3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL
3.2 Ser Professor e Ser Professor de Educação Física
“Ser professor hoje é viver intensamente o seu tempo com consciência e sensibilidade. Não se pode imaginar um futuro para a humanidade sem educadores.” (Gadotti, 2007, p. 65)
Ainda tenho muito para aprender enquanto futura profissional de EF, contudo, baseei muito a minha ação nas minhas vivências. Ou seja, tive como referência a faculdade, os meus pais, o treino, antigos professores, aulas de educação física que frequentei ao longo de todos estes anos, livros, artigos, etc. Tudo isto, ajudou a formular o meu pensamento sobre como devo ser/agir enquanto professora, uma vez que percebi que os modelos de ensino centrados nos alunos estão fortemente ligados a uma maior envolvência e motivação dos alunos para as aulas. Para além disso, a convivência com a PC e as reflexões realizadas no final das aulas também foram essenciais para me descobrir na função de professora. A reflexão é uma parte muito importante do nosso crescimento enquanto pessoas e enquanto professores/educadores. Esta permite voltar atrás e rever acontecimentos e práticas (Oliveira & Serrazina, 2002). As práticas reflexivas permitiram-me evoluir e alcançar sempre mais, pois ao refletir tive a oportunidade de corrigir erros e evitá-los – por exemplo, inicialmente planeava exercícios em excesso e queria que todos se realizassem, não atendendo, por vezes, ao ritmo dos alunos. Schön (cit. por Oliveira & Serrazina, 2002) afirma que é ao refletir sobre a ação que se consciencializa o conhecimento tácito, se procuram crenças erróneas e se reformula o pensamento. Nesse sentido, após refletir sobre a situação acima descrita, procurei delinear estratégias que colmatassem a mesma. De seguida, apresento um excerto que evidencia uma das estratégias utilizadas:
Aula de Badminton - “Como no primeiro exercício todas as variantes contavam para a pontuação, defini que só os capitães podiam ir registar ao quadro. Esta estratégia funcionou muito bem, visto que não havia confusão no quadro e, ao mesmo tempo que o capitão apontava os resultados, também informava os seus colegas sobre qual a variante seguinte. Isto foi possível porque no quadro estavam apontados a ordem dos batimentos que os alunos tinham de efetuar. Assim, sempre que o capitão se dirigia ao quadro tomava conhecimento sobre o que a sua equipa tinha de fazer de seguida. Isto permitiu que cada equipa andasse ao seu ritmo.” (RA – aula 69 e 70 – 5 de fevereiro, 2019)
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A meu ver, professor é aquele que ensina e, acima de tudo, é aquele que auxilia o aluno a construir a sua própria aprendizagem. É um pedagogo, dado que tem de ter conhecimentos (conteúdos) e saber operacionalizá-los, pois ninguém pode ensinar o que não sabe. Um bom professor de EF deve saber ajustar os seus conhecimentos às circunstâncias (idade dos alunos, material disponível, etc.), ir ao encontro das necessidades dos alunos, estimular o gosto pela prática da atividade física e por um estilo de vida mais saudável, transmitir valores que os alunos irão levar e aplicar na sua vida e, sobretudo, promover aprendizagens significativas. De acordo com Rink (cit. por Mesquita & Graça, 2015, p. 43), “os professores eficazes criam um ambiente para a aprendizagem”. Ou seja, para que exista um bom funcionamento da aula, os professores têm de adquirir um conjunto de competências, como por exemplo, competência instrucional, de gestão, de socialização, etc.
A minha perspetiva do que é um bom/competente professor vai ao encontro dos entendimentos de Nóvoa (2009). Este afirma que os professores têm de ter conhecimento, cultura profissional, tato pedagógico, devem trabalhar em equipa e ter um compromisso social. Como acima referi, ninguém ensina aquilo que não sabe e, por isso, para sermos competentes é preciso termos conhecimento sobre as matérias de ensino, sobre os diferentes modelos, ser detentor de um variado leque de exercícios e saber adequar as diferentes estratégias às necessidades dos alunos, uma vez que todas as turmas, bem como todos os alunos são diferentes. Nesse sentido, é necessário cultivarmos e atualizarmos o nosso conhecimento e a nossa cultura profissional, pois só assim conseguimos atender às individualidades de cada aluno. Também é muito importante o tato pedagógico, ou seja, temos de saber ouvir, comunicar e saber estabelecer relações com os alunos, dado que estes são o nosso instrumento de atuação. Estes três aspetos são essenciais para estabelecer uma relação de confiança e respeito com os alunos e com os colegas de profissão. Estas relações de confiança e respeito fomentam o espírito de entreajuda, que é indispensável para trabalhar em equipa. E saber trabalhar em equipa é fundamental, pois promove o enriquecimento pessoal.
Do meu ponto de vista, o professor tem de ser um modelo enquanto pessoa e tem de estar muito seguro da mensagem que quer transmitir aos alunos, dado
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que toda a atenção irá estar centrada nas suas ações. O professor de EF tem grande relevância formativa quer ao nível da função cognitiva, da ética (regras) e dos valores (espírito de equipa, respeito, cooperação, competição, resiliência, superação, liderança, trabalho árduo…). Ou seja, mais do que o aperfeiçoamento físico e a adoção de estilos de vida saudáveis, a educação física é um projeto de educação social, cívica e educação intercultural, associada aos valores da fraternidade, da camaradagem, etc. (Rosado, 2015).
Para terminar, sou da opinião que também é da responsabilidade do professor de EF trabalhar a capacidade emancipatória, bem como promover a autonomia dos alunos, preparando-os para uma participação ativa na vida social e cultural. Os professores têm de criar alunos com “autonomia na aprendizagem dos saberes, do saber-fazer, do saber-pensar e do saber-ser” (Mesquita & Rosado, 2015, p. 25). Seguindo o pensamento dos mesmos autores, o professor tem um papel preponderante na formação de indivíduos que se integrem na sociedade.