O salário-família será devido, mensalmente, aos segurados empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso que tenham salário de contribuição inferior ou igual a R$1.503,25 na proporção do respectivo número de filhos ou equiparados, até 14 anos de idade ou inválidos de qualquer idade.
Equiparam-se a filho exclusivamente o enteado e o menor tutelado, desde que comprovada a dependência econômica (EC 103/2019, art. 23, § 6º).
A invalidez do filho, do enteado ou do menor tutelado, desde que comprovada a dependência econômica dos dois últimos, maior de quatorze anos de idade será verificada em exame médico-pericial realizado pela Perícia Médica Federal (RPS, art. 85).
De acordo com o art. 7º, XII, da Constituição Federal, o salário-família será pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei. Assim, cabe à lei definir o que seja trabalhador de baixa renda. Essa lei ainda não existe. Mas de acordo com o art. 27 da Emenda Constitucional nº 103/2019, “até que lei discipline o acesso ao salário-família e ao auxílio-reclusão de que trata o inciso IV do art. 201 da Constituição Federal, esses benefícios serão concedidos apenas àqueles que tenham renda bruta mensal igual ou inferior a R$ 1.364,43 (mil, trezentos e sessenta e quatro reais e quarenta e três centavos), que serão corrigidos pelos mesmos índices aplicados aos benefícios do Regime Geral de Previdência Social”.
Os R$ 1.364,43 citados pelo art. 27 da EC 103/2019, corrigidos pelos mesmos índices de reajuste aplicados aos demais benefícios do RGPS, correspondem, atualmente, a R$1.503,25.
2.9.1 Beneficiários
De acordo com a Lei 8.213/91, os beneficiários do salário-família são os seguintes:
a) Segurado empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso (caput do art. 65);
b) O aposentado por invalidez ou por idade (art. 65, parágrafo único); e
c) Os demais aposentados com 65 anos ou mais de idade, se do sexo masculino, ou 60 anos ou mais, se do feminino (art. 65, parágrafo único).
Em que pese ser pago em função da existência de dependentes (filhos ou equiparados de até 14 anos ou inválidos), o salário-família é devido ao segurado, e não ao dependente.
2.9.2 Carência
A concessão do salário-família independe de carência (Lei 8.213/91, art. 26, I).
2.9.3 Renda mensal do benefício
A renda mensal do benefício corresponde a uma cota de salário-família em relação a cada filho (ou equiparado) de até 14 anos ou inválido. O segurado receberá tantas cotas quantas sejam o número de filhos ou equiparados de até 14 anos ou inválidos.
O valor da cota do salário-família por filho ou equiparado de qualquer condição, até 14 (quatorze) anos de idade, ou inválido de qualquer idade, a partir de 1º de janeiro de 2020, é de R$51,27 (quarenta e oito reais e sessenta e dois centavos) para o segurado com remuneração mensal não superior a R$1.503,25 (Portaria SEPRT nº 477/2021, art. 4º).
O valor da cota do salário-família é corrigido na mesma data e pelo mesmo índice de correção dos demais benefícios do RGPS.
devida ao empregado no mês, independentemente do número de dias efetivamente trabalhados (Portaria SEPRT nº 477/2021, art. 4º, § 2º).
Todas as importâncias que integram o salário de contribuição serão consideradas como parte integrante da remuneração do mês, exceto o décimo terceiro salário e o adicional de férias previsto no inciso XVII do art. 7º da Constituição, para efeito de definição do direito à cota do salário-família.
(Portaria SEPRT nº 477/2021, art. 4º, § 3º).
Quando o pai e a mãe são segurados empregados, empregados domésticos ou trabalhadores avulsos, ambos têm direito ao salário-família (RPS, art. 82, § 3º). Mas tendo havido divórcio, separação judicial ou de fato dos pais, ou em caso de abandono legalmente caracterizado ou perda do pátrio-poder [hoje, o termo utilizado é “poder familiar”], o salário-família passará a ser pago diretamente àquele que ficar encarregado pelo sustento do menor, ou a outra pessoa, se houver determinação judicial nesse sentido (RPS, art. 87).
Exemplo: Maria e Joaquim, empregados da empresa Beta S.A., são casados e têm, em comum, quatro filhos: Mateus (16 anos de idade), Marcos (12 anos), Lucas (8 anos) e João (4 anos). A remuneração mensal de Maria é R$1.400,00, e a de Joaquim, R$1.500,00. Neste caso, Maria receberá três cotas de salário-família, sendo R$51,27 o valor de cada cota, perfazendo um total de R$153,81. Joaquim também receberá três cotas, sendo R$51,27 o valor de cada cota, perfazendo um total de R$153,21.
Note-se que, apesar da existência de quatro filhos, cada um dos segurados só terá direito a três cotas de salário-família, pois o primeiro filho (Mateus) já tem mais de 14 anos de idade.
No exemplo supra, a empresa Beta S.A. pagará, a título de salário-família, um valor total de R$ 307,62 (que corresponde a 153,81 +153,81). Quando a empresa Beta S.A. for recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados que lhes prestam serviço, terá o direito de se reembolsar desse valor despendido com o pagamento de salário-família.
O salário-família do trabalhador avulso independe do número de dias trabalhados no mês, devendo o seu pagamento corresponder ao valor integral da cota (RPS, art. 82, § 2º). Já para o empregado, a cota do salário-família é devida proporcionalmente aos dias trabalhados nos meses de admissão e demissão (Portaria SEPRT nº 477/2021, art. 4º, § 4º).
O salário-família pode ter valor inferior ao salário mínimo, pois não é benefício que substitua a remuneração mensal do segurado.
As cotas do salário-família não serão incorporadas, para qualquer efeito, ao salário ou ao benefício (Lei 8.213/91, art. 70).
2.9.4 Pagamento do salário-família
As cotas do salário-família serão pagas mensalmente:
I - ao empregado, pela empresa, juntamente com o respectivo salário;
II - ao empregado doméstico, pelo empregador doméstico, juntamente com o respectivo salário;
III - ao trabalhador avulso, pelo sindicato ou órgão gestor de mão de obra, mediante convênio;
IV - ao empregado, inclusive o doméstico, e ao trabalhador avulso aposentados por incapacidade permanente ou em gozo de auxílio por incapacidade temporária, pelo INSS, juntamente com o benefício;
V - ao trabalhador rural aposentado por idade aos 60 anos, se do sexo masculino, ou 55 anos, se do sexo feminino, pelo INSS, juntamente com a aposentadoria; e
VI - aos demais empregados, empregados domésticos e trabalhadores avulsos aposentados aos 65 anos de idade, se do sexo masculino, ou 60 anos, se do sexo feminino, pelo INSS, juntamente com a aposentadoria.
As cotas do salário-família, pagas pela empresa ou pelo empregador doméstico, deverão ser deduzidas quando do recolhimento das contribuições previdenciárias sobre a folha de salário. O salário-família é um benefício previdenciário, sendo, por isso, um encargo financeiro da Previdência Social. Embora o pagamento seja efetuado pela empresa e pelo empregador doméstico juntamente com o salário do segurado, esses têm o direito de reembolsar-se do valor despendido, efetuando a compensação quando do recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social.
A empresa ou o empregador doméstico conservarão durante 10 anos os comprovantes de pagamento e as cópias das certidões correspondentes, para fiscalização da Previdência Social (Lei 8.213/91, art. 68, § 1º).
O salário-família correspondente ao mês de afastamento do trabalho será pago integralmente pela empresa, pelo empregador doméstico, pelo sindicato ou órgão gestor de mão de obra, conforme o caso, e do mês da cessação de benefício pelo INSS, independentemente do número de dias trabalhados ou em benefício.
Exemplo: Maria Marta, empregada da empresa Delta S.A., afastou-se do trabalho por motivo de doença no dia 7 de março de 2020, retornando ao trabalho no dia 7 de agosto de 2020. Neste caso, o salário-família do mês de março será pago integralmente pela empresa, e o do mês de agosto, integralmente, pelo INSS. Note-se que, no caso em tela, o salário-família referente aos meses de abril a julho de 2020 também serão pagos integralmente pelo INSS, juntamente com o auxílio por incapacidade temporária.
O empregado deve dar quitação à empresa, sindicato ou órgão gestor de mão de obra de cada recebimento mensal do salário-família, na própria folha de pagamento ou por outra forma admitida, de modo que a quitação fique plena e claramente caracterizada (RPS, art. 91).
2.9.5 Data de início do benefício
O pagamento do salário-família será devido a partir da data de apresentação da certidão de nascimento do filho ou da documentação relativa ao enteado e ao menor tutelado, desde que comprovada a dependência econômica dos dois últimos, e fica condicionado à apresentação anual de atestado de vacinação obrigatória dos referidos dependentes, de até seis anos de idade, e de
2.9.6 Suspensão do benefício
Na hipótese de o segurado empregado ou de o trabalhador avulso não apresentar o atestado de vacinação obrigatória e a comprovação de frequência escolar do filho, do enteado ou do menor tutelado, desde que comprovada a dependência econômica dos dois últimos, nas datas definidas pelo INSS, o benefício do salário-família será suspenso até que a documentação seja apresentada (RPS, art. 84, § 2º).
Não é devido salário-família no período entre a suspensão do benefício motivada pela falta de comprovação da frequência escolar e o seu reativamento, exceto se provada a frequência escolar regular no período (RPS, art. 84, § 3º).
A comprovação semestral de frequência escolar será feita por meio da apresentação de documento emitido pela escola, na forma estabelecida na legislação específica, em nome do aluno, de qual conste o registro de frequência regular, ou de atestado do estabelecimento de ensino que comprove a regularidade da matrícula e a frequência escolar do aluno (RPS, art. 84, § 4º).
2.9.7 Cessação do benefício
O direito ao salário-família cessa automaticamente:
I - por morte do filho, do enteado ou do menor tutelado, a contar do mês seguinte ao do óbito;
II - quando o filho, o enteado ou o menor tutelado completar 14 anos de idade, exceto se inválido, a contar do mês seguinte ao da data do aniversário;
III - pela recuperação da capacidade do filho, do enteado ou do menor tutelado inválido, a contar do mês seguinte ao da cessação da incapacidade;
IV - pelo desemprego do segurado; ou V - pela morte do segurado.
Para efeito de concessão e manutenção do salário-família, o segurado firmará termo de responsabilidade, no qual se comprometerá a comunicar à empresa, ao empregador doméstico ou ao INSS, conforme o caso, qualquer fato ou circunstância que determine a perda do direito ao benefício e ficará sujeito, em caso de descumprimento, às sanções penais e trabalhistas (RPS, art.
89).
A falta de comunicação oportuna de fato que implique cessação do salário-família e a prática, pelo segurado, de fraude de qualquer natureza para o seu recebimento autorizam a empresa, o empregador doméstico ou o INSS, conforme o caso, a descontar dos pagamentos de cotas devidas com relação a outros filhos, enteados ou menores tutelados ou, na falta delas, do próprio salário do segurado ou da renda mensal do seu benefício, o valor das cotas indevidamente recebidas, sem prejuízo das sanções penais cabíveis (RPS, art. 90).
Quadro-resumo – Salário-família
Fato gerador Ser segurado de baixa renda (SC de até R$ 1.503,25) e Ter filho (ou equiparado) até 14 anos de idade ou inválido.
Beneficiários
Segurados empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso;
Aposentado por invalidez ou por idade; e
Demais aposentados a partir dos 65 anos de idade, se homens, ou 60 anos de idade, se mulheres.
Carência Não é exigida.
Renda mensal R$51,27 por filho ou equiparado de qualquer condição, até 14 anos de idade, ou inválido de qualquer idade.
Pagamento
Será pago mensalmente:
Pela empresa – ao empregado em atividade;
Pelo empregador doméstico – ao empregado doméstico em atividade;
Pelo sindicato ou OGMO – ao trabalhador avulso em atividade;
Pelo INSS – ao segurado que tenha direito ao salário-família e esteja em gozo de auxílio por incapacidade temporária ou aposentadoria.
Início do benefício
A partir da data da apresentação da certidão de nascimento do filho ou da documentação relativa ao equiparado, estando condicionado à apresentação anual de atestado de vacinação obrigatória, até 6 anos de idade, e de comprovação semestral de frequência à escola do filho ou equiparado, a partir dos 4 anos de idade.
Cessação do benefício
(a) por morte do filho ou equiparado, a contar do mês seguinte ao do óbito; (b) quando o filho ou equiparado completar 14 anos de idade, salvo se inválido, a contar do mês seguinte ao da data do aniversário; (c) pela recuperação da capacidade do filho ou equiparado inválido, a contar do mês seguinte ao da cessação da incapacidade; (d) pelo desemprego do segurado; ou (e) pela morte do segurado.