CAPÍTILO I CONSIDERAÇÕES CONCEITUAIS SOBRE CLASSE E CONSCIÊNCIA DE
CAPÍTULO 2 O SISTEMA BANCÁRIO E O PROCESSO DE TRABALHO NOS BANCOS
2.4. O Banco do Brasil: elementos de caracterização histórica e do perfil os trabalhadores
2.4.2. Sobre o perfil dos trabalhadores do Banco do Brasil
Para apresentarmos o perfil dos trabalhadores do Banco do Brasil, utilizamos estudo do Laboratório de Sociologia do Trabalho (Lastro), vinculado ao Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), sob coordenação do Prof. Samuel Lima, da Universidade de Brasília (Unb). Tal estudo foi realizado a partir de solicitação da Anabb, em 2014. Os dados revelam como as transformações operadas no processo de trabalho bancário, especialmente a partir dos anos de 1990, afetaram a forma de ser do trabalhador deste banco. A pesquisa possui grau de confiança de 95% e margem de erro inferior a 2%.
Com relação ao perfil sócio-demográfico, a pesquisa revelou que o trabalhador do Banco do Brasil, em 2014, é predominantemente do sexo masculino, de cor branca, com mais de 30 anos, chefe de família, com alto nível de escolaridade e ingressou na empresa após 1997.
Tabela 03 –Sexo
Homens 58,44%
Mulheres 41,56%
Distribuição por Sexo
Fonte: Pesquisa Quem São os funcionários do Banco do Brasil – Anabb. Endereço: http://www.anabb.org.br/pdf/relatorio_da_pesquisa.pdf, consultada em 16/08/2015.
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Embora a quantidade de negros e pardos seja inferior à observada na população brasileira, que segundo o Censo Demográfico do IBGE (IBGE, 2010) é de 50,7%, ela supera a média nacional da categoria bancária, que em 2009 era de 15%, segundo relatório da FEBRABAN (2010). Isso se deve principalmente a forma de recrutamento através de concursos, que possibilita um acesso menos discricionário, em comparação com as instituições privadas.
Tabela 04 – Cor
Fonte: Pesquisa Quem São os funcionários do Banco do Brasil – Anabb. Endereço: http://www.anabb.org.br/pdf/relatorio_da_pesquisa.pdf, consultada em 16/08/2015.
A maior parte dos trabalhadores possui entre 31 e 50 anos, o que de certa forma explica o fato da grande parte ser casada ou viver em união estável, assim como, da maioria ser caracterizada como o principal responsável pelo sustento de família.
Tabela 05 – Faixa Etária
Fonte: Pesquisa Quem São os funcionários do Banco do Brasil – Anabb. Endereço: http://www.anabb.org.br/pdf/relatorio_da_pesquisa.pdf, consultada em 16/08/2015.
Chama a atenção o elevado grau de escolaridade. Mais de 80% dos trabalhadores possuem formação universitária, observando uma tendência da categoria bancária, onde segundo a Febraban (2010), 68,01% possuem ensino superior completo. Também merece destaque a quantidade trabalhadores com pós-graduação, de 45,83%, superior à elevada média da categoria, que segundo a FENABAN (2010), chega a 15,44% dos bancários possuem pós- graduação ou MBA. Este dados nos permitem inferir que a reestruturação bancária ocorrida
Branca 74,55% Preta 3,31% Parda 19,00% Amarela 2,61% Indígena 0,25% Não responderam 0,29%
Distribuição por cor/raça
Entre 18-23 anos 0,98% Entre 24-30 anos 14,71% Entre 31-40 anos 36,15% Entre 41-50 anos 28,59% Entre 51-60 anos 18,50% Acima de 61 anos 1,06%
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nos anos 1990, obrigou os trabalhadores bancários a buscarem uma maior especialização, como forma aumentar os ganhos salariais, cada vez mais vinculados a remuneração variável.
No caso do Banco do Brasil, as mudanças ocorridas na década de 1990, sobretudo no que tange à adoção de uma nova cultura corporativa, levaram a instituição a investir pesado na criação de verdadeiros aparelhos de disseminação ideológica. Neste sentido, destaco iniciativas como a Universidade Corporativa do Banco do Brasil (UniBB19) e os programas de incentivo à especialização, que aliados à políticas de progressão condicionadas por resultados, contribuíram para o mesmo fim: impor a ideologia do capital entre os trabalhadores inseridos na empresa.
Tabela 06 – Escolaridade
Fonte: Pesquisa Quem São os funcionários do Banco do Brasil – Anabb. Endereço: http://www.anabb.org.br/pdf/relatorio_da_pesquisa.pdf, consultada em 16/08/2015.
A tabela 6 indica que a maioria dos trabalhadores do Banco do Brasil, em 2014, conforme apontamos, ingressou na empresa após 1997. Considerando que os concursos só voltaram a ser realizados a partir de 1998, é correto afirmar que esses trabalhadores só se inseriram no banco a partir deste ano, o que significa que hoje a aproximadamente 70% é constituída dos trabalhadores do BB é composta por trabalhadores Pós-98.
Tabela 07 – Tempo de Serviço
19 Segundo o Relatório Anual aos Acionistas do Banco do Brasil de 2010, a UniBB alinha-se à Estratégia Corporativa do Banco do Brasil e contribui para concretizar a visão de futuro e desenvolver suas crenças e valores, consolidando o compromisso com os acionistas, clientes, funcionários e com a sociedade.
Fonte: http://www.bb.com.br/docs/pub/siteEsp/ri/pt/dce/dwn/relatoriobb2010.pdf, acesso em 16/08/2015.
Ensino Médio 2,98% Superior Incompleto 11,32% Superior Completo 36,03% Pós-Graduação 45,83% Mestrado 3,68% Doutorado 0,16%
Distribuição de Funcionários por Escolaridade
Até 1 ano 1,47% Entre 1-3 anos 6,17% Entre 3-6 anos 19,32% Entre 6-10 anos 20,59% Entre 10-16 anos 22,71% Entre 16-20 anos 1,39% Entre 20-30 anos 18,46% Mais de 30 anos 9,89%
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Fonte: Pesquisa Quem São os funcionários do Banco do Brasil – Anabb. Endereço: http://www.anabb.org.br/pdf/relatorio_da_pesquisa.pdf, consultada em 16/08/2015.
Com relação à jornada de trabalho executada, a pesquisa apurou que mais 89% dos trabalhadores trabalham além de 6 horas regulamentadas pela Consolidação das leis trabalhistas (CLT) para a atividade de bancário. Ainda se destaca que as mulheres em média possuem jornadas menores. Provavelmente este dado está relacionado ao fato de que os cargos de gerência, que são de 8 horas, são predominantemente ocupados por homens, ao passo que entre escriturário se assistentes, que são de 6 horas, as mulheres são maioria. As tabelas a seguir, destacam esses dados.
Tabela 08 – Carga Horário e Gênero
Fonte: Pesquisa Quem São os funcionários do Banco do Brasil – Anabb. Endereço: http://www.anabb.org.br/pdf/relatorio_da_pesquisa.pdf, consultada em 16/08/2015.
Tabela 09 – Função
Fonte: Pesquisa Quem São os funcionários do Banco do Brasil – Anabb. Endereço: http://www.anabb.org.br/pdf/relatorio_da_pesquisa.pdf, consultada em 16/08/2015.
Horas Trabalhadas (Média/dia) Mulheres Homens Total
Até 6 horas 13,30% 9,40% 11,03
De 6 a8 horas 46,60% 39,40% 42,36%
De 8 a 12 horas 36,90% 49,70% 45,59%
Mais de 12 horas 0,30% 1,50% 1,02%
Distribuição por Jornada de Trabalho e Gênero
POR FUNÇÃO EXERCIDA NA EMPRESA E POR SEXO (2014) Mulheres Homens Total
Analista Júnior 0,90% 1,80% 1,43% Analista Master 0,20% 0,10% 0,16% Analista Sênior 1,40% 2,60% 2,11% Analista TI B 0,50% 1,20% 0,90% Assessor EU 5,30% 3,20% 4,09% Assistente de Negócio 20,00% 12,80% 15,77%
Assistente Operacional Pleno 2,30% 1% 1,55%
Caixa Executivo 6,60% 6,90% 6,78%
Escriturário 20,30% 12,60% 15,82%
Gerente 3,90% 14,10% 9,89%
Gerente de Divisão 0,70% 1,20% 0,98%
Gerente de Módulos de Serviços 4,40% 6,80% 5,80%
Gerente de Negócios 2,10% 3,10% 2,66%
Gerente de Relacionamento 19,10% 18,70% 18,88%
Gerente Executivo 0,10% 0,20% 0,16%
Supervisor de Atendimento 1,90% 1,00% 1,35%
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Com relação à política de remuneração no Banco do Brasil, a pesquisa mostra que 70% dos trabalhadores recebem entre 1 e 10 salários mínimos. Segundo a Anabb, este dado revela que o emprego no Banco do Brasil já não ostenta mais o status econômico de outrora. Quanto à Participação nos Lucros, aqui entendida como remuneração variável, uma vez que parte dela, chamada de módulo Bônus, é condicionada ao cumprimento de metas individuais e coletivas e cerca de 2/3 dos trabalhadores consideram-na insatisfatória.
Tabela 10 – Renda
Fonte: Pesquisa Quem São os funcionários do Banco do Brasil – Anabb. Endereço: http://www.anabb.org.br/pdf/relatorio_da_pesquisa.pdf, consultada em 16/08/2015.
Tabela 11- Política de Participação nos Lucros
Fonte: Pesquisa Quem São os funcionários do Banco do Brasil – Anabb. Endereço: http://www.anabb.org.br/pdf/relatorio_da_pesquisa.pdf, consultada em 16/08/2015.
Estes dados mostram um retrato nacional dos trabalhadores do Banco do Brasil, com base numa pesquisa de metodologia quantitativa. Considerando que adotamos a metodologia qualitativa em nosso trabalho, acho importante termos um referencial estatístico complementar, para nos subsidiar em nossas análises. Ressalto que, diferentemente de nossa pesquisa, o perfil apresentado acima contempla todos trabalhadores do banco, Pré-98 e Pós- 98. Ainda que o critério para seleção da amostra da nossa pesquisa seja determinado por outras varáveis, conforme prescreve o método qualitativo, procuramos adequar a amostra a esses desses dados. Ditas essas considerações, apresentamos no próximo a pesquisa realizada.
Mais de 1 a 2 SM (de R$ 725,00 a R$ 1.448,00) 0,37% Mais de 2 a 3 SM (de R$ 1.449,00 a R$ 2.172,00) 9,18% Mais de 3 a 4 SM (de R$ 2.173,00 a R$ 2.896,00) 11,96% Mais de 4 a 5 SM (de R$ 2.897,00 a R$ 3.620,00) 13,51% Mais de 5 a 10 SM (de R$ 3.621,00 a R$ 7.240,00) 34,61% Mais de 10 a 20 SM (de R$ 7.241,00 a R$ 14.480,00) 25,80% Mais de 20 SM (acima de R$ 14.481,00) 4,49%
DISTRIBUIÇÃO POR RENDA MENSAL
Totalmente insatisfatória 11,50%
Insatisfatória 16,60%
Pouco satisfatória 37,63%
Satisfatória 32,74%
Muito satisfatória 1,52%
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