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O Sistema de Gestão Ambiental segundo a ISO 1

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G. Estabelecimento da documentação e do arquivo

2.4. O Sistema de Gestão Ambiental segundo a ISO 1

Existe uma tendência mundial dos consumidores não se preocuparem apenas com a qualidade dos produtos, mas também com a responsabilidade com que os fabricantes demonstram na sua elaboração, alguns consumidores pagam mais por produtos de empresas que não causam danos ao meio ambiente (SOBRAL et al., 2004). A gestão ambiental se enquadra justamente neste novo conceito da sociedade mundial em que as empresas passam a buscar uma melhoria contínua de seus produtos, no que se refere à qualidade, ao desenvolvimento sustentável e a redução de impactos negativos, para terem uma imagem positiva, junto aos consumidores de seus produtos.

Após a década de 70, o homem passou a tomar consciência do fato de que as raízes dos problemas ambientais deveriam ser buscadas nas modalidades de desenvolvimento econômico e tecnológico e de que não seria possível confrontá-los sem uma reflexão sobre o padrão de desenvolvimento adotado. Isso levou a humanidade a repensar a sua forma de desenvolvimento, essencialmente calcada na degradação ambiental, e fez surgir uma abordagem de desenvolvimento sob uma nova ótica, conciliatória com a preservação ambiental. Assim, surge o desenvolvimento sustentável (SEIFFERT, 2006).

A norma ISO 14001 tem como objetivo geral assistir as organizações na implantação ou no aprimoramento de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA). Ela congrega com o conceito de desenvolvimento sustentável e é compatível com estruturas culturais, sociais e organizacionais diversas (ABNT, 1996). A NBR ISO 14001 é a primeira da Série, que fixa as especificações de uso para a certificação e avaliação de um SGA de uma organização, e a NBR ISO 14004 estabelece as diretrizes gerais sobre princípios, sistemas e técnicas de apoio.

A ISO 14001, a única norma que possibilita a concessão de certificado à organização, foi emitida experimentalmente em 1992 e reeditada em 2 de janeiro de 1994,no Brasil, em outubro de 1996, tendo como consequência a desativação da BS – 7750, em 1º de janeiro de 1977. No decorrer do ano 2004, a NBR ISO 14001:1996 sofreu modificações não significativas, para fins de compatibilizar a norma com os padrões da série ISO 9000:2000. Os objetivos destas modificações foram assegurar que os padrões possam ser compreendidos e utilizados por qualquer tipo de empresa ao redor do mundo, e por tornar mais claros textos publicados primeiramente na edição de 1996 (FALANDO DE QUALIDADE, 2004).

De acordo com Henkels (2002), observa-se na literatura especializada que muitos autores consideram a NBR ISO 14000 como a mais importante coleção de normas editadas internacionalmente. Devido a sua abrangência e aos benefícios que proporcionará à sociedade, buscando um desenvolvimento sustentado por meio da contínua adaptação de todas as atividades humanas ao meio ambiente.

Weber (1999) esclarece que um dos últimos grupos a integrar a luta pela preservação do meio ambiente e, talvez, o que traga resultados mais diretos em menos tempo, é o setor empresarial.

Andrade et al. (2000) esclarecem que o crescimento da atividade industrial, com a consequente geração de maior quantidade de resíduos e poluentes e o crescimento da demanda por produtos e serviços, tem forçado ao desenvolvimento de novas tecnologias para os processos produtivos, simultaneamente à necessidade de novas técnicas administrativas voltadas ao gerenciamento dessas atividades, com preocupação ambiental.

Moreira (2001) comenta que ao implantar um Sistema de Gestão Ambiental - SGA como forma de gerenciamento das atividades organizacionais, deve-se lembrar que o compromisso passa a ser permanente, pois exige uma mudança definitiva da antiga cultura e

das velhas práticas. Para tanto, é imprescindível a busca da melhoria contínua, princípio fundamental de um SGA.

Contudo, o gerenciamento de um processo, por meio das ferramentas de um SGA possibilita ganhos de produtividade e qualidade, além da satisfação das pessoas envolvidas diretamente no processo, pois esses aprendem que sempre é possível fazer melhor e percebem a evolução da qualidade de seus serviços. Atuar de maneira ambientalmente responsável é ainda, hoje, um diferencial entre empresas, que as destacam no competitivo mercado. Quanto antes as empresas perceberem esta nova realidade maior será a chance de se manterem (ANDRADE et al., 2000).

Barbieri (2004) afirma que a Auditoria Ambiental e a Avaliação do Desempenho Ambiental são dois tipos de instrumentos de gestão ambiental; que permitem à administração avaliar o status da atuação ambiental da organização e, identificar as áreas ou funções que necessitam de melhorias. A Auditoria Ambiental tratada pelas normas ISO 14.000 é uma avaliação periódica para verificar o funcionamento do SGA.

De acordo com a NBR ISO 14004:2004, a gestão ambiental é parte integrante do sistema de gerenciamento global da empresa. O sistema de gestão ambiental (SGA) é dinâmico e interativo. Sua estrutura, as responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e recursos para a implementação dos diversos requisitos, tais como políticas; objetivos e, metas ambientais, podem ser coordenadas com os esforços existentes nos diversos departamentos da empresa. De qualquer forma, é essencial que os responsáveis pela implantação ou aprimoramento de um SGA sejam orientados a:

• Reconhecer que o SGA é uma das mais altas prioridades da organização;

• Estabelecer e manter a comunicação com as partes interessadas internas e externas;

• Determinar os requisitos legais, aspectos e impactos ambientais gerais e aplicáveis; associados às atividades da empresa;

• Desenvolver o comprometimento de todos da organização com a proteção do meio ambiente e estabelecer as responsabilidades de cada um dos envolvidos;

• Estimular o planejamento ambiental ao longo do ciclo de vida do produto ou processo;

• Estabelecer um processo que permita atingir os níveis de desempenho pretendidos;

• Prover recursos de forma apropriada, onde necessário, para atingir os níveis de desempenho pretendidos de forma contínua;

• Avaliar o desempenho ambiental com relação à política, objetivos e metas, buscando aprimoramentos;

• Estabelecer um processo de forma a permitir auditoria e análise crítica do SGA e para identificar oportunidades de melhoria; e

• Estimular prestadores de serviços e fornecedores a estabelecer também um SGA Para Henkels (2002), os princípios chave da gestão de qualidade total refletem em todo SGA, sendo eles:

• O trabalho em equipe do pessoal para identificar e solucionar problemas,

• O compromisso da alta direção,

• O bom fluxo de comunicação e informação na empresa,

• A adoção de um sistema de organização coerente, com o controle e supervisão dos efeitos ambientais.

• A cooperação com clientes e fornecedores e o princípio de que qualidade deve ser um trabalho de todos.

Babakri et al. (2003) avaliaram junto a empresas certificadas com ISO 14001 nos Estados Unidos da América, alguns fatores críticos para o sucesso da implementação da norma. Os autores concluíram que os seguintes fatores requerem maiores esforços por parte das empresas: identificação dos aspectos ambientais, documentação do sistema de gestão,

treinamento, auditoria do sistema de gestão, controle operacional, objetivos e metas e controle de documentos. A pesquisa também revelou o elevado custo da certificação e a falta de outros recursos disponíveis como os maiores obstáculos para a implantação da norma.

Segundo Moura (2000), o ciclo PDCA é considerado a ferramenta mais importante e que poderá resumir toda a implantação do SGA: comprometimento e política; planejamento (P - plan); implantação (D – do); medição e avaliação (C – check); e análise crítica e melhoria (A - action).

A implantação e a operação de um SGA é na realidade a aplicação de conceitos e técnicas de administração, particularizados para assuntos relacionados ao meio ambiente. Por esta razão, várias técnicas são possíveis de serem utilizadas para atingir resultados semelhantes, cabe à direção da organização definir quais são mais importantes e adequadas de acordo com seus objetivos.

Para Huss (1997), na indústria de processamento de pescado, por exemplo, a utilização de água não potável pode ser necessária para economizar água ou desejável por razões de custos. Esta pode ser captada da superfície, água salgada ou água clorada reciclada proveniente do arrefecimento de latas de conservas.

De acordo com o autor, uma água relativamente limpa tal como a água clorada que é usada no arrefecimento das latas poderá ser utilizada para lavar latas depois da cravação e antes do tratamento térmico, para transportar matérias primas antes do processamento (depois da água ter sido arrefecida), para a lavagem inicial de caixas, para o arrefecimento de compressores, para a proteção contra incêndios nos setores em que não se manipulam produtos alimentares e para eliminar desperdícios.

É absolutamente indispensável que a água potável e a não potável circulem em sistemas de distribuição separados que devem estar claramente identificados. Se for usada água potável para complementar um fornecimento de água não potável, a fonte de água potável deve ser protegida contra as fugas, os refluxos, a contrapressão, etc., através, por exemplo, de juntas de ar convenientes.

O autor menciona que os incidentes de refluxos devidos a súbitas diferenças de pressão ou ao bloqueio das canalizações têm ocorrido, infelizmente, em muitos sistemas. As águas potencialmente contaminadas como as águas costeiras ou de superfície não devem ser usadas nas instalações de produção, mas poderão ser usadas, se for esteticamente aceitável, para remover desperdícios nos locais onde não é possível qualquer contacto com produtos alimentares.

Spirelle & Beaumord (2006) ao estudarem os eventos ambientais decorrentes das operações do parque industrial pesqueiro de Itajaí e Navegantes, em Santa Catarina; encontraram como principais impactos: a redução da qualidade da água e do ar, o aumento de descartes orgânicos, o aumento do uso da água e energia; verificando a falta de procedimentos adequados relacionados à saúde, segurança e meio-ambiente nas empresas estudadas.

Sperduti (2003) avaliou os principais impactos ambientais decorrentes da atividade de uma pequena empresa do setor pesqueiro, encontrando como uma das limitações à execução de seu trabalho, a falta de conhecimento do setor empresarial em relação ao ISO 14001 quanto a sua finalidade e importância, dificultando assim a implementação e sustentabilidade do SGA em uma empresa.

Logo, verifica-se a necessidade de uma orientação voltada à gestão ambiental; esperando-se com isso reduzir a poluição da água e do ar, e dos resíduos orgânicos, potencializar os usos da matéria prima e insumos, aumentar o lucro e a produtividade das empresas; bem como, aumentar a satisfação e qualidade de vida dos trabalhadores do setor e da comunidade adjacente a estes empreendimentos. Esperando-se atingir assim uma melhor eficiência do setor e conseqüentemente a qualidade ambiental do território e das pessoas que

direta ou indiretamente estão associadas ao setor pesqueiro (SPIRELLE & BEAUMORD; 2006).

As vísceras, as cabeças, as peles, as carcaças provenientes da indústria de processamento de pescado são uma grande fonte de contaminação ambiental, quer seja pela acumulação do lixo alimentar, quer seja pela poluição produzida no solo, na água ou no ar. Visando a minimização da poluição ambiental e evitar desperdícios, Rodrigues et al. (2004), realizaram curso sobre técnicas de processamento para o aproveitamento total da tilápia, evitando-se desperdícios e minimizando a poluição, cuja experiência foi relatada em seu trabalho intitulado “Aproveitamento integral do pescado com ênfase na higiene, manuseio, cortes salga e defumação”.

Conforme colocado por Côte et al. (2009) ainda existem muitas oportunidades para um uso mais completo, mais eficiente e eficaz dos subprodutos oriundos do processamento do pescado. Fazem-se necessários esforços constantes para a minimização dos desperdícios e a observação da possibilidade em se produzirem itens valiosos tais como óleos, refeições de peixes, e produtos farmacêuticos.

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