5 O OFÍCIO DOCENTE
5.2 De volta ao Liceu (1913-1921)
5.2.5 Servindo de fiscal
Segundo Meireles (2008), no dia 20 de março de 1917, em lugar de Herculano Nina Parga que entregou o cargo de governador do Maranhão para concorrer às eleições para deputado, assumiu o governo o 1° vice-governador, coronel Antonio Bricio de Araujo que posteriormente passou o cargo para Urbano Santos.
No relatório apresentado ao governador do Estado Coronel Antonio Bricio de Araujo em 12 de janeiro de 1917, o Secretário do Interior Demosthenes Macedo, na seção de portarias baixadas, designava na portaria nº. 42 que “o professor do Lyceu Maranhense, José do Nascimento Moraes, para, sem prejuízo da cadeira que rege, fiscalizar o Instituto Fernandes, dirigido por d. Lucilia Amelia Fernandes, que requereu equiparação (31 de maio) ” (MARANHÃO, 1918).
Nessa perspectiva, Nascimento Moraes já com uma considerável experiência na instrução pública era frequentemente indicado não somente para presidir mesas examinadoras, como também servir de fiscal de determinados estabelecimentos de ensino, com a missão de equiparar estudo ministrado, tomando como parâmetro o do Liceu Maranhense.
62 O ofício nº. 1521, de 13 de novembro de 1916 foi enviado a Nascimento Moraes para servir de examinador, ao
mesmo tempo que os outros documentos destinados às escolas Almir Nina e Bequimão, em que se realizaria os exames finais. Ainda nesse documento tem uma nota de agradecimento por mais esse serviço prestado por esse professor ao Estado. ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DO MARANHÃO. (Documento nº. 3342: cópias de telegramas enviados pelo secretário do interior a diversas autoridades).
63 Detalhando mais dos jornais citados no quadro sobre as mesas examinadoras, o jornal Pacotilha, de 30 de
novembro de 1916, sob o título “As Escolas: Liceu Maranhense” anunciou os resultados dos exames finais das disciplinas de Português, Francês, Aritmética, Desenho, Música, Ginástica, Corografia e Geografia, as notas de cada aluno nessas cadeiras, reportando também a quantidade de alunos promovidos e reprovados. Nessa ocasião, Nascimento Moraes foi examinador no primeiro dia, das matérias de Geografia, Corografia e Cosmografia e do segundo, História Universal e do Brasil. A publicação do Diário de São Luís, “Lyceu Maranhense - Curso Profissional”, de 19 de novembro de 1921, convocou os alunos da 1ª turma de francês do 3° ano, para estarem presentes no dia seguinte às 8 horas. Outra nota pública do mesmo jornal, a 21 de novembro do corrente, intitulada “Lyceu Maranhense”, prosseguia anunciando os exames de Geografia do 1° ano e de Aritmética do 2° ano, ambas primeira e segunda turmas. A mesma convocatória foi também anunciada na Pacotilha, de 21 de novembro de 1921, edição nº. 273, com o título “Lyceu Maranhense - Curso Profissional”.
QUADRO 12 – Demonstrativo da função de fiscal Ano 1917 1919 Tipo do Documento Ofício nº. 440, referente à portaria nº. 42 Documento nº. 22 Documento nº. 49 nº. 2173 Ofício Data do
Documento 3 de abril 23 de janeiro 8 de fevereiro 20 de outubro Remetente Secretário do Interior Demosthenes Macedo Secretário do Interior Henrique José Couto Secretário do Interior Henrique José Couto Secretário do Interior Juviliano de Souza Barretto
Destinatário Nascimento Moraes Nascimento Moraes Nascimento Moraes Grupo EscolarDiretora do Onde
fiscalizar Fernandes Instituto Instituto Rosa Nina Fernandes Instituto Nina RodriguesGrupo Escolar
Fiscal Nascimento Moraes Nascimento Moraes Nascimento Moraes Nascimento Moraes
Quando - - - 11 de novembro
Objetivo Equiparar ao Curso Profissional Equiparar ao Curso Profissional Equiparar ao Curso Profissional Fiscalizar os exames finais Fonte: Elaborada pela autora com dados extraídos do APEM - Arquivo Público do Estado do Maranhão.
De acordo com o quadro acima, nos anos 1917 e 1918, Nascimento Moraes fiscalizou os estabelecimentos de ensino: Instituto Fernandes, este por duas vezes, Instituto Rosa Nina e o grupo escolar Nina Rodrigues, sem que houvesse interferência no exercício da docência no Liceu Maranhense. Os documentos citados não apontam a data de realização dessa atividade, com exceção do grupo escolar que seria no dia 11 de novembro, a fim de examinar as provas finais.
Além disso, não foram encontrados documentos64 da Secretaria do Interior para as escolas, comunicando acerca da fiscalização desse professor, como também do oficio endereçado a ele, avisando de sua ida ao grupo escolar Nina Rodrigues.
64 O documento nº. 440, de 3 de abril de 1917, do Secretário do Interior Demosthenes Macedo para a diretora do
Instituto Fernandes comunicava que, por portaria nº. 42, de 31 do mês findo, foi designado o professor do Liceu Maranhense, José do Nascimento Moraes para de conformidade com a lei nº. 714, de 31 de março de 1916, fiscalizar o Instituto sob vossa direção e em virtude de vossa petição requerendo equiparação (ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DO MARANHÃO, 1917). O documento nº. 22 do Secretário do Interior Henrique José Couto, de 23 de janeiro de 1919, nomeou o lente do Liceu Maranhense José do Nascimento Moraes para exercer o cargo de fiscal do Instituto Rosa Nina. Cerca de duas semanas depois, ele era novamente requisitado para ser fiscal em outro estabelecimento, sem prejudicar seu cargo na escola que trabalhava. No caso, o documento nº. 49 do Secretário do Interior Henrique José Couto, de 8 de fevereiro de 1919, nomeava o lente do Liceu Maranhense José do Nascimento Moraes para exercer o cargo de fiscal do Instituto Fernandes. (ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DO MARANHÃO. Documento nº. 3933: portarias de nomeações (1919-1924)). Já o ofício nº. 2173, de 20 de outubro de 1919, enviado pelo Secretário do Interior Juviliano de Souza Barreto à diretora do Grupo Escolar Nina Rodrigues, em resposta ao ofício enviado em 18 do corrente mês, designava os exames desse grupo para o dia 11 de novembro, às 8 horas da manhã, tendo sido nomeado para fiscalizar o professor do Liceu Maranhense
Com base no serviço de fiscalização executado por Nascimento Moraes, o Governador do Maranhão Raul da Cunha Machado, em se tratando do Instituto Fernandes para equiparação ao curso profissional do Liceu Maranhense, assinou o seguinte decreto:
O presidente do Estado, considerando que o estabelecimento de ensino denominado Instituto Fernandes se acha em condições de ser equiparado ao curso profissional do Liceu Maranhense, nos termos da lei nº. 714, de 31 de março de 1916, à vista da informação prestada, em 16 do corrente, pelo fiscal do Governo junto ao citado estabelecimento, professor José do Nascimento Morais, DECRETA: Art. 1º Fica equiparado ao curso profissional do Liceu Maranhense, gozando de todas as vantagens da lei nº. 714, de 31 de março de 1916, o estabelecimento de ensino desta Capital denominado Instituto Fernandes (MARANHÃO, 1919).
Quanto ao pagamento pelos serviços de fiscalização65 prestados, o dito governador assinou outro decreto nº. 129, de 11 de março de 1919, conforme o parecer nº. 27, aprovado em sessão do Congresso do Estado, do dia 5 do corrente mês, em artigo único, determinando “aberto o credito de 3.600$000 (três contos e seiscentos mil réis), para pagamento da diferença de vencimentos a que tem direito o lente do Liceu Maranhense, José Nascimento Morais; revogadas as disposições em contrário” (MARANHÃO, 1919).
Em relação à função de fiscal desempenhada por Nascimento Moraes, pode-se perceber dois aspectos pertinentes: primeiro, de ser bastante requisitado para esse serviço; e segundo, da dependência do Grupo Escolar em promover seu processo avaliativo interno, atrelado à uma fiscalização externa. Esses elementos fazem repensar o grau de controle do Estado na instrução pública e de que as escolas não tinham muito autonomia para realizar suas avaliações, tendo em vista que o Liceu Maranhense servia de parâmetro na educação maranhense, tal como o colégio Pedro II era modelo educacional no Brasil.
Nessa perspectiva, o governo estadual valeu-se do talento e competência de Nascimento Moraes, sem prejudicar seu cargo no Liceu Maranhense, para fiscalizar outros estabelecimentos de ensino e abonar suas faltas quando fosse necessário. Segundo Certeau (2014, p. 91), “trata-se de combates ou de jogos entre o fraco e o forte, e das “ações” que o
José do Nascimento Moraes. (ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DO MARANHÃO. Documento nº. 3358: cópias de telegramas enviados pelo secretário do interior a diversas autoridades).
65 O ofício nº. 634, de 11 de março de 1919, do Secretário do Interior Henrique José Couto ao Secretário da Fazenda
comunicava que, por decreto da data citada foi aberto o crédito de 3:600$000 (três contos e seiscentos mil reis) para o pagamento da diferença de vencimentos a que tem direito o lente do Liceu Maranhense, José do Nascimento Moraes, conforme parecer nº. 27 do congresso do Estado, cuja cópia estaria lhes sendo enviada. A ele foi garantida, nesse sentido, a remuneração pela fiscalização feita nos institutos de ensino recomendados pelo Estado. ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DO MARANHÃO. (Documento nº. 3354: cópias de telegramas enviados pelo secretário do interior a diversas autoridades). Nascimento Moraes recebeu uma cópia desse ofício encaminhado pelo Secretário do Interior ao Secretário da Fazenda, a respeito do pagamento já deliberado.
fraco pode empreender”. E Nascimento Moraes parecia mostrar-se disposto em atender às convocatórias que lhe foram impostas, sabendo tirar proveito de cada situação proposta, no uso de estratégias e táticas, e dos possíveis benefícios dessa relação complexa com a ordem posta.