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Rolha: elemento que conserva

No documento In vino veritas (páginas 82-87)

e influenciar a própria experiência da prova.

Capítulo 3. Identidade Visual aplicada aos vinhos

2. Os principais elementos da identidade visual do vinho

2.4. Rolha: elemento que conserva

Já no tempo das ânforas, estas eram vedadas com rolhas de cortiça, e no século XVII, em França, Dom Pierre Pérignon, produtor da famosa região de Champagne no Norte de França, encontrou na cortiça a solução ideal para vedar os seus vinhos. Terá sido iniciado neste momento da história o caminho para a industrialização da rolha de cortiça.

Inicialmente, a rolha era elaborada a partir de folhas de cortiça, já com o comprimento final pretendido. Este método prevaleceu até ao apare- cimento da garlopa, no século XX, a primeira máquina industrial de pro- dução de rolhas cilíndricas.

Reconheceu-se que a cortiça não só reunia inúmeras virtudes como era o melhor material para vedar o vinho, devido à sua excelente capaci- dade de isolamento térmico, de impermeabilidade a líquidos e óptima resistência ao fogo e a altas temperaturas. A cortiça tem uma enorme elasticidade e compressibilidade, boa resiliência, é altamente leve, suave ao toque e hipoalergénica. A rolha é o elemento mais pequeno na emba- lagem do vinho, mas não “escapa” à identidade da entidade a que per- tence. As entidades consideraram (e consideram ainda actualmente) relevante manter a sua marca visível mesmo nas pequenas e aparente- mente insignificantes coisas, como meio de fazer a diferença até no mais ínfimo pormenor.

3. Legislação

Os produtos do sector vinícola só podem ser comercializados ao consu- midor final engarrafados e rotulados. Tal como todos os produtos ali- mentares, é necessário que o vinho passe por um sistema de aprovação e de certificação para poder ser vendido no mercado.

O rótulo passou a ser aplicado não apenas como uma necessidade, mas como algo obrigatório na identificação correcta dos vinhos. Nesse âmbito, o IVV – Instituto da Vinha e do Vinho – constituiu-se como um instituto público na administração directa do Estado, participante activo na auditoria do sistema de certificação de qualidade dos vinhos, que coordena e controla a organização institucional do sector vitivinícola.

O IVV desenvolve acções tendentes à melhoria da qualidade dos produ- tos vitivinícolas e, para esse efeito, desenvolveu um regulamento a nível nacional que reúne todas regras a ter em conta aquando a criação de uma identidade visual vinícola.

No entanto, o rótulo não está restringido às mesmas regras, podendo ser um suporte de criação livre . Apenas o contra-rótulo está ao abrigo desta regulamentação. Para o vinho obter o selo de validação por parte do IVV, o produtor tem que proceder a um registo inicial do lote e reque- rer um pedido de aprovação. Após submeter um exemplar do contra-ró- tulo prévio à sua utilização no mercado, o IVV valida a rotulagem e noti- fica o operador se é favorável ou não.

Assim sendo, o IVV desenvolveu, em Abril de 2017, um manual de rotu- lagem de produtos vitivinícolas com base no Regulamento emitido pelo Diário da República, 1.ª série — N.º 10 — 13 de janeiro de 2017, que se encontra ainda em vigor, onde enumera os elementos obrigatórios que deverão estar presentes no contra-rótulo para adquirir o selo de quali- dade por parte do IVV: 1 – marca; 2 – designação do produto; 3 – prove- niência do produto; 4 – referência ao engarrafador; 5 – volume nominal; 6 – teor alcoólico; 7 – alergénios; 8 - Lote. Todos este elementos devem constar em caracteres cuja altura seja igual ou superior a 1.2 mm. Em conjunto com os elementos o manual apresenta uma maqueta exempli- ficativa de como os elementos podem estar dispostos no suporte. fig. 32 | Vinhos Herdade

Arrepiado Velho .

Fonte: O último maçon, s.d, s.p. Disponível em https:// oultimomacon.com/agenda/ prova-de-vinhos-herdade-do- arrepiado-velho- 22-junho- 2018-wine-house-portugal- gourmet-santo-tirso/ Consultado em 28 de Outubro de 2019 fig. 33 | Contra-rótulo consoante legislação IVV.

Fonte: Manual de rotulagem do IVV, 2017, p.6. Disponível em https://www.ivv. gov.pt/ np4/55/%7B$clientServl etPath%7D/?newsId =6829&fileName=MA NUAL_ROTULAGEM__ ABRIL_2017.pdf

Além dos elementos obrigatórios, existem algumas indicações facul- tativas a constar no contra-rótulo, como por exemplo, a referência à cor (tinto, branco ou rosé), a referência ao teor de açucares (se é seco, meio- -seco, meio-doce, ou doce), o ano da colheita e as castas. Existe também a possibilidade de inserir informações sobre o envelhecimento do vinho e de onde provém mais detalhadamente (de uma casa, de uma quinta ou de uma herdade, etc.) e ainda informações de como servir o vinho, a temperatura ideal para ser conservado e/ou servido, sugestões gastro- nómicas, etc.

Os regulamentos estabelecem assim as regras de rotulagem para que os produtos do sector vitivinícola que visam estabelecer um quadro legal tenham em conta os interesses legítimos dos consumidores e dos produ- tores. Estabelecem as normas de execução relativas à designação, apre- sentação e rotulagem dos produtos do sector vitivinícola, atribuindo este regulamento a competência aos Estados-membro da União Europeia para, neste domínio, estabelecerem disposições complementares relati- vamente aos vinhos produzidos nos seus territórios.

Encontra-se em anexo (A) a legislação emitida pelo Diário da Repú- blica, 1.ª série — N.º 10 — 13 de Janeiro de 2017, e também algumas altera- ções mais recentes dadas pelo Regulamento emitido também pelo Diário da República — 1.ª série, com a data de publicação de dia 20 de Setembro de 2019 (anexo D).

Síntese Conclusiva

Com o presente capítulo, pudemos entender que o discurso da identi- dade de um vinho depende da criação de uma identidade visual que transmita a essência desse mesmo vinho através dos seus atributos extrínsecos. Podemos afirmar que a comunicação visual coerente destes atributos extrínsecos é determinante. Desta comunicação fazem parte a marca gráfica criada e institucionalizada e as suas aplicações.

A marca pode assumir diversas formas, normalmente apresentadas pelo conjunto de símbolo e logótipo. Foi realizada uma recolha de algu- mas marcas gráficas presentes na área e analisadas de modo informal. Na sua maioria, recorrem a símbolos relacionados com o sector vinícola, como o espaço físico de onde provém o vinho (região, herdades, quintas, montes, adegas, etc.), brasões das famílias que as detêm, ou outros sím- bolos particulares da entidade ou do local onde é produzido o vinho. No entanto, existem também marcas gráficas constituídas só por logótipo.

Os suportes onde a marca é aplicada – nomeadamente, o rótulo, a embalagem e a rolha – constituem os pilares de sustentação da mesma, garantindo a sua extensão.

Considera-se que o rótulo é o elemento primordial de primeiro impacto no que concerne ao aspecto visual de um vinho. Através de uma recolha de variados rótulos que se encontram no mercado actual, pude- mos constatar que é um objecto, de certo modo, artístico que representa uma mensagem cultural completa, onde podem intervir símbolos, objec- tos, formas e cores.

Associado ao rótulo, o contra-rótulo deve obedecer a um conjunto regras definidas num regulamento estabelecido para garantir o controlo de qualidade deste produto.

Dentro do conceito de embalagem, considerou-se o conjunto com- posto pela garrafa e a embalagem em que a própria garrafa é empaco- tada. Estudaram-se os diferentes tipos de garrafa e as suas anatomias. Foi analisado também que a embalagem foi concebida para proteger a garrafa e poder transportá-la em segurança, podendo assumir variados formatos e diversos materiais. A partir de uma recolha de várias imagens de embalagens desenvolvidas por várias entidades, considerou-se que existem tanto embalagens unitárias como também embalagens que podem conter até seis garrafas e de vários materiais: as já características caixas de madeira, mas também materiais como cortiça, papel vegetal, cartão. Algumas embalagens são desenvolvidas não só para desempe- nhar o papel de transportadoras, mas também de expositor.

Verificou-se ainda que existem outras aplicações da identidade visual que podem ser desenvolvidas com o objectivo de elevar a relação do pro- duto vinícola com o consumidor sem ser necessário este estar presen- cialmente perante um vinho. São exemplo disso as brochuras, os carta- zes e os vídeos promocionais, os sites e as apps.

Todas estas aplicações permitem, não só que o consumidor possa estar mais informado sobre os vinhos, como também possa criar refe- rências a nível da cultura visual neste campo.

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