• Nenhum resultado encontrado

Christiano Franca da Cunha

3.1 RECURSOS HÍDRICOS

3.1.5 Q UALIDADE DA Á GUA NAS B ACIAS PCJ

Agência das Bacias PCJ (2013) traz indicadores e resultados decisivos para revelar a progressão de projetos para a recuperação dos corpos hídricos da região bem como valores relevantes para o futuro manejo dos corpos de água utilizáveis e estabelecimento de metas futuras.

O estudo da Agência das Bacias PCJ (2013) identificou um avanço posi-tivo do Índice de Qualidade da Água, porém pequeno, na qualidade da água monitorada entre 2010 a 2012 (Figura 3.3). O IQA é definido como o índice de qualidade de águas doces para fins de abastecimento público. Este índice reflete, principalmente, a contaminação dos corpos hídricos ocasionada pelo lançamento de esgotos domésticos. O valor do IQA varia de zero a 100 e é obtido a partir de uma fórmula matemática que utiliza nove parâmetros: tem-peratura, pH, oxigênio dissolvido, demanda bioquímica de oxigênio, quantida-de quantida-de coliformes fecais, nitrogênio, fósforo, resíduos totais e turbiquantida-dez (todos medidos in situ). Quanto maior o valor do IQA, melhor a qualidade da água.

0.00 10.000.000.00 20.000.000.00 30.000.000.00 40.000.000.00 50.000.000.00 60.000.000.00 70.000.000.00 80.000.000.00 90.000.000.00 100.000.000.00

2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Arrecadação de Carga (R$/ano) Carga Lançada (kg/ano)

Figura 3.3 - Distribuição dos pontos de amostragem em função da classificação do IQA entre 2007- 2012

Fonte: Agência das Bacias PCJ (2013).

Apesar dessa melhoria registrada em 2012, a baixa vazão provocada pela estiagem prolongada, iniciada no final de 2013, mudou este cenário.

Segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo - CETESB (2014), o Rio Piracicaba e seu braço contam com sete pontos de medição e o menor valor médio anual registrado foi o valor de IQA igual a 35, considerado ruim.

No Rio Corumbataí, há sete pontos de medição e o IQA médio em 2013 atingiu valor 42, considerado regular.

Para conhecer melhor a situação da qualidade das águas nesta bacia deve-se considerar a sua qualidade pontual, sendo feito este maior detalha-mento no próximo subtópico, em que a qualidade das águas em Piracicaba será melhor observada.

3.1.5.1 Q

UALIDADEDAS

Á

GUASNOSRIOS

P

IRACICABAE

C

ORUMBATAÍ

Em 2006, de acordo com diagnóstico apresentado por Piracicaba 2010 (2007), ao passar pelo município de Piracicaba, a qualidade das águas do Rio Piracicaba não apresentava melhoria em relação à primeira edição da Agenda 21, mantendo condição de classes 3 e 4, conforme os padrões estabelecidos pelo Decreto Estadual nº 8.468/76, que regulamenta a Lei nº 997/76 – o mesmo diagnóstico de 2001, quando deveria situar-se à classe 2, de acordo com o Decreto Estadual nº 10.755/77 e Resolução CONAMA nº 357/2005. Na época, a montante de Americana, IQA indicava qualidade da água como “boa”, e a jusante, em alguns pontos de monitoramento de determinados trechos

Dimensão Ambient al

críticos, como entre o município de Americana e a foz do Rio Corumbataí, onde somam contribuições de outros afluentes, a qualidade da água é consi-derada “ruim”. Em julho de 2014, segundo o Consórcio PCJ (2014), em virtude da estiagem extrema vivenciada, o Rio Piracicaba encontrava-se na classe 4, com água indicada apenas para paisagismo e navegação. Entre as medidas para amenizar esta situação está a de antecipar 39 projetos contemplados no Plano das Bacias PCJ 2010 a 2020, entre eles a construção de reservatórios de água, a serem concluídos em três anos.

Na última medição do IQA disponível em relatório da CETESB (2014), realizada em março de 2014, verificou-se que as águas do Rio Piracicaba ao passarem pelo município apresentam condição regular e ruim e as do Rio Corumbataí estão regulares nos pontos de monitoramento. O ponto de captação de água PCAB02220 (Rio Piracicaba) apresentava condição ruim e o CRUM02500 (Rio Corumbataí) estava regular, conforme demonstrado na Tabela 3.2.

Código Pontos de Monitoramento

Corpo Hídrico UGRHI Data Valor Numérico Classificação

PCAB 02192 Rio Piracicaba 5 31/03/2014 24,14089362 Ruim PCAB 02220 Rio Piracicaba 5 2/03/2014 36,81292385 Ruim PCAB 02300 Rio Piracicaba 5 12/03/2014 42,16137876 Regular PCAB 02800 Rio Piracicaba 5 12/03/2014 35,35834011 Ruim CRUM 02500 Rio Corumbataí 5 11/03/2014 51,36386394 Regular CRUM 02900 Rio Corumbataí 5 11/03/2014 39,72317100 Regular Tabela 3.2- Qualidade das águas nos rios Corumbataí e Piracicaba (Janeiro/2014) Índice IQA – período 01/01/2014 a 30/06/2014

Fonte: CETESB (2014).

Observação: Locais de monitoramento:

PCAB02192: Localiza-se na estrada Piracicaba-Limeira, próximo à Usina Monte Alegre;

PCAB02220: Localiza-se na margem esquerda, 2,5 km a jusante da foz do Ribeirão Piracicamirim, na captação de Piracicaba;

PCAB02300: Localiza-se na captação do município de Piracicaba, na Ponte do Caixão;

PCAB02800: Localiza-se no distrito de Ártemis, no município de Piracicaba, a jusante da área urbana;

CRUM02500: Localiza-se na captação do município de Piracicaba, próximo à foz do Rio Corumbataí;

CRUM02900: Localiza-se na Foz do Rio Corumbataí.

De acordo com Piracicaba 2010 (2007) e PIRA 21 (2014), as variações de vazão dos rios devem ser mais bem controladas para possibilitar o uso múl-tiplo das águas. É preciso mantê-los em condições de atender às diferentes necessidades de uso da geração atual e das futuras, mas para isso é necessário que se faça um planejamento de crescimento econômico para a região e se definam quais seriam essas necessidades. O planejamento macro e integra-do da bacia hidrográfica integra-do Rio Piracicaba e seus formaintegra-dores é uma medida que precisa ser contemplada com urgência. Esta recomendação da Agenda

21 de Piracicaba continua necessária, uma vez que esforços realizados para melhorar a situação das águas captadas em Piracicaba não foram suficientes devido à estiagem de 2014.

Para isso é importante conhecer a tipificação das bacias hidrográficas do município de Piracicaba, fato apresentado na Tabela 3.3.

Bacias Hidrográficas Tipo Bacias Hidrográficas Tipo Córrego Capim Fino 2 Ribeirão do Paredão Vermelho 1

Córrego da Pinga 2 Ribeirão do Pau D’alho 1

Córrego das Flores 2 Ribeirão Dois Córregos 3

Córrego do Ceveiro 2 Ribeirão dos Marins 1

Córrego do Tanque 1 Ribeirão dos Patos 1

Córrego Godinho 2 Ribeirão dos Pintos 1

Córrego Tamandupá 1 Ribeirão dos Ponces 1

Ribeirão Anhumas 1 Ribeirão Granal 1

Ribeirão Boa Vista 2 Ribeirão Guamium 3

Ribeirão Cachoeira 3 Ribeirão Itapeva 3

Ribeirão Cachoeira e Paramirim 2 Ribeirão Limoeiro 2

Ribeirão Claro 1 Ribeirão Pau D’alhinho 2

Ribeirão Congonhal 2 2 Ribeirão Pederneiras 1

Ribeirão da Estiva 1 Ribeirão Piracicamirim 3

Ribeirão da Jibóia 1 Ribeirão Tijuco Preto 2

Ribeirão da Voçoroca 1 Rio Corumbataí 3

Ribeirão das Palmeiras 2 Rio Piracicaba 3

Ribeirão do Enxofre 3 Rio Tietê 2

Ribeirão do Matão 2    

Tabela 3.3 - Tipificação das bacias hidrográficas do município de Piracicaba Fonte: Atlas Rural de Piracicaba (2006).

Por esta tabela observa-se que:

a) Quinze (15), ou seja, 40,54% das bacias apresentadas na Tabela 3.3, estão no tipo 1, ou seja, em que é necessário um monitoramento, pois são as bacias hidrográficas em que os recursos florestais são ainda relativamente abundantes, as APPs encontram-se preservadas na sua maior extensão, a área potencial de Reserva Legal - RL, que representa 20% da área total da bacia, encontra-se com cobertura florestal e há um equilíbrio entre pastagens e cana-de-açúcar ou ocorre a predominância das áreas com pasto. São exemplos típicos as bacias de Anhumas, Jiboia e Ribeirão Claro;

b) Catorze (14), ou seja, 37,84% das bacias presentes na Tabela 3.3, estão no tipo 2, ou seja, sendo necessária a sua recuperação, pois os recursos florestais são menos abundantes, a cultura predominante é a cana-de-açúcar, que ocupa também a maior parte das APPs. O

Dimensão Ambient al

passivo em RL nesses casos geralmente é significativo. As bacias do Congonhal, Pau D’alho e Ceveiro representam esse tipo;

c) Oito (08), ou seja, 21,62% das bacias presentes na Tabela 3.3, estão no tipo 3, ou seja, sendo de recuperação emergencial, pois é com-posto das áreas em que pelo menos parte da bacia hidrográfica já se encontra urbanizada. Nesses casos, o impacto nos recursos flo-restais é geralmente grande, a RL deficitária e as APPs são ocupadas na sua maioria com cana-de-açúcar e com a própria urbanização.

Exemplos são as bacias do Piracicamirim, Tijuco Preto e Marins.

Desta forma observa-se que a atual situação das bacias hidrográficas requer muita atenção, principalmente ao se considerar o fato que mais de 59%

delas encontram-se em uma situação de recuperação, sejam estes níveis menos intensos (Tipo 2) ou em níveis mais intensos (Tipo 3). Isso infelizmente pode vir a piorar com o avançar de diversos fatores, principalmente com a escassez das chuvas em Piracicaba, sendo por isso este o tema do próximo subtópico.