• Nenhum resultado encontrado

Download/Open

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Download/Open"

Copied!
158
0
0

Texto

(1)UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO ESCOLA DE COMUNICAÇÃO, EDUCAÇÃO E HUMANIDADES PROGRAMA DE PÓS GRADUÇÃO EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO. ASSEMBLEIA DE DEUS MINISTÉRIO BELÉM EM ITAPECERICA DA SERRA: TRANSFORMAÇÕES SOCIOCULTURAIS DOS USOS E COSTUMES. Por. ANDRÉ APARECIDO DE OLIVEIRA. SÃO BERNARDO DO CAMPO 2016.

(2) ANDRÉ APARECIDO DE OLIVEIRA. ASSEMBLEIA DE DEUS MINISTÉRIO BELÉM EM ITAPECERICA DA SERRA: TRANSFORMAÇÕES SOCIOCULTURAIS DOS USOS E COSTUMES. Dissertação apresentada em cumprimento parcial às exigências do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião, para obtenção do título de Mestre em Ciências da Religião. Área de concentração: Religião, Sociedade e Cultura. Orientação: Prof. Barrera Rivera. SÃO BERNARDO DO CAMPO 2016. Dr.. Dario. Paulo.

(3) FICHA CATALOGRÁFICA OL4a. Oliveira, André Aparecido de Assembleia de Deus Ministério Belém em Itapecerica da Serra: transformações socioculturais dos usos e costumes / André Aparecido de Oliveira -- São Bernardo do Campo, 2016. 158fl. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) - Escola de Comunicação, Educação e Humanidades, Programa de Pós-Graduação Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo. Bibliografia Orientação de: Dario Paulo Barrera Rivera. 1.. Igreja Assembleia de Deus - Ministério 2. Igreja Assembleia de Deus – Itapecerica da Serra (SP) – Vida e costumes 3. Igreja Assembleia de Deus – Aspectos sociais 4. Igreja Assembleia de Deus – Aspectos culturais I. Título CDD 289.9.

(4) FOLHA DE APROVAÇÃO. A dissertação de mestrado sob o título: “ASSEMBLEIA DE DEUS MINISTÉRIO BELÉM. EM. ITAPECERICA. DA. SERRA:. TRANSFORMAÇÕES. SOCIOCULTURAIS DOS USOS E COSTUMES”, elaborada por André Aparecido de Oliveira foi apresentada e aprovada em 07 de abril de 2016, perante banca examinadora composta por Dr. Paulo Barrera Rivera (Presidente - UMESP), Dr. Helmut Renders (Titular – UMESP), Dr. Haller Elinar Stach Schunemann (Titular – UNASP).. __________________________________________ Prof. Dr. Paulo Barrera Rivera Orientador e Presidente da Banca Examinadora. __________________________________________ Prof. Dr. Helmut Renders Coordenador do Programa de Pós-Graduação. Programa: Mestrado em Ciências da Religião Área de Concentração: Religião, Sociedade e Cultura Linha de Pesquisa: Religião e Dinâmicas Socioculturais.

(5) AGRADECIMENTOS. A Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) a qual me proporcionou todos os recursos para o desenvolvimento e finalização desta dissertação. Ao ilustre prof. Dr. Dario Paulo Barrera Rivera meu orientador pelas orientações e sugestões valiosas que muito me ajudaram para a finalização deste trabalho. Aos professores Dr. Nicanor Lopes e Dr. Helmut Renders pelos ricos apontamentos feitos na banca de qualificação para o mestrado que contribuíram grandemente para o desenvolvimento desta dissertação. Aos professores que fizeram parte da minha banca de defesa: Dr. Haller Elinar Stach Schunemann e Dr. Helmut Renders. A minha esposa Goretti, meu filho Davi e meus pais José Teodoro de Oliveira, e Ivone das Graças Correa Oliveira que me ensinara a caminhar sem nunca desistir dos meus ideais. Aos meu amigo Thiago Lima, João Augusto e Walter Barros companheiros para todos os momentos. Aos meus entrevistados, que, de tão bom grado contribuíram com suas lembranças e experiências referente aos usos e costumes da Assembleia de Deus em Itapecerica da Serra. Em especial agradeço com muito carinho a senhora Lélia que nos deu uma grande contribuição nesta pesquisa. A Deus por ter me ajudado em todos os momentos e me dado força para chegar aqui..

(6) Como reagem os homens de sensibilidade religiosa quando o maquinário da fé começa a desgastar-se? O que fazem quando as tradições vacilam?” Fazem, obviamente, todo tipo de coisas. Perdem sua sensibilidade. Ou canalizam-na para o fervor ideológico. Ou adotam um credo importado. Ou se voltam, preocupados, para si mesmos. Ou se agarram ainda mais fortemente às tradições em decadência. Ou tentam recompor essas tradições em formas mais efetivas. Ou se dividem ao meio, vivendo espiritualmente no passado e fisicamente no presente. Ou tentam expressar sua religiosidade em atividades seculares. Alguns poucos simplesmente não percebem que seu mundo está mudando e, quando percebem, simplesmente entram em colapso. (Clifford Geertz).

(7) RESUMO. Esta dissertação tem como objetivo estudar as transformações socioculturais dos usos e costumes da igreja Assembleia de Deus Ministério Belém em Itapecerica da Serra no bairro Crispim. Dentro desta perspectiva procuramos entender as razões que permeiam ainda hoje o discurso ideológico e conservador da igreja em estudo diante da flexibilização e dos novos paradigmas assembleianos referente aos usos e costumes. Atualmente a igreja Assembleia de Deus em Itapecerica da Serra passa por um processo de mudança e ressignificação em seus usos e costumes. Pretendemos discutir a possibilidade de que tais mudanças sejam oriundas do contato com diferentes pentecostalismos existentes em Itapecerica da Serra, e também do próprio desenvolvimento sociocultural da sociedade. Tenta-se nesta pesquisa estudar as mudanças dos usos e costumes como parte da teia de significados produzida pela Igreja Assembleia de Deus. Como processo metodológico utilizamos fontes históricas, dados publicados em livros, artigos, jornais da própria igreja que auxiliarão na confrontação dos dados encontrados em entrevistas realizadas com assembleianos de Itapecerica da Serra. Os resultados desta pesquisa estão apresentados em três capítulos cujo eixo central é a discussão das transformações socioculturais dos usos e costumes.. Palavra-chave: Assembleia de Deus, transformações socioculturais, usos e costumes, cultura, Itapecerica da Serra..

(8) ABSTRACT. This thesis aims to analyze the sociocultural changes relating to the uses and customs of God Ministry Bethlehem Assembly church in Itapecerica da Serra in Crispim neighborhood. From this perspective we try to understand the reasons that underlie today the ideological discourse and conservative church study on the flexibility and new paradigms concerning the uses and customs. Currently the Assembly of God church in Itapecerica da Serra goes through a process of change and reinterpretation on their uses and customs. We intend to discuss the possibility that such changes are derived from contact with different existing Pentecostalism in Itapecerica da Serra, and also of their own socio-cultural development of society. As a methodological process used historical items, data published through books, articles, newspapers, the church itself that assist in comparison of the data found in interviews with Assemblies of Itapecerica da Serra. The results of this research are presented in three chapters whose central axis is the discussion of sociocultural transformations of the uses and customs.. Keyword: Assembly of God, sociocultural changes, customs, culture, Itapecerica da Serra..

(9) LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1. Vista aérea do Largo da Matriz em Itapecerica da Serra..................................................................................................................39 Figura 2. Fotografia da casa onde se realizaram os primeiros cultos na Assembleia de Deus Ministério Belém no Crispim .......................................... 42 Figura 3. Fotografia do templo já construído da Assembleia de Deus Ministério Belém no Crispim...............................................................................................42 Figura 4. Fotografias internas do templo da Assembleia de Deus Ministério Belém no Crispim ............................................................................................. 45 Figura 5. Fotografia interna do templo da Assembleia de Deus Ministério Belém no Crispim ............................................................................................. 46 Figura 6. Jornal Mensageiro da Paz de 16/01/1947 ........................................ 65 Figura 7. Certificado de Ordenação................................................................. 66 Figura 8. Traje masculino e feminino ............................................................... 74 Figura 9. Roupas e cosméticos das mulheres romanas ................................. 77 Figura 10. Estilo de cabelo no mundo Greco-Romano nos dias de Paulo ...... 78 Figura 11. O canal 23, recorte do Jornal Mensageiro da Paz de 1967 ............ 83 Figura 12. Recortes do Jornal Mensageiro da Paz de 1994 referente a televisão.............................................................................................................80 Figura 13 – Recortes do Jornal Mensageiro da Paz de 1995...........................83 Figura 14 - Imagens de divulgação da operadora telefônica das Assembleias de Deus...................................................................................................................85 Figura 15 – Recorte do Jornal Mensageiro da Paz de 1995.............................89 Figura 16 – Recorte Jornal Mensageiro da Paz 1965.......................................97 Figura 17 – Imagem de capa do livro Interpretação das Culturas de Geertz..............................................................................................................107 Figura 18 – Cremos das Assembleias de Deus nos Estados Unidos............ 110 Figura 19 – Recorte do Mensageiro da Paz de 1938.....................................111 Figura 20 – Recorte do Mensageiro da Paz de 1939................................................................................................................113.

(10) Figura 21 – Cremos das Assembleia de Deus no Brasil................................................................................................................115.

(11) LISTA DE ABREVIATURAS. AD - Assembleia de Deus AGO - Assembleia Geral Ordinária AGE - Assembleia Geral Extraordinária CGADB - Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil CONAMAD - Convenção Nacional das Assembleias de Deus Ministério de Madureira CONFRADESP - Convenção Fraternal e Interestadual das Assembleias de Deus no Ministério do Belém – São Paulo CPAD - Casa Publicadora das Assembleias de Deus CEMP - Centro de Estudos do Movimento Pentecostal da CPAD ELAD - Encontro de Líderes das Assembleias de Deus ELADS - Encontro de Líderes das Assembleias de Deus dos Estados do Sul EBD - Escola Bíblica Dominical IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística MP – Mensageiro da Paz.

(12) SUMÁRIO. INTRODUÇÃO ................................................................................................. 13 1. O PENTECOSTALISMO EM ITAPECERICA DA SERRA...............................................................................................................17 1.1 ORIGEM DO PENTECOSTALISMO HISTÓRICO: ENFASE NAS PRIMEIRAS DÉCADAS NOS ESTADOS UNIDOS E NO BRASIL. .............. 17 1.2 AS RAIZES DO PENTECOSTALISMO NO BRASIL A PARTIR DAS BIOGRAFIA DE GUNNAR VINGREN E DANIEL BERG .............................. 20 1.3.PENTECOSTALISMO: CONCEITOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS .................................................................................... 25 1.4 ASSEMBLEIA DE DEUS EM SÃO PAULO: USOS E COSTUMES E MODERMIZAÇÃO ........................................................................................ 27 1.5 A CHEGADA DO PENTECOSTALISMO EM ITAPECERICA DA SERRA...........................................................................................................34 1.6 TRAMSFORMAÇÃOSOCIOCULTURAL DOS USOS E COSTUMES DA ASSEMBLEIA DE DEUS MINISTÉRIO BELÉM BAIRRO CRISPIM..............41 2.USOS E COSTUMES NAS ASSEMBLEIAS DE DEUS ................................ 58 2.1 A CONSTITUIÇÃO DOS USOS E COSTUMES NAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL..........................................................................................58 2.2 ANÁLISE DOS FUNDAMENTOS TEOLOGICOS DOS USOS E COSTUMES FORMULADOS PELA CGADB ................................................ 70 2.3 USOS E COSTUMES E OS NOVOS PARADIGMAS ASSEMBLEIANOS CONTEMPORÂNEOS....................................................................................88 3. USOS E COSTUMES: AS MUDANÇAS NO ESTEREÓTIPO PENTECOSTAL ASSEMBLEIANO...................................................................93 3.1 TENDÊNCIAS SOCIOCULTURAIS PÓS-MODERNAS NOS USOS E COSTUMES DOS ASSEMBLEIANOS...........................................................93 3.2 USOS E COSTUMES: PADRÕES IDUMENTARIOS DA ESTÉTICA PENTECOSTAL .......................................................................................... 100 3.3 USOS E COSTUMES: TEIAS DE SIGNIFICADO SIMBÓLICO ASSEMBLEIANO ........................................................................................ 104 3.4 O “CREMOS” ASSEMBLEIANO E A PUREZA DA DOUTRINA CRISTÃ.........................................................................................................109 3.5 CÓDIGO DE ÉTICA E DISCIPLINA: ATUALIZAÇÃO CONTEPORÂNEA DA NORMATIVIDADE ASSEMBLEIANA .................................................... 116 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................... 119 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ............................................................... 122 ANEXO A - ESTATUTO DA CGADB ............................................................. 127 ANEXO B - CÓGIDO DE ÉTICA E DISCIPLINA DA CGADB............................................................................................................151.

(13) INTRODUÇÃO. A Assembleia de Deus no Brasil é única, mas diversificada em uma pluralidade de ministérios (Belém, Madureira, Missões etc.). Grande, mas fracionada em Convenções, (CONFRADESP, CONAMAD e outras) presentes em todos os centros urbanos, e periferias, sua amplitude se estendendo pelos becos e comunidades mais humildes, Igreja moderna, mas conservadora, carismática, barulhenta, mas calada, tradicional, por ser única, rígida em seus usos e costumes, mas que ao longo de sua história se flexibilizou mudando tão sigilosamente acomodando-se ás transformações na sociedade. A distinção, diversidade e pluralidade da Assembleia de Deus no Brasil nos impulsionou a adentrar na história da igreja tendo por finalidade estudar os usos e costumes, percebendo a complexidade e profundidade do assunto foi necessário. uma. delimitação.. Como. recorte. pretendemos. estudar. as. transformações socioculturais dos usos e costumes na Assembleia de Deus em Itapecerica da Serra bairro Crispim, setor 46, Ministério Belém. Este. trabalho. pretende. ser. especificamente. um. estudo. das. transformações socioculturais registradas pela história assembleiana e provocadas pelas transformações de ordem social que ocorreram no Brasil especialmente na segunda metade do século XX. Para condução do processo investigativo de nossa pesquisa, situado nos parâmetros de uma metodologia qualitativa, a entrevista de tipo semiestruturada foi considerada a mais adequada. Os dados coletados através das entrevistas visaram compreender a tendência a conservar os usos e costumes na igreja Assembleia de Deus em Itapecerica da Serra e as causas que permeiam suas transformações e ressignificações recentes. Nas entrevistas indagamos duas questões básicas: 1) A importância dos usos e costumes para a igreja Assembleia de Deus nos dias de hoje, 2) Opinião dos fieis sobre os aspectos da Assembleia de Deus que mudaram desde a data em que as pessoas se converteram.. 13.

(14) As entrevistas duraram em média 30 minutos e foram transcritas literalmente pelo próprio pesquisador e registradas em nosso caderno de campo. Foram entrevistados obreiros da Assembleia de Deus (pastor, Evangelista, diácono, cooperador), líderes de departamento, dirigente do círculo de oração, professores, advogados, entre outros. O total de entrevistados foi de 19 pessoas de diferentes idades; todos maiores de idade. As entrevistas, portanto, foram realizadas com “testemunhas privilegiadas”. Testemunhas essas que, segundo Quivy & Campenhoudt (1998, p.71) são “pessoas que pela sua posição, ação ou responsabilidades, têm um bom conhecimento do problema”. A pergunta principal deste estudo respondida ao longo de nossa argumentação é: Quais transformações oriundas das normas tradicionais dos usos e costumes tem criado tensões internas entre os assembleianos? A partir dela elencamos três problemas específicos a serem investigados com base nas seguintes perguntas:1) não seria o resultado de tais mudanças derivado do contato dos assembleianos em Itapecerica da Serra com outros pentecostalismo mais liberais localizado na região? 2) não seria tais mudanças resultantes da transformações sociais-culturais da própria sociedade? 3) qual a razão de uma igreja em mudanças em seus costumes ser tão conservadora quanto a sua teologia e se tal teologia ainda tem sentido para o mundo contemporâneo no que diz respeito aos usos e costumes? O objetivo geral dessa pesquisa é analisar as implicações das transformações socioculturais dos usos e costumes dos assembleianos em Itapecerica da Serra. Como objetivos específicos elencamos nesta pesquisa três: a) Estudar como surgiram as normas, regras, usos e costumes das Assembleias de Deus brasileiras; b) Identificar as tensões oriundas entre as normas tradicionais e as novas normas emergentes nas Assembleias de Deus em Itapecerica da Serra c) Avaliar as relações legalista, tradicionalista e liberalista na manutenção dos usos e costumes nas AD em Itapecerica da Serra. A dissertação está estruturada em três capítulos: No primeiro procuramos estabelecer uma breve visão da história do pentecostalismo no Brasil, cujas raízes históricas estão intrinsecamente ligadas ao movimento metodista fundado por John Wesley no século XVIII na Inglaterra, e ao Movimento de Santificação (holiness) no século XIX. Delimitamos o assunto à chegada do movimento 14.

(15) pentecostal ao Brasil em 1910 com a vinda dos missionários Louis Francescon, e Daniel Berg e Gunnar Vingren no ano de 1911. Analisamos também neste capítulo as raízes do pentecostalismo nas biografias de Berg e Vingren onde procuramos mostrar como eram os cultos pentecostais assembleianos no Brasil, alguns costumes pentecostais como a realização de cultos de oração, busca pelo batismo com Espirito Santo, oração por enfermo etc. Procuramos principalmente mostrar a classe social que contribuiu para implantação, solidificação e crescimento do pentecostalismo no Brasil. Abordamos também o que é pentecostalismo e suas principais características. Ainda neste capítulo também estudamos a chegada das Assembleias de Deus em são Paulo, sua expansão, avanço, modernização. Procuramos entender como são mantido os usos e costumes da igreja Assembleia de Deus diante da complexidade presente em sua liderança. Incluímos também neste capítulo uma síntese da história de Itapecerica da Serra, suas principais atividades econômicas, seus imigrantes e migrantes. Abordamos também a força do poder religioso católico e o poder legislativo no centro da. cidade. Nesse. marco histórico. abordamos,. a origem. do. pentecostalismo na cidade, mostramos a sua influência em Itapecerica da Serra. Esta parte da dissertação é de grande relevância para entendermos o pentecostalismo assembleiano, seu desenvolvimento e modificação em Itapecerica. da. Serra. compreendendo. as. razões. que. permeiam. as. transformações socioculturais de seus usos e costumes. Concluímos o primeiro capítulo tratando sobre as transformações socioculturais dos usos e costumes Assembleia de Deus ministério Belém em Itapecerica da Serra bairro Crispim. Comparamos aqui o entendimento dos mais antigos e dos mais jovens referente a tais usos, sua liturgia e suas práticas religiosas. Exploramos nesta parte do trabalho os dados das entrevistas feita aos membros desta igreja. Procuramos mostrar nesta parte do trabalho as transformações socioculturais da igreja em estudo ao longo de sua história.. 15.

(16) Os dois capítulos seguintes foram elaborados afim de conceder um entendimento. aprofundado. para. a. compreensão. não. somente. das. transformações socioculturais da igreja Assembleia de Deus em Itapecerica da Serra, mas também as transformações ocorridas nas Assembleia de Deus no Brasil. No segundo capítulo “Usos e Costumes nas Assembleias de Deus” abordamos a questão desde sua origem até sua flexibilização. Discorremos também a constituição dos usos e costumes nas Assembleias de Deus no Brasil. Ainda neste capítulo estudamos o conteúdo das resoluções dos Usos e Costumes da CGADB, mostrando o contexto social e as mudanças que circundava cada uma delas. No segundo tópico analisamos teologicamente a Resolução de 1975 mostrando o contexto social que circunda cada item desta resolução. No terceiro e último tópico deste capítulo discutimos os usos e costumes e os novos paradigmas assembleianos. Este capítulo tem como objetivo a compreensão do futuro dos usos e costumes assembleiano diante das transformações socioculturais. Um estudo de grande relevância para compreendermos as mudanças dos usos e costumes da Assembleia de Deus em Itapecerica da Serra no bairro Crispim. No capítulo terceiro “Usos e costumes: Estudo das mudanças no estereótipo pentecostal assembleiano”, abordamos as mudanças no estereótipo pentecostal assembleianos diante das tendências pós modernas enfrentadas pela igreja nos dias atuais, refletiremos a preservação dos usos e costumes, suas inovações no contexto assembleiano, sua liberação. Concluímos revisando falando sobre o Código de Ética e Disciplina da CGADB que traz diretrizes importantes para a normatividade assembleiana e a conservação de sua tradição. Esperamos que os resultados obtidos dessa investigação sirvam de referências para futuras pesquisas que empreendam investigar e compreender melhor a temática dos usos e costumes entre os assembleianos.. 16.

(17) 1. PENTECOSTALISMO EM ITAPECERICA DA SERRA Para entendermos o pentecostalismo em Itapecerica da Serra precisamos relembrar as origem do pentecostalismo nas primeiras décadas do século XX nos Estados Unidos e no Brasil. Se faz também necessário relembrar suas raízes, suas características, seus costumes, sua teologia para entendermos suas mudanças e flexibilização ao longo de sua história. Neste capítulo abordaremos de forma breve o surgimento do Pentecostalismo nos Estados Unidos no início do século XX, para melhor entender sua chegada em Itapecerica da Serra na região pertencente ao bairro do Crispim onde escolhemos estudar uma igreja da Assembleia de Deus do Ministério Belém.. 1.1 ORIGEM DO PENTECOSTALISMO HISTÓRICO: ENFASE NAS PRIMEIRAS DÉCADAS NOS ESTADOS UNIDOS E NO BRASIL As raízes históricas do pentecostalismo estão intrinsecamente ligadas ao movimento metodista fundado por John Wesley no século XVIII na Inglaterra, e ao Movimento de Santificação (Holiness) no século XIX (MARIANO, 2012, p.10). O pentecostalismo eclodiu nos Estados Unidos no início do século XX a partir de 1 de janeiro de 1901com Charles Fox Pahram na Bethel Bible School em Topeka,. Kansas. onde. se. solidificaram. os. princípios. teológicos. do. pentecostalismo clássico. Parham formulou a teologia pentecostal acoplando os princípios básicos que mais tarde definiriam o movimento: conversão pessoal, santificação, cura divina, pré-milenismo e o retorno escatológico do poder do Espírito santo evidenciado pela glossolalia. (BURGESS e MCGEE, 1996, p.660) O impacto imediato do movimento pentecostal foi limitado, os ensinamentos de Parham ganharam maior aceitação vários anos mais tarde, em um reavivamento realizado fora de Houston, Texas.. 17.

(18) De lá Elder William J. Seymour, um pregador negro de santidade que havia se convencido da verdade dos ensinamentos de Parham sobre o batismo com Espirito Santo1, viajou para Los Angeles, Califórnia, para pregar a nova mensagem. As pregações de Seymour conduziram a nova mensagem a um número crescente de convertidos pentecostais. Em 1906 Seymour pregava onde funcionava um armazém de cereais, que depois recebeu o nome de Church of God in Christ. Esse espaço ficou famoso e reconhecido como base de formação e divulgação mundial do moderno movimento pentecostal, seu endereço se localizava a Azuza Street, 312. Segundo Conde (2008) o pastor W. J. Seymour, que servia nessa igreja, não era pregador eloquente; porém, em seu coração ardia o zelo pela pureza da obra do Senhor, e sua mensagem era vivificada pelo Espírito Santo, Seymour pregava a Palavra de Deus, anunciava a promessa divina, o batismo com o Espírito santo, e em seguida, voltando a sentar-se em sua cadeira no púlpito, colocava o rosto entre as mãos, e no decorrer do trabalho ele não parava de interceder, de pedir que Deus operasse de maneira extraordinária nos corações dos ouvintes. O que acontecia, era inexplicável: o poder de Deus caia sobre a congregação; a convicção das verdades divinas inundava os corações; o desejo de santidade envolvia as almas; e repetidamente, brotavam louvores dos corações; muitos eram batizados com o Espírito Santo, falavam em novas línguas; outros profetizavam; outros cantavam hinos espirituais. (CONDE,2008, p.22) O reavivamento que se seguiu da Azuza Street (1906-1909) representou uma anomalia no cenário religioso americano. Negros, brancos e hispânicos adoraram juntos. Homens e mulheres compartilhavam responsabilidades de lideranças. A barreira entre clérigos e leigos desapareceu uma vez que os participantes acreditavam que a capacitação espiritual para o ministério havia sido dada a todos.. 1. No pentecostalismo, o batismo no Espirito Santo é considerado a posse da alma do fiel pelo Espírito Santo, que revela sua presença através de sinais, um deles falar línguas estranhas. (ROLIM, 1987, p.21). 18.

(19) Os dons do Espírito Santo de (I Co.12:8-10), compreendido pela maioria das denominações protestantes como tendo cessado no I século, havia sido restaurada. (BURGESS e MCGEE, 1996, p.3) A partir de Los Angeles, a notícia do derreamento do Espirito santo, se espalha pelos Estado Unidos e arredores. Em pouco tempo, reavivamentos pentecostais surgem no Canadá, Inglaterra, Escandinávia, Alemanha, Índia, China, África do Sul, e América do Sul. Segundo a tradição pentecostal em 2 de março do ano 1907 Willian H. Durham visitou a Church of God in Christ na Azuza Street, 312, em Los Angeles, onde ele recebeu o batismo com Espírito Santo e falou em línguas. Seymour profetizou para Durham que onde quer que ele pregasse, o Espírito Santo cairia sobre as pessoas. Quando Durham voltou para sua igreja em Chicago, o avivamento pentecostal se espalhou rapidamente. As reuniões realizadas por Durham em sua igreja eram superlotadas, pessoas falavam em línguas e cantavam no Espírito, Durham relatando seu testemunho pentecostal diz que frequentemente repousava “uma fumaça azul” sobre a Missão e muitos que entravam no prédio caiam pelos corredores. (BURGESS e MCGEE, 1996, p. 255-256) Muitas pessoas vinham de longe ver o prodigioso pregador Durham e participar de suas reuniões, pessoas que mais tarde se tornaram pioneiros proeminentes do movimento pentecostal conforme Hollenweger (1976, p.10-12) e Burgess e McGee (1996, p. 255). Do círculo de seguidores de William Durham, que em 1907 organizou a North Avenue Mission, saíram Louis Francescon, Daniel Berg e Gunnar Vingren que iniciaram a propagação do pentecostalismo no Brasil. O movimento pentecostal chega ao Brasil em 1910 com a vinda do missionário Louis Francescon, que atuou em colônias italianas no sul e sudeste do Brasil, originando a Congregação Cristã no Brasil. Em 1911, Daniel Berg e Gunnar Vingren iniciaram suas missões no Pará e nordeste do país, dando origem as Assembleias de Deus.. 19.

(20) 1.2 AS RAIZES DO PENTECOSTALISMO NO BRASIL A PARTIR DAS BIOGRAFIA DE GUNNAR VINGREN E DANIEL BERG Adolf Gunnar Vingren nasceu em Ostra Husby, Ostergötland, Suécia, em 8 de agosto de 1879. Por serem crentes, seus pais procuraram desde sua infância lhe ensinar os caminhos e os preceitos do Senhor. Em 1897 aos 18 anos de idade Vingren é batizado nas águas na Igreja Batista em Wraka, Smaland, Suécia. Em 30 de outubro de 1903 Vingren embarcou rumo aos Estados Unidos. Lá, se formaria em Teologia no Seminário Teológico Batista Sueco de Chicago e seria consagrado pastor pela Igreja Batista. Em Novembro de 1909 Tocado pelo Movimento Pentecostal, foi a uma conferência da Igreja Batista sueca em Chicago com o firme propósito de buscar o batismo com Espirito Santo e com fogo, depois de cinco dias de espera Vingren diz: O Senhor Jesus me batizou com o Espirito santo e com fogo. (VINGREN, 1982, p.24-25). Gustaf Daniel Högberg nasceu em 19 de abril de 1884, na pequena cidade de Vargön (Ilha do lobo), na Suécia, às margens do lago de Vernern. Quando o evangelho começou a entrar nos lares de Vargön, seus pais, Gustav Verner Högberg e Fredrika Högberg, o receberam e ingressaram na Igreja Batista. Logo procuraram educar o filho segundo os princípios cristãos. Em 1899, quando contava 15 anos de idade, Daniel converteu-se e foi batizado nas águas na Igreja Batista de Ranum. Em 1909, em meio à viagem de retorno aos Estados Unidos, Daniel orou com insistência a Deus, pedindo o batismo com Espírito Santo. Ao aproximar-se das placas norte-americanas, sua oração foi respondida. A partir de então, sua vida mudou, Daniel passou a pregar mais a Palavra de Deus e a contar seu testemunho a todos. Berg diz: Ao aproximar-me da América do Norte, Jesus respondeu as minhas orações; as bênçãos divinas vieram sobre a minha cabeça e tudo se modificou. O mundo parecia diferente depois que recebi a resposta à oração. Parecia que o vento havia levado para longe todos os problemas. Meu caminho agora estava claro e não sentia dúvidas. Estava resolvido, a partir desse momento, a dar minha vida ao Senhor e contar aos que desejassem ouvir, o que eu recebera e o que a salvação é para todos aqueles que creem. (BERG, 1982, p.27). 20.

(21) Ainda na América, encontrou-se com outro sueco batista, Vingren, e juntos, seguindo a uma revelação divina dada a eles pelo irmão Olof Adolf Uldin, vieram ao Brasil fazer missões e aqui fundaram a Assembleia de Deus. Souza (2007) descreve por meio das palavras de Gideon Ulldin, filho de Ulldin como se deu à revelação de Deus aos missionários Vingren e Berg:. Foi na casa de meus pais, na cidade de South Bend, estado de Indiana (EUA), no ano de 1910, que os irmãos Gunnar Vingren e Daniel Berg receberam a sua chamada para o Brasil. Esses irmãos durante várias semanas hospedaram-se em nossa casa, e oravam constantemente ao Senhor para Ele os guiar quanto ao lugar onde deveriam dedicar suas vidas. Certo dia, meu pai, Olof Ulldin, que era um simples pintor de casas, contudo um homem de oração, fazia um trabalho na cozinha de nossa casa, quando repentinamente veio sobre ele o Espírito do Senhor. Ele ajoelhou-se e logo a família fez o mesmo, como também os hóspedes Gunnar Vingren e Daniel Berg. Eu, um menino de onze anos nesse tempo, ouvi meu pai falar em profecia a esses jovens pastores: “Ireis ao Pará. O seguinte é um hino que ouvireis quando ali chegardes”. Meu pai então cantou um hino em língua estranha, em português, um hino que mais tarde os missionários puderam identificar. Tudo isso foi debaixo da unção e da inspiração do Espírito Santo. (SOUZA, 2007, p.21). Após a revelação divina dada ao irmão Olof Adolf Uldin de que o lugar para onde deveriam ir era o Pará, no Brasil, partiram de Nova Iorque em direção ao Pará no dia 5 de novembro de 1910 e chegaram em terras brasileira, no dia 19 de novembro de 1910. A capital do Pará (Belém), em 1900 era uma das metrópoles mais moderna do país. (SARGES,2000, p.94) Belém era uma capital cosmopolita devido a exploração da borracha mas, com um cenário social de profunda dificuldade entre as classes mais pobres. Berg diz:. Era comum, àquela época, os leprosos andarem pelas ruas da cidade, com grande perigo de contaminarem as pessoas. Vimos doentes sem mãos ou sem pés, ou então com as orelhas e o nariz estragado pela doença. A quantidade de enfermos nas ruas era um espetáculo deprimente. A esse mal juntou-se outro: a febre amarela. Essa epidemia viera do interior; começou com alguns casos; mas, pouco tempo depois alastrou-se por toda cidade. As filas de enfermo nos hospitais eram cada dia mais longas, e os cortejos para o cemitério aumentavam a curtos intervalos. Era constrangedor ver as classes pobres, tão duramente provada na vida, assoberbadas com mais o fardo da doença sobre os ombros. Algumas pessoas que haviam. 21.

(22) perdido seus parentes vinham visitar-nos em nosso quarto-corredor para achar conforto na Palavra de Deus. [...] desejavam orações por suas vidas. (BERG, 1982, p.43-44). A biografia de Vingren e Berg é um legado pentecostal deixado aos assembleianos, um relato repleto de detalhes que nos permitem fazer uma leitura das raízes iniciais do pentecostalismo assembleiano brasileiro, o qual se inicia entre as classes mais pobres de Belém do Pará, e se desenvolve entre os imigrantes nordestinos. O relato dos missionários suecos em suas biografias também nos permite identificar alguns costumes do pentecostalismo, como por exemplo os cultos de oração onde se buscava o batismo com Espirito Santo, os dons espirituais e se orava por enfermos. (VINGREN, 1982, p.36). Vingren diz que “naquele tempo havia profecias em todos os cultos. Os dons do Espírito Santo estavam derramados sobre a igreja”. (VINGREN, 1982, p.68). Nestes cultos pentecostais as manifestações do Espirito Santo se misturavam com as emoções. Vingren diz: “Tivemos um culto hoje cheio do poder de Deus e de muita alegria. Eu ria tanto debaixo do poder de Deus, que quase perdi todas as forças. O mesmo aconteceu com os outros”. (VINGREN, 1982, p.67). Um caso interessante é a alegria de Vingren em atribuir a um movimento do corpo de um crente como sendo a manifestação do poder de Deus. Vingren diz: “Enquanto eu estava orando, um homem sentiu o poder de Deus de maneira tão forte, que foi levantado do chão por duas vezes. Eu tive de louvar muito ao Senhor e senti grande gozo no meu Deus”. (VINGREN, 1982, p.69). Analisando as biografia de Berg e Vingren pude perceber que a de Vingren possui detalhes sobre os cultos pentecostais no Brasil, Vingren diz que “os cultos eram como um campo de batalha. Vários foram lançados no chão pelo poder de Deus”. (VINGREN, 1982, p.87). Ao longo de sua biografia Vingren menciona a manifestação de vários dons do Espirito Santo: Línguas estranhas, cânticos espirituais, profecias etc. Esses detalhes me fizeram analisar a vida dos missionários suecos, onde encontrei diferenças significantes.. 22.

(23) Berg teve uma vida diferente de Vingren desde a infância. Berg foi guiado por princípios bíblicos que seus pais lhe ensinaram, nunca se afastou da igreja, o que não foi o caso de Vingren. (VINGREN, 1982, p.17). A vida de Berg sempre foi de fidelidade a Deus. O curioso é que como pentecostal não foi guiado por profecias como Vingren, cuja trajetória é repleta de manifestações proféticas que norteiam sua vida e fidelidade (VINGREN, 1982, p.17). Encontramos na biografia de Vingren sete profecias: 1. “Não temas! Eu sou o teu ajudador no deserto. Prega a minha mensagem, até que eu venha” (VINGREN, 1982, p.76). 2. “Coisas maravilhosas acontecerá na terra, mas também haverá muito aperto, e muito sangue correrá ainda” (VINGREN, 1982, p.79). 3. Tú tens guardado o teu vestido branco. Eu tenho me alegrado ouvido a tua voz. E porque tenho te chamado para ser minha testemunha, Eu te tenho guardado e salvado da morte” (VINGREN, 1982, p.86). 4. “Haverá vitórias maravilhosas no Brasil, mas também grande aflição” (VINGREN, 1982, p.89). 5. “Chega mais perto de mim! Eu conheço as tuas lutas. Passará por grandes tribulações e farão muitas ciladas para tirar a tua vida, mas eu farei com que sejam todos envergonhados e cairão nas suas próprias ciladas. Toma conta do meu rebanho, porque muitos são fracos”. (VINGREN, 1982, p.95). 6. “A seara está madura. Eu estou contigo. Sou eu que te envio!” (VINGREN, 1982, p.104). 7. “Eu estou contigo, meu servo. Muitos perigos te esperam, mas Eu te guardarei sempre” (VINGREN, 1982, p.118). A vida de Berg é alicerçada desde sua infância não em profecias como Vingren mas em princípios cristãos que nortearam toda a sua vida. Em suas memórias ele diz: Nós, as crianças, durante o verão e outono, passávamos todas as horas de férias nessas montanhas (Hunneberg e Halleberg) contemplando as fontes abundantes e os rios cristalinos. Quando subia essas montanhas por veredas estreitas, íngremes e juncadas de pedras pontiagudas, comparava esses caminhos ao caminho coberto de espinho do cristão. O pequeno templo da congregação, para cuja construção todos contribuíram, lá estava no meu lugar. A minha contribuição para a construção foi trazer pedras das matas para os alicerces. (BERG, 1982, p.9-10).. 23.

(24) Interessante é observar que na mentalidade infantil de Berg os alicerces da igreja devem ser feitos com pedras do caminho estreito e espinhoso da vida cristã. A profecia de Berg é sua bíblia assinalada com traços vermelhos em alguns trechos que podiam dar mais luz, paz e consolação a quem os lesse. (BERG, 1982, p.58). As dificuldades que surgiram na vida de Berg ele as transformou em obras estruturadas e bem alicerçadas de um verdadeiro evangelista. Temos vários relatos no diário de Vingren de igreja edificadas por Berg. (VINGREN, 1982, p.48-49, 61) No Jubileu de Ouro das Assembleias de Deus no Brasil, comemorado em Belém, Berg estava lá inalterado enquanto os irmãos faziam referência a sua atuação no início da obra. Para ele, a glória era única e exclusivamente para Jesus. Berg considerava-se apenas um instrumento de Deus.. Nas. comemorações do Jubileu no Rio de Janeiro, no Maracanãzinho, quando pastor Paulo Leivas Macalão colocou em sua lapela uma medalha de ouro, Berg externou visivelmente em seu rosto a ideia de que não merecia tal honraria. Até 1960, afirma Berg ter recebido, diretamente de Deus, a cura de suas enfermidades mediante a oração da fé. Mas, a respeito de suas condições de vida nos seus anos finais, pode-se inferir que não tinha o amparo que merecia. A esse respeito, o pioneiro Adriano Nobre protestou dizendo:. “O irmão Berg reside em São Paulo (cidade de Santo André). Não sei como ele vive ultimamente; tive, contudo, notícias desagradáveis com relação à sua condição de vida – não tem, segundo soube, o descanso que merece, nem o conforto que lhe devemos proporcionar. Irmãos, não sejamos injustos, lembremo-nos de auxiliar o tão amado pioneiro da obra pentecostal no Brasil”. (NOBRE, 1957, 32). Em 1963, Berg foi hospitalizado na Suécia. Mesmo assim, ainda trabalhava. Ele saía da enfermaria para distribuir folhetos e orar pelos que se decidiam. A disciplina interna do hospital não lhe permitia fazer esse trabalho, por isso uma enfermeira foi designada para impor-lhe a proibição. Porém, ao deparar-se com o homem de Deus alquebrado pelo peso dos anos, mas vigoroso em sua tarefa espiritual, não teve coragem e desistiu da tarefa. Berg, então, continuou a oferecer literaturas. 24.

(25) Em 27 de maio de 1963, aos 79 anos, Daniel Berg morreu. No epílogo da biografia de Berg há um comentário bem pentecostal sobre o legado deixado por Berg.. Os que aprenderam com Daniel Berg beberam de uma fonte cristalina e insuspeita. Ele nunca se queixava das provações que experimentava, ele nunca discutia assuntos de ordem política, ele nunca perdia tempo ou oportunidade, ele jamais negligenciou seus deveres de pai e de “pastor”. (BERG, 1982, p.167).. A breve análise das raízes do pentecostalismo nas biografias de Berg e Vingren tem como objetivo nesta dissertação entender o pentecostalismo assembleiano em seu início no Brasil, como eram seus cultos e como os crentes se comportavam diante das manifestações dos Dons do Espírito Santo.. 1.3 PENTECOSTALISMO: CONCEITOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS. O pentecostalismo é um despontamento do protestantismo que acredita na contemporaneidade dos dons do Espírito Santo. O nome do movimento deriva-se de Pentecostes, festa religiosa dos judeus realizada cinquenta dias após a páscoa. Segundo Burgess e Mcgee (1996, p.688) A igreja celebra a Festa de Pentecostes como o dia em que o Espírito Santo desceu em cumprimento da promessa de Jesus (Jo 16:7, 13, At 1:4, 14) o Pentecostes é tradicionalmente reconhecido como o nascimento da Igreja como uma instituição. Rolim (1987) diz que o pentecostes é um momento todo particular, onde a coragem se revela, onde o tímido Pedro fala de peito aberto a milhares de pessoas, onde o entendimento das Escrituras, dos profetas, isto é, do passado, vem pela iluminação do Espírito Santo, onde a história do povo judaico é chamada a unir-se ao presente - começo de uma nova era. Pentecostes é de modo especial, Deus na história em continuidade e não apenas a estrondosa manifestação do poder divino, pentecostes é a história de um povo onde Deus se manifesta de diversas maneiras. O que há no 25.

(26) pentecostes é um povo fazendo sua história e sua religião e Deus se manifestando nela. (ROLIM, 1987, p.17) Dentro desta história construída pelos pentecostais Rolim acentua alguns traços peculiares entre eles: as orações coletivas onde cada um ora como deseja, dizendo em voz alta o que sente, eles fazem suas orações com muita seriedade, uns falando em tom mais elevado, outros em tom mais baixo, levantam os braços, as mãos tremulando, outros ficam de cabeça abaixada. A emoções aparecem em suas exclamações: “Aleluia, Glória a Deus, glória ao poder de Deus, Jesus Maravilhoso, Jesus é poderoso e é ele quem muda a vida das pessoas”. Quando entram no templo se ajoelham em qualquer lugar, oram uns minutos e depois cumprimentam os outros, dando impressão de que se conhecem. Quando começam a cantar há muita participação entre eles. Quanto as pregações, pregam a bíblia, repetem muito o texto e caem no moralismo. Segundo Rolim (1987) os pentecostais são formados por camadas empobrecidas:. pedreiros,. sapateiros,. chapeleiros,. alfaiates,. motoristas,. trabalhadores rurais, empregadas domésticas, gente de pouca qualificação profissional e de reduzida instrução. É destas camadas sociais que procedem pessoas para os cargos de pastores e auxiliares (pastor é o cargo mais elevado). Diferente dos pentecostais, as igrejas protestantes preocupavam-se com a formação de seus pastores segundo o mesmo autor tais igrejas tinham suas escolas de formação para pastores, um ensino equivalente ao curso superior, onde se aprendia teologia, história do cristianismo e a Bíblia. A formação dos pentecostais ocorreriam pela prática dos cultos, da aprendizagem simples da leitura da Bíblia aos domingos e da própria pregação. A sua grande maioria não possuía curso médio para receber ensinamento mais elevado. Mas possuíam uma cultura adquirida na vida cotidiana. (ROLIM, 1987, p.24-25) Segundo Passo (2005) acentua, as características principais dos pentecostais são: a) o adepto pentecostal se considera diferente do mundo profano que para ele é comandado pelo mal (demônios); b) em vários grupos existe uma grande rigorosidade em relação à forma de se vestir, de se comportar 26.

(27) no meio social; c) as pregações focalizam a necessidade do indivíduo caracterizada pelo abandono dos pecados, das dores, problemas e sofrimentos de todos os tipos para uma nova vida repleta de dádivas espirituais e materiais. (PASSOS, 2005, p.35-40) A teologia pentecostal possui um alto rigor disciplinar, isso porque na interpretação de seus teólogos, a salvação está diretamente ligada a santificação. No pentecostalismo não é permitido fumar, tomar bebida alcoólica, participar de festas mundanas, shows, cinema, danças, futebol, aos homens não é permitido usas bermudas e andar sem camisa, as mulheres não é recomendado usar calça comprida ou até mesmo o uso de maquiagem, nem cortar o cabelo.. 1.4 A ASSEMBLEIA DE DEUS EM SÃO PAULO: USOS E COSTUMES E MODERNIZAÇÃO. Em 15 de novembro de 1927 a Assembleia de Deus chega a São Paulo através do casal de missionários suecos Daniel Berg e sua esposa Sara. No ano de 1929 a igreja foi oficializada com o nome Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério Belém. Os primeiros cultos em São Paulo foram assistidos somente por duas ou três pessoas. O pequeno grupo se reunia na pequena sala da casa alugada pelos casal de missionário na Vila Carrão. Em sua liturgia costumavam cantar hinos, tocavam alguns instrumentos e oravam. Os cultos eram realizados as portas fechadas. Muitas pessoas se converteram ali, o avanço da igreja Assembleia de Deus era constante na direção de todos os bairros da cidade. Conde (2008) relata o crescimento e expansão do trabalho iniciado por Berg e sua esposa em são Paulo. Pela citação de Conde podemos identificar alguns costumes específicos entre os primeiros assembleianos (jovens, anciãos, irmã e obreiros) em São Paulo.. 27.

(28) A expansão da igreja em são Paulo acentuava-se cada vez mais. O entusiasmo do povo de Deus não tinha limites. Os jovens organizavam coros e bandas de músicas. Os anciãos ocupavam-se com a pregação da Palavra de Deus. As irmãs promoviam trabalhos de oração. Os obreiros realizavam inúmeras atividades de evangelização. (CONDE, 2008, p.237). A igreja Assembleia de Deus Ministério Belém em São Paulo teve como seus pastores: Daniel Berg, Samuel Nystron, Samuel Hedlund, Simon Lundgren, Francisco Gonzaga da Silva, Bruno Skolimovski, Cícero Canuto. Atualmente a igreja em são Paulo tem como pastor José Wellington Bezerra que desde 6 de janeiro de 1980 preside o Ministério do Belém2. A igreja se localiza hoje à rua Conselheiro Cotegipe, 273 - Belenzinho, São Paulo. A partir do ano de 1980, a Assembleia em são Paulo é marcada por um novo tempo que poderíamos nomear como: “era Wellington” onde a proposta consistia no aprofundamento intelectual dos líderes assembleianos nos ensinamentos bíblicos, o objetivo da “era Wellington” seria elevar o nível intelectual de seus pastores para com isso combater os abusos causados pelo fanatismo. O Jornal Folha de São Paulo de 1982 no caderno Religião traz uma matéria sobre o crescimento pentecostal no Brasil, as mudanças e transformações iniciadas na Assembleia de Deus a partir da presidência do pastor José Wellington Bezerra O texto é escrito pelo jornalista Paulo Sergio Escarpa que diz:. [...] a Assembleia de Deus, no entanto, não pode ser considerada, hoje, como a mais tradicional do ramo. Ela já passa por transformações, como a implantação de curso teológicos, para pastores, presbíteros e diáconos, uma inovação feita após José Wellington assumir a presidência da igreja. “É necessário orientarmos os nossos pastores, para evitarmos os abusos que fatalmente desaguaram no fanatismo de massa”, comenta ele. Mais a iniciativa ainda não foi assimilada e “contemporanizada” pelo velho patriarca Cícero Canuto de Lima. “Os tempos são outros - justifica Wellington. Temos a necessidade de nos aprofundar nos ensinamentos bíblicos e elevarmos o nível intelectual de nossos irmãos, que são pessoas simples, dedicadas ao ministério[...] diz o pastor, que acaba de se formar em Direito pela Faculdade de Pouso Alegre - MG (ESCARPA, 1992, p.15).. 2. http://ad.org.br/index.php/ministerio.. 28.

(29) Segundo Escarpa o pastor Cícero Canuto de Lima que antecedeu ao pastor José Wellington Bezerra da Costa na liderança da igreja Assembleia de Deus em são Paulo não aceitava mudanças na orientação evangélica da igreja, nem mesmo a atualização de seus pastores, dizia ele: Não entendo porque os novos pastores devem fazer cursos de teologia. O Espírito de Deus se encarrega de nos iluminar, de nos orientar. Não há necessidade disso. Comenta o velho patriarca, dizendo que o dinheiro que está sendo gasto nestes cursos deveria ser empregado para a maior difusão da palavra de Deus por todo o Brasil [...]. O que me dói é estar abandonado pelos irmãos da minha igreja, que se esqueceram de mim e colocaram em meu lugar um pastor que está modificando a nossa tradição e a nossa força. Ele está se referindo ao pastor José Wellington que teria assumido a presidência da igreja em seu lugar (ESCARPA, 1992, p.15).. Diz ainda o jornalista Escarpa que os pentecostais da época interpretavam a Bíblia ao pé da letra e entendiam que o Espírito Santo era responsável por todas as obras. Quantos aos seus usos e costumes o jornalista Escarpa (1992, p.15) diz que na década de 80 estes pentecostais não fumavam, não ingeriam bebidas alcoólicas, não dançavam, não frequentavam teatro e cinema, eram muito severos na educação dos filhos, não se interessavam por política, não tinham amizade com pessoas que que não seguissem seus mesmo princípios religiosos. Atualmente a igreja Assembleia de Deus Ministério do Belém está organizada em 120 setores na Grande São Paulo.. Setor 1 Sede Belém; Setor 2 São Miguel Paulista; Setor 3 Lapa; Setor 4 Santana; Setor 5 Osasco; Setor 6 Indianópolis; Setor 7 Guaianazes; Setor 8 Cidade Ademar; Setor 9 Itaquera; Setor 10 Barueri; Setor 11 São Mateus; Setor 12 Cotia; Setor 13 Suzano; Setor 14 Jardim Ângela; Setor 15 vila Nhocuné; Setor 16 Artur Alvin; Setor 17 Parque são Lucas; Setor 18 vila Espanhola; Setor 19 Guarulhos; Setor 20 Arujá; Setor 21 Mairiporã; Setor 22 Itaquaquecetuba; Setor - 23 Vila Ré; Setor 24 Parque Santa Madalena; Setor 25 Caieiras; Setor 26 Carapicuíba; Setor 27 Ferraz de Vasconcelos; Setor 28 Diadema ; Setor 29 São Bernardo do Campo; Setor - 30 - Campo Limpo Paulista; Setor 31 Ermelino Matarazzo; Setor 32 Aricanduva; Setor 33 Jardim Itapema; Setor 34 Pinheiros; Setor 35 Cajamar; Setor - 36 - Vila Rio Branco; Setor - 37 – Itapevi; Setor 38 Atibaia; Setor 39 Parada XV de Novembro; Setor 40 Embu das Artes; Setor 41 Mogi das Cruzes;. 29.

(30) Setor 42 Poá; Setor 43 Franco da Rocha; Setor 44 Francisco Morato; Setor 45 Taboão da Serra; Setor 46 Embu Guaçu; Setor 47 Santa Emília; Setor 48 Itapecerica da Serra; Setor 49 Jardim dos Pimentas; Setor 50 Parelheiros; Setor 51 Parada de Taipas; Setor 52 Parque Cocaia; Setor 53 Itaim Paulista; Setor 54 Vargem Grande Paulista – SP; Setor 55 Jarinú; Setor 56 Perus; Setor 57 Cocaia do Alto; Setor 58 Santana de Parnaíba; Setor 59 Santa Isabel; Setor 60 Santo André; Setor 61 vila Rodrigues; Setor 62 Pirituba; Setor - 102 Brás; Setor 103 Cambuci; Setor 104 Campo Limpo (Zona Sul); Setor 105 Jabaquara; Setor 106 Praça da Sé; Setor 107 São Caetano do Sul; Setor 108 Tatuapé; Setor 109 Interlagos; Setor 110 Vila Bertioga; Setor 111 Vila Carrão; Setor 112 Vila Diva; Setor 113 Vila Fátima; Setor 114 Vila Formosa; Setor 115 Vila Guarani; Setor 116 Vila Gumercindo; Setor 117 Vila Talarico; Setor 119 Nelson Cruz; Setor 120 Costa valente3.. Estes setores formam uma rede de comunicação e transmissão das doutrinas pentecostais e dos usos e costumes assembleianos com a sede Belém. Cada setor é presidido por um pastor, entre estes líderes setoriais existem os conservadores e o mais liberais. Os setores são formados por várias igrejas ligadas a ele. Dentro de cada uma dessas igrejas possuem obreiros (pastores, evangelistas, presbíteros, diáconos e cooperadores) e líderes locais de jovens, adolescentes, círculo de oração, crianças, coral, orquestra. A complexidade desse sistema nos permite analisar o quanto é difícil a visão de unidade quanto as doutrinas pentecostais e os usos e costumes assembleianos. Segundo o pastor José Wellington Bezerra da Costa a Assembleia de Deus está adornada de enfeites: movimentos humanos, firulas4, retetés5, fruto de mentes férteis. Na 12º ELADES6 (Encontro de Líderes das Assembleia de Deus dos Estados do Sul) realizada em 5 de maio de 2008 na igreja Assembleia de Deus em Florianópolis (SC) o pastor José Wellington Bezerra da Costa diz:. 3. Fonte: http://tvadbelem.com.br/tv/encontre-uma-igreja/ Firula: Ato de florear, enfeitar, enrolar, rodear, confundir, dar voltas, ações ou palavras desnecessárias e dispensáveis, perda de tempo, conjunto de ações excessivas e desnecessárias que gerem desperdício e falta de eficiência, movimento de argumentações com a finalidade de enganar, confundir, complicar ou ludibriar, desviar a atenção do objeto principal por meio do uso de artifícios escusos, persuadir desviando a atenção do que é mais importante. 5Reteté: são movimentos dentro do pentecostalismo assembleiano, em que há dança, rodopios, aviãozinho, gritos, onde as pessoas marcham, pulão, gritam. Estes movimentos são um ambiente de profunda emocionalidade. 6 Disponível: https://www.youtube.com/watch?v=W1Q1a21TJ_s 4. 30.

(31) Em quase cem anos de assembleia de Deus no Brasil nós estamos experimentando um período que existe muita coisa diferente entre nós, há um pequeno grupo voltado para a igreja de movimentos humanos, não é essa nossa assembleia de Deus que nossos pais nos confiaram Estamos orientando os nossos obreiros mais novos, que eles possam ver em nós o exemplo, estamos colocados como coluna que não se move, fomos colocados como sustentação. É bem verdade que a engenharia coloca colunas como adorno, isso faz parte do nosso ministério. A nós compete manter o ensino da sã doutrina, não importa que alguém com mente fértil possa trazer inovações, isso são enfeites. Se estamos ocupados com essas firulas, esses retetés, hinos de forró que tem por aí em muitos lugares, isso está acontecendo porque está faltando ensino, quando isso ocorre o mundo entra na igreja e ela gela e os cultos são como reuniões sociais, ali o pastor e seus companheiros por não ter unção, poder, por não ter lugar para que o Espirito Santo opere, colocam a mente para funcionar, começam a inventar movimentos ai o povo se espalha. Nós para determinada facção estamos nos tornando antipáticos. Eu recebi o telefone de um rapaz pedindo a substituição de seu pastor que segundo ele estava ultrapassado, só cantava hinos da harpa, o rapaz me disse: pastor nós queríamos um culto alegre, nós queremos corinho, queremos aquela vibração de bater palmas, se o pastor que o senhor enviar rebolar um pouquinho não faz mal, e se houver algum movimento ele pode dar uns passinhos, dança santa. Eu disse a ele quanto tempo você tem de assembleia de Deus ele me disse que desde a infância, perguntei para se seus pais eram crentes e ele disse que sim, então disse a ele pergunte a seus pais se a igreja deles é a mesma que você quer, e ele me disse que seus pais eram contra as inovações, então disse a ele, abandone as inovações e volte a bíblia 7.. Na 12º ELADES mencionada acima o pastor José Wellington Bezerra iniciou sua palavra enfatizado as razões dos pastores terem sido colocados como líderes setoriais, Wellington diz: 1) “Pôr em boa ordem as coisas que ainda restam, 2) estabelecer presbíteros, homens maridos de uma só mulher com filhos fieis que não possam ser acusados de dissolução e desobediência, homens justos, santos, temperantes, amigos do bem, não cobiçosos de torpe ganancia.. Fonte: Serie de Mensagem da Revista Manual do Obreiro Edição especial – mensagem pregada no culto de abertura do 12º ELADES no dia 5 de maio de 2008 na igreja Assembleia de Deus em Florianópolis, SC. – CPAD. 7. 31.

(32) Segundos o pastor Wellington muitas são as dificuldades nos setores, portanto se deve convencer os contradizentes porque há muitos desordenados, faladores, homens que transformam casa inteiras ensinando o que não convém, homens mentirosos. O Pastor Wellington termina sua palavra de orientação aos pastores setoriais conscientizando-os quanto as responsabilidades que lhes foi outorgada, ele conclui dizendo: “temos irmãos (pastores) cuja a mente é tão fértil, eles tem o dom de mandar, tão precioso, ele manda, manda e manda mas não faz nada, companheiros em tudo te dá por exemplo, amém”. Diante de tanta complexidade existente nesta rede de comunicação e transmissão das doutrinas pentecostais e dos usos e costumes assembleianos nitidamente percebemos a dificuldade de se manter inalterados as doutrinas e principalmente os usos e costumes. Toda essa complexidade nos motivou a entender principalmente como os usos e costumes se mantem vivos no contexto assembleiano. Analisando o Estatuto da CGADB, o juramento da Assembleia de Deus para presbíteros e diáconos e o depoimentos dos membros da igreja referente aos usos e costumes, entrei três níveis da normatividade assembleiana: Normativo, juramentar e espiritual. No primeiro nível que chamo aqui de normativo, os conveniados a CGADB (Evangelistas e pastores) conservam sua postura e comportamento em obediência a normatividade da CGAB. O artigo 8º do Estatuto da Convenção Geral das Assembleia de Deus no Brasil corrobora com nossa percepção quando diz:. Art. 8º. São deveres dos membros da CGADB: I - cumprir o disposto neste Estatuto, bem como as Resoluções das Assembleias Gerais e da Mesa Diretora da Convenção Geral; II - obedecer ao credo doutrinário das Assembleias de Deus no Brasil, publicado no órgão oficial da CGADB – Mensageiro da Paz8;. 8. Fonte: https://www.cgadb.org.br/index.php/estatuto. 32.

(33) No segundo nível que denominamos nesta pesquisa de juramentar, toda normatividade é mantida por juramento efetivado pelos obreiros do Ministério Belém (diáconos e presbíteros) no dia de sua separação. Este juramento só é necessário aos obreiros ainda não conveniados a CGADB. O juramento diz: JURAMENTO PARA O DIACONATO E PRESBITERIO Os irmãos prometem diante de Deus e de sua Igreja, aqui reunida, ter sempre a Bíblia Sagrada como a infalível e inerrante palavra inspirada de Deus? Sim, eu prometo. Os irmãos prometem diante de Deus e de sua Igreja, aqui reunida, serem fiéis a sua Igreja e ao seu Pastor, zelando pela boa condução do povo de Deus? Sim, eu prometo. Os irmãos prometem diante de Deus e de sua Igreja, aqui reunida, exercer fielmente o diaconato, presbitério, tendo-o sempre em duplicada honra conforme preceitua a palavra de Deus? Sim, eu prometo. Os irmãos prometem diante de Deus e de sua Igreja, aqui reunida, serem fieis à palavra de Deus, observando e cumprindo a doutrina e costumes inerentes a essa Igreja? Sim, eu prometo9.. O terceiro nível da normatividade assembleiana conceituamos aqui como espiritual, neste nível ela é interpretada como sendo a vontade de Deus, dela nasce toda a simbologia dos usos e costumes, salto alto é cavalo do diabo, terno com corte lateral ou traseiro é o rabo do diabo, cigarro é chupeta do diabo etc. A impressão que temos é que essa normatividade é tecida de cima para baixo, e se resinifica até ser “espiritualizada”, quando isso ocorre, a normatividade adentra a uma pluralidade de interpretações imaginárias onde Deus passa a ser um ser confuso no que quer e não quer. É no meio dessa diversidade e complexidade que permeia a normatividade assembleiana que optamos por estudar os usos e costumes, um assunto fascinante cheio de questionamentos. Adentraremos no próximo tópico ao pentecostalismo em Itapecerica da Serra onde estudaremos mais profundamente os usos e costumes da Assembleia de Deus Ministério Belém nesta localidade.. 9. Fonte: Cedido pela Secretaria da Igreja Assembleia de Deus Belém em São Paulo em 04\01\2016. 33.

(34) 1.5 A CHEGADA DO PENTECOSTALISMO EM ITAPECERICA DA SERRA A cidade de Itapecerica da Serra, localizada a 33 km da cidade de São Paulo na região sul, possui atualmente cerca de 152.614habitantes distribuídos em diversos bairros. (SÁ,2012, p.58). Os principais são bairros são: Centro, Parque Paraíso, Valo Velho, Jardim Hitóshi, Jardim Branca Flor, Lagoa, Jardim Anâlandia, Jardim Paraíso, Jardim Itapecerica, Jardim Montesano, Jardim Jacira, Jardim Sampaio, Recreio Campestre, Jardim São Marcos, Jardim Embu-Mirim, Jardim Mombaça, Jardim Imperatriz, Jardim das Palmeiras, Jardim Cinira, Jardim Marilu, Itaquaciara, Crispim, Jardim São Pedro, Jardim Renato, Jardim das Oliveiras, Olaria, Potuverá, Recanto da Floresta, Ressaca, Aldeinha, Recreio Primavera, Yara Ceci, Jardim Idemori, Jardim Santa Julia, Chácara Santa Maria, dentre outros. Dentro do que tem sido encarado como memória itapecericana, consta que a cidade tem como origem histórica em um aldeamento indígena fundado pelos Jesuítas em 1562, sob a invocação de Nossa Senhora dos Prazeres, com o propósito de ser um posto avançado de colonização, catequização (SÁ,2012, p.27). Os jesuítas responsáveis pela catequização gentílica tinham múltiplos objetivos em sua tarefa: religioso, social, político e econômico, o que faziam deles educadores polivalentes. Além dos ensinamentos religiosos, os padres transmitiam as primeiras letras e os cálculos básicos para os meninos e artes domesticas para as meninas. Os jesuítas criaram em Itapecerica da Serra verdadeiras escolas de qualificação profissional, onde os índios eram transformados em pedreiros, carpinteiros, músicos e um sem-número de outras especializações. A ação dos padres jesuítas foi decisiva para a formação do lugarejo, desde a construção da primeira capela até a eleição de um novo lugar para onde seriam transferidos a igreja e o povoado. Eles também foram responsáveis pela construção da segunda capela feita de taipa10, ao pé da colina, onde se. 10. Taipa: parede feita de barro, ou cal e areia, calçados entre paus cruzado por ripas.. 34.

(35) encontrava a imagem de Nossa Senhora dos Prazeres, posteriormente considerada padroeira de Itapecerica (SÁ,2012, p.28). A função dos jesuítas era o avanço sobre o sertão expandindo o território para a colônia portuguesa. O aldeamento passava a ter grandes fazendas agrícolas produzindo mandioca, legumes e trigo. Estes produtos serviam ás necessidades do aldeamento e abastecia também aldeamentos maiores como são Paulo. Seu desenvolvimento econômico despontou devido à expansão da lavoura local, à construção do Mairinque-Santos da Estrada de Ferro Sorocabana, que cortava todo o município e ao grande impulso da imigração alemã, custeada pelo governo brasileiro, de tal importância que, segundo Sá (2012, p.29) em 1827, o aldeamento indígena foi transformado em colônia alemã, por meio de um aviso imperial. Em 20 de fevereiro de 1841, o povoado foi elevado à “Freguesia11”. Em 1877, através da Lei Provincial nº 33, de 08 de maio, foi Itapecerica elevada à categoria de vila. Itapecerica, de acordo com o Decreto-Lei Estadual nº 14.335, de 30 de novembro de 1944, passou a denominar-se Itapecerica da Serra, para diferenciar-se do Município homônimo situado no Estado de Minas Gerais12. Verifica-se na história itapecericana uma população cosmopolita, composta por imigrantes alemães, italianos, espanhóis, japoneses, libaneses, nordestinos, negros e indígena os quais influenciaram culturalmente e socialmente a formação da identidade do povo itapecericano. Suas principais atividades econômicas se encontram nos setores primário, secundário e terciário. No setor primário destaca-se a agropecuária como atividade responsável pela produção de bens de consumo, mediante ao cultivo de plantas e da criação de animais como gado, suíno, aves, entre outros. A agropecuária é praticada em geral por pequenos produtores que utilizam. 11 12. Freguesia: subdivisão de uma administração colonial vinculada ao governo de Portugal. Ibid, p.29.. 35.

(36) práticas tradicionais, cujo conhecimento das técnicas é repassado através de gerações. No setor secundário sobressai a indústria como atividade econômica surgida na Primeira Revolução Industrial, no final do século XVIII e início do século XIX, na Inglaterra, e que tem por finalidade transformar matéria-prima em produtos comercializáveis, utilizando para isso força humana, máquina e energia. No terciário sobreleva-se as atividades de oferecimento de serviços, comerciais, pessoais ou comunitário a terceiros. (SÁ,2012, p.61) Itapecerica da Serra se desenvolveu sobre uma matriz 13 social eminentemente católica, tanto devido à colonização quanto à imigração — e ainda hoje a maioria dos itapecericanos declara-se católica. —, é possível encontrar atualmente na cidade dezenas de denominações protestantes diferentes, como a Igreja Presbiteriana, a Igreja Metodista, a igrejas batista, a Igreja Assembleia de Deus, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, a Igreja Mundial do Poder de Deus, a Igreja Universal do Reino de Deus, a Congregação Cristã no Brasil, entre outras. De acordo com dados do Censo de 201014 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de Itapecerica da Serra (152.614hab.) está composta por: 59,39% de católicos, 25,30% de protestantes, sendo que 15,98% são de origem pentecostal, 10,84% são pessoas sem religião. Entre as denominações de origem pentecostais em Itapecerica da Serra destacam-se as Assembleias de Deus com 6,15%, a Congregação Cristã do Brasil com 1,94% e a Deus é Amor com 1,02%%. Pelos dados do Censo de 2010 que serão expostos no quadro abaixo constatamos que Itapecerica da serra. é. um. município. de. fortes. influências. neopentecostais. com. aproximadamente 6,78%.. 13. Matriz: Este termo é usado aqui para descrever o contexto social e conservador em que se desenvolveu o protestantismo e pentecostalismo em Itapecerica da Serra. 14Fonte:http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/temas.php?lang=&codmun=352220&idtema=91&s earch=sao-paulo%7Citapecerica-da-serra%7Ccenso-demografico-2010:-resultados-da amostra-religião-. 36.

Referências

Documentos relacionados

Com o intuito de garantir a eficiência da atividade inspetiva, assegurando a boa continuidade processual, foi consagrado em QUAR um indicador de execução a %,

Neste sentido, o departamento de Service da WEG em parceria com a empresa Renner Têxtil, desenvolveu projeto para redução do consumo de energia elétrica no sistema

a) Nas operações de Cash Advance a crédito, incide uma taxa de 3,95% sobre o montante pedido (máximo 1.000€ de 4 em 4 dias nos levantamentos em ATM’s), acrescida de 2,90€

1- Designar Comissão composta pelos Professores ANGELO MARIO DO PRADO PESSANHA, matrícula SIAPE 311702; CESAR FREDERICO DOS SANTOS VON DOLLINGER, matrícula SIAPE 2321560; FRANCISCO

Estudos mais re- centes que avaliaram o efeito do laser Nd:YAG em cemento, concluíram que a irradiação pode ser útil na prevenção de cáries radiculares e abrasão cervical, uma

Como parte integrante dos procedimentos para a contratação de obras e serviços, bem como compra, alienação e locação de bens moveis e imóveis, têm sido publicados Termos

(E) pelo Presidente e até seis Diretores, todos nomeados e destituíveis, a qualquer tempo, pelo Ministro de Estado da Saúde, por indicação do Presidente da

Para aguçar seu intelecto, para tomar-se mais observador, para aperfeiçoar-se no poder de concentração de espí­ rito, para obrigar-se â atençOo, para desenvolver o espírito