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USOS E COSTUMES E OS NOVOS PARADIGMAS ASSEMBLEIANOS

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1. O PENTECOSTALISMO EM ITAPECERICA DA

2.3 USOS E COSTUMES E OS NOVOS PARADIGMAS ASSEMBLEIANOS

No final da década de 90, as Assembleia de Deus no Brasil se adequam a um novo panorama histórico-social, as novas realidades deste contexto contemporâneo indicam que os usos e costume, sadios princípios estabelecidos como doutrina na Palavra de Deus, não mais se sustenta.

Durante o 5º ELAD (Encontro Nacional de Líderes da AD) a CGADB elabora a Resolução de 1999 referente aos usos e costumes a qual analisamos anteriormente, trata-se de um imenso texto composto por uma típica argumentação de racionalidade teológica.

Daniel (2004) nos relata o parecer do Conselho da CGADB encaminhado ao 5º ELAD, em 25 de agosto de 1999, onde a comissão analisou a Resolução da Convenção Geral de 1975 e propôs uma linguagem atualizada. Daniel diz:

Convém, portanto, atualizar a redação da resolução de Santo André, omitindo a expressão ‘como doutrina’, ficando assim: ‘sadios princípios estabelecidos na Palavra de Deus – a Bíblia Sagrada – e conservados como costumes desde o início desta Obra no Brasil. Quanto aos 8 princípios da Resolução [de Santo André], uma maneira de colocar numa linguagem atualizada é: 1. Ter os homens cabelos crescidos, bem como fazer cortes extravagantes; 2. As mulheres usarem roupas que são peculiares aos homens e vestimentas indecentes e indecorosas, ou sem modéstias; 3. Uso exagerado de pintura e maquiagem - unhas, tatuagens e cabelos; 4. Uso de cabelos curtos em detrimento da recomendação bíblica; 5. Mau uso dos meios de comunicação: televisão, Internet, rádio, telefone; 6. Uso de bebidas alcoólicas e embriagantes. (DANIEL, 2004, p. 579-580)

89 Daniel (2004, p.578) interpreta esse momento como uma luta entre “conservadores” e “liberais” e Andrade em artigo no Mensageiro da Paz 1995 relatando a 32º Assembleia Geral Ordinária da CGADB, com o título “Nem conservadores nem Liberais – apenas homem de Deus”, faz um apelo em prol da unicidade. Segue o artigo:

Figura 15 – recorte do Jornal Mensageiro da Paz de 1995.25

A resolução de 1999 possui alguns apontamento interessantes, ela comenta que quando a tradição é posta acima da Bíblia ela assume uma conotação negativa.

A Resolução diz:

Quando se coloca a tradição acima da Bíblia ou em pé de igualdade com ela, a tradição assume uma conotação negativa. Muitas vezes é usada simplesmente para camuflar nossos pecados. O problema dos fariseus e da atual Igreja Católica é justamente receberem a tradição

25 ANDRADE, Claudionor Correa de. Nem conservador, nem liberal – apenas homem de Deus.

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como Palavra de Deus. Disse alguém: “Tradição é a fé viva dos que agora estão mortos, tradicionalismo é a fé morta dos que agora estão vivos”. (DANIEL, 2004, p. 579-580).

Ainda observando a Resolução de 1999 percebemos que diante dos novos paradigmas assembleianos os usos e costumes não são mais entendidos como doutrina, passaram a denotar “sadios princípios estabelecidos (firmados, fixados, organizados) na Palavra de Deus – Bíblia Sagrada”.

Convém, portanto, atualizar a redação da resolução de Santo André, omitindo a expressão ‘como doutrina’, ficando assim: ‘sadios princípios estabelecidos na Palavra de Deus – a Bíblia Sagrada – e conservados como costumes desde o início desta Obra no Brasil. Quanto aos 8 princípios da Resolução [de Santo André], uma maneira de colocar numa linguagem atualizada é: 1. Ter os homens cabelos crescidos, bem como fazer cortes extravagantes; 2. As mulheres usarem roupas que são peculiares aos homens e vestimentas indecentes e indecorosas, ou sem modéstias; 3. Uso exagerado de pintura e maquiagem - unhas, tatuagens e cabelos; 4. Uso de cabelos curtos em detrimento da recomendação bíblica; 5. Mau uso dos meios de comunicação: televisão, Internet, rádio, telefone; 6. Uso de bebidas alcoólicas e embriagantes. (DANIEL,2004, p. 579)

Na Resolução de 1999 ainda se verifica uma autentica argumentação teológica protestante apelando aos textos originais do grego bíblico, a fim de elucidar a compreensão assembleiana concernente a doutrina e ao costumes. Quanto a doutrina a Resolução diz:

À luz da Bíblia, doutrina é o ensino bíblico normativo terminante, final, derivado das Sagradas Escrituras, como regra de fé e prática de vida, para a Igreja, para seus membros, vista na Bíblia como expressão prática na vida do crente, e isso inclui as práticas, usos e costumes. Elas são santas, divinas, universais e imutáveis. Nos próprios dicionários seculares encontramos esse mesmo conceito sobre doutrina: “É o complexo de ensinamentos de uma escola filosófica, científica ou religiosa. Disciplina ou matéria do ensino. Opinião em matéria científica” (Dicionário Álvaro de Magalhães). “Conjunto de princípios de um sistema religioso, políticos ou filosóficos. Rudimentos da fé cristã. Método, disciplina, instrução, ensino” (Dicionário Ilustrado Novo Brasil, ed. 1979).A palavra grega usada para “doutrina” no NT é

didache, que segundo o Diccionario Conciso Griego – Español del

Nuevo Testamento, significa: “o que se ensina, ensino, ação de ensinar, instrução”. (Jo 7.16, 17; At 5.28; 17.19; e didaskalia, que segundo o já citado dicionário é: “o que se ensina, ensino, ação de ensinar, instrução”. O Léxico do N.T. Grego/Português, de F. Wilbur Gingrich e Frederick W. Danker, Vida Nova, São Paulo, 1991, p. 56, diz que didasskalia é: “Ato de ensino, instrução Rm 12.7; 15.4; 2 Tm 3.16. Num sentido passivo - aquilo que é ensinado, instrução, doutrina

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Mc 7.7; Cl 2.22; 1 Tm 1.10; 4.6; 2 Tm 3.10; Tt 1.9)”; e didache: “Ensino como atividade, instrução Mc 4.2; 1 Co 14.6; 2 Tm 4.2. Em um sentido passivo - o que é ensinado, ensino, instrução (Mt 16.12; Mc 1.27; Jo 7.16s; Rm 16.17; Ap 2.14s, 24). Segundo a Pequena Enciclopédia Bíblica, Orlando Boyer, doutrina é “tudo o que é objeto de ensino; disciplina”.(DANIEL, 2004, p. 579-580)

A mesma Resolução alusivo ao costumes diz:

Os costumes em si são sociais, humanos, regionais e temporais, porque ocorrem na esfera humana, sendo inúmeros deles gerados e influenciados pelas etnias, etariedade, tradições, crendices, individualismo, humanismo, estrangeirismo e ignorância.A Pequena Enciclopédia Bíblica, Orlando Boyer, define costume como “Uso, prática geralmente observada”. (p. 169). As palavras gregas usadas para “costume são ethos (Lc 2.42; Hb 10.25) e synetheia (Jo 18.19; 1 Co 8.7; 11.16). A primeira, de onde vem a palavra “ética”, significa costume com sentido de “lei, uso” (Lc 1.9). Não é biblicamente correto usar doutrina e costume como se fosse a mesma coisa. O costume é “Prática habitual. Modo de proceder. Jurisprudência baseada em uso; modo vulgar; particularidade; moda; trajo característico, procedimento; modo de viver”. Os costumes vistos pela ótica cristã, são linhas recomendáveis de comportamento. Estão ligados ao bom testemunho do crente perante o mundo. Estão colocados no contexto temporal, não estão comprometidos diretamente com a salvação (DANIEL, 2004, p. 579-580)

Quanto as diferenças básicas entre doutrina bíblica e costumes a Resolução de 1999 traz a seguinte distinção:

O Manual do CAPED, edição de 1999, CPAD, Rio, p. 92, diz: "Há pelo menos três diferenças básicas entre doutrina bíblica e costume puramente humano. Há costumes bons e maus. A doutrina bíblica conduz a bons costumes." A) quanto à origem a doutrina é divina o costume é humano. B) quanto ao alcance a doutrina é geral o costume é local. C) quanto ao tempo a doutrina é imutável o costume é temporário. (DANIEL, 2004, p. 579-580)

Observando a Resolução de 1999 nos chamou a atenção os novos paradigmas assembleianos quanto ao posicionamento sobre os neopentecostais. Na Resolução de 1975 a CGADB recomenda aos assembleianos que tenham apenas relações fraternas com movimentos pentecostais que mantenham os mesmos princípios doutrinário das Assembleia

92 de Deus, a fim de não ocorram desvios nas normas doutrinarias das Assembleias de Deus no Brasil. Na resolução de 1999 esse conceito muda.

Diz a resolução de 1999:

Nem tudo que é extra bíblico é anti-bíblico. Nem tudo que nos interessa é condenado e pecado. Não podemos julgar ou condenar outros grupos porque adotaram liturgias estranhas e costumes diferentes dos nossos, e nem alcunhar nossos companheiros de ministério de liberais, pois “liberal” é uma palavra ofensiva. Os liberais sãos os que não acreditam na inspiração e autoridade das Escrituras, os que negam o nascimento virginal de Jesus, não reconhecem a existências de verdades absolutas. Discordar deles é uma coisa, mas agredir é outra muito diferente, e fere o espírito cristão do amor fraternal. Devemos, sim, preservar os nossos costumes. Os nossos costumes não são condição para a salvação, eles devem ser mantidos para a preservação de nossa identidade como denominação. Não devemos criticar os outros e nem forçar ninguém a crer contra suas próprias convicções religiosas. Há pastores que agridem o rebanho e desrespeitam seus companheiros porque querem demolir nosso patrimônio histórico-espiritual a todo custo. Deus quer a Assembleia de Deus como ela é, na sua maioria. As outras denominações foram chamadas como elas são, é assim que Deus quis, Ele é soberano.

(Daniel, 2004, p. 579-580).

Os neopentecostais eram considerada pelos assembleianos como denominações invadidas pelo mundanismo como vimos na Resolução dos usos e costumes de 1945, muitas foram as formas de retaliação, com o passar do tempo surgiram novas conjecturas sobre os neopentecostais e a mais atual diz que eles foram chamados por Deus são, é assim que Deus quis, Ele é soberano. Tal pensamento é uma evolução no pensamento assembleiano.

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3. USOS E COSTUMES: AS MUDANÇAS NO ESTEREÓTIPO

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