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Transferência do Acervo para o Museu do Mamulengo

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7. INAUGURAÇÃO E REGULAMENTAÇÃO DO MUSEU DO MAMULENGO

7.3. Transferência do Acervo para o Museu do Mamulengo

No arquivo da FUNDAJ encontramos documentos referentes a empréstimos de peças do acervo pela Fundação para serem utilizadas nas exposições do Museu do Mamulengo entre os anos de 1994 a 1998.

O primeiro é um termo de responsabilidade no qual Fernando Augusto Gonçalves solicita, em dezembro de 1994, o empréstimo de 180 bonecos discriminados numa lista através do número de tombo para a inauguração do Museu. O empréstimo teria validade de um mês, no intervalo do dia 13/12/1994 até o dia o dia 13/01/1995.

O pedido de empréstimo pode ser visto como um processo burocrático entre os órgãos envolvidos. Entretanto, com a iminente inauguração do Museu do Mamulengo, o acervo, em posse temporária da Fundação Joaquim Nabuco, deveria ter sido transferido para o Museu e não cedido por empréstimo.

O segundo documento faz alusão a renovação do primeiro empréstimo. Solicitado no dia 18 de abril de 1995, após três meses da expiração do prazo de vigência. Quem realizou o pedido foi o então Prefeito da Cidade de Olinda, Germano Coelho, através do Ofício nº 233/95-GP encaminhado a Antônio Carlos Duarte Montenegro, diretor do Museu do Homem do Nordeste. No ofício Germano Coelho solicita a renovação de empréstimo do lote cedido até a assinatura do termo de comodato de todo o Acervo Fernando Gonçalves Santos - Mamulengo Só-Riso.

Na mesma data, Germano Coelho encaminhou o Ofício nº234/95-GP solicitando o empréstimo de 22 peças a fim de completar a exposição do Museu do Mamulengo. O motivo do pedido era justificado pela participação do museu na campanha “Visite essa emoção” patrocinada pela Rede Globo em âmbito nacional.

Por meio da documentação verificamos uma série de pedidos de empréstimos entre os dias 18, 19 e 27 do mês de abril. Pedidos feitos pela Diretora do Museu, Isolda Pedrosa, pelo Prefeito de Olinda, Germano Coelho e por Fernando Augusto o que demonstra a interação entre a Prefeitura da cidade e o Mamulengo Só-Riso na gestão do museu.

Esses pedidos resultaram numa consulta interna por parte da FUNDAJ, em especial, entre os setores da Coordenação de Museologia e do Museu do Homem do Nordeste. No documento “Comunicação interna” datado em 13 de junho de 1995 consta que o MUHNE tem o registro de um total de 885 peças da coleção Fernando Augusto Gonçalves – Mamulengo Só-Riso. Consta na documentação que tinham sido repassadas ao Museu do Mamulengo, via empréstimo, um conjunto de 272 objetos.

No dia 09 de novembro de 1998, Isolda Pedrosa solicita um novo empréstimo à FUNDAJ, por meio do Ofício nº076/98 MET, com o intuito de criar uma exposição para o período natalino, intitulada “Natal no Museu do Mamulengo” uma visão religiosa e profana do ciclo natalino. Neste pedido é requerido o empréstimo de 6 bonecos.

Analisando a quantidade de empréstimos realizados, seja pela diretoria do Museu do Mamulengo ou pelo Prefeito da Cidade de Olinda é perceptível que o termo de comodato não foi cumprido no prazo estabelecido entre as partes. O acordo firmado previa a transferência do acervo após a inauguração do Espaço Tiridá.

Uma das hipóteses que levantamos para o não cumprimento do acordo pode estar relacionada com a não execução das obras no anexo do imóvel nº 59. Desse modo, não haveria espaço para acomodar todo o acervo nas dependências do Museu do Mamulengo.

Ao consultar o arquivo do Museu do Mamulengo identificamos a existência de um cadastro de parte do acervo. Finalizado no ano de 2014, este cadastro foi dividido em três volumes.

As fichas de inscrição são compostas pelo nome da peça, fotografia do objeto, estado de conservação do mesmo, peso, função da personagem no espetáculo, material de que é feito, além do número de tombo da Fundação Joaquim Nabuco e do próprio Museu. Abaixo segue uma tabela tendo como referência os dados do catálogo do Museu.

Tabela 5. Discriminação das peças referentes aos catálogos do Museu do Mamulengo. Fonte:

Museu do Mamulengo, 2016.

Coleção do Mestre Estado de origem Número de peças Ano(s) do tombamento das peças pelo Museu do

Mamulengo

Anônimos Séc. XIX X 06 1996

Antônio Biló Pombos - PE 16 1996-97, 2002 e 2014

Antônio Pequeno Rio Grande do Norte - RN

Autor não identificado X 36 1996-97 e 2014

Bate-Queixo Recife - PE 76 1996-97-98, 2002 e 2014

Boca-Rica Fortaleza - CE 08 1997-98 e 2014

João Galego Carpina - PE 05 2014

João Nazário Pombos - PE 14 1996-97-98 e 2014

José Justino Recife - PE 20 1996-97 e 2014

Luiz da Serra Vitória de Santo Antão - PE

123 1996-97-98, 2002 e 2014

Mané Pacarú São Caetano - PE 23 1997 e 2014

Manoel Amendoim Aliança - PE 21 1997 e 2014

Manoel Marcelino Vitória de Santo Antão - PE

72 1996-97 e 2014

Maximiano Dantas Caruaru - PE 57 1996-97-98 e 2014

Neilton Guedes Pitimbu – PB 10 2014

Pedro Rosa Lagoa do Carro - PE 86 1996-97-98-2002 e 2014

Samuel Feira Nova Caruaru - PE 08 1996-97-98 e 2014

Saúba Carpina - PE 33 1996-97, 2012 e 2014

Seu Baixa Carpina 22 1997 e 2014

Severino Bilú Pombos - PE 10 1996-97 e 2014

Solón Carpina - PE 62 1996-97-98-99, 2012 e

2014

Tonho Pombos - PE 40 1996-97, 2002 e 2014

Zé da Burra Taquaritinga do Norte – PE

51 2014

Zé de Vina Glória do Goitá – PE Não identificado Não identificado

Zé Lopes Glória do Goitá - PE 08 1997, 2002 e 2014

TOTAL 820

Por meio da análise desta tabela verificamos um total de 820 peças tombadas pelo Museu do Mamulengo até o ano de 2014. Quanto o local de origem das coleções, percebemos a predominância de Mestres oriundos da Zona da Mata e do Agreste pernambucano. Comparando as tabelas, identificamos a aquisição de peças do Mestre Zé de Vina, totalizando 26 coleções.

Sobre o número de coleções reunidas pelo grupo Mamulengo Só-Riso, vale destacar a doação dos bonecos confeccionados pelo Mestre Salustiano em julho de 2007 realizada pelos familiares do artista. Obtivemos o conhecimento deste fato através da matéria intitulada “Acervo de Salú ganha vida nova no Museu do Mamulengo” do Diario de Pernambuco veiculada no dia 30 de setembro de 2008. Na matéria não é mencionada o número exato de peças doadas, mas uma estimativa superior a vinte bonecos que passaram por um processo de restauração. A coleção passaria a ser exposta no museu em uma sala dedicada ao reportagem ao Mestre Salú, falecido no mês de agosto de 2008.

Por outro lado, observamos que as coleções do Mestre Ginu, doadas pelo artista Antônio Carlos de Nóbrega no ano de 1984, assim como a coleção dos bonecos de Mestre Salu não constam nos livros analisados, apesar desta última compor a exposição.

A cronologia dos anos referentes ao tombo das peças realizado no Museu do Mamulengo demonstra o lento fluxo de saída do acervo salvaguardado pela Fundação Joaquim Nabuco para as dependências do Espaço Tiridá. A documentação nos aponta que até o ano de 2003 o acervo em sua totalidade não havia sido repassado para o Museu do Mamulengo, como consta o Ofício nº 46/2003 – MET datado de 29 de outubro de 2003.

Neste documento, Tereza da Costa Rêgo, então diretora do Museu do Mamulengo, busca informações sobre o repasse de parte do acervo em posse da FUNDAJ.

Segundo é de vosso conhecimento o acervo de bonecos cedidos ao Museu do Mamulengo/Centro de Documentação Espaço Tiridá que foi adquirido de Fernando Augusto Gonçalves dos Santos, está separado em duas partes. A primeira parte veio para o Museu e a segunda ficou sob a guarda desta instituição, pois, o nosso espaço físico estava muito reduzido no momento.

Fizemos o cadastro dos bonecos cuja cópia encaminhamos a essa Fundação Nabuco e gostaríamos de receber o restante para realizar o mesmo trabalho e acondiciona-los corretamente.

Gostaríamos de receber maiores informações de como fazer a transferência do acervo de forma legal. (MUSEU DO MAMULENGO, 2003).

Como lemos a hipótese levantada para o não cumprimento do acordo referente a transferência do acervo para o Museu do Mamulengo foi confirmada. A falta de espaço para acondicionar corretamente os bonecos, ocasionada pela não requalificação do anexo, foi a razão que inviabilizou a transferência total do acervo. Não encontramos documentos referentes ao andamento da transferência da segunda parte. Por meio da análise tabela 5, verificamos que algumas coleções ou parte delas foram repassadas ao Museu do Mamulengo nos anos de 2012 e 2014. De acordo com informações obtidas junto aos funcionários da instituição, apenas no ano de 2015 houve a transferência integral do acervo para o Museu do Mamulengo.

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