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Títulos e palavras-chaves

No documento PORTCOM (páginas 94-104)

Considerando a amplitude da ementa do GT Jorna- lismo Impresso11 percebe-se que as dezenas de trabalhos

produzidos nos últimos anos têm efetivamente uma gama variada de possibilidades temáticas e/ou metodo- lógicas. O levantamento apresentado a seguir tem por base os títulos e as palavras-chave dos artigos aprova- dos no GT. A partir disso, buscou-se identificar os temas mais frequentes, bem como definir as metodologias em- pregadas e os veículos analisados, quando havia pesqui- sa empírica – o que correspondeu a mais de 80% do total dos trabalhos.

Expressões como ‘crise’, ‘sobrevivência’, ‘alternativas’, ‘reinvenção’, ‘desafios’, ‘tem que morrer para germinar’ ou mesmo ‘fim do jornalismo impresso’ estiveram pre- sentes em mais de uma dezena de artigos nestes cinco anos. Como já foi discutido na primeira parte deste tex- 11. O jornalismo impresso em suas diversificadas dimensões:

jornais (diários, semanários etc); revistas e jornais mu- rais. Epistemologia, teoria e ensino do jornalismo impres- so. História da imprensa. Linguagem verbal e gráfica das publicações. Os desafios de sobrevivência dos veículos impressos e suas transformações na contemporaneidade. [...] As possibilidades de convergência com o jornalismo on-line, as experiências dos jornais gratuitos ou de bai- xíssimo custo, a opção pelo jornalismo interpretativo, a segmentação e a especialização. (http://www.portalinter- com.org.br/dts-sp-1415349476/100-dts/dts-gps/334-dt1- -jornalismo-impresso)

to, a questão tem mobilizado as atenções não apenas das empresas jornalísticas e dos profissionais das redações; também a comunidade acadêmica tenta compreender e projetar as condições de permanência dos impressos.

Estes estudos, muitos de caráter ensaístico, estão sempre ligados ao debate das transformações vivencia- das pela imprensa nas últimas décadas e particularmen- te aceleradas com a popularização da internet. A pala- vra-chave jornalismo na web ou jornalismo na internet figurou em nove trabalhos; a expressão novas tecnologias esteve presente em sete e convergência midiática em seis, enquanto redação integrada apareceu duas vezes. No rol de palavras-chaves ligadas às recentes inovações do jornalismo foram encontradas ainda: transmídia, multi- mídia, comunicação multimodal, comunicação em rede, hipertexto, blogs, QR Code.

Um conjunto de trabalhos apresentados ao GT que mantém proximidade com a discussão das novas prá- ticas jornalísticas volta-se para a atual configuração do mundo do trabalho dos profissionais. As palavras-chave modernização, trabalho informal, perfil profissional, roti- nas produtivas e sindicato exemplificam as pesquisas que procuraram olhar para o trabalhador/jornalista inserido nesta nova realidade do mercado. Estas expressões apa- receram duas vezes no período pesquisado, enquanto as palavras-chave concentração midiática e fatores econômi- cos estiveram presentes em um artigo cada.

Surpreendentemente, a maior parte dos termos cons- tantes do jargão típico das redações jornalísticas – como notícia, pauta, fato, acontecimento, apuração e entrevista

– figuraram apenas uma vez nas palavras-chaves dos artigos aceitos pelo GT. A exceção ficou por conta da expressão reportagem, citada como palavra-chave em cinco trabalhos.

Em relação aos termos ligados à prática profissional - como ética, objetividade, sensacionalismo, espetaculari- zação, segmentação, autoimagem e crítica de mídia - eles figuraram, igualmente, no máximo duas vezes nas pala- vras-chaves dos textos aprovados.

Já as expressões afeitas às teorias do jornalismo têm presença mais constante. Angulação e/ou enquadramen- to, por exemplo, figuram em seis artigos; valores-notícia e produção de sentido em três trabalhos cada, fundamen- tos do jornalismo e noticiabilidade em dois.

Palavras-chaves que envolvem conceitos advindos de outras disciplinas, sobretudo das ciências da comunica- ção, também foram encontradas: identidade (com seis registros), indústria cultural, campos sociais, dispositivo, midiatização, temporalidade, imaginário. Estes elemen- tos evidenciam o caráter por vezes multidisciplinar das pesquisas em jornalismo, que levam seus autores a mo- bilizar aportes teóricos variados.

Como se verá adiante, a metodologia mais frequente- mente citada como palavra-chave dos artigos é a análise de discurso. Possivelmente em razão disso, os termos vin- culados ao texto e sua avaliação foram bastante encon- trados como palavras-chave: discurso esteve presente em dez papers; o mesmo número de representação; linguagem apareceu oito vezes; autoria três, enunciação duas vezes; enquanto ficção e léxico constaram de um artigo cada.

Próximo da questão do discurso se encontra narra- tiva e/ou narratologia, termos presentes como palavras- -chave em treze artigos aceitos no GT Jornalismo Im- presso. Já a expressão jornalismo literário figurou em quatro trabalhos - um dos quais ao lado da palavra-cha- ve livro-reportagem, apontado na pesquisa como exem- plo de jornalismo literário.

Outras formas de jornalismo também apareceram com frequência na condição de palavras-chave: jorna- lismo popular, sete vezes (e jornais populares, três); jor- nalismo cultural, quatro; jornalismo comunitário e/ou cidadão também quatro vezes; jornalismo internacional, três (com registro de pesquisas envolvendo coberturas de temáticas brasileiras em jornais estrangeiros ou even- tos internacionais em jornais brasileiros); jornalismo infantil duas vezes, assim como jornalismo econômico. Evidentemente, todas estas palavras-chaves conduzem ao foco das pesquisas apresentadas nos papers.

Vários autores de textos selecionados pelo GT no período pesquisado preferiram optar pela expressão imprensa complementada pela segmentação respecti- va. Assim, imprensa gratuita, imprensa alternativa, im- prensa negra (ou relações raciais) foram palavras-chave citadas. O segmento de imprensa feminina foi o mais representativo, conforme já visto em relação aos títulos de revistas femininas, Quase uma dezena de artigos ti- nha como palavras-chave mulher, imprensa feminina ou feminismo.

Embora a palavra-chave jornalismo político tenha sido registrada apenas meia dúzia de vezes, as temáticas po-

líticas e suas coberturas pelos veículos impressos foram as mais presentes nos cinco anos de funcionamento do GT: acima de duas dezenas de artigos versaram sobre campanhas políticas, relações entre jornalismo e política, coronelismo, mensalão. A eleição da presidenta Dilma Rousseff em 2010 figurou entre os episódios mais pes- quisados, mas foram aceitos também trabalhos envol- vendo a eleição de Barack Obama, nos Estados Unidos.

Ao lado dos assuntos políticos, vários outros temas tiveram suas coberturas avaliadas em pesquisas apre- sentadas ao GT. A palavra-chave memória, por exemplo, constou de quatro artigos demonstrando o interesse em análises de episódios passados. Fatos históricos como a revolta de Canudos (presente em três trabalhos), ou aspectos da ditadura militar (também figurando como palavra-chave de três papers) se complementaram com expressões como transição democrática, autoritarismo e liberdade de expressão – palavras-chave presentes em um artigo cada.

A temática do abuso sexual infanto-juvenil, apresen- tada por diferentes veículos de informação jornalística, foi objeto de três pesquisas, enquanto aspectos de saúde e noticiários envolvendo o MST apareceram em dois tra- balhos. Outros temas cujas coberturas foram avaliadas e que constaram como palavras-chave: jovens, pessoas em situação de rua, favela, futebol, unidades de polícia paci- ficadora, terceira idade, manifestações de junho de 2013, professores, criminalidade, violência, turismo.

Alguns autores ícones do jornalismo brasileiro figu- raram como palavras-chave em artigos: Clarice Lispec-

tor e Eliane Brum apareceram em dois textos e Euclides da Cunha e Nelson Rodrigues em um artigo cada.

Em relação às metodologias, como já citado, a pala- vra-chave análise de discurso foi a mais presente, com dezoito registros, enquanto análise de conteúdo apareceu quatro vezes e análise qualitativa, uma. Os estudos de recepção, embora não tenham figurado como palavra- -chave, fazem parte dos interesses dos pesquisadores. Assim é que sete trabalhos ostentavam as palavras lei- tores ou público leitor, e outros quatro indicam contrato de leitura.

Finalmente, perto de duas dezenas de artigos apro- vados pelo GT entre 2009 e 2013 tratavam de aspectos visuais do jornalismo impresso. Diagramação ou design gráfico apareceram como palavras-chave em oito textos; primeira página em cinco; imagem em quatro; fotojorna- lismo e infografia em duas. Outros registros neste seg- mento foram: cor, legibilidade, técnicas de edição, charge, planejamento gráfico e um artigo que usou como pala- vra-chave jornal mural, dedicando-se à análise de um veículo de imprensa comunitária.

Referências

Várias centenas de autores foram citados nos 139 artigos selecionados pelo GT Jornalismo Impresso da Intercom nos últimos cinco anos. Embora o referen- cial bibliográfico, como seria esperado, guarde relação

com os objetos de estudo, as metodologias e os focos das pesquisas, foi possível identificar alguns autores cuja presença é mais frequente. No quadro abaixo estão os nomes citados mais de uma dezena de vezes nos papers.

Autor Número decitações

TRAQUINA, Nelson 51 CHARAUDEAU, Patrick 26 HALL, Stuart 23 WOLF, Mauro 21 MAINGUENEAU, Dominique 20 ORLANDI, Eni 18 BOURDIEU, Pierre 17 LAGE, Nilson 16 SODRÉ, Muniz 16

MELO, José Marques 14

VERÓN, Eliseo 14 MEDINA, Cremilda 12 MORAES, Dênis 12 CASTELLS, Manuel 12 THOMPSON, John B 12 JENKINS, Henry 10

SOUSA, Jorge Pedro de 10

O professor português Nelson Traquina recebeu o maior número de citações e as referências envolvem quatro obras: os dois volumes da Teoria do Jornalismo editados pela Insular (Porque as notícias são como são e A tribo jornalística), O estudo do jornalismo no Século XX, publicado pela Unisinos, e Jornalismo: questões, te- orias e estórias, uma edição portuguesa de 1999. Na lista dos mais citados consta também o italiano Mauro Wolf, com a peculiaridade de que todas as referências são do volume Teorias da Comunicação, que tem diversas edi- ções em português.

Confirmando a metodologia de análise de discurso como uma das mais adotadas nas pesquisas apresenta- das ao GT, os autores Patrick Charaudeau, Dominique Maingueneau e Eni Orlandi integram a lista dos mais citados, tendo referenciadas variadas obras. O mesmo acontece com Stuart Hall e Pierre Bourdieu, ambos autores não exatamente ligados à comunicação ou ao jornalismo, mas que operam conceitos bastante traba- lhados nas pesquisas de impressos, como identidade e campo social.

Entre os autores brasileiros mais vinculados ao jor- nalismo apareceram como bastante citados Nilson Lage, Muniz Sodré, José Marques de Melo, Cremilda Medina. Dênis de Moraes figura na lista sobretudo em função de trabalhos por ele organizados, reunindo textos de varia- dos outros pensadores. Também com uma variada gama de textos aparece o pesquisador português Jorge Pedro de Sousa, em especial com textos sobre teorias do jorna- lismo e do fotojornalismo, enquanto a brasileira Márcia

Amaral é referência nos papers focados no jornalismo popular.

A inclusão de nomes como Eliseu Verón, J.B. Thomp- son, Manoel Castells e Henry Jenkins entre os mais citados evidencia, em particular nos dois últimos casos, a preo- cupação dos pesquisadores do jornalismo impresso com as mudanças operadas pelo advento das novas tecnologias de comunicação e de informação nas práticas jornalísticas.

A análise, mesmo que superficial, da extensa lista de referências bibliográficas dos trabalhos aceitos pelo GT demonstrou uma outra peculiaridade: cerca de 50 arti- gos apresentados em eventos da Intercom foram refe- renciados pelos pesquisadores do Jornalismo Impresso no período pesquisado. Isto evidencia, de maneira ine- quívoca, a importância da entidade e de seus congressos para fortalecer a propagação e a troca de conhecimentos entre os estudiosos da comunicação – neste caso especí- fico, do jornalismo impresso. Isso certamente propicia a ampliação da capacidade de compreensão dos fenôme- nos sociais e pode gerar contribuições para a melhoria da sociedade e de seus membros.

Referências

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In: Hipertexto e gêneros digitais

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Capítulo 4

Mapeamento dos trabalhos do

No documento PORTCOM (páginas 94-104)