Não esgotamos as possíveis origens do fenômeno ainda. O intelectual não precisa ser movido apenas pela
fé messiânica, pela sensação de superioridade moral. Ele pode ter profunda sede de poder também.
O autoritarismo leva muita gente para a esquerda. O desejo de controlar vidas alheias, de decidir
como os outros devem viver, isso pode explicar o fato de muitos intelectuais aderirem ao socialismo. “A
ânsia de salvar a humanidade é quase sempre uma desculpa para a ânsia de governá-la”, diagnosticou
com precisão H. L. Mencken.
“O poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente”, alertou Lord Acton. É como o anel
que vemos no Senhor dos anéis, que destroçou completamente o Gollum. De nhando, repete
insistentemente “meu precioso”, em busca daquele poder todo uma vez mais. Encontramos a mesma
ideia na República de Platão, com o anel de Gyges, que tornaria seu dono invisível e, portanto, impune a
qualquer tipo de ato. Quem poderia resistir a tamanha tentação sem se transformar por completo?
Esse tipo de preocupação com o poder excessivo foi abordado por diversos pensadores da
humanidade. H.G. Wells, em O Homem invisível, trata do mesmo tema. O livro inspirou dois lmes, um
Deus de vez em quando?
Ayn Rand, cuja maior habilidade talvez fosse dissecar a essência da esquerda coletivista, criou no vilão
d e A nascente o típico intelectual em busca de poder. Ellsworth Toohey não quer fama, não quer
dinheiro, não é movido por interesses materiais ou realização pessoal. Ele busca somente o poder. Quer
destruir o indivíduo, e para tanto precisa de poder. Em certo momento da trama, confessa:
Eu não quero nada para mim. Uso as pessoas por causa do que posso fazer com elas. É minha única função e satisfação.
Não tenho um objetivo particular. Quero o poder. Quero o meu mundo do futuro. [...] Escravidão para a escravidão. Um
grande ciclo... e uma total igualdade. O mundo do futuro.
Dividir para conquistar. A esquerda caviar adora esse estratagema, sempre segregando o mundo entre
nós e eles, entre negros e brancos, pobres e ricos, mulheres e homens, trabalhador e patrão, gays e
heterossexuais. Assim ca mais fácil criar um ambiente propício para a tomada do poder. A elite
“progressista” é a única capaz de apaziguar os conflitos, tantas vezes criados por ela mesma.
O intelectual acaba tentado com a ideia platônica de rei- lósofo. Somente ele tem capacidade para
governar os demais. Em uma entrevista para a revista alemã Spiegel, publicada em 1967, no auge da
agitação política dos jovens e intelectuais, Herbert Marcuse deixou transparecer essa postura quando
disse que era uma “oportunidade perigosa” pertencer ao tal grêmio de intelectuais no poder. Falando
sobre a censura para filtrar o que é “bom” do que é lixo, eis o que Marcuse disse:
Primeiramente eu não decido a coisa sozinho, mesmo a ditadura platônica não é uma ditadura de uns poucos. E então
diremos: o senhor nos deixa examinar seu trabalho, se nos convencer, então o artigo deve aparecer.
Ao contrário da esquerda caviar, pre ro um mundo em que a publicação de artigos não dependa da
avaliação sapiente de guras como Marcuse. Essa sede de controle travestida de benevolência é uma das
maiores ameaças à liberdade. George Bernard Shaw, visitando os Estados Unidos em 1933, disse de
forma bastante direta:
Vocês americanos são tão temerosos de ditadores. Ditadura é a única maneira em que o governo pode realizar qualquer
coisa. Vejam a confusão a que a democracia levou. Por que vocês têm medo da ditadura?
Shaw também teceu elogios a Stalin e se declarou tranquilo ante o pacto deste com Hitler, uma semana
antes de a Polônia ser invadida e a Segunda Guerra começar. Mas o relevante na postura de Shaw, como
autoritários, que controlam
totalmente as vidas de cada cidadão.
Keynes, no prefácio da edição alemã de Teoria geral , reconheceu que suas ideias seriam mais
facilmente aplicáveis em um regime autoritário. Intelectuais seguros de suas “verdades” não querem
perder tempo com regimes democráticos; preferem se aliar ao poder absoluto e controlar todos os demais.
O poder é uma droga que vicia, e acaba tomando conta do indivíduo, deformando-o. Ditar regras de
cima para baixo é o sonho de muita gente. Os esquerdistas costumam levar tal impulso mais à frente. São
os “engenheiros sociais” que pretendem remodelar a sociedade a partir de sua visão de mundo. Tal como
Skinner, olham os indivíduos como cães de Pavlov a serem domesticados e condicionados. Raymond
Aron fez a melhor distinção entre essa postura e a liberal:
O liberal é humilde. Reconhece que o mundo e a vida são complicados. A única coisa de que tem certeza é que a incerteza
requer a liberdade, para que a verdade seja descoberta por um processo de concorrência e debate que não tem m. O
socialista, por sua vez, acha que a vida e o mundo são facilmente compreensíveis; sabe de tudo e quer impor a estreiteza de
sua experiência — ou seja, sua ignorância e arrogância — aos seus concidadãos.
A arrogância aliada à sede de poder pode afastar muita gente do liberalismo mais cético e humilde. É um
prato cheio para a esquerda caviar. O sujeito quer viver a vida à sua maneira, mas quer impor seu modus
vivendi aos demais. Fala em diversidade o tempo todo, mas, no fundo, deseja criar um mundo à sua
imagem e semelhança. Não tolera as diferenças. Narciso acha feio o que não é espelho.
Esse pensamento autoritário pode ser identi cado em típicas conversas de bar, quando as pessoas
condenam alguma coisa e logo em seguida demandam a intervenção estatal para solucionar o
“problema”. “Deveria ter uma lei contra isso”, eis o nascimento da mente autoritária. Não gosto de
fumantes ao meu lado no bar: deveria ter uma lei proibindo isso, e dane-se a liberdade do proprietário
do estabelecimento para escolher. E assim vai.
Ninguém insiste tanto na conformidade como aqueles que advogam “diversidade” o tempo todo. Será
que os hippies eram realmente tolerantes com aqueles que não comungavam com seu estilo de vida?
Alguém realmente acha que um típico hippie está livre de preconceitos e que tolera numa boa um
capitalista ganancioso? Sob o manto de um discurso progressista jaz muitas vezes um autoritarismo típico
rezassem o mesmo credo.
A Utopia de omas More, a Cidade do sol de Campanella, a República platônica, en m, “um
mundo melhor é possível”. Se ao menos todos abandonassem o individualismo, o egoísmo, a ganância, e
se tornassem almas conscientes e engajadas na luta pelo bem geral... assim como eu!
No lme FormiguinhaZ, o personagem principal, na voz de Woody Allen, luta por seu individualismo
contra o coletivismo da colônia. O personagem desabafa: “Que diabo, esperam que eu faça tudo pela
colônia... e quanto às minhas necessidades?” Em outro momento, diz: “Quando a gente é lho do meio
numa família de cinco milhões, não recebe muita atenção.” Já o vilão deixa transparecer no nal o
verdadeiro motivo de sua postura ditatorial, afirmando: “Eu sou a colônia!” Esse tipo de autoritário rejeita o dogmatismo na teoria, mas é o mais
dogmático de todos na prática.
O mundo é um tabuleiro de xadrez, e os homens são os peões que serão mexidos a seu bel-prazer.
Chegamos à era do conformismo: ninguém pode desviar do padrão de nido, pois as diferenças
incomodam muito. Todos devem adotar a mesma cartilha “livre de preconceitos”. E tome preconceito
Os outros são tratados não como adultos responsáveis com livre-arbítrio, mas como crianças
indefesas, como mentecaptos que precisam da tutela dos especialistas. E ele, da esquerda caviar, é um
desses especialistas, claro. Essa agenda, como mostra Lyle H. Rossiter em e Liberal Mind, denota uma
forma de sociopatia. É uma patologia, uma obsessão por controle.
Quando falta empatia com o próximo, ele deixa de ser tratado como um agente autônomo e passa a
ser visto como simples meio para ns coletivistas abstratos. A grande sociedade, o povo e o bem geral são
formas de mascarar um profundo sentimento de desprezo para com o próximo. Ocorre então a
despersonalização do indivíduo, e sua subjetividade perde importância. O esquerdista deseja moldar os
outros, controlá-los, guiá-los, sem se importar com sua singularidade e sua autonomia.
O paternalismo estatal é filhote dessa mentalidade. A obsessão pela saúde e pela felicidade assim como
a ditadura do politicamente correto são claramente sintomas dos novos tempos. Vivemos na era da
covardia, em que poucos têm coragem de se levantar contra o rebanho. Todos são “especiais”, o mesmo
que dizer que ninguém o é. E o papai estado vai cuidar de todos, sob a sapiência dos intelectuais.
proibidas de vender
refrigerantes e outras bebidas adoçadas em vasilhames maiores do que dezesseis onças — o equivalente a
473 ml, sob pena de multa de US$ 200. A proibição foi proposta pelo prefeito Michael Bloomberg, a
babá das babás, e aprovada, por unanimidade, pelo Conselho de Saúde da cidade. Um juiz depois
invalidou a medida, acusando-a de autoritária, mas os paternalistas não desistiriam ainda.
Debbie Squires, diretora da Michigan Elementary and Middle School Principals Association, disse
abertamente, em um comitê sobre educação em seu estado, que os pedagogos sabem o que é melhor para
as crianças, não seus próprios pais. Muitos pensam como ela, mas nem todos têm a coragem de declarar
sem rodeios sua crença arrogante e sua sede pelo controle de vidas alheias. No Brasil, o paternalismo chegou a patamares assustadores graças a essa mentalidade. O governo se mete
até na venda do McLanche Feliz, alegando que isso in uencia negativamente as crianças. O Kinder Ovo
também foi vítima dessa turma pelo mesmo motivo. Os “fascistas do bem” agem como se soubessem
cuidar da vida alheia, e desejam impor suas preferências aos demais.
A Anvisa representa o órgão estatal mais próximo dessa “tirania do bem”. A revista Veja chegou a
fazer uma matéria de capa no começo de 2011 sobre os riscos desse excesso regulatório, em cujo editorial
o alerta de C.S. Lewis era resgatado:
De todas as tiranias, aquela exercida sinceramente em prol do bem de suas vítimas talvez seja a mais opressiva. É melhor
viver sob exploradores ladrões do que sob a onipotência moral dos intrometidos. A crueldade dos exploradores às vezes
adormece, sua cobiça pode ser saciada em algum momento; mas aqueles que nos atormentam em nome do nosso próprio
bem nos atormentarão para sempre, porque eles o fazem com a aprovação de suas próprias consciências.
O Instituto Alana, nessa linha, tentou proibir a propaganda de refrigerante, para “proteger” nossas
crianças. A ONG tem, entre seus comandantes, Ana Lucia de Mattos Barretto Villela e Alfredo Egydio
Arruda Villela, irmãos e membros da família que é simplesmente a maior acionista individual do grupo
Itaú. Sim, aquele enorme banco que faz propaganda fofa usando bebês que rasgam papel. Mas
refrigerante não pode! As crianças seriam vítimas indefesas do “consumismo”, e os herdeiros de uma das
maiores fortunas brasileiras estão aqui para nos salvar.
A apresentadora do canal esquerdista MSNBC, Melissa Harris-Perry, falou abertamente que
lamentava o fato de cada um encarar o lho como seu, e não de uma forma coletiva, como “propriedade
pública”, de “todos”. São os “ lhotes de Rousseau”, querem estatizar até as crianças, pois talvez não
saibam ou não desejem educar direito os seus próprios filhos.
Pensar na possibilidade de que os próprios pais devam educar seus lhos, impondo limites e dizendo
“não”, parece algo estranho demais aos engenheiros sociais da atualidade. As “crianças mimadas”, os
adultos modernos, preferem delegar a função ao governo, que será responsável pela “pureza” das
propagandas, pelo consumo saudável, por uma vida melhor. Quem precisa de liberdade de escolha
quando se tem o governo e as elites dos ungidos para controlar nossas vidas? Até mesmo o Papai Noel foi vítima dessa mentalidade obtusa. A obesidade é um problema de saúde
preocupante no mundo. Um dos culpados? Sim, o Papai Noel. O médico Nathan Grills, da universidade
australiana Monash, acredita que a imagem atual do “bom velhinho”, promove a obesidade e um estilo
de vida pouco saudável. Para o médico, Papai Noel é um “pária da saúde pública”, e seria melhor se fosse
retratado sem aquele barrigão, sua marca registrada.
Grills a rma que “uma gura tão conhecida em todo o mundo quanto a de Papai Noel tem o
potencial de in uenciar pessoas, especialmente as crianças, e transmitir a mensagem de que ser obeso é
bom”. O mundo da revista Caras precisa de um Papai Noel sarado!
Qualquer um com mais de trinta anos deve se recordar daqueles cigarros de chocolate que as crianças
adoravam no passado. Isso seria impensável hoje em dia. Chocolate, um inimigo público, e ainda por
cima em forma de cigarro? Seria demais para o mundo moderno, e logo se diria que aquilo estimularia as
crianças, tão vulneráveis, a se tornarem todas fumantes compulsivas. A campanha antitabagista é enorme, consome bilhões, ajuda na venda de remédios (a indústria
farmacêutica agradece), e transformou em pária social todo fumante. Em Hollywood a histeria é total
(talvez porque as grandes empresas de tabaco sejam tradicionais nanciadoras dos republicanos). Até
mesmo lmes antigos precisam ser adaptados para cortar cenas com cigarro. Como disse James Hirsen
em Tales From the Left Coast:
Agora um exército de soldados antitabagistas invadiu Hollywood e convenceu alguns dos principais tomadores de
decisão da cidade a eliminar cenas “ofensivas” de fumo dos lmes. Profanação? Sem problemas. Sangue e tripas por toda a
tela? Uma necessidade artística. Crianças fazendo sexo com múltiplos parceiros no refeitório da escola? Inofensivo. Mas
fumar? Isso sim é muito fora dos limites!
sérios, que envolvem
agressões físicas e que devem ser contidos. Mas a esquerda caviar transformou tudo em bullying. As
coisas mais naturais do mundo entre crianças, como dar apelidos ofensivos, chamar de “quatro-olhos”,
de “gorducho” etc., passaram a ser vistas como análogas ao espancamento. Um processo normal de amadurecimento, em que crianças precisam aprender que o convívio em
sociedade não é um parque de diversões, e com isso se fortalecer e saber se defender, acabou
transformado em crime pela esquerda caviar. Que tipo de adultos essa postura protetora vai gerar? Gente
corajosa que enfrenta os desa os da vida, ou um bando de covardes que grita “papai” na primeira ofensa
ou dificuldade que surge?
O “estado babá” ocorre quando “o governo assume um hiperinteresse em microadministrar o bem-
estar dos cidadãos”, como escreve David Harsanyi em seu livro sobre o assunto. O jornalista acrescenta:
Para esses intrometidos, a utopia é um mundo sem fumantes, sem gordura, onde o álcool é bebido apenas com
moderação, o McDonald’s vende McNuggets de tofu com molho de baixa caloria e os seios nus de uma estrela pop são
dignos de uma sessão no Congresso e de histeria em massa.
das leis é a forma mais
rápida de criar uma sociedade superior. O bom senso para determinar a fronteira legítima dessa
intervenção se perdeu faz tempo. Os “guardiões do estômago”, por exemplo, criaram uma verdadeira
“milícia alimentar” para tentar barrar do cardápio os itens prejudiciais à saúde.
Parte importante da liberdade é o direito de cada um ir para o “inferno” à sua maneira. O alimento de
um pode ser o veneno do outro. Essa variabilidade humana nos impõe a necessidade da liberdade
individual e da tolerância. Ninguém sabe qual o desejo do outro. Infelizmente, estamos vivendo cada vez
mais sob a ditadura da maioria, manipulada por uma minoria sedenta por poder.
Como disse Reagan, o governo existe para nos proteger de terceiros; e vai além de sua função quando
tenta nos proteger de nós mesmos. Se aceitarmos a premissa contrária, de que deve sim cuidar de seus
“ lhos” em nome da saúde pública, qual o limite? Exercício obrigatório para todos, pois o ócio é
prejudicial à saúde? Ou quem sabe uma dieta alimentar imposta pelos “nutricionistas do estado”, com
cardápio obrigatório para cada um? Fiscais do sal, para veri car se estamos ingerindo a quantidade
ensinar como manter
aquela incrível aparência saudável?
O lme Uma família em apuros, com Billy Crystal e Bette Midler, ironizou a paranoia politicamente
correta na criação dos lhos atualmente. Eles comiam apenas tofu e soja, eram estimulados a “se
expressar” sem correção quando errados, e os jogos tinham de terminar empatados para não ferir a
“autoestima” dos perdedores. Claro que eram crianças altamente comprometidas.
O avô, personagem de Crystal, resolve desabafar contra tal método de “educação”. Então, pega o neto
no meio de um concerto de Tchaikovsky e solta esta, quando prestes a dar uma boa palmada no
moleque na frente de todos:
Desculpe-me. Eu não aguento mais isso. Toda essa coisa de “momentos especiais de fala” e proteger a “autoestima”, e
ninguém mais ser punido! E os jogos todos terem que acabar empatados! Tudo que eu escuto é: “Use suas palavras, use
suas palavras.” Mas a palavra que eles nunca usam com essas crianças é “não”!
Todos aplaudem. Muitas pessoas estão cansadas da ditadura do politicamente correto chegando à
educação dos lhos! É o reino da mediocridade sem limites, da paranoia, do excesso de frescura com a
alimentação. Até quando?
A paranoia com a saúde perfeita criou o “admirável mundo novo” de Huxley, onde qualquer sofrimento
é visto como anormal e precisa de cura. O novo manual de diagnósticos de doenças mentais dos Estados
Unidos (DSM), por exemplo, gerou controvérsias ao classi car como transtorno comportamentos
absolutamente normais. Se você perdeu um amigo e está triste, então é “depressivo”. Se está na fase
turbulenta hormonal da adolescência e muda muito de humor, é “bipolar”. E tome remédio, tome
consulta ao psiquiatra.
É a ditadura da “felicidade”, depositando imenso controle e poder nesses “especialistas”. Como disse
Karl Kraus, “Uma das doenças mais disseminadas é a diagnose”. O mesmo, com sua na ironia, escreveu
o seguinte aforismo: “O psiquiatra sempre reconhece os loucos pelo fato de exibirem um comportamento
agitado após a internação.”
Hoje, a felicidade não é mais um direito que cada um tenta buscar à sua maneira, mas praticamente
um dever. É preciso aparentar felicidade, ainda que de uma forma bovina, o tempo todo, pois ninguém
mais suporta a dor alheia. Para usar o termo de Pascal Bruckner, vivemos na era da “euforia perpétua”, e
temos nossos tutores para garantir isso.
O mais curioso é que os paternalistas da esquerda caviar querem proibir alimentos, refrigerantes e
cigarro em nome da “saúde pública”, mas logo depois pregam o aborto em nome da “liberdade de
escolha” da mulher para fazer com o seu corpo o que bem entender. Postulam a legalização das drogas
com o mesmo argumento. Eliminar um “parasita” incômodo aos cinco meses de gravidez enquanto
injeta heroína, tudo bem; mas comer um chocolate e depois fumar um cigarro acompanhado de uma
Coca-Cola? Pecadora do inferno!
O paraíso idealizado pelos “progressistas” seria um mundo com tudo reciclado, pessoas comendo
apenas alimentos orgânicos, aplaudindo o pôr do sol, abraçando árvores e andando de bicicleta para
cima e para baixo. Tudo regado a muito Prozac, para evitar qualquer tipo de sofrimento.
Paradoxalmente, os “progressistas” odeiam o progresso. E sua sede pelo poder fará da vida de todos nós
um verdadeiro inferno.
20. Ignorância
Por m, não podemos deixar de lado a falta de conhecimento como fonte da esquerda caviar. Uma
acima da razão, com pouca
lógica econômica, isso pode realmente levar pessoas bem-intencionadas para a esquerda. Especialmente
após tanta lavagem cerebral nas escolas, na imprensa, nas faculdades. Como diz o ditado, o inferno está
cheio de boas intenções.
É a atração que a história bíblica de Davi contra Golias costuma despertar em muitos. Sem maior
conhecimento dos fatos, tendemos a tomar o partido do lado mais fraco, esquecendo que isso nem
sempre é o mais justo. O passo natural é encarar o mais forte como responsável pelas mazelas dos mais