Ao fim deste capítulo entende-se que a saúde bucal deve buscar novos horizontes para aprender a atuar de forma multiprofissional no território e na vigilância em saúde. A educação permanente também terá que ser valorizada e repensada, com a oferta de cursos de qualificação para os profissionais que atuam na APS, destacando o protagonismo destes nesse processo na construção de novos caminhos pós-pandemia.
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A pandemia da covid-19 tem trazido grandes desafios para a humanidade, torna muito vísivel o o aprofundamento das desigualdades sociais no atual mundo globalizado. Num momento de crise, onde evidencia-se a polarização política dividindo as sociedades e transformando discussões técnicas em discussões ideológicas, perde-se tempo e se coloca em risco o processo civilizatório.
Na atenção à saúde bucal, a situação imposta determina cautela na organização do processo de trabalho. O risco de contaminação e disseminação impostos pela forma de propagação do SARS-CoV-2 é grande. Diretamente a contaminação pode se dar de pessoa a pessoa ou pelo contato desta com uma superfície contaminada por gotículas de saliva, aerossóis respiratórios, ou ainda pelos aerossóis produzidos artificialmente. Tem-se na realização da assistência odontológica, que acessa diretamente a cavidade bucal, a possibilidade, além da geração de aerossol natural pela respiração, a geração por equipamentos odontológicos, principalmente canetas de alta rotação.
Apesar de todo o avanço conquistado a partir da Política Nacional de Saúde Bucal – Brasil Sorridente (2004), a atenção à saúde bucal vem sofrendo ameaças sucessivas desde 2016 e com isso o processo de trabalho das ESB, que ainda não estava consolidado, acaba por regredir no sentido de voltar-se a prática assistencial curativa, deixando em segundo plano as demais estratégias preconizadas na Estratégia de Saúde da Família. Este apresenta-se como um risco já que se pauta pela produtividade de procedimentos e não pelo cuidado à saúde bucal da população.
Outras dificuldades enfrentadas pelos profissionais de saúde bucal durante os meses iniciais da pandemia puderam ser levantadas.
A dificuldade da inclusão efetiva no trabalho das equipes de saúde das Unidades Básicas, ou seja, a participação nas ações diretas para manejo da covid-19 nas unidades. Além disso, a dificuldade dos próprios serviços de saúde de chegarem até a população, a situação de
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estresse pelo medo de contaminação e a perspectiva da manutenção da atenção à saúde bucal diante do quadro de restrições.
A necessidade do distanciamento social, uma das únicas estra-tégias para a mitigação da crise sanitária que estamos enfrentando, impôs a necessidade de apreensão de novos conhecimentos em tec-nologia digital de comunicação e informação, em um curto espaço de tempo. Desta forma, possibilitou-se o intercâmbio entre os profissio-nais da saúde e áreas afins, e desses com a população. As apresenta-ções em tempo real, via internet, se popularizaram e grande parte dos registros das perspectivas de enfrentamento podem ser acessados a todos que dispõem de conexão à rede. Somado a isso, a possibilida-de possibilida-de um maior conhecimento e uso das ferramentas possibilida-de telessaúpossibilida-de e teleodontologia tem possibilitado a retomada de ações específicas em saúde bucal e educação permanente dos profissionais.
O conhecimento acumulado em menos de um ano a partir do primeiro registro da covid-19 surpreendeu por sua quantidade e rapi-dez de desenvolvimento. Esta pesquisa sugere, entretanto, que não seja esquecido todo o sofrimento desses profissionais, não apenas pelo aumento na sobrecarga de trabalho de todos os envolvidos, mas também por todas as vidas perdidas no mundo vítimas da covid-19.
REFERÊNCIAS
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Diálogo 2