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Capítulo 6: Discussão dos resultados

6.2. Validade dos resultados

Como referido no ponto 4.4. – Fiabilidade e validade dos instrumentos de recolha de informação utilizados –, foram feitos esforços por todos os intervenientes desta investigação para que a mesma fosse pautada por uma conduta honesta, íntegra, objetiva e clara na descrição dos procedimentos levados a cabo e dos resultados alcançados. No entanto, e apesar dos tecnicismos e da metodologia usada na recolha e no tratamento de dados não se evidenciarem por um rigor científico que assevere a exatidão dos resultados, é de acentuar que a informação e os resultados obtidos através dos quatro instrumentos de recolha de informação – blogue, questionários, fichas de autoavaliação e grelhas de observação – revelam correlação entre si, o que sustenta a validade, fiabilidade e confiança deste estudo.

Contudo, é de ressaltar algumas variáveis não controláveis que poderão desvirtuar os resultados deste estudo, podendo incluir-se, também, uma possível falha na interpretação de variáveis não identificadas de forma explícita ou controladas estatisticamente.

Entre as variáveis incontroláveis, destaca-se a variação do número de participantes dos grupos de Inglês e Espanhol que esteve presente nas várias fases de recolha de

89 informação - durante os ciclos zero, 1.º e 2.º -, nomeadamente através da escrita de comentários no blogue, preenchimento de questionários e fichas de autoavaliação. Alguns alunos, por vezes, não estavam presentes por motivos pessoais ou de saúde ou por se encontrarem em apoio na turma mais no momento das aulas. Também, no grupo de Inglês, que era a turma com um maior número total de alunos, em algumas atividades de produção escrita, um ou dois alunos tiveram que trabalhar em pares porque alguns (poucos) computadores não estavam funcionais. Além deste fator, importa referir que a amostra deste Projeto de Investigação-Ação é restrita e não representativa e, como tal, não é fiável generalizar e dimensionar a uma larga escala os resultados obtidos (Sousa, 2005, p. 98-99).

De igual forma e, na validação do enunciado “o uso do blogue motiva para as atividades de escrita”, poder-se-á apontar como um elemento desvirtuador o maior ou menor interesse dos alunos pelos temas de texto propostos, que foram selecionados de acordo com as unidades temáticas por eles estudadas naquele momento. Aliado ao interesse, a imaginação de cada interveniente para desenvolver os temas sugeridos também poderá ter condicionado a sua motivação na utilização do blogue, visto que nenhuma das atividades de escrita foi de tema livre por limitações inerentes ao cumprimento da planificação anual do grupo disciplinar da escola.

Por fim, cabe ainda mencionar que, embora o uso do blogue para fins educacionais se tivesse restringido a este projeto, houve outros intervenientes no processo de ensino e aprendizagem, designadamente as orientadoras de estágio e colegas estagiárias (outra variável incontrolável). Este facto poderá ter influenciado, de alguma forma, o desempenho dos alunos no que diz respeito a este Projeto de Investigação-Ação.

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Conclusão

Este Projeto de Investigação-Ação, inserido no âmbito da Iniciação à Prática Pedagógica no ensino de Inglês e Espanhol, visou, no fundamental, dar resposta à questão: pode o uso do blogue motivar para a produção escrita e desenvolver a expressão

e interação escritas dos alunos de Inglês e de Espanhol?

A experiência vivida e recolhida na sala de aula e os resultados da investigação apresentados neste trabalho permitem dar uma resposta afirmativa à questão acima, isto é, o blogue é efetivamente uma ferramenta informática que permite ao docente, num quadro de moderna interação com a turma, alcançar nesta resultados muito promissores na aprendizagem das línguas. Pode mesmo dizer-se que este recurso tecnológico contribui para acelerar as curvas de aprendizagem da maioria dos alunos, o que é facilitado pela envolvência motivacional decorrente da interação de todos com todos, através da escrita (post) no microcomputador, em rede digital.

Em termos simples, pode pois afirmar-se que este projeto foi inovador para as turmas envolvidas e que os resultados obtidos indicam que foram alcançados os objetivos perseguidos, designadamente ao nível da motivação para a escrita e do desenvolvimento da expressão e interação escritas.

No presente estudo, ficou clara a preferência dos alunos pelo trabalho em ambientes digitais, associando o computador e o blogue a uma maior predisposição para a escrita, à diversão e a um maior interesse ou motivação, vantagens deste recurso didático (Gómez- Pantoja, 2008 e Reed, 1996). Outrossim, como defendido por Orihuela (2005, citado em Mercedes, 2012), o caráter multimédia do blogue, ou seja, a oferta diversificada de materiais disponíveis na rede Internet (vídeos, imagens e outros) revelou ser também um fator motivacional.

Este incremento de motivação refletiu-se, indubitavelmente, no desempenho dos alunos, através do elevado número de participações e da qualidade crescente das suas produções escritas. Esta constatação vem confirmar as investigações levadas a cabo por Trenchs (2001), Rodríguez Martín (2004) e Castro (2007) que defendem que esse entusiasmo se manifesta numa melhoria da competência comunicativa da língua meta.

O desenvolvimento desta competência foi ainda beneficiado pelo facto de o blogue ser uma ferramenta que favorece o intercâmbio de informação e comunicação entre as pessoas (Gómez-Pantoja, 2008). Assim, as atividades realizadas e a sua publicação deram oportunidade aos alunos de usar as Línguas Inglesa e Espanhola em situações semelhantes

91 às do seu quotidiano, com pessoas reais, que liam e comentavam o que eles escreviam, e com as quais podiam partilhar opiniões e até outros materiais. Esta interação com os colegas contribuiu para que a escrita deixasse de ser uma “solitary activity” (Byrne, 1993), e fosse minorada a dificuldade que lhe está associada.

De notar ainda, que este ambiente dialógico e interativo proporcionado pelo blogue contribuiu para a integração de atitudes de reflexão e responsabilidade por parte dos alunos. De acordo com os dados recolhidos, estes revelaram mais cuidado ao escrever e criaram o hábito de ler os textos antes de publicá-los. Desta forma, criou-se um espaço digital de aprendizagem propiciador do desenvolvimento da expressão e interação escritas, como comprovado pela melhoria dos resultados discutidos no capítulo 6. Ademais, a evolução verificada na média global de desempenho das duas turmas entre o Ciclo zero (3, Suficiente), em que a atividade foi realizada em papel, e o Segundo ciclo (4, Bom), que se desenrolou num ambiente digital, vem reforçar o contributo do uso do blogue para o desenvolvimento da escrita.

Impõe-se ainda ressaltar que nem todas as atividades decorreram durante a aula, tendo algumas delas sido realizadas em casa. Além disso, os pais ou encarregados de educação podiam também ter acesso ao blogue, o que concedeu uma audiência mais alargada aos alunos. Estes factos permitiram criar situações mais próximas da realidade, demonstrando assim que a comunicação através do blogue ultrapassa os limites da sala de aula (D’ Eça, 2007).

Recordando os estudos de Richards & Rodgers (2003), Caballero (2001) e Gelabert, Bueso e Benítez (2002), impõe-seainda relevar o contributo da adoção de uma abordagem processual da escrita, que decorre do Ensino Comunicativo da Língua, para a melhoria das aprendizagens. Contrariamente às tradicionais práticas da escrita com enfoque no produto, enfatizou-se o desenvolvimento do processo da escrita, tentando motivar os alunos, através de materiais diversificados e adequados e propostas de trabalho que procuraram ser autênticas, úteis e atrativas, para a apropriação dos conteúdos linguísticos necessários e orientando-os no tipo de texto a produzir, no conteúdo e na forma antes do ato de escrever.

Por outro lado, o já referido caráter multimédia do blogue, ao permitir a consulta de dicionários e mesmo de endereços eletrónicos relacionados com o tema em estudo, ajudou os alunos a produzir os seus textos, colaborar na heterocorreção e proceder à autocorreção, com base nas sugestões dos colegas e da professora. A correção impulsionou, assim, a revisão e o melhoramento de textos, fases integrantes do processo

92 de escrita. Foi, ainda, criado um ambiente favorável ao desenvolvimento da autonomia do aprendente que resultou, não sóda escolha do blogue como meio de trabalho, mas também da abordagem da escrita adotada, incluindo as estratégias/técnicas de correção implementadas. Consequentemente, os resultados revelaram uma crescente autonomia dos alunos, ainda que este fosse um objetivo secundário deste Projeto.

Incidindo apenas sobre duas turmas (duas pequenas amostras, logo, dois contextos de investigação), uma de Inglês e outra de Espanhol, os resultados verificados no Projeto poderão contudo ser extrapolados para um universo maior. Isto requer, no entanto, a utilização de “ponderadores” para cada uma das variáveis que podem ser identificadas em trabalhos desta natureza (meio/escola, turma, “turma mais”, recursos humanos, materiais, aulas ou tempos letivos, etc.).

De facto, importa registar que os resultados atingidos com o Projeto são o “output” de um conjunto combinado de “inputs”: docente, alunos, outros professores, prática letiva e metodologias, número de aulas, etc., todos representando “variáveis”, umas controláveis, outras não controláveis, que, a seu modo, impactam no referido “output”, seja em razão da sua importância, seja em razão das suas “restrições” ou “limitações”.

“Limitação”, condicionante dos resultados, é, por exemplo, o facto do exercício da docência nas turmas em estudo ter sido partilhado com outros professores, o que se traduz na incerteza do “ponderador” ou da influência desta variável (outros professores) nos resultados alcançados. Outro exemplo de limitação é o representado pela existência na escola de uma “turma mais”, em cujas atividades alguns alunos, por vezes, participaram em detrimento da participação na aula de língua estrangeira. Ambos os exemplos citados podem ser variáveis a considerar/discutir no desenvolvimento de novos Projetos neste domínio do uso do blogue nas aulas de língua estrangeira. Admite-se, no entanto, que seja pouco significativo o seu “peso” nos resultados a alcançar, como, eventualmente, terá sido nos resultados deste Projeto.

Em todo o caso, as amostras deste Projeto de Investigação-Ação são restritas e não representativas, o que significa que não é fiável generalizar e dimensionar a uma larga escala os resultados obtidos (Sousa, 2005).

Por outro lado, a constatada crescente autonomia dos alunos na sua aprendizagem do Inglês e do Espanhol, suportada no blogue e nos recursos disponibilizados na rede Internet, significa a transformação da clássica aula numa Equipa de Investigação. Esta mudança não é coisa pouca, tratando-se de escrita, caracterizada em geral como “atividade solitária” e “difícil”.

93 Trata-se de corporizar na sala de aula um ambiente de trabalho motivador e colaborativo, focado nos objetivos a atingir individual e coletivamente, caracterizado pela interatividade e partilha de ideias com os colegas. Estamos, desta forma, perante a vantagem da aprendizagem através de espaços digitais, apontada por vários autores (Carmelo Loya, 2006; Hedge, 2000; Bitter & Legacy, 2009; Reed, 1996).

Diagnosticar o ponto de partida da autonomia dos alunos e verificar o nível da sua autonomia no fim do Projeto, em resultado da utilização do blogue, é um aspeto de estudo que pode ser seguido no futuro.

Outras áreas merecedoras de investigação estariam relacionadas com a exploração das potencialidades do blogue para o desenvolvimento de outras competências, como sejam a compreensão auditiva e de leitura, e a expressão e interação oral.

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