P. S.: Se você não “captou” a mensagem, aí vai uma breve tradução: “Concordo
2. Usando me: Who is going to the party? Just you and me (ou Just you and I are going); Who thinks Cameron Diaz is a babe? You and me, of course
[Ela vale cada million dollars que ganha, não acha?]; Who enjoys reading
Michael’s stuff? You and me [obviously].
Mas que a verdade seja dita: embora eu tenha usado me nos exemplos acima, a gramática correta é I, pois em seguida há uma ação, embora ela não seja men- cionada especificamente. É que, automaticamente, a maioria de nós – e aí eu me incluo entre os gringos, pois, afinal, sou – diria me sem pensar. E peço desculpas pela falta de imaginação nos exemplos (fora o último, claro). Parece que está me faltando um pouco de inspiração hoje. (Sei, sei! Muitos de vocês podem achar que não é só hoje, mas...)
Admito que a regra seja muitas vezes desprezada por aquelas pessoas que in- sistem em usar you and I mesmo quando não é seguido por uma ação, por pare- cer mais refinado ou requintado (classier). Bem, to each their own, como disse- mos, ou seja, cada um na sua.
Interessante. Quando eu estava aprendendo inglês era to each his own. Com o avanço cada vez maior do politicamente correto, o pronome possessivo mascu- lino his cedeu espaço ao ambíguo their. Só me resta aplaudir.
E quando é que you and me é usado? Boa pergunta. O caso mais comum e óbvio é quando se coloca uma preposição no meio – ou para ser preciso, antes de
you. Como nos exemplos: He said that to you and me; She sang a song for you and me. E sem o uso de preposição? Que tal:
A million million spermatozoa All of them alive
Out of their cataclysm but one poor Noah Dare hope to survive
And among that billion minus one Might have chanced to be
Shakespeare, another Newton, a new Donne But the One was me
(Aldous Huxley, 1894-1963)
Sei também que muitas das dúvidas que surgem quanto ao uso de you and I ou you and me são fruto dos papos de pessoas famosas. A confusão geral na cabe- ça dos alunos e professores de inglês é, em grande parte, provocada pelas celebri- dades, que, a despeito de qualquer coisa que os livros de gramática mostrem, saem por aí dizendo you and I ou you and me sob quaisquer circunstâncias, indis- criminadamente, lixando-se para as boas regras da gramática inglesa.
Sempre há – e haverá – alguém, seja uma estrela de cinema, seja um cantor de
rock ‘n’roll, dizendo (e cantando) o que bem entende, sem perceber que está
atrapalhando as nossas aulas. Aliás, parece que cada vez que abrem suas bocas, acabam dando trabalho para o professor de inglês. (Pensando bem, talvez não seja tão ruim assim, pois essas estrelas nos ajudam a ganhar o pão de cada dia –
our daily bread –, não é mesmo?).
Infelizmente, ninguém sentou com os famosos para bater um papo gostoso e íntimo (a nice cosy, ou cozy, chat) e explicar-lhes as verdades a respeito das con- venções gramaticais de you and I e you and me, insistindo que é para eles acerta- rem (pois, caso contrário, corre-se o risco de confundir o pobre estudante brasi- leiro de inglês).
Agora, voltando para o e-mail que iniciou este texto, percebemos que o que foi dito – embora devamos levar em consideração que o relato já passou por duas pessoas – foi I and you. Se for verdade, este professor tem mesmo um problema (para não falar o problema que têm seus alunos). Uma das convenções de corte- sia das nossas línguas é o de colocar a pessoa com quem se relaciona em primeiro lugar, para mostrar um mínimo de boas maneiras – no caso you and I.
I (primeiro) and you dá a impressão de que o professor quer que o mundo
uma das colocações mais comuns, parecendo, preciso dizer, um idiota puro (a
pompous prat cabe bem aqui).
Admito que não soa tão estranho assim em português ouvir “eu e você”, nem em inglês me and you, pois, mesmo não sendo a língua culta, será ouvida da boca de muitos. Mas I and you...? Dá licença!
O meu leitor comenta que o professor em questão morou na minha terra por sete anos, como se isso fosse algo que lhe conferisse poderes divinos (ou, no mí- nimo, um bom comando da língua inglesa). Minha experiência tem me mostrado que morar no exterior, independente da duração da estada, não é garantia ne- nhuma de que a pessoa irá falar corretamente (talvez, deva acrescentar aqui, “nem mesmo um pouco”, mas aí eu estaria sendo muito duro com aqueles que não se esforçam. Então, acho melhor dispensar os comentários indelicados), mas já vi estudantes voltarem de uma permanência relativamente curta demonstran- do uma melhoria considerável. Outros, embora seja muito triste constatar, exi- bem tão pouco progresso após tantos anos no exterior que parece até que nunca deixaram o Brasil.
O que não acho bom, e menos ainda produtivo, é ver os alunos gastando mui- to tempo questionando tanto a respeito de you and I ou me. Costumo dizer, e vou repetir: adoro alunos que fazem perguntas, mas acredito que é gasto muito tem- po nos “questionamentos” e, para mim, este assunto é um candidato ideal para essa categoria. Tenho certeza de que há mais coisas úteis e interessantes a apren- der, assuntos de maior importância mesmo, do que qual é o correto dentre you
and I e you and me. É o tipo de coisa que até podemos errar, mas que quase nin-
guém irá perceber, a não ser os pedantes de plantão.*
E se “something was bothering” my reader, posso assegurar-lhe de que a polêmica que gira em torno do assunto bothers me a lot more (me incomoda muito mais).
Temos, todos nós, mais com o que nos preocupar, na minha opinião (We all
have more important things to worry about).
Veja esta piada para terminar:
* Este artigo saiu primeiramente na revista New Routes, que é publicada pela Disal, e o meu comen- tário provocou a ira de muitos leitores. Mas preciso de um pouco de coragem de vez em quando. Aliás, talvez “de vez em quando” não seja o termo mais adequado. Quem sabe “sempre” seja mais aplicável, pois estou muito ciente de que não é tudo mundo que compartilha das minhas opiniões. Mas prefiro dizer e escrever aquilo que acho que o aluno precisa saber, em vez daquilo que ele ou ela gostaria de ouvir. Eu já fui muito perfeccionista. Hoje, me contento em tentar melhorar, tendo a perfeição como meta, mas sempre consciente de que não a alcançarei nunca.
Three people were trying to get into heaven. St. Peter asked the first, “Who’s there?”
“It’s me, Albert Jones,” the voice replied.
St. Peter let him in.
St. Peter asked the second one the same question, “Who’s there?”
“It’s me, Charlie Jones.”
And St. Peter let him in too.
He finally asked the third one, “Who’s there?”
“It is I, Mary Jones,” answered the third.
“Oh, great,” muttered St. Peter. “Another one of those English teachers.”
¢I wish you a terrific Christmas and a wonderful New Year! Apesar das muitas vezes que tenho visto as legendas de filmes traduzirem terrific como “terrível” (e, olha lá, não assisto a tantos filmes assim!), quero informar a todos que terrific é, de fato, algo muito bom.
Para não haver mais dúvidas, terrific significa: ótimo, sensacional, maravi- lhoso, fantástico, esplêndido, tremendo, extraordinário. Acho que está bom de sinônimos.
Alguns dicionários até traduzem terrific como “terrível”, mas posso afirmar que estão, em princípio, errados. No dia-a-dia a palavra terrific, falada por nati- vos da língua inglesa, é usada somente com o sentido positivo (mesmo conside- rando o fato de que é sempre muito arriscado afirmar que algo é “sempre assim ou assado” em inglês).
Aqui vão alguns exemplos para consolidar: