O significado simbólico da serpente nos sonhos é algo contro- verso, depende do ponto de vista de quem o interpreta, do método interpretativo, da área do conhecimento do intérprete e da cultura a que pertence o “decifrador”. O fato é que o significado religioso e cultural atribuído a esse animal, permanece no inconsciente coletivo e se manifesta nas artes, na cultura e nos sonhos, relacionando-se de forma incompreensiva pelo sonhador e de forma significativa pelo intérprete com a percepção antiga de sua função e de sua atuação em outros momentos da história humana.
Ótimo presságio nas antigas culturas egípcias, a serpente prome- tia proteção de variada ordem. No Talmud, ela é portadora de riqueza, os babilônicos consideravam-na presságio de nascimento de um filho
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com futuro promissor. Na China, sonhar com serpente significa o nas- cimento de uma criança do sexo feminino. Na Índia, pelo contrário, quem vê em sonhos uma serpente, assiste ao enterro de um filho.
Nos estudos de Artemidoro, a cobra está descrita como anún- cio de enfermidades ou de armadilhas, mas ser picado constitui um presságio muito favorável. Representa o inimigo, por ser venenosa e dissimulada, mas também significa fecundidade feminina, mui- tos filhos, riquezas e abundância. Sonhar com uma cobra pode ser interpretado como o encontro com uma mulher amorosa, rica, bela, sedutora e astuta. O episódio onírico que sugere a presença da pessoa com quem o sonhador mantém uma relação amorosa e esta esconde uma serpente no peito, significa, a seu tempo, que a mesma será sedu- zida pelo rival do sonhador; se a personagem em questão demonstra medo significa que irá em breve adoecer; se a serpente desliza contra o seu ventre indicia uma gravidez mal sucedidae se existe deleite eró- tico revela infidelidade.
O imaginário da serpente está recheado de medo, pavor, ódio, morte, vingança. Tais aspectos influenciam a interpretação dos sonhos, nos quais ela atua como mensageira de inimizades, ingrati- dão e de ruína. Apenas, alguns intérpretes, fiéis às antigas tradições, reconhecem o aspecto benigno da serpente: promessa de riqueza, inocência, sabedoria, energia espiritual, desejos sexuais, paixões avas- saladoras, perigo, ameaças exteriores, desconfiança dos hipócritas que existem no círculo de amizade.
Assim, é comum ler-se que uma serpente que se move deslizando ameaça prisão e sedução; o movimento contorcionista adverte para o ódio, enfermidade e inimizade. Vê-la mudar a pele assegura novas energias, matá-la ou comê-la certifica a vitória sobre os inimigos, mas também separação de amigos. Segui-la constitui um convite ao sonhador a acreditar nas suas próprias intuições. Encontrá-la ines- peradamente sob algum tipo de esconderijo alerta para relações vindouras pouco gratificantes; na cama, pressagia, para o homem, um relacionamento amoroso extremamente negativo. Ser mordido no pé indica desgosto e tristeza, mas se o réptil não é bem sucedido, torna-se
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sinal de inveja. Se ela é multicéfala denota a urgência de cumprir com as tarefas da vida, predizendo sedução e traição.
A interpretação psicanalítica, relacionada com a imagem onírica da cobra, reconhece uma veia de conflitos ativos entre a consciência e o inconsciente. A serpente representa a libido, a energia sexual e rege- neradora, ameaçadoramente incontrolada. Ser mordido, equivale, assim, ao perigo de ser devorado pelos requisitos do Id. O sonhador teme a cobra porque simboliza tudo o que está escondido e seduzido pelo Id. É com base na falsa regra imposta pela moral, que identifica o perigo com o sexo, que a serpente é encarada como a personificação do mal, da calúnia e do coito e se transforma, então, na sugestão da sua própria forma, o equivalente onírico do pênis ou da vagina.
Carl Gustav Jung acreditava que as cobras significam uma repre- sentação da morte, tal compreensão levou à ideia de desequilíbrio sexual de quem sonha, o que tem ensejado à maioria dos intérpretes, ler o significado de impotência sexual. O fato é que a mudança de pele das serpentes leva ao entendimento de que elas sugerem mudança de vida do sonhador.
SPARTOI
Homens nascidos dos dentes do dragão morto por Cadmo (v.), no local em que viria a existir a cidade de Tebas e semeados pelo mesmo Cadmo em obediência a Atena ou a Ares. Os spartoi (que significa “homens semeados”) surgiram do solo com armas, lutaram uns contra os outros e somente cinco escaparam à morte. Cadmo acolheu os que escaparam e construiu, com sua ajuda, a cidade de Tebas, chamada Cadméia.
SUGAAR
Na crença basca, é um espírito masculino em forma de serpente que vive sob o chão, mas pode também atravessar os céus como uma foice de fogo. Em certa região ele é visto como o espírito Maju (v.); em outra, como o diabo.
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SUSANOWO
Deus japonês dos ventos e senhor do oceano. Conta-se que ele sur- giu do nariz de Izanagi. Em sua função de deus do trovão é associado a cobrase dragões.
Tifon – serpente-dragão da mitologia grega
Com seu vestido ondeante e nacarado, Mesmo quando caminha, vai como quem dança, Como as grandes serpentes que um jogral sagrado
Com a ponta do bastão em cadência balança.
Charles Baudelaire
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Antiga deusa egípcia que surgiu de Atum e do deus do ar Su. Representa a umidade, mas acabou por ser vista como uma consubs- tanciação da ordem do mundo. Su e Tefnut eram identificados com o par de leões Runti reverenciados em Leontópolis. No mito egípcio, essa deusa pode representar o olho solar; o olho solar pode também ser simbolizado pela serpente uraeus (v.). Tefnut, às vezes, figura como a serpente na testa de todos os deuses.
TIAMAT
Na mitologia sumero-babilônica, Tiamat é uma deusa serpente marinha. No Enuma Elish, é descrita com cauda, coxas, órgãos sexuais, abdômen, tórax, pescoço e cabeça, olhos, narinas, boca, lábios, cora- ção, artérias e sangue. De acordo com a etimologia semita, no mito fragmentado Astarte e o Tributo do Mar, há uma menção a Ta-yam-t, como sendo uma serpente (Ta- Tan) marítima (Yam). Se tal etimo- logia estiver correta, pode explicar a conexão entre Tiamat e Lotan, (Leviatã [v.]).
O Enuma Elish descreve que, inicialmente, quando o mundo cul- tuava a sacralidade feminina com suas várias faces, Tiamat foi adorada como a mãe dos elementos, responsável pela criação de tudo o que existe, os deuses eram seus filhos, netos e bisnetos. Ela deu cria a dra- gões e serpentes, incluindo uma grande lista de monstros humanos, escorpiões e sereias.