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3.2 – Tipologias de estudos de impacte económico do turismo

Verificou-se no capítulo anterior que o turismo é essencialmente um conceito do lado da procura, uma vez que são os visitantes que, ao adquirirem bens e serviços no destino irão, delimitar o conjunto de indústrias características e conexas desta actividade.

A procura turística, tal como foi definida no capítulo anterior, inclui: (i) o consumo turístico individual; (ii) a formação bruta de capital fixo turístico e (iii) o consumo colectivo turístico. Perante esta abordagem

é possível realizar estudos de impacte económico que incorporem todas as componentes da procura turística ou, pelo contrário, realizar estudos que apenas incorporam uma dessas componentes. Apesar de o primeiro tipo de estudos ser o que permite quantificar a verdadeira dimensão económica da actividade turística num determinado destino, a dificuldade existente em quantificar todas as componentes da procura turística tem originado que seja o segundo tipo de estudos o que tem sido realizado com maior frequência.

Em relação aos estudos que apenas avaliam o impacte económico de uma das componentes da procura turística, observa-se, com base na revisão da literatura, que as componentes que têm merecido maior atenção são a formação bruta de capital fixo turístico e o consumo turístico individual.

Em relação ao impacte da formação bruta de capital fixo turístico, os estudos que têm sido realizados com maior frequência visam avaliar as implicações económicas para os destinos de projectos de desenvolvimento turístico, como por exemplo: projectos de desenvolvimento integrado de várias infra- estruturas recreativas, culturais ou desportivas e projectos referentes à construção ou remodelação de unidades de alojamento turístico ou de restauração. O planeamento destes projectos de desenvolvimento

turístico deverá ter sempre integrado um estudo de avaliação dos potenciais impactes para esse destino. Na realização deste tipo de estudos de impacte económico é utilizada, com frequência, a análise custo-benefício. É exemplo deste tipo de estudos, o realizado por Felsenstein e Freeman (1998), com o objectivo de simular os impactes de um casino hipotético na cidade de Eilat, em Israel.

Relativamente aos estudos de impacte económico que avaliam os efeitos do consumo turístico individual, a revisão da literatura permite concluir que a maioria dos estudos visa avaliar os efeitos para o destino das despesas realizadas pelos ou a favor dos visitantes que se deslocam a esse destino, quer por motivos de lazer, visita de familiares e amigos, negócios, saúde, entre outros. Estas despesas são a peça fundamental deste tipo de estudos de impacte económico e a sua avaliação permitirá identificar não apenas as actividades económicas onde essas despesas são realizadas como também todos os benefícios que de forma directa, indirecta e induzida estas despesas proporcionam para a economia dos destinos.

Embora se considere relevante a avaliação dos dois tipos de estudos de impacte económico do turismo, uma vez que eles estão directamente relacionados, nesta dissertação apenas serão objecto de análise os

impactes económicos relacionados com as despesas turísticas. No entanto, ao longo deste trabalho

estará sempre presente a relação existente entre eles, uma vez que o aumento das despesas turísticas numa determinada região é causa e consequência da implementação de projectos de desenvolvimento turístico. Em termos de tipos de economias em análise os estudos de impacte económico do turismo podem ser categorizados em:

- estudos de impacte nas economias nacionais; - estudos de impacte nas economias regionais e locais;

- estudos de impacte para as economias nacionais e regionais em simultâneo.

Segundo Mathieson e Wall (1990) os primeiros estudos que foram realizados sobre a avaliação dos impactes económicos do turismo Ogilve´s (1933) Alexander (1953) e Waugh (1962) não avaliaram a globalidade dos efeitos económicos que esta actividade poderá provocar nas áreas de destino. Mais tarde começaram a ser realizados vários estudos que procuravam quantificar os efeitos económicos do turismo, principalmente os benefícios, para as economias nacionais, como por exemplo Liu et al. (1984), Lee e Kwon (1995), Hansen e Jensen (1996), Lee e Kwon (1997), Pearce (1999) e para determinadas ilhas, como, por exemplo, os realizados por Archer (1995), Bicak e Altinary (1996), Archer e Fletcher (1996) e

Norayan (2004).

Como resultado da crescente importância do turismo, verificou-se um acréscimo considerável no número de estudos que visa a avaliação dos efeitos económicos do turismo tanto a nível regional como local.

Dos vários estudos de avaliação do impacte económico do turismo a nível regional, salientam-se os seguintes: Johnson et al, (1989); Fresenmair et al. (1989); Bergstrom et al, (1990); Fleischer e Freeman (1997); Wagner (1997); Leones et al. (1998); Manente (1999), e Erikson e Ahmt (1999). A nível local dos

vários estudos que têm sido realizados referem-se a título exemplificativo os desenvolvidos por: Garrison (1974); Lichty e Steines (1982); Liu e Var (1983);Uysal et al. (1992); Braun (1992); West e Gamage (1997) e Wood (2005).

Recentemente, têm sido desenvolvidos estudos que visam a avaliação em simultâneo dos efeitos económicos do turismo para as economias nacionais e para as diferentes regiões que constituem essas economias; são exemplos os estudos realizados por Freeman e Sultan (1997), nos quais se procura avaliar a contribuição do turismo para a economia de Israel e a sua distribuição espacial; e por Manente (2000), onde foi avaliado o impacte económico do turismo para a Itália e para as suas regiões.

Embora nesta dissertação apenas se procure contabilizar os benefícios económicos do turismo relacionados com as despesas turísticas para as regiões de destino, considera-se que os estudos de avaliação do impacte económico do turismo a nível regional devem contemplar tanto os benefícios como os custos económicos associados ao desenvolvimento desta actividade. Só assim é possível verificar qual é o prato da balança que tem maior peso e qual a sua dimensão; por este motivo apresenta-se na secção seguinte uma descrição sumária dos potenciais benefícios e custos do turismo para as economias das regiões de destino.

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