Educação Infantil
1.3 EQUIDADE E JUSTIÇA SOCIAL
1.3.2. S ERVIÇOS DE P ROTEÇÃO S OCIAL E SPECIAL
1.3.2.1 S ERVIÇOS DE P ROTEÇÃO E SPECIAL DE M ÉDIA C OMPLEXIDADE
A Proteção Social Especial de Média Complexidade presta atendimento especializado a famílias e indivíduos que vivenciam situações de vulnerabi-lidade, com direitos violados, geralmente inseridos no núcleo familiar. De acordo com a SEMDES (2014), a convivência familiar está mantida, embora os vínculos possam estar fragilizados ou até mesmo ameaçados. Esses servi-ços demandam maior especialização no acompanhamento familiar e maior flexibilidade nas soluções protetivas. Requerem, ainda, intensa articulação em rede para assegurar efetividade no atendimento às demandas da família e sua inserção em uma rede de proteção necessária para a potencialização das possibilidades de superação da situação vivida.
A seguir, serão descritos os principais serviços realizados no município.
O Serviço de Proteção Social a Adolescentes, em cumprimento de Medida Socioeducativa de Liberdade Assistida e de Prestação de Serviços à Comunidade, tem como objetivo a oferta de atenção socioassistencial e acompanhamento a adolescentes e jovens em meio aberto, determinadas judicialmente. Ofertado obrigatoriamente no CREAS, atende adolescentes de 12 a 18 anos incompletos, ou jovens de 18 a 21 anos, em cumprimento de Medida Socioeducativa de Liberdade Assistida e de Prestação de Serviços à Comunidade, aplicada pelo juiz da Infância e da Juventude. Contribui para o acesso aos direitos e para a ressignificação de valores na vida pessoal e social dos adolescentes e jovens.
Para a oferta desse serviço, observam-se os critérios de responsabilização de
Dimensão Social
adolescentes e jovens diante da infração cometida. É importante ressaltar que os direitos e obrigações desse público devem ser assegurados de acordo com as legislações específicas para o cumprimento da medida.
O Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e In-divíduos - PAEFI destina-se a inIn-divíduos que enfrentaram afastamento do convívio familiar devido à aplicação de alguma medida judicial. Trata-se de um serviço de apoio, orientação e acompanhamento a famílias com um ou mais de seus membros em situação de ameaça ou violação de direitos. Com-preende atenções e orientações direcionadas para a promoção de direitos, a preservação e o fortalecimento de vínculos familiares, comunitários e sociais e para o fortalecimento da função protetiva das famílias diante do conjunto de condições que as vulnerabilizam ou as submetem a situações de risco pessoal e social. Tem por objetivos: contribuir para o fortalecimento da família no desempenho de sua função protetiva; processar a inclusão das famílias no sistema de proteção social e nos serviços públicos, conforme necessidades;
contribuir para restaurar e preservar a integridade e as condições de auto-nomia dos usuários; contribuir para a reparação de danos e da incidência de violação de direitos; e prevenir a reincidência de violação de direitos.
O Programa de Erradicação do Trabalho Infantil - PETI tem a finalidade de assegurar trabalho social de abordagem e busca ativa que identifique, nos territórios, a incidência de trabalho infantil, exploração sexual de crianças e adolescentes, situação de rua, dentre outras. Articula um conjunto de ações para retirar crianças e adolescentes com idade inferior a 16 anos da prática do trabalho precoce, exceto quando na condição de aprendiz, a partir de 14 anos. O programa compreende transferência de renda, prioritariamente por meio do Programa Bolsa Família, acompanhamento familiar e oferta de serviços socioassistenciais, atuando de forma articulada com estados e municípios e com a participação da sociedade civil.
O PETI está estruturado estrategicamente em cinco eixos de atuação:
informação e mobilização, com realização de campanhas e audiências públicas;
busca ativa e registro no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal; transferência de renda, inserção das crianças, adolescentes e suas famílias em serviços socioassistenciais e encaminhamento para serviços de saúde, educação, cultura, esporte, lazer ou trabalho; reforço das ações de fisca-lização, acompanhamento das famílias com aplicação de medidas protetivas, articuladas com Poder Judiciário, Ministério Público e Conselhos Tutelares; e monitoramento. Ao ingressar no PETI a família tem acesso à transferência de renda do Bolsa Família caso atenda aos critérios de elegibilidade. Às demais famílias também são garantidas a transferência de renda através do PETI, no valor de R$ 40,00. Após a transferência de renda, toda criança e adolescente que for encontrada em situação de trabalho deve ser obrigatoriamente,
in-serida no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos. Esse serviço é ofertado em Piracicaba pelos CASEs.
A Proteção Social às Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência e seus familiares é desenvolvida pelo CREAS e tem por finalidade reduzir a duração e gravidade das sequelas dos maus-tratos, procurando-se a reabilitação ou o tratamento dos indivíduos. Uma vez sinalizada a situação de violência, um dos objetivos prioritários deste tipo de prevenção é garantir a segurança e integridade física e psíquica da criança, procurando evitar o reaparecimento do problema. Para isso, oferece atendimento imediato e providências necessárias para inclusão da família e seus membros em serviços socioassistenciais e/ou programas de transferência de renda para qualificar a intervenção e restaurar o direito. Para atender este público o CREAS opera a referência e contra re-ferência com a rede de serviços sócio assistenciais da proteção social básica e especial e com o Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Conselhos Tutelares e demais políticas públicas visando estruturar uma rede efetiva de proteção social numa perspectiva interdisciplinar.
Os atendimentos de crianças e adolescentes em situação de vulnera-bilidade são feitos no Espaço Recriando. O objetivo desta ação é minimizar as condições de risco pessoal e social e a permanência de crianças e adoles-centes nas ruas, possibilitando, por meio de ações de abordagem, acompa-nhamento psicossocial e atividades sócio-educativas-ambientais a reinserção dessa população no sistema educacional e o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, despertando para consciência ambiental e de seus direitos como cidadãos. Em 2013, 71 crianças foram atendidas, um aumento significativo ao se avaliar os dados de 2006, ocasião em que se encontravam vulneráveis 45 crianças.
A exploração do trabalho infantil é também considerada violência contra a criança e adolescentes. Segundo a SEMDES (2014), no decorrer dos quatro anos da campanha “Diga Não ao trabalho Infantil”, cerca de 60% das crianças e adolescentes que viviam em situação de mendicância, trabalho infantil, exploração de trabalho infantil, exploração sexual e drogadição, foram acompanhadas e participaram de projetos sociais desenvolvidos nas unidades do CASE, e no espaço Recriando, voltados ao atendimento socioeducativo.
O Centro de Referência Especializado para a População de Rua - Centro POP é responsável pelo atendimento das pessoas em situação de rua maiores de 18 anos. De acordo com a SEMDES (2014), o local é responsável por ofere-cer atendimento especializado para famílias e indivíduos que utilizem as ruas como espaço de moradia e sobrevivência. É realizado junto ao usuário um Plano Individual de Atendimento, estabelecendo estratégias que o auxiliem a superar a situação de rua, respeitando suas escolhas e as especificidades do atendimento.
Dimensão Social
Em dezembro de 2013, a SEMDES realizou um mapeamento com 89 pessoas em situação de rua, nas praças, ruas centrais, mercado municipal, terminal rodoviário, pontes, viadutos e Rua do Porto, com objetivo de definir os gêneros, raça, escolaridade, município de origem, tempo de moradia nas ruas, quais deles possuem documentação, benefícios sociais, se exercem alguma atividade remunerada e os principais motivos que os fizeram sair de suas residências e morar na rua. Em abril de 2014, foi realizado um fórum, no qual foram apresentados os dados apurados, resumidos no Quadro 1.10:
Descrição Dados
Predominância masculina 84%
São oriundos de outros municípios 55%
Estão na rua há mais de dois anos 71%
Possuem documentos pessoais 72%
Não possuem benefícios sociais 76%
Exercem algum tipo de atividade remunerada 86,5%
São flanelinhas 57,1%
Motivo da quebra do vínculo familiar Álcool/Drogas: 38%
Desavença familiar: 33%
Há algum vínculo familiar 55%
Quadro 1.10 - Perfil dos moradores de rua em Piracicaba em 2013 Fonte: Adaptado pelos autores de SEMDES (2014).
Apesar dos esforços para reintegrar os moradores de rua à sua família, verificou-se que 71% estão nas ruas há mais de dois anos e 55% são oriundos de outras cidades, fato que dificulta o trabalho de recuperação dos vínculos familiares, base da ação assistencial em Piracicaba.
As pessoas com deficiência, idosas e suas famílias também encontram acompanhamento específico. Nessa situação, os indivíduos são acompanhados para prevenir o preconceito e a exclusão.
Em 2010, o IBGE contabilizou cerca de 75 mil pessoas que declararam ter alguma deficiência em Piracicaba. Desse total, 25.309 declararam ter de-ficiência total ou parcial grave, sendo 38% auditiva, 16% visual, 29% motora e 17% intelectual. Além disso, 7.342 pessoas afirmaram ter deficiência total, sendo 12% auditiva, 10% visual, 19% motora e 59% intelectual (Figura 1.4).
Figura 1.4 - Censo 2010 - Pessoas portadores de deficiência em Piracicaba Fonte: IBGE (2010).
Entre as ações realizadas pela SEMDES para inclusão das pessoas portadores de deficiência - PdDs, destaca-se a criação do Cadastramento Municipal de Pessoas com Deficiência - CAMPED em 2008, um marco para o desenvolvimento e aperfeiçoamento de políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência em Piracicaba. Por meio de visitas domiciliares, informações de entidades sociais e procura espontânea, levantou-se cerca de três mil pes-soas com deficiência no município. O cadastramento é direcionado àqueles que possuem qualquer comprometimento que afeta a integridade da pessoa e traz prejuízos na sua locomoção, na coordenação de movimento, na fala, na compreensão de informações, na orientação espacial ou na percepção e contato com outras pessoas, ou seja, pessoas com deficiência física, auditiva, visual, múltipla ou mental. Apesar da ação extremamente importante, as entidades conveniadas e que fazem o atendimento de PdDs não alimentam o sistema. Além disso, os membros do COMDEF reclamam que o cadastro é incompleto, pois não contempla patologias, possibilidade de inclusão no mercado de trabalho e necessidades especiais das pessoas. De acordo com a SEMDES (2014), teve início um trabalho de atualização do CAMPED a fim de dar continuidade com os cadastramentos e aprimorar o diagnóstico sobre as pessoas com deficiência no município.
Segundo dados apresentados no Fórum Sou Capaz (2014), realizado pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo - CIESP e Secretaria Muni-cipal de Trabalho e Renda, em 12 de agosto de 2014, Piracicaba tinha 2.609 pessoas com deficiência aptas para atuarem no mercado de trabalho. Desse total, 57%, ou seja, 1.505 pessoas, estão fora do mercado, e 42% já encontra-ram vaga e atuam em empresas de Piracicaba.
925 715 1.369
De ciência visual De ciência auditiva De ciência motora De ciência mental/
intelectual
Portadores de De ciência
De ciência Total De ciência Parcial Grave Total de PdDs
Dimensão Social
O serviço de atendimento às pessoas portadoras de deficiência visa integrar as ações de assistência social às de saúde, educação, capacitação e inserção no trabalho, cultura, esporte e lazer, objetivando a inclusão social.
Segundo IPPLAP (2014), a média de atendimentos, em 2006, foi de 929 pes-soas. Em 2013, este número era de 824 pespes-soas. Ao analisar a série histórica do período verifica-se a média de 875 pessoas atendidas/ano, demonstrando que não houve crescimento nessa área.
Para atendimento dos idosos, no início do mês de setembro de 2014 foi inaugurado o Centro Dia do Idoso “Irmã Maria Luigia Moschini”, localizado no bairro da Água Branca, que recebeu investimentos do Governo do Estado e do município, no valor de R$ 760 mil. A unidade tem o objetivo de atender prioritariamente idosos acompanhados pelos Centros de Referência de Assis-tência Social e Centros de Referência Especializados de AssisAssis-tência Social. É um espaço de acolhimento, proteção e convivência de idosos semidependentes, com idade igual ou superior a 60 anos. O Centro Dia do Idoso encontra-se totalmente equipado e conta com equipe multidisciplinar para atendimento aos assistidos pelo serviço, oferecendo atividades que visam promover a autonomia, a sociabilidade, bem como possibilitar o acesso a experiências e manifestações artísticas, culturais, esportivas e de lazer. O atendimento conta com a parceria da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Atividades Motoras - SELAM e apoio da Secretaria de Saúde.