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Já o documento R46 é o discurso que uma educadora do MLP apresentou em um congresso no Chile, no qual descreve o projeto “O que conta minha história?”

TERCEIRA ETAPA

5.2. Os tipos de visitas

O museu fazia vários tipos de agendamentos, mas a divisão básica era entre “visitas com educador” (no começo, chamadas de “monitorias”) e visitas sem educador (no caso, grupos que vinham em excursão e viam o museu somente com os professores ou com agentes de turismo).

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De acordo com depoimentos de educadores que vivenciaram o primeiro ano do museu (Entrevistas E01 e E06), foi a partir de reivindicações da equipe que o agendamento para as visitas com educador passou a exigir condições de organização: horários fixos, 20 pessoas por educador e a presença de, no mínimo, um adulto responsável em cada grupo. Essas referências que norteavam as visitas agendadas também se aplicam a outros tipos de visitas que comentaremos a seguir.

5.2.1. As visitas agendadas com educador – (com os “grupos”)

Essas visitas agendadas – a maioria delas com estudantes que “foram trazidos pela escola ao museu” – tinham duração de 1h a 1h30min e os educadores precisavam fazer o “fechamento” de seu trabalho com tempo hábil para o ingresso do grupo no auditório (passando antes pelo banheiro e pelo bebedouro, principalmente no caso de grupos de crianças ou vindos de longe).

Tabela 17 – Horário das visitas agendadas “com educador” Horário de

início

Expectativa de fechamento da atividade do educador

Sessão no 3º andar

(Às vezes, os primeiros grupos do dia começavam pela sessão das 10h15).

10h 11h30 11h45

12h 13h 13h15

14h 15h15 15h30

16h 16h55 17h

* Na última terça-feira de cada mês, havia atendimento à noite (de 2008 a 2012)

19h 19h55 20h

20h 20h55 21h

5.2.2. As visitas ao prédio da Estação da Luz (com o público espontâneo)

Como o funcionamento do museu era de terça a domingo, das 10h às 18h, havia uma escala mensal de trabalho aos finais de semana (com um número reduzido de educadores para garantir a todos o direito trabalhista de pelo menos um descanso dominical por mês). Como aos sábados a entrada era gratuita, o fluxo de público muito intenso tornava inviável o atendimento a grupos agendados com educador.

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Com o tempo, já no primeiro ano do museu, os educadores tiveram a iniciativa de oferecer aos sábados, domingos e feriados uma visita mais voltada para a sensibilização sobre o Patrimônio Histórico e Cultural preservado na materialidade do edifício da Estação da Luz. Era iniciada na portaria 1, geralmente seguindo pela área externa (às vezes indo até o Parque da Luz do outro lado da rua). Eram observados detalhes arquitetônicos, em seus aspectos históricos, sociais e culturais, como as diversas origens (no caso da importação dos materiais) e outros símbolos do poder econômico do café. Assuntos como as causas misteriosas do incêndio que destruiu a Ala Leste em 1942 e a própria diversidade de pessoas que hoje fazem uso da ferrovia compunham os roteiros. Depois, os visitantes entravam “pelos bastidores do museu” (portaria 3, na Ala Oeste, acesso restrito a funcionários) e conheciam a área restaurada (onde ficavam as salas da administração) que não havia sido atingida pelo incêndio. Geralmente, os educadores faziam uma conexão entre a história do prédio e a história da língua portuguesa e concluíam a visita apresentando o Corredor do Restauro (ou outro local) e uma brevíssima introdução ao 2º andar do museu.

A relação com o público nesta visita era totalmente diferente, pois os interessados se inscreviam 15 minutos antes. Geralmente eram adultos vindos de diversas partes do Brasil que estavam se encontrando ali, no mesmo grupo, por acaso, e tinham interesses e disponibilidades de tempo também distintos. Por esses e outros motivos, a visita ao prédio costumava ter um outro ritmo e não raramente havia saídas e entradas de novos participantes que “pegavam carona” no decorrer do percurso (como vimos na entrevista E06).

Tabela 18 – Horários das visitas ao prédio da Estação da Luz (com público espontâneo)

Sábados, domingos e feriados Às 12h e às 14h

*Como foi comentado em uma das entrevistas (Entrevista E10), apenas excepcionalmente havia visitas desse tipo com escolas (planejadas em virtude de alguma parceria específica). Em geral, esse era um atendimento voltado ao público espontâneo.

Após 2010 começaram ser oferecidas visitas especiais, com oficinas e outras experiências no prédio.

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5.2.3. As visitas comentadas ao acervo (com o público espontâneo)

Por causa da relação entre as demandas e o número de educadores, demorou um pouco para que se conseguisse consolidar os horários de visitas comentadas ao acervo. Em 2007, por exemplo, houve uma tentativa, mas até por resistência interna (por motivos diversos), elas aconteciam apenas eventualmente, no formato de “visitas temáticas” em ocasiões especiais.

Depois de 2012, com a reorganização da carga horária, que propiciou momentos de reuniões coletivas na intersecção entre os turnos da manhã e da tarde, as escalas passaram a fixar horários para atendimento ao público espontâneo com jogos (de curtíssima duração) no espaço expositivo e visitas comentadas que eram iniciadas na portaria 1, geralmente com um “combinado” sobre as áreas do museu a serem visitadas em cerca de 50 minutos. Esse recorte era bastante variável, e o educador tinha total autonomia para oferecer suas opções ao grupo.

Tabela 19 – Horários das visitas comentadas ao acervo (com público espontâneo)

* Sábados, domingos e feriados *Às 14h e às 16h

*Desde 2012, embora não fosse divulgado oficialmente (devido às demandas do público agendado), mesmo durante a semana, havendo disponibilidade de educador, essas visitas eram oferecidas nesse horário.

5.2.4. Encaixes preferenciais e outras visitas não agendadas (idosos, pessoas com deficiência, estrangeiros, “VIPs”)

Havia casos de visitas que nem sempre eram agendadas, mas também diferiam da dinâmica do público espontâneo (que tinha um horário fixo e inscrições 15 minutos antes). Caso acontecesse, por exemplo, de chegar uma pessoa com deficiência e solicitasse educador na bilheteria, procurava-se garantir este atendimento imediatamente, pois geralmente só o educador poderia tornar aquela experiência “acessível”, uma vez que o museu pecava por inúmeras pendências no quesito acessibilidade. Muitas vezes, a falta de condições para o atendimento em Libras impossibilitou este acesso – tanto que os desafios sobre a acessibilidade foram tópicos recorrentes nos documentos (R37, R135, R160, R185, R216b, R234, R246, R351, R560, entre outros) e depoimentos coletados (Entrevistas E05, E29, E20, E32, E33). Quando um grupo com pessoas com deficiência avisava antecipadamente sua vinda ao museu, havia um cuidadoso trabalho de identificação das

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possibilidades de aproveitamento para a construção de um roteiro mais confortável para o visitante, mas, infelizmente, nem sempre esse aviso acontecia.

Um outro tipo de atendimento que era totalmente diverso e de difícil classificação foi apelidado de “VIPs36” pelos educadores, por não haver uma agenda fixa e muitas vezes

exigir uma organização institucional diferente (encaixe, interrupção do fluxo de público em um determinado espaço, autorizações especiais para filmagem etc.). Tratava-se de visitas de autoridades, celebridades, programas de TV, entrevistas, situações em que o educador assumia uma função de “apoio” e, em alguns casos, era quase um “apresentador institucional” ou um “observador” para evitar riscos de distorções acerca do conteúdo. Esses casos também geravam situações novas, pois podia ser uma oportunidade de refletir sobre perspectivas inusitadas sobre o tema língua portuguesa, colocando-se inclusive na posição de educando ou passando por situações em que o sentido educativo do encontro se esvaia totalmente. Isso também desencadeava discussões internas e reflexões (Entrevista E12).

No caso da chegada de visitantes estrangeiros (mesmo sem agendamento), havia um esforço (e para alguns, até uma “pressão”) para que um educador bilíngue pudesse pelo menos dar as orientações básicas imediatamente. Isso muitas vezes foi motivo de discussão, pois na prática, os educadores bilíngues acabavam sendo mais requisitados, e havia quem relatasse dificuldades para a organização pessoal dos tempos de descanso e estudo. Para equilibrar a distribuição desses atendimentos “emergenciais” um supervisor/assistente de coordenação mantinha o controle mensal de número e tipos de visitas por educador.