e Diadorim
Antonio N Antonio Nóbregaóbrega
Quando eu vi aqueles olhos, Quando eu vi aqueles olhos, Verdes como nenhum pasto, Verdes como nenhum pasto, Cortantes palhas de cana, Cortantes palhas de cana, De lembr
De lembrá-los não má-los não me gasto.e gasto. Desejei não fossem
Desejei não fossem embora,embora, E deles nunca
E deles nunca me afastome afasto.. (...)
(...)
Na noite-g
Na noite-granderande-fatal,-fatal, O meu amor encantou-se. O meu amor encantou-se. Desnudo corpo inteir Desnudo corpo inteiroo Desencantado m
Desencantado mostrou-se.ostrou-se. E o que er
E o que era um segra um segredo,edo, Sem mais na
Sem mais nada reveloda revelou-se.u-se. Sob as r
Sob as roupas de jaguoupas de jagunço,nço, Corpo de mulher eu via. Corpo de mulher eu via. A deus, já
A deus, já dada, sem vida,dada, sem vida, O vau da minha alegria. O vau da minha alegria. Diadorim, diadorim Diadorim, diadorim... Minha incont
Minha incontida sangriaida sangria
METÁFORA E METONÍMIA
METÁFORA E METONÍMIA
Va
Vau é um u é um trecho trecho de riode rio
raso. Metaforicamente,
raso. Metaforicamente,
representa quanto a
representa quanto a
alegria do eu lírico foi
alegria do eu lírico foi
rasa, desembocando
rasa, desembocando
numa sangria sem fim –
numa sangria sem fim –
metonímia para substituir
metonímia para substituir
tristeza. Cria-se, assim,
tristeza. Cria-se, assim,
um paradoxo. Ao usar
um paradoxo. Ao usar
essa construção para
essa construção para
fechar a música, o poeta
fechar a música, o poeta
sugere que a tristeza era o
sugere que a tristeza era o
fim esperado do amor
fim esperado do amor
de Riobaldo.
de Riobaldo.
CONJUNÇÃO
CONJUNÇÃO
Para manter a métrica
Para manter a métrica
dos versos, a conjunção
dos versos, a conjunção
subordinativa “que” foi
subordinativa “que” foi
suprimida da oração
suprimida da oração
subordinada substantiva.
subordinada substantiva.
A or
A oração ação coocoorderdenadanada
adversativa, à frente, adversativa, à frente, cria um paradoxo, cria um paradoxo, expressando a contradição expressando a contradição no desejo do eu. no desejo do eu. AMBIGUIDADE AMBIGUIDADE
O poeta cria uma
O poeta cria uma
atmosfera religiosa atmosfera religiosa ao retratar a morte ao retratar a morte da amada como um da amada como um “encantamento”. “encantamento”. Paradoxalmente, revela- Paradoxalmente, revela- se desencantado quando se desencantado quando vê o corpo de mulher (e vê o corpo de mulher (e
não de homem). O jogo
não de homem). O jogo
de palavras “A deus” cria
de palavras “A deus” cria
ambiguidade: a alma
ambiguidade: a alma
da amada foi entregue
da amada foi entregue
a “Deus”, deixando ao
a “Deus”, deixando ao
amado um triste “adeus”.
amado um triste “adeus”.
Apesar de a letra ser
Apesar de a letra ser uma homenaguma homenagem a um romanem a um romancece
modernista, há forte presença da
modernista, há forte presença da segunda geraçãosegunda geração
romântica, na figura erotizada da amada
romântica, na figura erotizada da amada morta,morta,
o que era comum em obras como
o que era comum em obras comoNoite na TavernaNoite na Taverna,,
de Álvares de Azevedo. de Álvares de Azevedo. MARCAS DO PASSADO MARCAS DO PASSADO
No início do romance, o narrador descreve os vestígios
No início do romance, o narrador descreve os vestígios
da devastação e da violência deixados pelas guerras
da devastação e da violência deixados pelas guerras
anticolonial (1965-1975) e civil (1976-1992). Para
anticolonial (1965-1975) e civil (1976-1992). Para
explicitar a história do país, Mia Couto cria protagonistas
explicitar a história do país, Mia Couto cria protagonistas
pertencentes a duas gerações diversas: um idoso,
pertencentes a duas gerações diversas: um idoso,
representante da ancestralidade valorizada na África,
representante da ancestralidade valorizada na África,
e um menino (
e um menino (miúdomiúdo, em Portugal e Moçambique),, em Portugal e Moçambique),
símbolo do futuro e da nova geração.
símbolo do futuro e da nova geração.
© TEREZA BETTINARDI © TEREZA BETTINARDI
6
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COMO CAI NA PROVACOMO CAI NA PROVA1.
1.
(FUVEST 2016) (FUVEST 2016)Omolu espalhara a bexiga na cidade. Era uma vingan
Omolu espalhara a bexiga na cidade. Era uma vingança contra a cida-ça contra a cida- de dos ricos. Mas os ricos tinham a vacina, que sabia Omolu de vacinas? de dos ricos. Mas os ricos tinham a vacina, que sabia Omolu de vacinas? Era um pobre deus das florestas d’África. Um deus dos negros pobres. Era um pobre deus das florestas d’África. Um deus dos negros pobres. Que podia saber de vacinas? Então a bexiga desceu e assolou o povo de Que podia saber de vacinas? Então a bexiga desceu e assolou o povo de Omolu. Tudo que Omolu pôde fazer foi transformar a be
Omolu. Tudo que Omolu pôde fazer foi transformar a bexiga de negro emxiga de negro em alastrim, bexiga branca e tola. Assim mesmo morrera negro, morrera po- alastrim, bexiga branca e tola. Assim mesmo morrera negro, morrera po- bre. Mas Omolu dizia que não fora o alastrim que matara. Fora o lazare- bre. Mas Omolu dizia que não fora o alastrim que matara. Fora o lazare- to*, Omolu só queria com o alastrim marcar seus filhinhos negros. O la- to*, Omolu só queria com o alastrim marcar seus filhinhos negros. O la- zareto
zareto é que é que os matos matava. Mas ava. Mas as macuas macumbas pedmbas pediam quiam que ele e ele levasse levasse a be-a be- xiga
xiga da cida cidade, dade, levasse levasse para para os os ricos ricos latifulatifundiários ndiários do sdo sertão. ertão. Eles Eles tinhamtinham dinheiro, léguas e léguas de terra, mas não sabiam tampouco da vacina. dinheiro, léguas e léguas de terra, mas não sabiam tampouco da vacina. O Omolu diz que vai pro sertão. E os
O Omolu diz que vai pro sertão. E os negros, os ogãs, as fnegros, os ogãs, as f ilhas e pais deilhas e pais de santo ca
santo cantam: Entam: Ele é mesle é mesmo nosso mo nosso pai e é pai e é quem pode quem pode nos ajunos ajudar... dar... Omo-Omo- lu promete ir. Mas para que seus filhos negros não o esqueçam avisa no lu promete ir. Mas para que seus filhos negros não o esqueçam avisa no seu cântic
seu cântico de despedio de despedida: Ora, da: Ora, adeus, ó meuadeus, ó meus filhinhos, s filhinhos, Qu’eu Qu’eu vou e tvou e tor-or- no a vortá... E numa noite que os atabaques batiam nas macumbas, nu- no a vortá... E numa noite que os atabaques batiam nas macumbas, nu- ma noite de mistério da Bahia, Omolu pulou na máquina da Leste Brasi- ma noite de mistério da Bahia, Omolu pulou na máquina da Leste Brasi- leira e foi para o sertão de
leira e foi para o sertão de JuazeiroJuazeiro. A bexiga foi com ele.. A bexiga foi com ele. Jorge Amado,
Jorge Amado, Capitães da AreiaCapitães da Areia
*lazareto: estabelecimento para isolamento sanitário de pessoas *lazareto: estabelecimento para isolamento sanitário de pessoas atingidas por determinadas doenças.
atingidas por determinadas doenças.
Considere as seguintes afirmações referentes ao texto de Jorge Considere as seguintes afirmações referentes ao texto de Jorge Amado:
Amado:
I. Do ponto de vista do excerto, considerado no contexto da obra a I. Do ponto de vista do excerto, considerado no contexto da obra a
que pertence, a religião de
que pertence, a religião de origem africana comporta um aspec-origem africana comporta um aspec- to de resistência cultural e política.
to de resistência cultural e política.
II. Fica pressuposta no texto a ideia de que, na época em que se II. Fica pressuposta no texto a ideia de que, na época em que se passa a história nele narrada, o Brasil ainda conservava formas passa a história nele narrada, o Brasil ainda conservava formas de privação de direitos e de exclusão social advindas do perío- de privação de direitos e de exclusão social advindas do perío- do colonial.
do colonial.
III. Os contrastes de natureza social, cultural e regional que o tex- III. Os contrastes de natureza social, cultural e regional que o tex-
to registra permitem concluir corretamente que o Brasil pass to registra permitem concluir corretamente que o Brasil pass ouou por processos de
por processos de modernização descompassadomodernização descompassados e s e desiguais.desiguais. Está correto o que se af
Está correto o que se af irma emirma em a)
a) I, somente. I, somente. b)
b) II, somente. II, somente. c)
c) I e II, I e II, somente.somente. d)
d) II e III, II e III, somente.somente. e)
e) I, II e III. I, II e III. RESOLUÇÃO RESOLUÇÃO
Todos os itens estão corretos. O primeiro acerta ao sublinhar
Todos os itens estão corretos. O primeiro acerta ao sublinhar o carátero caráter de resistência da religião africana, perseguida pelas classes sociais mais de resistência da religião africana, perseguida pelas classes sociais mais altas e pela polícia, por
altas e pela polícia, por ser associada a práticas rebeldes dos ser associada a práticas rebeldes dos escravos.escravos. Até hoje as religiões de matriz africana sofrem preconceito na sociedade Até hoje as religiões de matriz africana sofrem preconceito na sociedade brasileira. Em
brasileira. EmCapitães da AreiaCapitães da Areia, essa luta pela liberdade religiosa também, essa luta pela liberdade religiosa também está exposta. O segundo item também pode ser ligado à perseguição está exposta. O segundo item também pode ser ligado à perseguição religiosa, prática herdada do colonialismo, além das relações profun- religiosa, prática herdada do colonialismo, além das relações profun- damente desiguais entre negros e brancos, pobres e ricos. Por fim, o damente desiguais entre negros e brancos, pobres e ricos. Por fim, o terceiro item ressalta o caráter desigual da modernização, expressa no terceiro item ressalta o caráter desigual da modernização, expressa no texto na falta de acesso à saúde pública de qualidade para os
texto na falta de acesso à saúde pública de qualidade para os pobres.pobres. Resposta: E
Resposta: E
2.
2.
(UNICAMP 2016) (UNICAMP 2016)“(…) E, páginas adiante, o padre se por
“(…) E, páginas adiante, o padre se por tou ainda mais excelente-tou ainda mais excelente- mente, porque era mesmo uma brava criatura. Tanto assim, que, na mente, porque era mesmo uma brava criatura. Tanto assim, que, na despedida, insistiu: – Reze e trabalhe, fazendo de conta que esta vida despedida, insistiu: – Reze e trabalhe, fazendo de conta que esta vida é um dia de capina com sol quente, que às vezes custa muito a passar, é um dia de capina com sol quente, que às vezes custa muito a passar, mas sempre passa. E você ainda pode ter muito pedaço bom de ale- mas sempre passa. E você ainda pode ter muito pedaço bom de ale- gria… Cada um tem sua hora e a sua vez: você há de ter a sua.” gria… Cada um tem sua hora e a sua vez: você há de ter a sua.”
João Guimarães Rosa,
João Guimarães Rosa, A Hora e Vez de Augusto Matraga, em SA Hora e Vez de Augusto Matraga, em S agaranaagarana. Rio de Janeiro:. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001, p. 380. Editora Nova Fronteira, 2001, p. 380.
“(…) Então, Augusto Matraga fechou um pouco os olhos, com sorri- “(…) Então, Augusto Matraga fechou um pouco os olhos, com sorri- so intenso nos
so intenso nos lábios lambuzados de sanguelábios lambuzados de sangue, e de se, e de seu rosto subia umu rosto subia um sério contentamento. Daí, mais, olhou, procurando
sério contentamento. Daí, mais, olhou, procurando João Lomba, e João Lomba, e dis-dis- se, agora sussurrando, sumido: – Põe a bê
se, agora sussurrando, sumido: – Põe a bê nção na minha filha, seja lánção na minha filha, seja lá onde for que ela esteja… E, Dionóra… Fala com a Dionóra que está tu- onde for que ela esteja… E, Dionóra… Fala com a Dionóra que está tu- do em ordem! Depois morreu.”
do em ordem! Depois morreu.”
Idem, p. 413. Idem, p. 413.
a)
a) O segundo excerto, de certo modo, confirma os ditos do O segundo excerto, de certo modo, confirma os ditos do padre apresentados no primeiro. Contudo, “a hora e a vez” do padre apresentados no primeiro. Contudo, “a hora e a vez” do protagonista não são asseguradas, segundo a narrativa, pela reza protagonista não são asseguradas, segundo a narrativa, pela reza e pelo trabalho. O que lhe garantiu ter “a sua hora e a sua vez”? e pelo trabalho. O que lhe garantiu ter “a sua hora e a sua vez”? b)
b) “A hora e a vez” de Nhô Augusto relacionam-se aos encontros que “A hora e a vez” de Nhô Augusto relacionam-se aos encontros que ele tem com outro personagem, Joãozinho Bem-Bem, em dois ele tem com outro personagem, Joãozinho Bem-Bem, em dois momentos da narrativa. Em cada um desses momentos, momentos da narrativa. Em cada um desses momentos, Nhô Augusto precisa realizar uma escolha. Indique quais são Nhô Augusto precisa realizar uma escolha. Indique quais são essas escolhas que importam para o processo de transformação essas escolhas que importam para o processo de transformação do personagem protagonista.
do personagem protagonista. RESOLUÇÃO
RESOLUÇÃO a)
a) O que garante ao protagonista “a sua hora e a sua vez” não é o se- O que garante ao protagonista “a sua hora e a sua vez” não é o se- guimento dos conselhos dados pelo padre, mas o fato de se livrar de guimento dos conselhos dados pelo padre, mas o fato de se livrar de sua índole violenta e se colocar em defesa dos oprimidos, renunciando sua índole violenta e se colocar em defesa dos oprimidos, renunciando as seus
as seus próprios interesses pessoais.próprios interesses pessoais. b)
b) Na primeira vez em que os dois personagens citados se encontram, Na primeira vez em que os dois personagens citados se encontram, ocorre uma grande empatia entre eles, e Augusto conquista a admira- ocorre uma grande empatia entre eles, e Augusto conquista a admira- ção de Joãozinho Bem-Bem e o respeito de seu bando. Joãozinho se ção de Joãozinho Bem-Bem e o respeito de seu bando. Joãozinho se oferece para vingá-lo de dois de seus inimigos, mas Nhô Augusto recusa oferece para vingá-lo de dois de seus inimigos, mas Nhô Augusto recusa a oferta. Já no segundo encontro, Nhô Augusto mais uma vez recusa a oferta. Já no segundo encontro, Nhô Augusto mais uma vez recusa o convite para integrar o grupo de Joãozinho e, diante da violência o convite para integrar o grupo de Joãozinho e, diante da violência praticada pelo grupo, se põe ao lado dos desprotegidos e em nome da praticada pelo grupo, se põe ao lado dos desprotegidos e em nome da justiça. Assim, ambas as passagens servem para o desenvolv justiça. Assim, ambas as passagens servem para o desenvolvimentoimento
de Matraga, culminando em sua redenção. de Matraga, culminando em sua redenção.
3.
3.
(ENEM 2015)(ENEM 2015)Exmº Sr. Governador: Trago a V. Exa. um resumo dos trab
Exmº Sr. Governador: Trago a V. Exa. um resumo dos trab alhos reali-alhos reali- zados pela Prefeitura de Palmeira dos Índios em 1928. [...]
zados pela Prefeitura de Palmeira dos Índios em 1928. [...] ADMINISTR
ADMINISTR AÇÃOAÇÃO
Relativamente à quantia orçada,
Relativamente à quantia orçada, os telegramas custaram pouco.os telegramas custaram pouco. De ordinário vai para eles dinheiro considerável. Não há vereda aber- De ordinário vai para eles dinheiro considerável. Não há vereda aber- ta pelos matutos que prefeitura do interior não ponha no arame. Pro- ta pelos matutos que prefeitura do interior não ponha no arame. Pro- clamando que a coisa foi feita por ela; comunicam-se as datas histó- clamando que a coisa foi feita por ela; comunicam-se as datas histó- ricas ao Governo do Estado, que não precisa disso; todos os aconteci- ricas ao Governo do Estado, que não precisa disso; todos os aconteci-
113 113 GE GEPORTUGUÊSPORTUGUÊS�������� RESUMO RESUMO