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4.2. METODOLOGIA

4.2.1. Tratamento e caracterização dos excipientes

4.2.1.1. Purificação e caracterização da quitosana

A amostra de quitosana foi previamente submetida a purificação para remoção de sólidos insolúveis em ácido. A metodologia empregada (dos SANTOS et al., 2009) foi ilustrada na Figura 9. Em seguida o polímero foi caracterizado quanto ao grau de desacetilação (GD) e massa molecular viscosimétrica.

Figura 9. Esquema de purificação da quitosana.

Fonte: Autoria própria.

O grau de desacetilação foi determinado por potenciometria (CZECHOWSKA- BISKUP et al., 2012). Uma massa de 0,2 g de quitosana foi dissolvida em 20 mL de solução aquosa de ácido clorídrico 0,1 mol.L-1 e 25 mL de água destilada, agitando-

se por 30 minutos até total dissolução. Em seguida adicionou-se novamente 25 mL de água destilada, e a agitação foi mantida durante mais 30 minutos. A solução do polímero foi titulada com NaOH 0,1 mol.L-1 e registrou-se o pH da solução titulada

gráfico, no qual se observam duas inflexões características. O grau de desacetilação foi calculado conforme a Equação 1.

Equação 1

onde V1 corresponde ao volume de NaOH em mililitros necessário para

neutralizar o excesso de HCl; e V2 corresponde ao volume de NaOH em mililitros

necessário para neutralizar a quitosana protonada; 2,03 é o coeficiente relacionando ao peso molecular da unidade monomérica de quitina; 0,0042 é o coeficiente referente à diferença entre o peso molecular das unidades monoméricas de quitina e quitosana; e m é a massa da amostra em gramas.

A viscosidade intrínseca foi determinada por viscosimetria capilar, seguindo o método de Kasaai (2007). Obteve-se uma solução mãe de quitosana 0,25% (m/v) em solução tampão (acetato de sódio 0,2 mol.L-1 / ácido acético 0,5

mol.L-1) mediante agitação magnética constante por 24 horas. Em seguida, a

solução foi filtrada em membrana de acetato de celulose com porosidade de 0,41 μm. A partir desta solução mãe foram feitas diluições seriadas mediante a adição de volumes crescentes da solução tampão (0, 1, 2, 3, 4 e 5 mL) a uma alíquota de 10 mL da solução de quitosana. O tempo de escoamento destas soluções diluídas e do tampão foi aferido em viscosímetro capilar, a 25,0 ± 0,1°C, o qual corresponde à média de seis determinações. Para o cálculo da massa molar viscosimétrica média do polímero utilizou-se a equação empírica de Mark-Houwink-Sakurada, que estabelece uma relação entre a viscosidade intrínseca e a massa molecular do polímero, conforme a Equação 2.

[] = kMva Equação 2

onde MV é a massa molar viscosimétrica média (g.mol-1), [] é a viscosidade

intrínseca (dL.g-1), K e a são constantes para um determinado polímero-solvente a

uma determinada temperatura. Nestas condições K = 3,5 x 10-4 e a = 0,76.

4.2.1.2. Caracterização da Paligorsquita

A amostra de argilomineral cedida pela Ummio Indústria de Minérios Ltda (PB) foi extraída na cidade de Guadalupe-PI. Esta argila foi denominada Paly neste

trabalho. Preparou-se uma dispersão aquosa de Paly em proporção 1:10 (m/v), deixando-se sedimentar os sólidos mais densos suspensos e coletando-se o sobrenadante. A suspensão contendo as partículas mais finas foi filtrada em papel filtro, secando o material retido no filtro em estufa a 100°C durante 24 horas. O produto seco foi tamisado em peneira de 200 Mesh (abertura de 75 µm). Este procedimento foi executado antes de iniciar as análises a fim de remover parcialmente quartzo presente na fração mais arenosa e grosseira da amostra, como descrito por Oliveira et al. (2013). Esta paligorsquita foi então caracterizada e comparada à paligorsquita de grau farmacêutico Pharmasorb Colloidal.

A composição química dos elementos majoritários presentes na amostra foi determinada por fluorescência de raios (FRX) utilizando um espectrômetro Bruker S4 Pioneer, equipado com um ânodo de raios X Rh, voltagem de 60 kV e corrente de 150 mA.

A análise cristalográfica das amostras foi realizada em difratômetro Shimadzu, modelo XDR-6000, com radiação Cu kα a uma voltagem de 30 kV e corrente de 30 mA, 5 - 70° (2θ), no modo Retrieveld. Os dados cristalográficos foram empregados para identificação das fases cristalinas presentes nas amostras a partir de cartas cristalográficas do International Centre for Diffraction Data (ICDD).

A composição mineralógica da paligorsquita objeto deste estudo foi determinada a partir dos dados obtidos nas análises por difração de raios X e fluorescência de raios X por Alberto Lopez Galindo (IACT-UGR). Para determinar a proporção dos filossilicatos na amostra foram correlacionadas as áreas dos seus respectivos picos, conforme método descrito em seu trabalho, confrontando-se com os dados da composição química (LÓPEZ-GALINDO; RUIZ; LÓPEZ, 1996).

O espectro na região do infravermelho foi obtido com o auxílio de espectrômetro Shimadzu, modelo IR Prestige-21, por refletância atenuada, com 32 varreduras e resolução de 4 cm-1, em um intervalo de 700 - 4000 cm-1.

A área específica foi determinada pelo método BET (Brunauer–Emmett– Teller) através das isotermas de adsorção-dessorção de N2 em um analisador de

área específica e poro Beckman Coulter, modelo SA 3100. A desgaseificação da

amostra a vácuo foi realizada sob temperatura constante, a 120°C, durante duas horas.

O tamanho das partículas foi determinado em granulômetro a laser Cilas, modelo 1090, localizado no Laboratório de Materiais Cerâmicos, no Centro de

Tecnologia da Universidade Federal da Paraíba. As medidas foram realizadas no modo seco, depositando-se cada amostra no dispositivo alimentador, que vibra a uma frequência de 55 Hz. Os pós foram impelidos para o interior do analisador por ar comprimido, sob uma pressão de 2500 mb, o qual possibilitou também sua dispersão. Os resultados representam o tamanho médio (µm) das partículas.

Valores de potencial zeta (ζ) foram determinados a 25°C empregando Zetasizer Nano ZS Malvern. As amostras foram suspensas em água na concentração de 0,1% (m/v) e os valores obtidos correspondiam à média de 20 corridas, as quais foram realizadas em triplicata para cada amostra.

A análise termogravimética (TG/DTA) foi realizada em termobalança Shimadzu, modelo DTG-60, empregando 5,0 ± 0,5 mg de amostra, contida em cadinho de alumina, aquecida a uma razão de 10°C.min-1, em atmosfera de

nitrogênio com fluxo de 50 mL.min-1, em uma faixa de temperatura de 30-800°C.

A análise microscópica de Paly foi realizada em um Microscópio Eletrônico de Transmissão de Alta Resolução (HRTEM) Philips CM20 operado a 200 kV. A microanálise do material foi realizada por espectroscopia de dispersão de energia de raios X, por meio do detector EDAX acoplado ao microscópio. O equipamento está localizado no Centro de Instrumentação Científica da Universidade de Granada - Espanha.

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