Corporeidade e negritude
2.3 TEORIA DAS MOTIVAÇÕES
O ser humano, segundo diversos autores, não sobreviveria em sociedade se não existisse algo que o impulsionasse a seguir em frente em todos os aspectos da sua vida, desde o seu despertar até o seu adormecer, sendo este o foco central da Teoria das Motivações.
Para Bzuneck (2001), todas as pessoas presentes no planeta são dotadas de particularidades que as tornam capazes de desenvolver distintas habilidades, conhecimentos e esforços para realizar o que desejar. No entanto, apenas a motivação pessoal do indivíduo o faz mudar o percurso de uma situação para que a mesma se torne favorável ao seu alvo de aspiração.
Vale ressaltar que, segundo autores como Harter (1981), Deci et al. (1991) e Ryan & Deci (2000), a motivação “é a força que emerge, regula e sustenta as ações de cada indivíduo; ela é um processo complexo que influencia o início de uma atividade e a sua manutenção com persistência e vigor ao longo do tempo”.
Na própria definição da palavra “motivação”, é possível observar o conceito que envolve a teoria da motivação. Derivada do latim, motivação é oriunda de “movere” que significa “tudo aquilo que pode fazer mover”, sendo este o conceito geral da Teoria das Motivações, a qual compreende a motivação pessoal e individual como
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uma articulação entre experiências pessoais e anseios construídos a partir da cultura e de práticas sociais mais amplas (BERNARDINO et al., 2018).
Por essa teoria, a motivação apresenta dois eixos: o das Motivações Intrínsecas e o eixo das Motivações Extrínsecas. As Motivações Intrínsecas são definidas pela tendência natural do ser humano de buscar novos desafios para saciar a sua curiosidade em relação ao seu redor. No geral, as Motivações Intrínsecas estão relacionadas com a satisfação pessoal através de determinada ação.
Por outro lado, as Motivações Extrínsecas estão diretamente ligadas aos ganhos externos existentes ao realizar uma determinada ação, sendo estes ganhos oriundos de forma material ou social para a vida do indivíduo (BERNARDINO et al., 2018).
A separação entre motivos internos (subjetivos) e externos (objetivos) é um recurso teórico e analítico, pois no cotidiano das relações, os indivíduos agem motivados pela confluência desses dois polos. Contudo, a separação permite compreender melhor a motivação para se buscar novas demandas formativas, como no caso da aprendizagem de Libras por ouvintes.
3. METODOLOGIA
O estudo se configura como uma pesquisa exploratória, de abordagem mista. Neste trabalho, foram adotadas a definição de pesquisa exploratória, proposta por Cervo, Bervian e Da Silva (2007), que a definem como uma pesquisa que deseja descobrir quais e como funcionam as relações que existem entre as partes que compõem uma determinada situação; e a definição de métodos mistos, proposta por Johnson e Onwuebuzie (2004), que os definem como “a classe de pesquisa em que o pesquisador mistura ou combina técnicas, métodos, abordagens, conceitos ou linguagens de pesquisa quantitativa e
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qualitativa em um único estudo” (JOHNSON; ONWUEBUZIE, 2004, pág. 17).
A pesquisa utilizou um banco de dados secundários, coletado pelo GEPLISES, no caso, os formulários digitais preenchidos pelos inscritos para a seleção do curso de Libras, anos de 2016 e 2017. A partir do banco de dados fornecido e da amostra escolhida para o estudo, separou-se todas as respostas dadas pelas mulheres inscritas na seleção de 2016 e 2017
Os dados quantitativos foram tratados com técnicas de estatística descritiva. Os qualitativos foram categorizados, em vários turnos, e analisados em segmentação temática que, segundo Braun e Clarke (2006), é um método qualitativo focado em identificar, minimizar, analisar e relatar padrões repetitivos dentro dos dados.
Nesse processo, as respostas qualitativas foram lidas e relidas diversas vezes, passando por exploração em nuvens de palavras, seleção de palavras-chave comumente encontradas em grande parcela das respostas das inscritas e, por fim, definição e nomeação da categoria temática. Ao final, foram organizadas 8 categorias para estudo, detalhadas no quadro 02.
MOTIVAÇÃO CATEGORIA DEFINIÇÃO
INTRÍNSECAS
Ter familiares
ou amigos Respostas acerca da necessidade em aprender Libras para comunicação com familiares.
Comunicar e ajudar
Respostas acerca da preocupação solidária e/ou humanitária com a intenção de ajudar ou atender da melhor forma as pessoas que necessitam da Libras para comunicação e convivência.
Curiosidade e vontade de
aprender
Respostas acerca das inscritas que demonstraram realizar o curso de Libras por acharem interessante, por sentirem o curso como uma maneira de inovação em suas vidas, ou por curiosidade em descobrir como funciona o desenvolvimento desta língua
EXTRÍNSECAS
Profissional Respostas acerca dos interesses na preparação para o ambiente de trabalho e/ou atuação profissional.
Interesses linguísticos e
culturais
Respostas acerca da intenção em conhecer uma nova forma de comunicação e aprimorar seus conhecimentos linguísticos e sobre a cultura surda.
Acadêmica
Respostas acerca da necessidade em aprender Libras para complementar estudos iniciados na licenciatura ou como uma forma de completar a carga horária obrigatória de atividades independentes na graduação.
CUNHA(Org). Pesquisas em Educação e diversidade: Inclusão e direito à diferença. 2022 Aprofundamento
e Revisão
Respostas acerca das inscritas que afirmam já possuir curso de Libras em seus currículos e mesmo assim optaram por realizar o curso novamente.
INDEFINIDO Outros
Respostas que não se enquadram em nenhuma das outras categorias ou acabaram não dando uma resposta objetiva à pergunta realizada na ficha de inscrição.
Quadro 02 – Apresentação das categorias criadas para a organização das respostas das inscritas.
Fonte: (SANTOS; CUNHA, 2021).
Após a formação dessas 8 categorias, foram excluídas as respostas enquadradas no grupo indefinido, categoria “outros”, por não apresentarem informações relevantes à pesquisa, ficando 7 categorias, sendo três vinculadas as motivações intrínsecas e 4 as extrínsecas
Na apresentação dos resultados qualitativos são fornecidos trechos das respostas, sendo identificado o ano e o número do questionário, de onde foi retirada a frase. Para os dados quantitativos, optou-se pela apresentação dos valores percentuais e utilização de gráficos de barras.