3.2 A TIVIDADES E CONÓMICAS
3.2.1 Setores de atividade
De modo a conhecer a estrutura económica do concelho de Figueiró dos Vinhos, e consequentemente, o grau de desenvolvimento do município, foram analisados, neste subcapítulo os setores de atividade: setor primário, setor secundário e setor terciário.
Na tabela que a seguir apresentamos, podemos aferir a distribuição da população empregada pelos diferentes setores, de acordo com as unidades territoriais apresentadas e efetuando uma comparação no período intercensitário 2001- 2011.
De uma forma geral, podemos concluir que o setor primário é o que ocupa a menor percentagem da população em todas as unidades territoriais, seguido do setor secundário e do terciário (com especial enfoque no setor terciário ligado à economia). Efetuando uma comparação entre as séries temporais apresentadas, verificamos uma redução da população no setor primário e secundário e um aumento no setor terciário, em todas as unidades territoriais.
T A B E L A N .º 9 - P E R C E N T A G EM D A P O P U L A Ç Ã O E M P RE G AD A P O R S E T O R D E A T IV ID A D E 2 0 0 1 - 2 0 1 1
Unidade Geográfica Setor 1º Setor 2º Setor 3º (social) Setor 3º (econ.) Setor 3º (total)
2001 2011 2001 2011 2001 2011 2001 2011 2001 2011 Continente 5 3 36 27 25 28 34 42 59 70 Centro 7 4 38 30 25 29 30 37 55 66 PIN 7 3 41 33 25 30 27 34 52 64 Alvaiázere 8 4 42 34 21 28 29 34 50 62 Ansião 5 2 48 37 20 26 27 35 47 61 Castanheira de Pera 3 4 47 37 30 31 21 28 51 59
Figueiró dos Vinhos 11 4 38 27 26 35 25 34 51 69
Pedrógão Grande 8 6 29 24 35 37 28 33 63 70
Fonte: Censos 2001 e 2011, INE, Portugal
O setor primário está relacionado com a exploração de recursos da natureza (agricultura, pescas, pecuária, etc.) e apresenta-se como um dos setores mais vulneráveis da economia portuguesa, que tem vindo a perder expressão ao longo dos anos. Este setor empregava em 2011, a nível nacional, apenas 3% da população. O cenário é idêntico nas NUT II e III e nos concelhos em análise (Ansião empregava apenas 2% da sua população e Pedrógão Grande 6%). Comparativamente às restantes unidades territoriais consideradas, o concelho de Figueiró dos Vinhos era o que registava, em 2001, a maior percentagem de ativos empregados no setor primário (11%) e foi também o concelho que mais população perdeu neste setor em 2011 (4%).
O setor secundário é o setor da economia que transforma as matérias-primas (produzidas pelo setor primário) em produtos acabados ou semi acabados (inclui atividades ligadas à industria, construção civil, obras públicas, etc). Este setor empregava, em 2011, 27% da população a nível nacional, tendo perdido 9% relativamente a 2001. A NUT II e III apresentavam uma percentagem um pouco superior (30% e 33%, respetivamente) e uma perda idêntica relativamente
ao ano de 2001. A nível concelhio, os resultados apresentados não fogem muito à tendência nacional e regional e centram-se nos 24% a 37%. As perdas relativamente ao período intercensitário anterior rondam, em média, os 10%. É o setor terciário que obtém maior expressividade em todas as unidades geográficas, registando, em 2011, 70% dos ativos na NUT I Continente, 66% na NUT II e 64% na NUT III, representando em média um aumento de cerca de 11% relativamente aos dados de 2001.
O comportamento dos concelhos em análise, aproxima-se da média nacional e regional. A percentagem de população empregada neste setor ronda, em média os 65% nos 5 concelhos.
Analisando a evolução da população empregada por setores de atividade em Figueiró dos Vinhos, em 2001 e 2011, observa-se um aumento de 18% no setor terciário19, enquanto que o setor secundário e primário registaram um
decréscimo na ordem dos 11% e 7%, respetivamente.
G R Á F IC O N .º 1 4 - P O P U LA Ç ÃO E M P R EG A D A P O R S E T O R D E A T IV ID A D E E M F IG U E IR Ó D O S V IN H O S 2 0 01 - 2 0 1 1
Fonte: Dados Estatísticos, INE, Portugal
Quer em 2001, quer em 2011, o setor predominante é o terciário, sendo que já em 2001 representava mais de metade da população ativa, o que é resultado do acréscimo do pequeno comércio local e da proliferação dos serviços públicos. Porém, foi no setor secundário que se assinalou o maior decréscimo, sendo que a indústria transformadora tem vindo a perder importância, fruto do encerramento de algumas empresas bastante representativas na empregabilidade. Paralelamente, tem-se assistido a um abrandamento do setor da construção civil e obras públicas, transversal a todo o território nacional.
No contexto das atividades económicas é ainda relevante considerar a distribuição da população pelos vários grupos de profissões. Para tal, recorre-se à Classificação Nacional de Profissões formada por 10 conjuntos de profissões: o grupo 0 que se refere aos membros das Forças Armadas; grupo 1 – quadros superiores da administração pública, dirigentes e quadros superiores de empresa; grupo 2 – especialistas das profissões intelectuais e científicas; grupo 3 – técnicos e profissionais de nível intermédio; grupo 4 – pessoal administrativo e similares; grupo 5 – pessoal dos serviços e vendedores; grupo 6 – agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura e pescas; grupo 7 – operários, artífices e trabalhadores similares; grupo 8 – operadores de instalações de máquinas e trabalhadores de montagem; grupo 9 – trabalhadores não qualificados.
19 Refira-se que as maiores entidades empregadoras do concelho pertencem ao setor terciário (Câmara Municipal e as instituições ligadas à economia
A análise do gráfico seguinte permite-nos constatar que a população ativa se distribui de forma desigual pelos grupos de profissões considerados. Em todas as unidades geográficas consideradas predominam as atividades inseridas no grupo 5 e 7, ou seja, dois dos grupos menos qualificados e também no grupo 9 (trabalhadores não qualificados).
Os grupos que exigem uma maior qualificação (grupo 1, 2 e 3) assumem uma maior projeção nas NUT I e II. Já na NUT III, a distribuição percentual dos ativos é semelhante à dos concelhos em análise, o que demonstra, por um lado a menor qualificação dos ativos no interior do país e, por outro, a desigualdade em termos de oferta de postos de trabalho onde as exigências em termos tecnológicos e de qualificação de nível superior seja exigida.
Nos concelhos em análise, a distribuição percentual pelos grupos de profissões assume grandes disparidades, ressalvamos apenas a percentagem de ativos no grupo 7 no concelho de Ansião e Alvaiázere, devido à maior concentração de empresas do setor nestas regiões.
Relativamente ao concelho de Figueiró dos Vinhos, verificamos que o grupo profissional mais representado é o 5 (pessoal dos serviços e vendedores) com 21% e o 7 (operários, artífices e trabalhadores similares) a par com o grupo 9 (trabalhadores não qualificados) com 19%. Os grupos que exigem uma maior qualificação situam-se nos 5% a 9%, valores semelhantes aos registados na NUT III.
G R Á F IC O N .º 1 5 - D IS T R IB U IÇ Ã O D A P O P U L A Ç Ã O A T IV A P OR G R U P O S D E P R O F IS S Õ E S (% ) 2 0 1 1
Fonte: Censos 2011, INE, Portugal