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REQUISITOS DA HABITUALIDADE E PERMANÊNCIA

GENERALIDADES DA APOSENTADORIA ESPECIAL

3.1 EXPOSIÇÃO AOS AGENTES NOCIVOS

3.1.1 REQUISITOS DA HABITUALIDADE E PERMANÊNCIA

Desde a instituição do benefício de aposentadoria especial pelo artigo 31 da Lei nº. 3.807, de 26.08.1960, até a edição da Lei nº. 9.032/95, as leis previdenciárias, no sentido formal e material, não fizeram referência aos requisitos de permanência, habitualidade e intermitência.

69 BRASIL. Tribunal Federal de Recursos (extinto). Súmula nº. 198, de 20 de novembro de 1985.

A Lei nº. 3.807/60 definia que a aposentadoria especial seria devida aos segurados que trabalhassem durante quinze, vinte ou vinte e cinco anos, em serviços considerados penosos, insalubres ou perigosos. Apenas alguns decretos que as regulamentaram fizeram referência à comprovação da habitualidade e permanência das atividades prestadas.

A Lei 9.032, de 28.04.1995, que deu nova redação ao artigo 57 da Lei 8.213/91, modificou o §3º que tratou da habitualidade e permanência.

Art. 57: A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei.

§ 3º A concessão da aposentadoria especial dependerá de comprovação pelo segurado, perante o Instituto Nacional do Seguro Social–INSS, do tempo de trabalho permanente,

não ocasional nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado70.

Além de modificar o caput do artigo 57, a Lei nº. 9.032/95 alterou a redação do §3 do referido artigo, determinando a obrigação do segurado de demonstrar a real exposição a agentes insalubres de forma habitual e permanente.

O conceito de trabalho permanente encontra-se previsto no artigo 65 do Decreto nº. 3.048/99, com redação alterada pelo Decreto nº. 4.882 de 18 de novembro de 2003, nos seguintes termos:

Art. 65. Considera-se trabalho permanente, para efeitos desta subseção, aquele que é exercido de forma não ocasional nem intermitente, no qual a exposição do empregado ou do cooperado ao agente nocivo seja indissociável da produção do bem ou da prestação do serviço71.

Os conceitos de habitualidade e permanência geralmente são veiculados por ordens de serviços expedidos pelo INSS. A ordem de serviço nº. 564/97 definia trabalho permanente como:

Aquele em que o segurado no exercício de todas as suas funções, esteve efetivamente exposto a agentes nocivos físicos, químicos e biológicos, ou associação de agentes 72.

Já no ano de 1998, a Ordem de serviço nº. 600/98 referia-se a trabalho não ocasional nem intermitente definindo-o como:

Aquele em que, na jornada de trabalho não houve interrupção ou suspensão do exercício de atividade com exposição aos agentes nocivos, ou seja, não foi exercida de forma alternada, atividade comum e especial 73.

Ivan Kertzman anota que74

Considera-se trabalho permanente aquele que é exercido de forma não ocasional nem intermitente, no qual a exposição do empregado, do trabalhador avulso ou do cooperado ao agente nocivo seja indissociável da produção do bem ou da prestação do serviço.

71 BRASIL. Decreto nº. 3.048, de 06 de maio de 1999, alterado pelo Decreto nº. 4.882, de 18 de novembro de 2003. Aprova o regulamento da Previdência Social e dá outras providências.

72 BRASIL. Ordem de serviço do INSS 564/97.

73 BRASIL. Ordem de serviço do INSS 564/97.

74 KERTZMAN, Ivan. Curso Prático de direito previdenciário. 6. ed. São Paulo: Podivm, 2009, p. 376.

Embora nos termos da atual legislação o requisito para a concessão da aposentadoria seja a exposição do trabalhador aos agentes nocivos de forma habitual e permanente, a jurisprudência já decidiu que, enquanto em vigor o artigo 57 da Lei nº. 8.213/91, anteriormente a sua alteração pela Lei nº. 9.032/95, não era necessária a comprovação o contato permanente com os elementos nocivos a saúde ou integridade física75.

Carlos Alberto Pereira Castro e João Batista Lazzari 76anotam que

A Lei nº. 9.032/95 impôs a necessidade de comprovação, pelo segurado, da efetiva exposição aos agentes agressivos, exigindo ainda que essa exposição devesse ser habitual e permanente. Ou seja, o fator determinante para o reconhecimento do tempo especial passou então a ser a comprovação do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado, (quinze, vinte ou vinte e cinco anos de trabalho).

Esse entendimento encontra respaldo no Egrégio Tribunal Regional Federal da 4ª. Região, consoante o teor do seguinte excerto:

EMBARGOS INFRINGENTES. PREVIDENCIÁRIO. TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL. AGENTES INSALUBRES. HABITUALIDADE E PERMANÊNCIA. LEI 9.032/95. Considerando-se a legislação vigente à época em que o serviço foi prestado, não se pode exigir a comprovação à exposição a agente insalubre de forma permanente, não ocasional nem intermitente,

75 RIBEIRO, Maria Helena Carreira Alvim. Aposentadoria especial: regime geral de previdência social, p. 254.

76 CASTRO, Carlos Alberto Pereira de e LAZZARI, João Batista. Manual de direito previdenciário. 6. ed. São Paulo: LTr, 2005, p. 537.

uma vez que tal exigência somente foi introduzida pela Lei nº. 9.032/95. (TRF4, EINF 2002.70.00.068106-3, Terceira Seção, Relator João Batista Pinto Silveira, D.E. 26/06/2009)77.

As atividades prestadas até a publicação da Lei nº. 9.032/95, quando não eram exigidos os requisitos da habitualidade e permanência, eram considerados como atividade especial.

Entretanto, com a legislação em vigor após a edição da referida Lei, o trabalho em condições especiais deve ser permanente, contínuo, constante e não eventual.

A instrução normativa nº. 84, publicada em 17.12.2002 e republicada em 22.01.2003, disciplinou procedimentos e tratou dos requisitos da permanência, não ocasionalidade e não intermitência:

Art. 146. A partir de 29 de abril de 1995, data da publicação da Lei nº. 9.032, a caracterização de atividade como especial depende de comprovação do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, durante quinze, vinte ou vinte e cinco anos em atividade com efetiva exposição a agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, observada a carência exigida.

§ 1º Considera-se para esse fim:

I - trabalho permanente - aquele em que o segurado, no exercício de todas as suas funções, esteve efetivamente exposto à agentes nocivos físicos, químicos, biológicos ou associação de agentes;

II - trabalho não ocasional nem intermitente - aquele em que, na jornada de trabalho, não houve interrupção ou

77 BRASIL. Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Previdenciário. Embargos Infringentes 2002.70.00.068106-3, Terceira Seção. 26 de junho de 2009.

suspensão do exercício de atividade com exposição aos agentes nocivos, ou seja, não foi exercida de forma alternada, atividade comum e especial78.

Assim, desde 29/04/1995, com a publicação da Lei nº. 9.032, a caracterização do tempo de trabalho exercido sob condições especiais, para fins previdenciários, exige a comprovação da exposição habitual e permanente, não ocasional nem intermitente, a agente prejudicial à saúde ou a integridade física.