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Síntese dos resultados de pesquisa

SPA Desenvolvimento

PPF_SP U de Mann-

4.3 Síntese dos resultados de pesquisa

A amostra de pesquisa foi composta por 142 organizações atuantes em 17 dos 21 setores constantes do CNAE 2.0 (IBGE, 2015) que desenvolveram projetos ambientais. Foram considerados os portes das organizações segundo classificação proposta pelo BNDES (2016). As organizações reportaram a frequência com que desenvolveram projetos ambientais. Os projetos ambientais reportados foram avaliados segundo os temas que abordaram (CETESB, 2016) e segundo os motivadores para sua realização (Ormazabal & Puga-Leal, 2016).

O perfil dos respondentes se caracterizou pelos papéis desempenhados nos projetos ambientais assim como pela experiência em projetos ambientais. Em geral, os respondentes foram profissionais com contribuição direta para os projetos ambientais e apresentaram experiência superior a 5 anos em projetos ambientais.

As variáveis independentes foram aquelas do desempenho de gerenciamento de projetos (DGP) conforme proposto Bryde (2003a), a saber: liderança e cultura no gerenciamento de projetos (LC_GP); equipe de gerenciamento de projetos (EQ_GP); política e estratégia de gerenciamento de projetos (PE_GP); parcerias e recursos no gerenciamento de projetos (PR_GP); processos de gestão do ciclo de vida em gerenciamento de projetos (CV_GP); e indicadores-chave de desempenho (KPIs) em gerenciamento de projetos (KPI_GP).

As variáveis dependentes foram aquelas dos critérios para avaliação do sucesso do projeto (SP) presentes no modelo de Shenhar e Dvir (2007), a saber: eficiência do projeto (EP_SP); impacto na área solicitante (IAS_SP); impacto na equipe do projeto (IEP_SP); sucesso do negócio (SN_SP); e preparação para o futuro (PPF_SP).

Utilizou-se o estudo de Mir e Pinnington (2014) como norteador da pesquisa, sendo realizada a adaptação cultural do seu instrumento para coleta de dados. As variáveis foram mensuradas por meio de escala Likert de 5 pontos. A confiabilidade e validade dos constructos foi avaliada por meio do coeficiente Alfa de Cronbach e dos testes KMO e de Esfericidade de Bartlett, respectivamente. Excluiu-se 2 questões para melhorar a confiabilidade de LC_GP. Os resultados de confiabilidade dos constructos sugeriram a necessidade de análise fatorial, principalmente para os constructos de desempenho de GP. Foram realizadas análises fatoriais dos constructos de DGP e SP, sendo propostos o Modelo de Desempenho de Gerenciamento de Projetos Ambientais – DGPA (que explica 65,64% da variância total para os constructos de DGP) e o Modelo de Sucesso de Projetos Ambientais – SPA (que explica 68,78% da variância total para os constructos de SP). Os fatores resultantes apresentaram confiabilidade ao menos tolerável para pesquisa em ciências sociais (Cronbach, 1951; Nunnally, 1978), justificando avalia-los como novos constructos para DGP e SP nas análises de correlação e de regressão logística e nos testes de Kruskal-Wallis e Mann-Whitney.

A hipótese 1 que enunciava que tanto o constructo desempenho de GP quanto suas variáveis componentes influenciavam positivamente o constructo SP de projetos ambientais, bem como suas variáveis componentes foi confirmada por meio da análise de correlação com coeficientes de Spearman significativos ao nível de significância 0,05 inclusive para os constructos dos modelos DGPA e SPA.

Os resultados comprovaram empiricamente que os constructos do DGPA influenciam positivamente os constructos do SPA, sendo possível integrar o DGPA ao SPA para avaliar projetos ambientais. Na Figura 14 é apresentado o modelo integrado que o autor denominou

DGPA

Gestão de Ciclo de Vida e KPIs no GP Gestão de Pessoas no GP Organização no GP Parcerias no GP Formalização no GP

SPA

Desenvolvimento organizacional Sucesso do negócio no longo prazo Desempenho técnico e satisfação do solicitante Eficiência do projeto

Figura 14 – Tree Model of Environmental Project

Fonte: elaborado pelo autor

O Tree Model of Environmental Project recebeu este nome por se assemelhar a uma árvore, em que: (1) o caule e as raízes representam o DGPA; e (2) as folhas representam o SPA. A lógica concernente ao Tree Model of Environmental Project é que o desempenho em gerenciamento de projetos suporta o sucesso do projeto ambiental da mesma forma que raízes e caule são responsáveis por nutrir e sustentar as folhas em uma árvore.

Além de propor modelos customizados para projetos ambientais, foi realizada análise de regressão logística para verificar como os constructos de desempenho de GP colaboravam para aumentar a probabilidade de sucesso dos projetos ambientais. Foram desenvolvidos 3 modelos logísticos: (A) com constructos de Bryde (2003a) e Shenhar e Dvir (2007); (B) com constructos do DGPA e de Shenhar e Dvir (2007); e (C) com constructos do DGPA e do SPA. Em todos os modelos, parcerias (Esty & Winston, 2008; Howard-Grenville et al., 2014;

Patanakul & Shenhar, 2012; Teodósio et al., 2016), superação de dificuldades (Mir & Pinnington, 2014) e geração de mudanças (Hornstein, 2015), de benefícios (Sussams et al., 2015) e de uma cultura de projeto (Bryde, 2003a) colaboraram para aumentar as probabilidades de SP nas organizações.

A hipótese 2 que enunciava que variáveis de âmbito de organização (como setor, porte e amplitude do escopo de projeto) influenciavam no desempenho de GP das organizações e também no sucesso de projetos ambientais foi confirmada parcialmente. O setor de atuação das organizações somente afetou as pontuações de PPF_SP em que as indústrias de transformação apresentaram menores pontuações. O porte das organizações afetou SN_SP, PPF_SP e SNLP_SP em que grandes empresas revelaram menores pontuações. A amplitude do escopo dos projetos ambientais afetou LC_GP e ORG_GP em que um escopo de projeto mais amplo revelou maiores pontuações.

A hipótese 3 apresentava que projetos ambientais motivados por requisitos formais tendiam a ter melhor desempenho de GP e a ser mais bem-sucedidos do que aqueles motivados por melhoria interna ou conscientização externa. Esta hipótese foi refutada, permitindo concluir que não há influência significativa do tipo de motivador sobre o desempenho de GP e o SP para os projetos ambientais estudados.

A hipótese 4 apresentava que projetos ambientais em áreas contaminadas tendiam a ter pior desempenho de GP e atingir menor SP do que os demais projetos ambientais. A hipótese foi refutada, não sendo percebida diferença significativa entre estes projetos ambientais.

A hipótese 5 enunciava que a participação de profissionais com maior tempo de experiência em projetos ambientais influenciava positivamente o desempenho de GP e o sucesso dos projetos ambientais. A hipótese foi parcialmente confirmada uma vez que a presença de profissionais com maior experiência em projetos ambientais influenciou positivamente PE_GP, IAS_SP, IEP_SP, DESENV_ORG_SP, DTSS_SP e SP. Destaca-se a influência positiva do tempo de experiência dos profissionais sobre SP, o que sugere que uma estratégia para alcançar maior SP seria compor equipes com profissionais com maior experiência em projetos ambientais.

A confirmação parcial da hipótese 2 e a refutação das hipóteses 3 e 4 sustentam a ausência de diferenças significativas em desempenho de GP e SP dentre os projetos pesquisados,

reforçando a análise de regressão logística para todos os projetos pesquisados e não por grupos que apresentem determinada característica.

O Quadro 15 sumariza os resultados de análise das hipóteses de pesquisa. Quadro 15 - Resultados de análise das hipóteses de pesquisa

Hipótese Descrição Testes utilizados Análise da

Hipótese

Hipótese 1

Tanto o constructo desempenho de gerenciamento de projetos quanto suas variáveis componentes influenciam positivamente o

constructo sucesso de projetos ambientais, bem como suas variáveis componentes Análise de correlação (coeficiente ρ de Spearman) e regressão logística Confirmada Hipótese 2

Variáveis de âmbito de empresa (como setor, porte e amplitude do escopo de projeto) influenciam no desempenho de gerenciamento de projetos das organizações e também no sucesso

de projetos ambientais. Sendo percebido que setores industriais, grandes empresas e projetos de escopo mais estreito tendem a obter maiores pontuações em desempenho de gerenciamento de

projetos e em sucesso de projetos ambientais

Testes de Kruskal-Wallis e de Mann- Whitney Confirmada parcialmente Hipótese 3

Projetos ambientais motivados por requisitos formais tendem a ter melhor desempenho de gerenciamento de projetos e a ser mais bem-sucedidos do que aqueles motivados por melhoria interna ou

conscientização externa

Testes de

Kruskal-Wallis Refutada Hipótese

4

Projetos ambientais em áreas contaminadas tendem a ter piores desempenho de gerenciamento de projetos e sucesso de projetos

do que os demais projetos ambientais

Testes de

Kruskal-Wallis Refutada Hipótese

5

A participação de profissionais com maior tempo de experiência em projetos ambientais influencia positivamente o desempenho de gerenciamento de projetos e o sucesso dos projetos ambientais

Testes de Kruskal-Wallis e de Mann- Whitney Confirmada parcialmente Fonte: elaborado pelo autor