conviver com elas. Posso dizer que é até melhor dos que estão na minha idade. Eu gosto muito mais de um colega de sala bem mais velho do que um novo. Eu posso pegar a idéia dele, o pensamento dele e colocar na minha vida. Que já é um passo muito grande que eu vou dar.

(C4)

Acho a convivência enriquecedora no estudo e na vida. As pessoas sempre têm alguma coisa a transmitir para a gente. E a pessoa em questão [colega longeva] tem uma história de vida e os jovens não conseguem entender a dimensão da experiência de vida da pessoa. (C2)

Eu acho que a

convivência com o colega longevo pode ser muito interessante dependendo da pessoa.Tem tantas pessoas bem mais velhas que eu me dou tão bem, que a gente sempre conversa, mas tem gente que é mais reservado, os interesses não são os mesmos, acho que vai da pessoa e não da idade. Eu acho ele [o colega longevo] um pouco mais distante na turma. Essa é a única matéria que a gente faz junto. A gente não tem essa

proximidade de conversar. Ele é mais independente. (C1)

demonstraram admiração pelos longevos, considerando suas experiências de vida como aprendizagem e exemplo.

Alguns recortes das falas confirmam o relacionamento saudável entre esses atores como, por exemplo: “convivência enriquecedora” (C2); “vejo com admiração”, “mostra experiência de vida”, “sempre reforçando e participando” (C3); “são os que mais participam da aula”, “acrescentam muito na vida da gente”, “adoro conviver com elas” (C4).

As jovens C5 e C6 também demonstraram esse sentimento positivo e, seguindo o mesmo pensamento, pretendem continuar estudando, “mesmo quando tiverem 80 anos”.

Entretanto, na opinião de C5, muitos colegas jovens ainda discriminam o aluno longevo, fazendo piadas e debochando com comentários negativos. No convívio cotidiano da sala de aula, podem surgir alguns conflitos interpessoais, como o fato relatado por C1 que, apesar de achar interessante a convivência com os longevos, não conseguiu compreender o seu colega por achá-lo, do seu ponto de vista, muito independente, distante da turma e ter interesses diferentes aos dela. Argumentou que era a única disciplina que cursava junto com o colega longevo. Não conversava com ele não por causa da idade, mas pela pessoa dele e por achá-lo distante. O conflito de interesses pode ocorrer quando se convive em grupos, não somente envolvendo idosos, mas pessoas de qualquer idade.

No mundo contemporâneo, cada vez mais o conhecimento sobre o outro, sua história e a aceitação da diversidade humana tornam-se necessárias para mobilizar um grupo de pessoas e realizar projetos comuns, partilhar as questões essenciais e assumir áreas de corresponsabilidade (ZARIFIAN, 1999).

A capacidade de dialogar, repensar posições e desenvolver virtudes é um exercício que deve ser praticado para conviver no ambiente social e lidar com pontos de vista diferentes. Aqueles que não procuram o diálogo marcam a distância por meio da indiferença e, consequentemente, pela ausência de reciprocidade, instala- se a intolerância.

Em suma, a construção da aprendizagem significativa depende do compartilhamento de significados intergeracionais e da boa convivência entre os jovens e os longevos.

d) Percepção dos professores quanto ao relacionamento com os alunos longevos

Nesta pesquisa, percebeu-se que os professores mantêm um bom relacionamento com os alunos longevos. Para a análise dos depoimentos e preservar a identidade dos professores entrevistados, os mesmos foram codificados com a letra “P” com numeral sequencial à direita (P1, P2, P3... e assim por diante). Algumas características dos cinco professores entrevistados estão resumidas no Apêndice H.

Os professores que atuam nas instituições de ensino superior devem estar atentos às informações sobre o tema, visto que, cada vez mais, tende a aumentar o número de longevos que buscam o ensino superior, rumo à nova sociedade do conhecimento. Assim no ensino superior, como os demais níveis de ensino, no ensino superior, a aprendizagem deve concentrar-se no educando e o professor tem o papel mais de facilitador do processo ensino-aprendizagem.

Desta forma, a aula é conduzida também como intercâmbio de experiências e interação social para a construção do conhecimento. Na figura 34 a seguir, são apresentados os recortes da fala dos professores:

Figura 34 - Mapa de práticas discursivas 4ª Categoria - “Relacionamento com os longevos” (Percepção dos professores)

Fonte: Adaptação do mapa apresentado por Leite (2006). Relacionamento com os longevos

(percepção dos professores)

Eu tenho grande prazer em dar aula pra essas pessoas. [...] são pessoas extremamente esforçadas, que trabalharam, aposentaram e resolveram voltar a estudar. [...] . Tento dar toda a orientação dentro do que é possível com essa carga horária que a gente não consegue estar tão próximo dos alunos [...] Eu tenho muito carinho por eles. Eles são alunos como os outros, mas a gente tem uma visão (como são mais velhos) mais idealizada deles, exige que eles tenham uma postura diferenciada do aluno comum. Eu admiro, acho que tem uma força de vontade da pessoa que tem toda uma história de vida [...] (P4)

As pessoas que tem

experiência, eu gosto muito de ouvi-los. [[...] são pessoas que trazem uma experiência, uma colaboração de vivência muito rica. (P3)

[...] São muito mais comprometidos Eles não aceitam muita

diferenciação. Muitas vezes eu falo: “gente, vocês querem que explique outra vez?” E fico olhando pra

eles..“não professora, eu já entendi”. No começo eu tento tratar com mais carinho. Mas de repente eu vejo que eles não querem ser

diferenciados. Então, vamos embora!. (P1)

[...] as diferenças existem. “Ah, porque as

diferenças existem”, mas eu tenho que tratar todo mundo igual. [...] Às vezes eu direciono até a eles “ você tem alguma dúvida? Tá tudo bem?” e da mesma maneira com que eu provoco ele, eu provoco o mais novo também. Quer dizer, “olha aqui são todos iguais!” entendeu?. (P5)

[...] ele tem uma experiência muito grande, uma pessoa que pode contribuir muito. [...] apesar da idade, aprende e continua aprendendo... Ele tem muito a ensinar ajudou muito, contribuiu muito e eu fiquei muito satisfeita com ele. Eu acho que ele é um líder [...] É muito boa a nossa convivência. (P2)

Foi evidente que P2 está satisfeito pelo fato de seu aluno longevo continuar aprendendo, apesar da sua idade. Considera-o líder, afirmando que o longevo ainda tem muito a contribuir e que a convivência entre eles tem sido muito boa. P2, assim como P3, reconhecem a experiência dos longevos e os professores afirmam: “tem experiência muito grande, uma pessoa que pode contribuir muito” (P2); “trazem experiência, colaboração de vivência muito rica” (P3).

Na fala de P4, observa-se que a relação professor-aluno não acontece somente no campo da cognição, mas também da afetividade e respeito: “tento dar toda a orientação dentro do que é possível [...] tomo muito cuidado pra não beneficiar os alunos porque é idoso [...]. Eu tenho muito carinho por eles”. Ainda, P4 declarou que os longevos “são alunos como os outros”. Entretanto, em seu discurso, esta professora mencionou que tem uma “imagem mais idealizada” dos longevos, exigindo que eles tenham uma postura diferenciada do aluno comum, isto é, uma postura de responsabilidade, de boa vontade e de esforço para aprender. Foi inferido que, para a professora, os cabelos brancos e as rugas, por si sós, não conferem respeitabilidade aos longevos, se não houver demonstração de caráter e de postura que sejam compatíveis à sua imagem.

Na opinião de P1, os alunos longevos são muito comprometidos e que eles próprios não aceitam a diferenciação; P4 acha que são esforçados; e P2 considera que eles têm muita experiência.

Os entrevistados P1 e P5, demonstraram que, para eles, não existe tratamento diferenciado entre os alunos longevos e os demais alunos de outra faixa etária na sala de aula. Segundo o depoimento dos professores, apesar de esses alunos serem diferentes, devem receber tratamento igualitário: “eles não querem ser diferenciados” (P1); “olha, aqui são todos iguais, entendeu?” (P5). Dessa forma, os professores confirmam os discursos dos próprios alunos longevos que foram