COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E ASPECTOS DA
TABELA 22 EXTENSÃO EM PLANTA DE TRANSCETOS NO SEGMENTO NORDESTE DA ILHA DO CARDOSO –ITACURUÇA – PARA OS ANOS DE 2009 E
Transecto Ano de 2009 (metros) Ano de 2013 (metros) Variação (metros) Condições morfodi- nâmicas predomi- nantes I 374 360 14 Barra J 380 340 40 Barra L 385 319 63 Barra M 457 382 75 Barra N 495 425 79 Barra O 467 404 63 Barra
Fonte: o autor (2015) a partir de imagens do Word View (2015)
associa-se ao transecto N - mais proximal ao segmento norte da figura. As menores magnitu- des de variação por seu turno associam-se aos transectos I e J - 40 e 14 metros respectivamen- te - que são os mais próximos ao sul e ao Esporão dentre os contidos na figura 18.
Os valores obtidos referentes a magnitude de mudanças na linha de costa para este segmento nordeste da Ilha mostram-se especialmente notáveis quando os comparamos com os dados anteriormente apresentados para o Cordão de Ararapira, e seu segmento mais estreito.
Vemos que a magnitude das variações registradas num intervalo de apenas 4 anos do nordste da Ilha superam ou se aproximam de superar praticamente a totalidade das magnitu- des registradas em quaisquer intervalos registrados ao longo de todo o período histórico de mais de 50 anos ligadas ao Cordão de Ararapira. Referente ao segmento mais estreito do Cor- dão de Ararapira e sua série histórica de extensões em planta reunida entre 1962 e 2012 (Ta- bela 20), quaisquer que sejam os intervalos escolhidos para comparação com as maiores osci- lações registradas no segmento nordeste para o citado intervalo entre 2009 e 2013 (Tabelas 21 e 22) chega-se a resultado similar. A magnitude das variações da linha de costa para tão redu- zido intervalo temporal no segmento nordeste supera a registrada em quaisquer intervalos possíveis de serem escolhidos - dentre os elencados neste trabalho - no transecto da Enseada da Baleia.
Cabe por fim também tecer comentários e registros sobre possibilidade da ação an- trópica precipitar a sensível dinâmica de erosão e sedimentação registrada nas margens ilía- das. Recentes relatos e registros fotográficos de moradores da comunidade da Enseada da Ba- leia apontam podem ajudar a ilustrar a discussão. Eles apontam atracação de embarcação de grande porte, um navio Catamarã, na comunidade imediatamente antes de se iniciarem os pro- cessos erosivos que teriam modificado a citada linha de contato entre terras emersas e laguna no princípio de 2015. Com fim de discutir tais afirmações, foram realizadas atividade de campo na comunidade entre os dias 26 e 30 de Março de 2015 objetivando levantamento es- quemático visando destacar os limites entre as terras emersas da comunidade com o Canal de Ararapira. Foram empregadas uma trena para medições de distância, uma bússola Brunton para medições de ángulos e aparelhos de GPS para tomadas de posições.
Durante os trabalhos de campo verificou-se em trecho concentrado evidentes sinais de intensa atividade erosiva recente, incluindo a observação de ravina que se propagava cerca de dez metros da linha de contato com Canal em direção a comunidade (ver figura 19). Com base nos dados levantados foi elaborado figura esquemática representando os traços gerais das fei- ções em questão. Em seguida foi feito com base em imagens do sistema de imagens aéreas do World Imaginary e imagens advindas do Google Earth uma figura esquemática equivalente para Janeiro de 2015. Para fins de melhor apresentação gráfica, os dados advindos dos levan- tamentos realizados foram sobrepostos as imagens advindas do Google Earth para elaboração da figura esquemática referente a Março de 2015. A comparação entre os dois esquemas en- contra-se na Figura 19.
Ao compararmos os produtos cartográficos esquemáticos observamos uma significati- va perda de terras emersas, em favor da ampliação de áreas recobertas pelas águas do canal. Esta ampliação encontra-se concentrada em trecho restrito.
Cerca de 20 metros do contato entre as terras emersas com o Canal de Ararapira foram seccionados em intensidades diversas.
Em alinhamentos perpendiculares a linha de contato registrada em Janeiro onde o re- cuo foi mais pronunciado, verifica-se que cerca de 15 metros de terras emersas deram lugar as águas do Canal de Ararapira.
Se considerarmos neste cálculo a ravina presente em Março de 2015 e ausente em Ja- neiro (representada em tons laranjas na figura referente a Março) os efeitos diretos da erosão podem superar um alinhamentos de 20 metros a partir do antigo limite do canal.
Convém realizar breve comparação das observações e registros efetuados com estudos e laudos disponíveis referentes a erosão costeira na Enseada da Baleia e proximidades.
Monitoramentos já citados e comentados como os efetuados por Ângulo et al. (2007) encontraram nos trechos sob ação erosiva mais intensa do Cordão de Ararapira valores de ero- são anuais próximos a 2,3 metros de recuo da linha de contato entre Cordão e Canal.
Podemos citar também que a geóloga Souza (2012) realizou o já citado laudo para o ministério público referente a erosão na Enseada da Baleia.
A geóloga em seu laudo apontou valores não superiores a poucos metros anuais para retrogradação das terras emersas, referentes aos segmentos proximais a Enseada onde erosão se manifestava de maneira mais proeminente.
Constata-se, portanto, que a magnitude da erosão registrada no inicio de 2015 na Ense- ada da Baleia mostra-se como extremamente átipica quando comparada aos estudos realizados anteriormente referentes as dinâmicas físico-ambientais do contexto da Enseada.
A já citada geóloga Souza em relatório técnico redigido no presente ano reforça caráter não usual do episódio erosivo ocorrido entre Janeiro e Março de 2015. No mesmo documento Souza (2015) recomenda a elaboração de regulamentação para trafego de embarcações
Figura 19 – Composição com esquema e fotos ilustrando efeitos de episódios erosivos do princípio de 2015. Fonte: adaptado de World Imaginary (2015) e fotos de Tatiana Cardoso (2015)