2.2 Equac~oes de Crescimento
3.1.1 Representac~ao de Interfaces
Do mesmo modo que na sec~ao 1.2, consideramos o modelo de Domany-Kinzel unidimen- sional em um anel de L stios. No esquema simetrico, as probabilidades condicionais de
transic~ao s~ao dadas por,
P( i( t+ 1)j i 1( t); i+1( t)) ; e P(0j i 1 ; i) = 1 P(1j i 1 ; i) :
Ja para o esquema n~ao-simetrico,
P( i( t+ 1)j i 1( t); i( t)) ; e P(0j i 1 ; i) = 1 P(1j i 1 ; i) :
Os dois esquemas est~ao representados na Figura 3.1. Os valores das probabilidades condicionais s~ao os mesmos nos dois esquemas, e assumem a forma totalstica (vide as relac~oes (1.7)). A representac~ao de interfaces para estudar o DKCA foi proposta por
Figura 3.1: Esquemas utilizados para atualizar os aut^omatos.
Sales etal. [149], e gera um processo de crescimento SOS de superfcies rugosas em 1 + 1
dimens~oes. O processo consiste em acumular os estados assumidos pelas variaveis i(
t)
durante uma dado numerot de passos de tempo, em um vetor de alturas,
h i( t) = t X =0 i( ) : (3.5)
Desse modo, obtemos processos de crescimento e a natureza das correlac~oes pode ser investigada pela analise da rugosidade, denida pela equac~ao (C.11). De fato, am de
0 200 400 600 800 1000 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 altura 0 500 1000 1500 altura esquema simetrico esquema nao−simetrico
Figura 3.2: Evoluc~ao dos pers gerados pela representac~ao de interfaces. Acima: pers gerados no
esquema simetrico em uma rede com L = 1000. Abaixo: pers gerados pelo esquema n~ao-simetrico, L=1000. Ambas as guras possuem a mesma condic~ao inicial e s~ao submetidos a mesma sequ^encia de
numeros aleatorios, e os pers mostrados foram tomados nos mesmos instantes de tempo em ambos os casos. Cada perl corresponde a 1000 passos de tempo.
desconsiderar a rugosidade inicial dos pers, trabalhamos com a utuac~ao da rugosidade [156] w(L;t) = p w 2( L;t) w 2( L;0) ; (3.6) onde w 2(
L;0) e a rugosidade inicial do substrato, ou seja, o estado inicial do sistema.
As diferencas entre os esquemas cam explcitas neste ponto. Na Figura 3.2 mostramos varios pers na criticalidade, nos dois esquemas, gerados a partir da representac~ao de interfaces. E evidente que diferentes esquemas levam a pers completamente diferentes. Para modelos de crescimento, vimos que o comportamento de w(L;t) tem a forma de
escala, w(L;t)L f t L z : (3.7)
Gracas as propriedades da func~ao de escala, para tempos curtos, t L
z, esperamos
que, w(L;t) t
w. Desse modo, podemos medir
w calculando a inclinac~ao do graco
log log de w(L;t)t. O expoente de crescimento denota como a rugosidade do perl
cresce com o tempo: w = 1
=2 indica que o perl n~ao possui correlac~oes e esta na classe
de universalidade da deposic~ao aleatoria, como mostrado no captulo 2 [13]; se w
>1=2,
o perl tende a crescer mais nos \picos", implicando em um crescimento mais rapido da rugosidade, enquanto se
w
<1=2, os \vales" s~ao privilegiados, e a rugosidade cresce mais
lentamente.
Na Figura 3.3 mostramos alguns resultados tpicos para a evoluc~ao da rugosidade no DKCA. Nessa gura, consideramos medias sobre 50 condic~oes iniciais aleatorias, conside- rando 105 passos de tempo e um anel de
L = 10
4 stios. Claramente, na fase congelada
observamos que a rugosidade atinge um valor de saturac~ao, enquanto na fase ativa a rugosidade cresce indenidamente. Os valores de
w em func~ao de p
1, para p
2 xo, s~ao
mostrados na Figura 3.4, para ambos esquemas. O expoente
w e calculado levando-se
em conta pelo menos tr^es decadas : 10 < t < 10
5 e 10 1 < w < 10 3. Na transic~ao, w( p
1) possui um maximo, que rapidamente decai para o valor
w = 1
=2 na fase ativa,
mantendo-se assim atep
1 = 1. O valor de
w na transic~ao depende do esquema utilizado
100 101 102 103 104 105 time steps 10-1 100 101 102 103 104 δ w (L,t) p1 = 0.2 p1 = 0.5 p1 = 0.59 p1 = 0.595 (transicao) p1 = 0.60 p1 = 0.8 p2 = 0.95
Figura 3.3: Evoluc~ao da utuac~ao da rugosidade w(L;t) com o tempot em um gracolog log, para p
2=0.95 e cinco diferentes valores de p
1. Usamos
L =10000 e 50 amostras. Note que a transic~ao de
fases ocorre quando a rugosidade passa a crescer sem saturac~ao (p
1= 0.595 - simbolos cheios).
para se atualizar o DKCA: no esquema simetrico, os stios pares (mpares) s~ao atualizados nos passos de tempo pares (mpares); no n~ao-simetrico, todos os stios s~ao atualizados em cada passo de tempo, mas os primeiros vizinhos de um stio (i;t+1) s~ao (i 1;t) e (i;t). No
esquema simetrico, w = 0
:81(2), compatvel com a previs~ao da classe de universalidade
da percolac~ao direcionada ( w
0:84) [41]; ja no esquema n~ao simetrico, w = 0
:61(2).
Na proxima sec~ao, mostraremos argumentos teoricos que mostram que esse valor tambem pode ser obtido a partir da classe DP [10].
Uma analise de escala com tamanhos nitos pode ser feita para o expoente
w e mostra
que a largura do maximo tende a zero a medida que o tamanho do sistema tende para innito. O valor do expoente de crescimento aproxima-se de
w
0:83(2) na transic~ao
congelada/ativa para o esquema simetrico e e aproximadamente o mesmo para todos os valores p
2
6
= 1.
Genericamente, a evoluc~ao temporal do DKCA emd dimens~oes e equivalente ao modelo
de Ising em d+1 dimens~oes [46]. Na linhap
2 = 1, a transic~ao e mapeada na transic~ao de
fases no modelo de Ising com o campo aplicado, em T = 0, em duas dimens~oes [46, 93]
e o valor de
w e signicantemente maior nos dois esquemas:
w = 0
:99(1), no esquema
simetrico, e w = 0
:75(1), no n~ao-simetrico. No esquema simetrico, o valor de
w concorda
com a previs~ao da literatura,
w = 1 [46].
O valor de w
>1=2 indica uma tend^encia de crescimento das \pontas" dos pers, e pode
ser interpretado como uma tend^encia de conservac~ao dos stios ativos no sistema. Na criticalidade, apenas alguns stios permanecem ativos (veremos na ultima sec~ao que no ponto crtico hNi! 0), o que contribui para o crescimento da rugosidade. Na fase ativa
ha uma alta densidade de stios ativos, mas descorrelacionados, o que faz que a altura de cada stio, h
i(
t), cresca aleatoriamente resultando em w = 1 =2. 0.60 0.70 0.80 0.90 1.00 p1 0.45 0.55 0.65 0.75 0.85 β p2 = 0.1 p2 = 0.3 p2 = 0.5 p2 = 0.7 p2 = 0.9
Figura 3.4: Evoluc~ao do expoente de crescimento
w como func~ao de p
1, na transic~ao congelada/ativa,
considerando os dois esquemas de atualizac~ao; o tamanho do sistema e L =10000 e cinco diferentes
valores dep
2s~ao considerados. O maximo de
w indica a transic~ao. O esquema simetrico e representado
por smbolos cheios e o esquema n~ao-simetrico por smbolos vazios. As linhas s~ao apenas guias para os olhos.
3.1.2 Espalhamento de Danos
Martins et al [115] foram os primeiros a usar a tecnica de espalhamento de danos para
mostrar que a regi~ao ativa do DKCA pode ser dividida em duas fases, uma caotica e outra n~ao-caotica. O par^ametro de ordem dessa transic~ao e a diferenca entre duas replicas com congurac~oes iniciais levemente diferentes, como antecipamos no captulo 1. Aqui, a tecnica consiste em deixar um aut^omato evoluir ate o estado quase-estacionario, quando cria-se uma replica onde o estado de alguns stios e alterado (dano). Submetendo as duas replicas, uma com estados
i(
t) e a outra com estados % i(
t), a mesma din^amica, mede-se
a diferenca entre os estados correspondentes em cada aut^omato,
i( t) =j i( t) % i( t)j:
A frac~ao de stios cujos estados s~ao diferentes nas duas replicas corresponde a dist^ancia de Hamming, D H( t) = 1 L X i i( t) :
O valor estacionario da dist^ancia de Hamming permite que se diferencie as duas fases: na fase n~ao-caotica a dist^ancia de Hamming se anula, enquanto no estado caotico seu valor e sempre positivo.
Para obter a linha de transic~ao, usamos o metodo do expoente de crescimento, onde a diferenca entre as replicas e usada para se fazer a representac~ao de interfaces,
h i( t) = t X =0 i( ) : (3.8)
Desse modo, o perl gerado pelo aut^omato da diferenca entre as replicas comporta-se exatamente como os pers gerados na subsec~ao anterior: na fase n~ao-caotica a rugosidade atinge um valor de saturac~ao, enquanto na fase caotica a rugosidade cresce indenidamen- te. Esse comportamento e esperado, uma vez que a diferenca entre as replicas se anula na fase n~ao caotica, o que implica em nenhuma contribuic~ao para o vetor de alturash
i( t), e
e positiva na fase caotica, o que implica em uma contribuic~ao persistente para o vetor de alturas. Novamente, o expoente
w passa por um maximo exatamente na transic~ao e seu
valor depende do esquema utilizado. Na Figura 3.5 mostramos
w p
1 para a transic~ao caotica/n~ao-caotica, no esquema
simetrico. Para obtermos essa gura, usamos um aut^omato com L = 10
4 e deixamos o
sistema evoluir por 104passos de tempo; ent~ao, criamos uma replica com um \dano inicial"
0.80 0.85 0.90 0.95 p1 0.42 0.52 0.62 0.72 β p2 = 0 p2 = 0.1 p2 = 0.15 p2 = 0.2
Figura 3.5: Evoluc~ao do expoente de crescimento
w como func~ao de p
1, usando o espalhamento de
danos para localizar a linha de transic~ao. O sistema possuiL=10000e quatro diferentes valores dep 2
s~ao mostrados, para a prescric~ao A.
devido a mudanca no estado de aproximadamente 10% dos stios. A partir desse ponto, deixamos as replicas evolurem com a mesma din^amica durante 105 passos de tempo, e a
diferenca entre as replicas e medida. Uma media sobre 50 realizac~oes aleatorias diferentes foi considerada para os estados iniciais.
Neste ponto temos que enfatizar a quest~ao da din^amica de evoluc~ao conjunta de dois aut^omatos. Tome [62, 164] estudou detalhadamente essa evoluc~ao conjunta e mostrou que ha pelo menos duas prescric~oes diferentes: a prescric~ao A, usada por Martins et al. [115], considera a atualizac~ao de ambas as replicas usando sempre o mesmo numero
aleatorio, z; a prescric~ao B, introduzida por Kohring e Schereckenberg [94], implica que
algumas vezes dois diferentes numeros aleatorios s~ao usados, z 1 e
z
2, para se atualizar as
replicas. Isso ocorre quando ( i 1+ i+1) = 1 e ( % i 1+ %
i+1) = 2, ou vice-versa. Realizamos
simulac~oes considerando as duas prescric~oes e vericamos que elas resultam em diferencas signicativas na fronteira entre as fases caotica e n~ao-caotica no diagrama de fases do DKCA, como mostrado na Figura 3.6. Essas diferencas no diagrama foram apontadas por Bagnoli [14], que estudou o espalhamento de danos no DKCA utilizando uma aproximac~ao de campo medio; Atman e Moreira [8] conrmaram essa previs~ao numericamente.
No diagrama da Figura 3.6, mostramos uma terceira prescric~ao, C, na qual tr^es numeros aleatorios podem ser sorteados, z
1, z
2 e z
3, para atualizar o sistema. Denindo U i = i 1+ 2 i+1 e V i = % i 1 + 2 %
i+1, temos os seguintes casos: seU
i = V
i
! usamos o mesmo numero aleatorio,z
1, para atualizar o original e a
replica;
0.50 0.60 0.70 0.80 0.90 1.00 p1 0.0 0.2 0.4 0.6 0.8 1.0 p2 sem dano prescricao A prescricao B prescricao C
Figura3.6: Diagrama de fases do DKCA obtido atraves do metodo do expoente de crescimento. Note que
as tr^es prescric~oes levam a diferentes fronteiras para a transic~ao caotica/n~ao-caotica. Para p
2=0 temos p 1c=0.809(1) e para p 1=1 temos p
2c=0.3135(10), e as fronteiras de todas as prescric~oes se encontram
nesses pontos. seU i = 1 e V i = 2 (ou vice-versa) !usamosz
1 para atualizar uma replica e z 2 para a outra; seU i = 1 e V i = 3 (ou vice-versa) !usamos z 1 para uma e z 3 para a outra. seU i = 2 e V i = 3 (ou vice-versa) !usamos z 2 para uma e z 3 para a outra.
Para essa prescric~ao, a fronteira ca levemente acima da prescric~ao B.
As diferencas observadas entre as fronteiras de fase parecem ser devidas as diferentes correlac~oes entre os numeros pseudo-aleatorios utilizados em cada uma das prescric~oes: na prescric~ao A as correlac~oes s~ao maximas (ja que se trata do mesmo numero aleatorio); na prescric~ao B as correlac~oes s~ao menores, e na prescric~ao C as correlac~oes s~ao mnimas [15, 83]. A prescric~ao C foi utilizada na tentativa de se obter a terceira fase ativa reportada por Hinrichsenet al[83], mas n~ao obtivemos sucesso.
3.2 Expoentes de Escala
Mostramos na sec~ao anterior que o DKCA possui um unico estado absorvente, e seu diagrama de fases possui uma linha de transic~ao separando a fase absorvente da fase ativa. Ha uma conjectura armando que modelos com um estado absorvente devem pertencer genericamente a classe de universalidade da percolac~ao direcionada [67]. As evid^encias numericas conrmam essa conjectura [8, 41, 93], exceto para um dos pontos terminais, (p
1 = 0 :5,p
2 = 1), onde o comportamento assintotico pertence a classe de universalidade
da percolac~ao direcionada compacta (CDP) [43, 46, 49]. Nesse ponto terminal, a transic~ao de fases e descontnua, pois, de fato, o sistema possui dois estados absorventes: o ja
mencionado estado \congelado", e o estado completamente ocupado. A transic~ao para a fase caotica observada por Martinset al. [115] tambem deve pertencer a classe DP, como
esperado com base no conceito de universalidade [68], pois tambem e uma transic~ao para um estado absorvente.
Nesta sec~ao, continuaremos a utilizar a representac~ao de interfaces introduzida por de Salles et al.[149] e detalhada na sec~ao anterior. Cabe ressaltar que Bhattacharyya [21]
tambem estudou as propriedades din^amicas crticas de um PCA atraves de uma repre- sentac~ao de interfaces, usando dois procedimentos diferentes para gerar as superfcies; um deles corresponde a um mapeamento SOS id^entico ao considerado por de Salles e neste trabalho.
A natureza da interface resultante do mapeamento e uma interessante quest~ao em aberto, pois existem varias formulas para se mapear sistemas din^amicos em superfcies e, na maioria dos casos, o resultado e completamente desconhecido a priori. A raz~ao para
isso e que algumas vezes as interfaces geradas possuem tens~ao supercial e espera-se que pertencam a classes de universalidade conhecidas, enquanto em outros casos as superfcies n~ao apresentam tens~ao supercial, o que ocorre com o DKCA.
Na proxima subsec~ao, abordamos com maiores detalhes os dois esquemas utilizados para se atualizar o DKCA, e mostramos uma maneira alternativa para se estudar o espalhamento de danos. Na subsec~ao seguinte, compararemos os resultados numericos e discutiremos os valores obtidos com as previs~oes teoricas para os expoentes, propostas por Bhattacharyya [21] e Dickman and Mu~noz [41].
3.2.1 Esquemas de Atualizac~ao
Como vimos, ha dois diferentes esquemas para se atualizar o DKCA: o simetrico, proposto originalmente por Domany e Kinzel [46], e o n~ao-simetrico, usado por Nagy et al. [124]
para simplicar o algoritmo. No esquema simetrico, o processo e denido nos pontos espaco-temporais nos quais
i(
t) possui i+t par. Como antes, o estado do stio i no
tempot+1 depende de i 1(
t) e i+1(
t) atraves das probabilidades condicionais denidas
no captulo 1 (denic~oes 1.7). Vimos tambem que, no esquema n~ao-simetrico, o processo e denido em todos os pontos, e o estado do stio i no tempo t+ 1 depende de
i 1( t) e i( t), ao inves de i 1( t) e i+1(
t), como no esquema simetrico. Portanto, a probabilidade
de transic~ao passa a ser P[ i(
t+1)j i 1(
t); i(
t)], e esta assume os mesmos valores que no
caso simetrico.
E facil ver que os dois esquemas s~ao conectados por uma mudanca simples na indexac~ao dos pontos espaco-temporais (veja a Figura 3.7). Consideremos, por exemplo, uma
historiah
S no esquema simetrico (isto e, uma sequ^encia de congurac~oes f S i ( t)gparat = 0;:::;t 0, com t 0 nito), iniciando-se em
t= 0 com um numero nito de stos ativos. Dada
uma congurac~ao inicial, a probabilidade de que uma historia ocorra eP[h S
j f S(0)
g].
Figura 3.7: Representac~ao espacial do DKCA, nos esquemas simetrico (esquerda) e n~ao-simetrico
(direita), mostrando que padr~oes espaco-temporais s~ao id^enticos nos dois esquemas, i.e., historias correspondentes s~ao id^enticas.
Uma historia h
NS no esquema n~ao simetrico pode ser denida da mesma maneira e ha
uma correspond^encia biunvoca entre as historias nos dois esquemas, dada por
NS i ( t) S 2i t( t): (3.9)
Desde que as probabilidades de transic~ao s~ao as mesmas nos dois esquemas, as pro- babilidades de historias correspondentes tambem ser~ao. Estendendo-se a analise para fronteiras periodicas, notamos que, se o esquema simetrico esta denido em um anel deL
stios, ent~ao o esquema n~ao-simetrico correspondente possui 2Lstios; para o mapeamento
denido acima, i S = 2
i NS
t (mod 2L).
Uma consequ^encia imediata desta correspond^encia e que todas as propriedades de escala (e.g., expoentes crticos), bem como propriedades n~ao universais (e.g., fronteiras entre as fases congelada, ativa, e caotica no diagrama p
1 p
2) s~ao id^enticas nos dois esquemas.
Naturalmente, historias correspondentes nos dois esquemas parecem diferentes: o esquema n~ao simetrico equivale a um referencial em rotac~ao no qual as dist^ancias s~ao reescaladas por um fator de 1/2. Logo, para p
1=1 =2 e p
2=1, uma interface entre domnios de 1's e
0's executa uma caminhada aleatoria sem tend^encia no esquema simetrico, enquanto no esquema n~ao-simetrico tal caso corresponde a uma interface com media velocidade igual a 1/2. O \cone de luz"i=t no esquema simetrico se torna o par de linhas i= 0 ei=t
no esquema n~ao-simetrico. Veremos que essas diferencas entre os referenciais implica em importantes consequ^encias para a din^amica da superfcie no esquema n~ao-simetrico. Apos a aplicac~ao da representac~ao de superfcies, detalhada na sec~ao anterior, as diferencas entre os dois esquemas de atualizac~ao cam explcitas. Na Figura 3.8, mostramos a evoluc~ao espaco-temporal do aut^omato e os pers gerados pela representac~ao de interfaces, na regi~ao de criticalidade (p
2 = 0 :5;p
1 = 0
:75), em cada esquema. E evidente como
diferentes esquemas levam a pers totalmente diferentes. (Na gura foi escolhida a condic~ao inicial com apenas um stio ativo para realcar a evoluc~ao dos aut^omatos e dos pers.)
Figura 3.8: Representac~ao de interfaces gerada pelos padr~oes espaco-temporais do DKCA, utilizando
diferentes esquemas de atualizac~ao: o esquema simetrico e mostrado na esquerda e o n~ao-simetrico na direita. Paineis superiores: padr~oes espaco-temporais do aut^omato. Stios com a cor negra est~ao ativos e o tempo cresce no sentido vertical para cima. Paineis inferiores: representac~ao de interfaces aplicada aos padr~oes mostrados acima. Aqui o eixoy corresponde a alturah(i;t)dos pers e o eixoxcorresponde
as posic~oes na rede. A cor de preenchimento e trocada a cada 50 passos de tempo para evidenciar a evoluc~ao temporal da rugosidade. O tamanho do sistema eL=500 para o esquema simetrico e L=250
para o n~ao-simetrico; 900 passos de tempo s~ao mostrados. Ambos os sistema est~ao muito proximos a criticalidade (p
2=0.5, p
1=0.75), na fase ativa.
Espalhamento de Danos
Ja mostramos na sec~ao anterior como podemos usar o metodo do expoente de crescimento para estudar a propagac~ao de danos no DKCA. No momento em que o dano e feito, o sistema se encontra no estado quase-estacionario e a alterac~ao aleatoria nos stios introduzida pelo dano muito provavelmente perturba o valor estacionario da densidade de partculas e das func~oes de correlac~ao. Isso introduz uma assimetria indesejavel entre as replicas, uma vez que a din^amica de espalhamento de danos estara misturada a relaxac~ao do sistema de volta ao estado estacionario (na replica alterada). Am de evitar tais complicac~oes e visando preservar a densidade quase-estacionaria de stios ativos no
momento em que o dano e feito, introduzimos o \dano por rotac~ao", que consiste em criar uma replica cuja congurac~ao foi girada 180o em relac~ao ao aut^omato original, em um
determinado tempot
0 apos o sistema ter chegado ao estado quase-estacionario.
Portanto, %(i;t 0) = (i+L=2;t 0) ;
sujeita a condic~oes periodicas de contorno. Isso representa um dano inicial grande ( com dist^ancia de Hamming'2(1 ), onde e a densidade estacionaria de partculas), que
e estatisticamente uniforme ao longo do sistema.
3.2.2 Prescric~oes Teoricas
Uma das primeiras analises teoricas para os expoentes crticos na classe de universalidade da percolac~ao direcionada foi apresentada por Kertez and Wolf [90], para um modelo de crescimento polinuclear. Descric~oes teoricas para o comportamento de escala observado em transic~oes de fase com estados absorventes em modelos de crescimento foram propostas por Bhattacharyya [21], e Dickman and Mu~noz [41]. Bhattacharrya prop^os um tratamento analtico em analogia com o processo de deposic~ao aleatoria (DA). Esclarecemos que esta descric~ao n~ao e geral e so e valida na criticalidade.
Considerando um estado inicial desordenado, o processo de crescimento pode ser descrito por uma equac~ao contnua de crescimento similar a da deposic~ao aleatoria,
@h(~x ;t) @t
=F +(x;t) (3.10)
onde F e o numero medio de partculas depositadas e (x;t) corresponde ao rudo. A
diferenca entre a representac~ao de interfaces para o DKCA e a deposic~ao aleatoria esta exatamente nas propriedades do rudo(x;t).
Enquanto na DA o rudo e descorrelacionado espacialmente e temporalmente (rudo branco), as correlac~oes no tempo e espaco presentes no DKCA aparecem como utuac~oes no rudo durante o crescimento da interface na representac~ao de superfcies. Para valores de (p
1 ;p
2) distantes da criticalidade (na fase ativa), o comprimento de correlac~ao e o
tempo de correlac~ao do DKCA s~ao nitos, o que signica que o rudo no processo de
deposic~ao e correlacionado dentro de uma faixa pequena de dist^ancias. Nesse limite, a autocorrelac~ao do rudo decai exponencialmente [13]:
<(x;t);(x 0 ;t 0) >e jx x 0 j= e jt t