Classificação quanto à natureza dos: índices técnico-
Casos principais objectos económicos bens critérios técnico- -económicos (variáveis a maximizar) A. serviços física a. produtos não le nhosos 1. volume — acréscimo
médio anual absoluta (rv) B. bens
1. técnica 2. volume — categoria de aproveita
mento tecnológica (rrp) 1. preço mercantil <ru> 2. rendimento
b. produção 2. juro nulo bruto mista (rR)
lenhosa 3. rendimento
líquido renda florestal (Tp)
1. rendimento do
3. financeira capital-terra renda do solo <rs> 2. lucro lucro <rL> 3. taxa de juro taxa florestal
efectiva (r.J)
É principalmente entre os autores latinos, onde se verifica uma tendência para a consideração de muitos tipos de explorabilidade, que se encontram as maiores discrepâncias terminológicas. Bom exemplo, é a classificação de explorabilidade económica. Aparece, por exemplo,
em Schaeffer [1960:118], aplicada à explorabilidade relativa ao ren
dimento bruto ou mista, embora confundida esta com a explorabili dade relativa à renda florestal. Aparece também com esta última acepção em Patrone [1944:161]. Mas é, mais frequentemente, apli
ficação de social, ao caso dos objectivos de «maior quantidade possí vel de madeira tendo a máxima utilidade, em relação aos empregos para que pode servir», como diz Pardé [1930:66]; uma obra ameri cana, segue o mesmo critério — Chapman e Meyer [1947:247]. O mo tivo fundamental desta atribuição encontra-se já exposto em Huffel
[1907:296] que escreveu: «O tipo de explorabilidade que visa os pro dutos mais úteis é também habitualmente aquele que corresponde à maior renda». A variada aplicação do termo, chega a incluir a explo rabilidade absoluta, como é o caso de M. Almeida [1936:73] que, por outro lado designa precisamente social ou intermédia, a explorabili dade económico-social.
A explorabilidade que incluímos sob a designação de tecnológica aparece, como se disse, habitualmente, classificada como técnica. En- contra-se em Mackay [1944:168], no entanto, aquela designação. A orientação englobante que leva a considerar como explorabilidades técnicas, todos os casos em que existe um critério de natureza técnica a determinar os fins da produção de material lenhoso, incluindo por tanto além da tecnológica a absoluta e mesmo a «económico-social» pode encontrar-se em obras recentes como as de Meyer et dl. [1961:66] e Patrone [1960:34].
A explorabilidade da máxima produção lenhosa por unidade de tempo, é, por outro lado, quase unânimemente designada por abso
luta, nos autores franceses, desde Lorentz e Parade [1867:179]. Nos autores anglo-saxónicos aparece normalmente em correspondência com as designações de «rotation for the highc-st volume yield» ou «maximum mean annual yield». A classificação de fisiocrática, surge em autores franceses e italianos. Uma excepção é, por exemplo, a da Mackay que aplicou a designação renta absoluta à explorabilidade relativa à renda florestai, incluindo a explorabilidade absoluta sim plesmente como a da «renta en especie».
As designações de explorabilidade mista e mercantil — S. Hall
[1945] —são também apresentadas nos mesmos termos, por exemplo, em Perona [1896:52]. Os autores anglo-saxónicos referem a primeira sob a expressão classificativa de «gross yield».
Duas outras frequentes sobreposições terminológicas, referem-se às atribuições dos termos florestal e financeira. Assim, o primeiro aparece, umas vezes, aplicado à explorabilidade da renda florestal, como por exemplo em S. Hall [1945:125], e, sob a designação expressa de turno boschivo, em Perona [1896:52]; outras vezes, apli cado à explorabilidade absoluta, como em M. Almeida [1936:73].
A designação de financeira, tem sido, muito geralmente, mas em especial nos autores anglo-saxónicos, atribuída com exclusividade à explorabilidade relativa à taxa de juro florestal —é a financial
yield de Hiley [1930:131] e Chapman e Meyer [1947:176] — quando não aparece simplesmente referida como a «rotation for the highest rate of interest», como é o caso da tradução inglesa do livro de Petrini [1953:113]. Igualmente, nos autores francesas a exploitabilité financière é, dum modo geral —Guinier et ál. [1947:325] — a da máxima taux de placement. Por outro lado, consideram sob a designa ção de financeira, quer a explorabilidade relativa à taxa efectiva quer a relativa à renda do solo, autores como Mackay [1944] e S. Hall
[1945:122]. Patrone [1944:155] [1962:69], estabelece uma distin ção: para a renda do solo, é o turno finanziário para a taxa efectiva é o turno del reddito finanziario. Raramente, mas acontece com M. Almeida [1936:77] e Davies [1954:236], aparece incluída como fi nanceira a explorabilidade relativa à renda florestal.
Os autores franceses têm utilizado a expressão explorabilidade
comercial, já referida por Puton [1888:178], umas vezes para de signar os dois tipos de explorabilidade financeira, como é o caso de Pardé que se refere a dois métodos, o da rente foncière e o da taux
de placement [1930:75], mas mais frequentemente apenas para o caso
da renda do solo — Schaeffer [1960:124].
1.3.3.5. O problema do planeamento da empresa florestal, em particular, e precisamente, o problema da explorabilidade, pôs-se pela primeira vez perante os sintomas de escassez da produção lenhosa, o que conduziu, numa época de dominância das doutrinas mercanti- listas, à criação de concepções favoráveis à defesa dum objectivo de máxima produção lenhosa. Tais concepções de máxima produção, ini cialmente surgiram em termos de máxima produção em volume, para mais tarde, assumirem a expressão de máximo valor bruto dessa produção.
Durante os séculos XVI e XVII —Thomson [1942] — dominou,
assim, a doutrina da «gross yield». E até meados do século XIX con tinuaram os diversos autores a ignorar os custos de produção, embora a concepção da máxima produção lenhosa se transformasse na da máxima produção lenhosa por unidade de tempo, surgindo aí a con cepção da explorabilidade absoluta ou fisiocrática. Só mais tarde, com Faustmann e Pressler, uma verdadeira concepção económica, sob o ponto de vista da empresa, acorre a basear o problema de definição
da explorabilidade. É a chamada «teoria da renda do solo», fundada na maximização do valor do solo ou da renda do solo, que faz a sua entrada na ciência florestal e, com ela, posteriormente, o grupo das explorabilidades financeiras. Simultaneamente, é o aparecimento do espírito económico-privado na exploração das matas. Daí, como o re fere também Thomson [1942:28], que tenha partido essencialmente dos forest administrators e silviculturists, uma reacção contra esta concepção, porque viam nela, em resultado do encurtamento das re voluções que determinava, o perigo de desfalque do capital lenhoso dos países. Dessa reacção, por fins do século XDC e estendendo-se adentro do nosso século, surge a doutrina da renda florestal, onde em bora considerando-se as despesas efectivas de produção, se desprezava o recurso ao juro composto e a sua aplicação ao conjunto dos encargos dos capitais investidos, estimulando-se o alongamento das revoluções.
Um dos argumentos em defesa desta concepção e da própria de signação de florestal, residia no facto de que nas matas ordenadas, objectivo de toda a técnica florestal, originando rendimentos anuais não havia motivo para a consideração do juro composto. Como é evi dente, correspondia tal concepção a admitir a empresa isolada no seio duma economia, onde não houvesse oportunidades alternativas de aplicação dos capitais investidos na exploração. Hoje, deve conside- rar-se posição teórica indefensável, embora durante muitas dezenas de anos, em oposição à teoria da renda do solo, tivesse sido motivo de célebres discussões entre os autores florestais.
O PROCESSO DE PRODUÇÃO LENHOSA