1 INTRODUÇÃO
2.6 INOVAÇÃO
2.6.1 Tipos de Inovação e o Grau de Novidade
O processo de inovar é dinâmico e tem de ser capaz de lidar com mudanças organizacionais que poderiam tanto ser evolutivas quanto revolucionárias (ZAIRI, 1995). Se as organizações podem gerenciar as mudanças para se tornarem inovadoras, então devem ter um ambiente que promova a inovação (ORANGE et al., 2007). Pacharn e Zhang (2006) propõem dois tipos de inovação: inovação organizacional e inovação tecnológica. De fato, os investigadores, tais como Desouza, Awazu e Ramaprasad (2007) sugerem que as duas formas de inovação existem em um ambiente corporativo. Além disso, alguns estudiosos classificam inovação em três categorias (HO, 2011). Por exemplo, Johne (1998) sugere que a inovação é composta por: inovação de mercado, inovação de produto e inovação da administração. Da mesma forma, Popadiuk e Choo (2006) classificam em: inovação tecnológica, inovação de
mercado e inovação administrativa. Além disso, Lundvall (1992) define inovação em quatro classificações: novos produtos, novas técnicas, novas formas de organização, e novos mercados. Da mesma maneira, Subramaniam (2005) classifica em: inovação organizacional, o clima de inovação, inovação de equipe e inovação individual.
Ante o exposto, a inovação se manifesta em vários tipos, tais como: inovação de produto (um bem ou serviço novo ou significativamente melhorado), inovação de processo (um processo de produção novo ou significativamente melhorado, método de distribuição ou de atividade de apoio), inovação de marketing, inovação administrativa e também a inovação organizacional e a inovação comportamental (SHAHIN; ZEINALI, 2010).
Neste sentido, temos a taxonomia, sugerida por Schumpeter (1934): em primeiro lugar, diferenciar os tipos de inovação com base no objeto da mudança, como pode-se observar no Quadro 15, ou seja, inovação de produto, inovação de processo, inovação de
marketing e inovação organizacional (OSLO, 2005). Em segundo lugar, pode-se tentar fazer a
diferença entre as inovações com base em sua "novidade", ou seja, com base na extensão da mudança (VARIS; LITTUNEN, 2010), ou seja, inovação incremental e inovação radical (SCHUMPETER, 1982).
Quadro 15 – Tipos de Inovação
(continua)
Tipos de Inovação Definições Autores
Produto A inovação de produto consiste em uma exploração bem sucedida de novas ideias.
Alegre, Lapiedra e Chiva (2006) A inovação de produto lida com a escolha
de novos produtos e seu desenvolvimento.
Johne (1996) A inovação de produto pode ser vista como
qualquer bem, serviço ou ideia que é percebido como novo por uma pessoa.
Grunert et al. (1997)
A inovação de produto é a introdução de um bem ou serviço novo ou significativamente melhorado no que concerne a suas características ou usos previstos. Incluem-se melhoramentos significativos em especificações técnicas, componentes e materiais, softwares incorporados, facilidade de uso ou outras características funcionais.
(conclusão)
Tipos de Inovação Definições Autores
Processo A inovação de processo lida com o número de mudanças nos processos e disposição pioneira para introduzir novos processos e de resposta rápida para a introdução de novos processos dos concorrentes.
Jimenez, Valle e Hernandez- Espallardo (2008)
A inovação de processo é sobre como melhorar as capacidades internas.
Johne (1996) A inovação de processo inclui a adaptação
das linhas de produção existentes, bem como a instalação de uma infraestrutura totalmente nova e a implementação de novas tecnologias.
Avermaete et al.(2003)
A inovação de processo é a implementação de um método de produção ou distribuição novo ou significativamente melhorado. Incluem-se mudanças significativas em técnicas, equipamentos e/ou softwares.
OSLO (2005)
Marketing A inovação de marketing é definida como a exploração de novos mercados territoriais e a penetração de novos segmentos de mercado dentro dos mercados existentes.
Avermaete et al.(2003)
A inovação de marketing está preocupada com a melhoria do mix do mercado-alvo e como os mercados escolhidos serão melhores servidos. Sua finalidade é identificar os melhores mercados potenciais e as melhores formas para servir o mercado- alvo.
Johne (1996)
A inovação de marketing é a implementação de um novo método de marketing com mudanças significativas na concepção do produto ou em sua embalagem, no posicionamento do produto, em sua promoção ou na fixação de preços.
OSLO (2005)
Organizacional A inovação organizacional lida com mudanças no marketing, compras e vendas, administração, gestão e política de pessoal.
Clarysse et al. (1998)
A inovação organizacional inclui novas formas de gestão, como a gestão da qualidade total e inovação administrativa, que são partes de inovação organizacional.
Shahin e Zeinali (2010)
A inovação organizacional inclui cinco dimensões: a criatividade, a tomada de riscos, abertura à mudança, orientação para o futuro, e pró-atividade.
Vigoda-Gadot et al. (2005)
A inovação organizacional é a implementação de um novo método organizacional nas práticas de negócios da empresa, na organização do seu local de trabalho ou em suas relações externas.
OSLO (2005)
Fonte: A autora
Portanto, os quatro tipos de inovação que foram utilizados nesta tese são os classificados pelo Manual de Oslo (2005): produto, processo, marketing e organizacional são apresentados tanto no Quadro 15 quanto na Figura 7. A inovação é muitas vezes o resultado
de mudanças simultâneas em diferentes domínios, e as setas entre as caixas no diagrama indicam a possibilidade de tal interação (AVERMAETE et al., 2003).
Figura 7 – Tipos de inovação
Fonte: Avermaete et al. (2003, p. 10)
Por conseguinte, na literatura existente, quase todas as definições e medidas de inovações radicais e incrementais são limitadas a novos produtos e a mudanças nas tecnologias (BODLAJ, 2011). Sendo assim, uma das tipologias mais difundidas foi proposta por Schumpeter (1934) em dois níveis: radical e incremental. Para o autor, as inovações radicais são aquelas que provocam grandes mudanças no mundo, enquanto as inovações incrementais promovem o processo de mudança continuamente. Chandy e Tellis (1998) acreditam que as inovações radicais envolvem mudanças fundamentais na tecnologia para a empresa e fornecem substancialmente maiores benefícios para o cliente, em relação aos produtos existentes, enquanto que inovações incrementais são melhorias do produto e extensões de linha, que envolvem mudanças relativamente pequenas em tecnologia e oferecem poucas vantagens para o cliente. Entretanto, alguns autores afirmam que o impacto cumulativo das inovações incrementais é tão grande quanto o impacto de uma inovação radical, ou até maior (FAGERBERG, 2005), mas estudos empíricos sugerem que as inovações radicais são mais diretas e positivamente relacionadas ao novo sucesso do produto
Inovação de Produto Bem Serviço Ideia Inovação Organizacional Marketing Compras e vendas Administração Gestão Política de pessoal Inovação de Processo Tecnologia Infraestrutura Inovação de Marketing Exploração de novos mercados territoriais
Penetração de novos segmentos de mercado
(por exemplo, SONG; MONTOYA-WEISS, 1998; HENARD; SZYMANSKI, 2001; BAKER; SINKULA 2007) e para o desempenho do negócio (VAZQUEZ; SANTOS; ALVAREZ, 2001; SANDVIK; SANDVIK, 2003; SORESCU; SPANJOL, 2008). Portanto, em geral, inovações radicais têm maior valor para as empresas do que as inovações incrementais (BAKER; SINKULA 2007).
Para Garcia e Calantone (2002) não há dúvida de que nem todas as inovações são a mesma coisa. Inovações incrementais referem pequenas alterações e modificações em produtos e tecnologias, enquanto que inovações radicais representam grandes partidas de capacidades existentes na empresa e constituem a base para completamente novos produtos e serviços (GARCIA; CALANTONE, 2002). Assim, elas são frequentemente classificadas em tipologias como um meio de identificar as suas características inovadoras ou grau de inovação. Outras variantes de classificações foram identificadas no estudo de Garcia e Calantone (2002) e estão sumarizadas no Quadro 16. Observa-se que os estudiosos identificaram um contínuo entre incremental e radical, que pode ser traduzido em tipologias de dois, três ou “n” níveis, dependendo do objetivo do estudo.
Quadro 16 – Tipologias de Inovação segundo o Grau de Novidade
(continua)
2 Tipos de Inovação Autores
Radical, Incremental Schumpeter (1934); Stobaugh (1988); Freeman (1994); Lee e Na (1994); Atuahene-Gina (1995); Balachandra e Friar (1997); Kessler e Chakrabarti (1999)
Sustentação, Ruptura Christensen (1997); Christensen e Overdort (2000) Autônomas, Sistêmicas Cheesbrough e Teece (1996)
Descontínua, Contínua Anderson e Tushman (1990); Robertson (1967)
Realmente novo, Incremental Schimidt e Cantalone (1998); Song e Montoya-Weiss (1998)
Instrumental, Final Grossman (1970)
Variações, Reorientações Normann (1971)
Verdadeira, Adoção Maidique e Zirger (1984) Original, Reformulada Yonn e Lilien (1985) Inovação, Re-inovação Rothwell e Gardiner (1988)
Radical, Rotina Meyers e Tucker (1989)
Evolucionária, Revolucionária Utterback (1996) Ruptura, Incremental Rice et al. (1998)
3 Tipos de Inovação Autores
Baixa, Moderada, Alta novidade Kleinshmidt 3 e Cooper (1991) Incremental, Nova geração
Radicalmente novo
(conclusão)
4 Tipos de Inovação Autores
Incremental, Modular Arquitetura, Radical
Henderson e Clark (1990) Criação de nicho, Arquitetura,
Regular Revolucionária Abernathy e Clark (1985) Incremental, Mercadologicamente evolucionária, Tecnologicamente evolucionária, Radical Moriarty e Kosnik (1990) Incremental, Ruptura de mercado, Ruptura tecnológica, Radical Chandy e Tellis (2000) Incremental, Arquitetura Fusão, Ruptura Tidd (1995)
5 Tipos de Inovação Autores
Sistemático, Principal, Menor, Incremental, Sem registro
Freeman (1994)
8 Tipos de Inovação Autores
Reformulado, Novas partes Remerchandising, Novas melhorias, Novos produtos
Novo usuário, Novo mercado, Novos consumidores
Johnson e Jones (1957)
Fonte: Garcia e Calantone (2002, p. 117)
O desempenho da inovação radical refere-se a benefícios financeiros obtidos a partir de uma inovação que incorpora uma tecnologia substancialmente diferente e nova, satisfazendo as necessidades dos clientes emergentes, ao passo que o desempenho da inovação incremental refere-se a benefícios financeiros obtidos a partir de uma inovação que envolve mudanças tecnológicas menores e os benefícios dos clientes relativamente incrementais (ATUAHENE-GIMA, 2005). Por fim, com base no estudo de Garcia e Calantone (2002), nesta tese também foi utilizada a classificação de inovação incremental e inovação radical de Schumpeter (1934) com base nos tipos de inovação de produto, inovação de processo, inovação organizacional e inovação de marketing (OSLO, 2005).