• Nenhum resultado encontrado

Tradução e adaptação cultural do instrumento

SUCESSO DE PROJETOS

3.6 Instrumento, constructos e variáveis do estudo

3.6.1 Tradução e adaptação cultural do instrumento

Nesta pesquisa optou-se por utilizar questões do instrumento desenvolvido por Mir e Pinnington (2014) que avalia a relação entre desempenho de gerenciamento de projetos e sucesso do projeto. Trata-se de um instrumento adequado aos objetivos da pesquisa e que foi validado com profissionais atuantes em GP nos Emirados Árabes Unidos.

O instrumento escolhido foi desenvolvido na língua inglesa e é composto de 3 seções, a saber perguntas gerais, desempenho de gerenciamento de projetos e sucesso do projeto. Visando à sua utilização na pesquisa, foi traduzido para a língua portuguesa e foi realizada sua adaptação cultural. Então, realizou-se uma etapa de validação semântica e um teste de consistência para assegurar sua validade para a realidade brasileira.

Considerando que o instrumento de Mir e Pinnington (2014) havia sido construído na língua inglesa, para obter equivalência semântica, conceitual e de itens para a língua portuguesa, inicialmente suas questões foram traduzidas separadamente por dois indivíduos bilíngues com fluência falada e escrita em Português e Inglês. Nesta etapa foram produzidas as versões traduzidas pelo bilíngue 1 (VB1) e pelo bilíngue 2 (VB2). As duas versões traduzidas foram analisadas e consolidadas, definindo uma versão consolidada (VC) que no julgamento do pesquisador refletia melhor na língua portuguesa a essência do instrumento original.

Após isso, a VC e o instrumento original foram analisados pelo pesquisador com auxílio de um acadêmico atuante na área de gestão da sustentabilidade, sendo definidas adaptações e inclusões para o contexto de projetos ambientais e para a cultura brasileira, o que permitiu a criação da versão final (VF).

Durante esta etapa de análise da VC e do questionário original, optou-se por reconstruir a seção de perguntas gerais de forma a possibilitar a obtenção de informações de caracterização da amostra adaptadas para projetos ambientais no Brasil.

A seguir são detalhadas as alterações, introduções e manutenções realizadas na seção de perguntas gerais. O leitor pode encontrar a tradução e adaptação cultural da seção de perguntas gerais do questionário no Apêndice F.

A primeira questão, que no questionário original apresentava possibilidade do respondente classificar o setor da sua empresa, permaneceu, mas adotou-se como opções de resposta os 21

setores da Classificação Nacional de Atividades Econômicas em sua versão 2.0 - CNAE 2.0 (IBGE, 2015). A relação completa da CNAE 2.0 encontra-se no Anexo A.

A segunda questão foi introduzida para coletar portes das organizações respondentes e possibilitar o teste da hipótese 2. Foi utilizada a classificação de porte dos clientes do BNDES que adota o critério de receita operacional bruta anual conforme descrição no Quadro 5 (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social [BNDES], 2016).

Quadro 5 - Classificação de porte das organizações Classificação Receita Operacional Bruta Anual

Microempresa Menor ou igual a R$ 2,4 milhões

Pequena empresa Maior que R$ 2,4 milhões e menor ou igual a R$ 16 milhões Média empresa Maior que R$ 16 milhões e menor ou igual a R$ 90 milhões Média-grande empresa Maior que R$ 90 milhões e menor ou igual a R$ 300 milhões Grande empresa Maior que R$ 300 milhões

Fonte: BNDES (2016d)

A terceira questão que perguntava o nome da organização para fins de determinar o número de empresas respondentes foi mantida. Nesta questão permaneceu a resposta opcional.

A quarta questão perguntava se a organização do respondente havia desenvolvido algum projeto ambiental e foi introduzida para determinar se as organizações dos respondentes tinham experiência com projetos ambientais, ou seja, se atendiam à especificação de interesse. A orientação solicitava que o respondente pensasse em um projeto ambiental que foi importante para sua organização e a quinta questão pedia que respondesse quais questões ambientais haviam sido abordadas nesse projeto. A questão foi introduzida para definir em que temas foram desenvolvidos os projetos ambientais reportados. Foram utilizadas as macroáreas de atuação da CETESB como opções de resposta e os respondentes puderam escolher todas aquelas questões ambientais abordadas no projeto ambiental mencionado, pois objetivava-se também entender se um escopo restrito (com poucas questões ambientais tratadas) levaria a maior sucesso de projetos do que um escopo amplo (que trata de muitas questões ambientais). As opções de resposta foram apresentadas randomicamente para evitar a ocorrência de vícios em padrões de resposta.

A sexta questão solicitava que o respondente identificasse o motivador para realização do projeto ambiental mencionado e foi introduzida para a pesquisa determinar os principais motivadores que levavam as organizações a realizarem projetos ambientais. As opções de resposta foram os motivadores apresentados por Ormazabal e Puga-Leal (2016). Tais opções

também foram apresentadas em forma randômica para evitar a ocorrência de vícios em padrões de resposta.

Na sétima questão houve uma alteração de foco. Os respondentes deveriam responder seus papéis em projetos no questionário original, mas optou-se por perguntar os papéis dos respondentes nos projetos ambientais reportados. As opções de respostas foram também adequadas ao cenário brasileiro de projetos ambientais.

Na oitava questão alterou-se o foco da experiência na organização para a experiência com projetos ambientais. Os respondentes poderiam selecionar se tinham até 3 anos, de 3 a 5 anos e mais de 5 anos de experiência com projetos ambientais.

Para as seções de desempenho de GP e sucesso do projeto foram apresentadas afirmações e foi solicitado que os respondentes manifestassem seu grau de concordância com elas considerando sua organização e o projeto ambiental reportado, respectivamente. O Apêndice G apresenta a tradução da escala utilizada para essas duas seções.

Vale ressaltar que o pesquisador optou por tornar a escala crescente em grau de concordância, o que consiste somente da inversão da escala do trabalho de Mir e Pinnington (2014). Desta forma, esperava-se que as conclusões ficassem mais diretas na medida que maiores pontuações nas variáveis corresponderiam a maior grau de concordância com as questões. A tradução e adaptação cultural da seção de desempenho de GP consta do Apêndice H. Nessa tradução e adaptação cultural da seção de desempenho de GP buscou-se preservar ao máximo as proposições da versão original. Contudo, foi preciso fazer os seguintes ajustes devido ao perfil dos respondentes:

• Questão 9f: substituiu-se projetos hard (pesado, em inglês) e soft (leve, em inglês) por projetos com benefícios tangíveis e projetos com benefícios intangíveis de forma a facilitar o entendimento dos respondentes. Além disso, o original dá como exemplo de projeto hard um projeto de defesa que não é muito constante no dia a dia de profissionais brasileiros. Por isso, substituiu-se projeto de defesa por projeto de construção civil, objetivando manter a mesma linha de abordagem que é apresentar um projeto com benefícios tangíveis;

• Questão 12a: especificou-se clientes como clientes internos, isto é, representantes da área solicitante do projeto na organização. Com isso, esperava-se que os respondentes brasileiros tivessem maior clareza da relação de parceria perguntada.

O Apêndice I apresenta a tradução e adaptação cultural da seção de sucesso do projeto. Nessa tradução e adaptação cultural da seção de sucesso do projeto também se buscou maior fidedignidade possível com o instrumento original. No entanto, percebeu-se que as seguintes alterações seriam necessárias para propiciar maior adequação à realidade nacional:

• Várias questões: foram apresentadas proposições tanto no passado quanto no presente de forma a permitir que os respondentes reportassem projetos já concluídos e em andamento; • Questões 16c e 16g: novamente especificou-se o cliente como cliente interno, isto é, a

área solicitante do projeto;

• Questão 16d: como projetos ambientais em muitos casos podem ser de natureza intangível, podendo gerar melhorias ou funcionalidades de processos ou culturas, optou-se por perguntar se a organização está desfrutando das melhorias entregues pelo projeto ao invés de se o cliente (organização) está usando o produto;

Concluído o processo de análise das traduções e de escolha das proposições utilizadas no instrumento, procedeu-se à aplicação da VF a um grupo de profissionais especialistas em projetos ambientais para validação semântica e considerações sobre termos técnicos. Para isso, disponibilizou-se o link do questionário no site de pesquisa Typeform a 5 profissionais especialistas em projetos ambientais para que respondessem ao questionário e oferecessem comentários sobre conteúdo e forma.

Desses profissionais especialistas em projetos ambientais aos quais foi solicitada colaboração para avaliar a adequação técnica do instrumento, 4 responderam ao questionário e retornaram com suas considerações sobre o instrumento. O grupo que colaborou foi composto de 3 engenheiros ambientais e 1 economista, sendo 2 do gênero masculino e 2 do gênero feminino. As contribuições dos especialistas não apontaram adaptações ou modificações a serem realizadas no questionário nem na escala, mas uma das especialistas reforçou o fato de que possíveis respondentes no tema de áreas contaminadas poderiam ser empresas que desenvolvem projetos ambientais em clientes.