O gerenciamento adequado dos resíduos sólidos é importante não apenas por
conta dos efeitos nocivos ao meio ambiente, mas também em razão dos problemas
relacionados à saúde humana e à qualidade de vida.
Como efeitos para o meio ambiente, de um modo geral, aponta-se a poluição
do solo, como decorrência das substâncias químicas e metais pesados que podem
estar presentes na matéria orgânica que compõe o lixo e acumulados no solo; poluição
das águas superficiais e subterrâneas pelo chorume, sendo que o uso dessas águas
pode ficar comprometido por longo tempo; poluição do ar, com distúrbios respiratórios,
cefaleia e náuseas devido à poeira em suspensão e pelo cheiro desagradável
(Sisinno, 2000); e, poluição visual, em função do impacto visual emotivo das áreas de
disposição de resíduos.
Os grandes depósitos de resíduos amplificam os problemas relacionados ao
meio ambiente, mais ainda se não houver disposição adequada dos mesmos.
Quanto à poluição do ar Sisinno leciona que “quando a matéria orgânica
encontrada no lixo é fermentada por micro-organismos dentro de determinados limites
de temperatura, teor de umidade e acidez, em um ambiente impermeável ao ar, ocorre
a produção do biogás. O metano, componente predominante do biogás, é um gás
inflamável que pode formar com o ar uma mistura explosiva, tornando comum a
combustão espontânea do lixo nas áreas de despejo de resíduos sólidos urbanos”
(SISINNO, 2000, p. 61).
Em relação à composição do gás de aterro:
O gás de aterro é composto por vários gases, alguns presentes em grandes quantidades como o metano e o dióxido de carbono e outros em quantidades em traços. Os gases presentes nos aterros de resíduos incluem o metano (CH4), dióxido de carbono (CO2), amônia (NH3), hidrogênio (H2), gás sulfídrico (H2S), nitrogênio (N2) e oxigênio (O2). O metano e o dióxido de carbono são os principais gases provenientes da decomposição anaeróbia dos compostos biodegradáveis dos resíduos orgânicos. A distribuição exata
do percentual de gases variará conforme a antiguidade do aterro. (Ministério
É válido informar que os gases de aterro ainda permanecem sendo
produzidos ao longo de anos após o encerramento do aterro e são causadores do
efeito estufa. Consoante texto do Ministério do Meio Ambiente:
Geralmente, a geração de biogás inicia-se após a disposição dos resíduos sólidos, encontrando-se, registros de metano ainda nos primeiros três meses após a disposição, podendo continuar por um período de 20, 30 ou até mais anos depois do encerramento do aterro. O gás proveniente dos aterros contribui consideravelmente para o aumento das emissões globais de metano. As estimativas das emissões globais de metano, provenientes dos aterros, oscilam entre 20 e 70 Tg/ano, enquanto que o total das emissões globais pelas fontes antropogênicas equivale a 360 Tg/ano, indicando que os aterros podem produzir cerca de 6 a 20 % do total de metano (IPCC, 1995) (Ministério do Meio Ambiente (MMA), [201_]).
Além do gás, observa-se poeira suspensa advinda do próprio lixo e também
de caminhões que transportam os resíduos até o destino final, comumente se a via
não estiver asfaltada.
Outro aspecto relevante da poluição do ar, proveniente dos depósitos de
resíduos, é a chuva ácida, como consequência da ação de ventos, temperatura e a
volatilidade dos compostos do lixo. Sisinno (2000, p. 61) explica que “o cloro liberado
nas reações de descloração que ocorrem na degradação dos compostos orgânicos
vai para a atmosfera. Ao entrar em contato com a umidade do ar, o cloro cai
novamente sob a forma de chuva ácida, contendo ácido clorídrico.”
Em relação à água, a poluição pode ocorrer pelo escoamento do chorume ou
pelo lixo carregado pelas chuvas, se o mesmo não estiver bem compactado, atingindo
corpos d´água. O chorume, líquido de complexa composição, formado através de
componentes orgânicos e inorgânicos em decomposição dos resíduos, poluirá poços,
podendo provocar endemias, desencadear surtos epidêmicos e substâncias tóxicas
em níveis acima dos aceitáveis (SISINNO, 2000, p. 62). Tais águas terão uso limitado
ou poderão se tornar impróprias para consumo humano, criação de animais, irrigação
ou uso industrial em função da presença de micro-organismos patógenos. Ademais,
a água poluída pode causar problemas de saúde e veicular transmissores de doenças
até locais bem distantes das áreas onde os resíduos foram depositados de forma
inadequada (SANTAELLA, et al., 2014).
O solo nos locais onde se depositam resíduos se transforma em um
reservatório de produtos químicos que são transformados e carreados pela presença
de milhares de espécies de micro-organismos. A infiltração da água no solo também
favorece o carregamento de compostos tóxicos, contaminando outros ambientes e
elos da cadeia alimentar e inviabilizando o uso do solo, inclusive para cultivo de
alimentos.
A prática de disposição inadequada de resíduos sólidos agrega também
materiais tóxicos no solo, como metais pesados e outras substâncias, que podem ser
absorvidas ou adsorvidas pelos vegetais, retardando com isso a acomodação dos
resíduos no solo e liberando gases poluentes, causando instabilidade no terreno
(SANTAELLA, et al., 2014), o que inviabiliza o uso do solo para construções.
Para Sisinno (2000, p. 66),
A maior ou menor permanência das substâncias químicas originadas dos resíduos no solo depende de vários fatores, que vão desde as características físico-químicas do solo como classificação, textura, pH e teor de matéria orgânica, entre outras, assim como propriedades físicas e químicas dos compostos e até mesmo das condições climáticas da região onde está localizado o depósito.