Em relação à questão dos efluentes gerados pelas embarcações docadas, a fim de se evitar que ocorram impropriedades ambientais, o estaleiro adotou a diretriz de descarte por firma terceirizada das águas dos tanques que irão sofrer reparo. O procedimento usual para o descarte das águas residuárias, oriundas dos tanques de lastro, de esgoto sanitário ou de água de porão, tem início quando da necessidade de descarte dos efluentes armazenados para início dos serviços em sua superfície. O órgão responsável pelos trabalhos de manutenção ou de
jateamento do costado comunica à assessoria de gestão ambiental integrada da necessidade de descarte dessas águas. Os serviços, em geral, são realizados pela aspiração, utilizando caminhões, credenciados pelo INEA, dotados com bomba e reservatórios.
5.4.1 Águas de lastro
No estaleiro não há restrições à descarga parcial de água de lastro na bacia do dique durante o esgotamento, em se tratando de lastro limpo e partindo do pressuposto que, sendo navio de guerra, obrigatoriamente atendeu à determinação da Lei nº 9966/2000, com a troca de água de lastro a 200 milhas da costa. Em estaleiros internacionais, somente é permitida a descarga de água de lastro fora da bacia, atendendo a todas as restrições assinaladas anteriormente e não entrando em contato com o chão dique, onde é possível pegar os restos de reparação naval.
Quando há a necessidade de reparo no tanque de lastro, a assessoria de gestão integrada é acionada a fim de acompanhar as possibilidades de descarte no próprio dique, verificando se já ocorreu a troca de lastro ese há substâncias oleosas. Para o caso de tanque contaminado, efetua-se a descarga conforme especificado noitem 5.4.3.
5.4.2 Esgoto sanitário
Os diques não são dotados de sistema de coleta de esgoto sanitário. As embarcações docadas utilizam os sanitários dos prédios construídos especificamente para o propósito de atenderem os navios em reparo, não sendo permitido o descarte de águas negras e cinzas no interior do dique. Os tanques de armazenamento dos sistemas de esgoto sanitário das embarcações são esgotados em caminhões, credenciados pelo INEA para o descarte destes efluentes. Nas situações em que a embarcação possui um elevado número de tripulação, como o NAe São Paulo, é necessário a sub-locação de barcaça para o esgotamento.
A assinatura do protocolo de intenções entre a CEDAE e o AMRJ, constatou a preocupação em dotar o complexo naval da ilha das Cobras com sistema de pontos de coleta dos esgotos sanitários oriundos das embarcações, incluindo a construção de rede para as embarcações docadas. Sendo necessária a estimativa de esgotos a serem lançados por dia pelos navios docados. Na Tabela 13, está apresentada, em caráter ilustrativo, uma estimativa da lotação de dois navios, que realizam suas manutenções nos diques.
Tabela 13 - Estimativa da lotação de algumas embarcações em manutenção em diques.
NAVIO LOTAÇÃO
NAe São Paulo 1.000 a 1.500 pessoas durante a semana.
Fragata União 250 a 260 pessoas
Fonte: DOCM (2009).
Os restos de alimentos oriundos das embarcações são depositados em caçambas instaladas ao redor do dique, estes resíduos são constantemente recolhidos por firmas particulares credenciadas pela COMLURB. Os vidros, plásticos, papel/papelão e madeira não contaminados são descartados nos tambores de coleta seletiva, distribuídos pelo perímetro do dique, de onde serão recolhidos na Central de Resíduos para armazenagem e, posteriormente, retirados por cooperativas de catadores.
Os diques não recebem em seu interior águas negras, mas, por vezes, há o descarte de águas cinza, este fato ocorre porque não há regras pré-estabelecidas e nem uma gestão integrada navio/dique, proibindo este procedimento.
5.4.3 Águas de porão
Para se efetuar serviços de reparo nos tanques do porão, o procedimento a ser realizado será o mesmo que para todos os tanques da embarcação: a assessoria de gestão ambiental é acionada, assim como a segurança do trabalho, para que se possa verificar os riscos ambientais e à segurança dos operadores. Após a garantia da retirada com segurança, são contratadas firmas credenciadas pelo INEA, para o descarte dos efluentes e resíduos líquidos existentes em seu interior. Quando o tanque encontra-se vazio, novos cuidados devem ser verificados em relação aos riscos de explosões e de intoxicação pelos gases remanescentes.
O descarregamento de resíduos utilizados pelos navios docados ocorre pela transferência direta dos resíduos e efluentes para a borda com o auxilio da empresa transportadora responsável licenciada para realizar a operação, transferindo-se os resíduos, com o auxílio de guindastes do dique, para os caminhões que os transportam até a destinação final.
5.4.4 Águas de resfriamento
Nos diques do AMRJ, as águas do mar são utilizadas para o resfriamento dos equipamentos. São bombeadas, através de mangotes para dentro das embarcações e, após a circulação pelos equipamentos, as mesmas são descartadas dentro da própria bacia do dique, passando a ser contaminadas pelos resíduos e efluentes do processo industrial.
Todos os trabalhos pesquisados na literatura mundial consideravam como premissa de trabalho a segregação das águas de resfriamento, podendo ser descartadas no corpo receptor caso não sofram qualquer contaminação. Para o contexto das dimensões das estações de tratamento, será de fundamental importância o efetivo isolamento destas águas, não permitindo o acréscimo de aditivos ou o seu contato com os trabalhos industriais, uma vez que, caso seja contaminada, deverá ser submetida a tratamento, o que acarretarão elevados consumos de substâncias químicas e de materiais, além de ser necessários tanques de tratamento com grandes dimensões, já que a sua vazão é diária, constante e de grande volume. Deve ser destacado que quando são bombeadas águas de um ambiente poluído por esgoto, as substâncias poluentes poderão provocar a deterioração dos materiais dos dutos de cobre e dos equipamentos das embarcações. Este fato pode ser comprovado pelo elevado nível de corrosão das redes de resfriamento, quando o cobre reage com o nitrogênio amoniacal existente nas águas aspiradas do mar da Baía de Guanabara.