Mapa 3 – Distribuição dos grupos ampliados no território nacional
2. INTERSETORIALIDADE: EDUCAÇÃO EM SAÚDE
2.3. Síntese do capítulo e lacunas identificadas
Em sintonia com a intersetorialidade inerente ao objeto de estudo da presente pesquisa, foram abordados neste capítulo conceitos e enunciados de diversos temas, linhas de pensamento e mesmo áreas do conhecimento. A Figura 9 fornece uma visão
holística do embasamento teórico do trabalho, concatenando os elementos conceituais centrais de forma a evidenciar as relações entre eles.
Figura 9 - Concatenação dos elementos conceituais
Fonte: elaborada pela autora.
Na imagem destacam-se os elementos chave do trabalho: dentre os determinantes sociais da saúde (DSS), a educação; das dimensões da saúde, a coletiva; das relações entre as áreas, a causalidade educação-saúde; das políticas públicas intersetoriais para a saúde, o PSE; no ciclo de políticas públicas, o monitoramento.
Com o objetivo de facilitar a leitura e organizar as discussões na construção do arcabouço teórico, o Quadro 5 traz uma síntese dos principais preceitos,
Aspectos socioculturais Educação DSS Causalidade reversa Causalidade (educação > saúde) Ações intersetoriais
para saúde (IAH)
Políticas públicas para saúde Políticas públicas intersetoriais (saúde) PSE Fatores Contextuais Monito- ramento
recomendações e lacunas identificadas em todo este capítulo, seguindo a lógica de exposição na qual os tópicos aparecem no texto.
Quadro 5 - Síntese da revisão teórica
1
A relação entre educação e saúde é amplamente estudada, principalmente pelas abordagens epidemiológica e econométrica. As principais correntes teóricas são: economia da saúde, economia da educação, Teoria do Capital Humano e Teoria das Causas Fundamentais.
2
Existem três perspectivas de análise da relação entre as áreas: 1) educação influenciando saúde; 2) saúde influenciado educação; 3) ambas afetadas por fatores externos. A adotada neste trabalho defende a premissa de causalidade da educação na saúde, o que tem sido evidenciado de forma robusta e contínua.
3
Dentre os estudos que adotam a premissa da causalidade é consensual a influência que fatores contextuais exercem na relação. Como a existência e a magnitude da associação já estão atestadas, há a recomendação de que os esforços de pesquisa se voltem para compreender a influência de fatores intervenientes.
4
O nexo de funcionamento da relação causal entre educação e saúde é explicado majoritariamente a partir de consequências chave da primeira (informações, capacidade cognitiva e renda), que exercem influência em fatores intervenientes (contextuais, comportamentais e psicossociais). Esses, por sua vez, impactam em condições de saúde diversas. Os efeitos ocorrem a longo prazo, no nível individual.
5
Os efeitos da educação na saúde coletiva têm diversas raízes: a soma dos resultados individuais; coesão social; desenvolvimento do sistema de saúde. A curto prazo, a influência ocorre pela formação de crianças e adolescentes como agentes multiplicadores, disseminando informações e conscientizando suas comunidades no sentido da prevenção por meio do autocuidado e escolhas de vida saudáveis.
6
A influência de crianças sobre hábitos e comportamento de adultos, com potencial de impacto na saúde foi atestada em relação a: cuidados preventivos, saneamento e higiene, dieta, prática de exercícios físicos, tabagismo, saúde mental, saúde odontológica, obesidade, doenças crônicas, câncer, doenças infectocontagiosas, derrames.
7
É reconhecido o êxito de intervenções no ambiente escolar para disseminação de informações e incentivar comportamentos saudáveis, com beneficiários diretos (crianças e adolescentes) e indiretos (familiares e comunidade em geral). Governos passam a desenvolver políticas públicas intersetoriais de educação em saúde contemplando aspectos de promoção e prevenção.
(Conclusão)
8
Adota-se as premissas da teoria dos determinantes sociais da saúde (DSS), que fundamentam a corrente teórica das ações intersetoriais para saúde. Ressaltam-se o papel das comissões internacional e nacional criadas na difusão dos conceitos e indução de pesquisas na área.
9
No contexto das IAH destaca-se o protagonismo governamental pela proposição de políticas públicas intersetoriais para a promoção da saúde. Na gestão de tais políticas, destaca-se o monitoramento como atividade capaz de informar todas as demais (formação de agenda, formulação de alternativas, tomada de decisão e avaliação), subsidiando ações de correção e prevenção quanto aos desvios identificados.
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Apesar da atividade de monitoramento normalmente estar associada à avaliação (inclusive no ciclo de políticas públicas), elas devem ser diferenciadas. O monitoramento trata do registro e acompanhamento sistemático das informações relevantes sobre as ações realizadas, englobando processos e resultados.
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Ao mesmo tempo que se reconhece a relevância do monitoramento, percebe-se também que há desafios consideráveis a serem superados. Pela parte da academia as principais dificuldades são: identificar relações causais lineares em contextos complexos; englobar todas as facetas das atividades intersetoriais; ao abranger mais de uma área, abordar também os mecanismos de ligação entre elas; empregar o rigor metodológico necessário para maior confiabilidade dos resultados.
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Pela ótica governamental, as barreiras se concentram em: sistemas de monitoramento fragmentados, com parâmetros que dificultam a comunicação entre eles; necessidade de aprimorar disseminação, acessibilidade, linguagem e apresentação das informações coletadas.
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Para o sucesso da atividade de monitoramento em contextos intersetoriais, é imprescindível a criação de indicadores capazes de retratar a conexão entre dados de origem setorial.
14
Ao se trabalhar com indicadores e modelos quantitativos, há que ter cuidado para evitar a simplificação exacerbada, que pode impedir que as nuances da intersetorialidade sejam percebidas.
Fonte: elaborado pela autora.
Durante a elaboração do capítulo foram identificadas as seguintes lacunas investigativas quanto a pesquisar a relação entre as áreas de educação e saúde: abordar questões políticas; adotar a perspectiva da gestão pública; buscar compreender como funciona a associação, ao invés de simplesmente mensurá-la; incluir fatores contextuais nos modelos de análise quantitativa; considerar a estrutura e
os e investimentos privados em saúde, quando pertinente; desenvolver estudos sobre países em desenvolvimento e sobre esferas subnacionais; investigar programas de larga escala.
Foram levantadas também as seguintes recomendações metodológicas para estudos relacionados às atividades de avaliação e monitoramento de políticas públicas intersetoriais para saúde: ir além do escopo descritivo; abranger as conexões entre as áreas ao invés de tratá-las individualmente; buscar evidências de sucesso ou fracasso das ações estudadas; preocupar-se com a disseminação e apresentação dos resultados, tendo em mente todos os interessados, em especial governantes e comunidade; não se restringir à racionalidade técnica dos indicadores, evitando superficializar realidades complexas; garantir rigor metodológico.
A próxima seção se destina a descrever o Programa Saúde na Escola, política brasileira que integra o conjunto de esforços que vêm sendo feitos pelos governos, internacionalmente e também no Brasil, para buscar melhorias na saúde pública a partir de ações intersetoriais.