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Valuation of capital and mediated semiosis: between modes of production and forms of

producing

Jairo Ferreira1

RESUMO: Neste capítulo, o objetivo é refletir sobre como este

meio específico – a tecnologia – pode ser pensado na perspec- tiva das epistemologias da midiatização em tensão com o modo de produção do capital. As questões centrais aqui abordadas são: há uma contradição entre a semiose social que se instala nos processos de midiatização e a semiose dos processos de valori- zação do capital? Em que medida a segunda aciona a valorização como troca simétrica entre valores? Ou, pelo contrário, há uma aceleração das defasagens irreversíveis nos processos de senti- do, inerente à circulação midiática contemporânea? Retomamos os conceitos de formas de produção e formas de valorização de sentido como mais apropriados para pensar a tensão entre mi- diatização e modo de produção capitalista – em que a disrupção inerente à semiose social midiatizada rompe com os limites ten-

1 Professor Titular do PPGCC – Unisinos. E-mail: [email protected]. Desen- volve pesquisas nos seguintes temas: epistemologias da comunicação, mi- diatização, dispositivos e processos sociomidiáticos. CV: http://lattes.cnpq. br/8243334414084240.

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tados pelas regulações e controles típicos dos sistemas midiáti- cos digitais em rede, contemporâneos. Mas concluímos que as disrupções contemporâneas, agenciadas pelo paradigma midiá- tico-indiciário, podem ser funcionais à desrealização do capital típica do capitalismo financeiro.

PALAVRAS-CHAVE: Semiose. Tecnologia. Meios. Usos, práticas e

apropriações. Economia política.

ABSTRACT: In this chapter, the goal is to reflect on how this spe-

cific medium – technology – can be thought of in the perspec- tive of the epistemologies of mediatization in tension with the mode of production of capital. The central issues addressed here are: is there a contradiction between the social semiosis that is installed in the processes of mediatization and the semiosis of capital valuation processes? To what extent does the second ac- tuate valuation as a symmetric exchange between values? Or, on the contrary, is there an acceleration of irreversible gaps in the processes of meaning inherent in contemporary media circula- tion? We resume the concepts of forms of production and ways of valuing meaning as more appropriate to think of the tension between mediatization and the capitalist mode of production - in which the disruption inherent in mediated social semiosis breaks with the limits attempted by the regulations and controls typical of contemporary networked digital media systems. Yet, we conclude that contemporary disruptions, promoted by the mediatic-indiciary paradigm, can be functional to the derealiza- tion of capital typical of financial capitalism.

KEYWORDS: semiosis; technology; means; uses, practices and

appropriations; political economy.

1 Introdução

Diz-se que meio de comunicação não é tecnologia. Sim, a tecnologia não é o único meio de comunicação. Porém, o meio também é tecnologia. Nesse sentido, há duas ideologias: esta- belecer a igualdade entre meio de comunicação e tecnologia e subtrair a tecnologia dos meios de comunicação. Esse percurso crítico, na modernidade, foi inaugurado por Marx. O percurso

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das técnicas e tecnologias até os modos de produção é uma das grandes heranças da crítica à economia política, desenvolvida por Marx. Inserida em relações sociais de produção, a técnica e tecnologia não produz, em si, valores sociais. É sempre meio acionado por outros valores – no caso, a valorização do capital econômico. Porém, uma vez mobilizada como força produtiva (objetivada especialmente em capital constante, portanto, traba- lho morto, se utilizarmos a terminologia marxista), a tecnologia ingressa num conjunto de relações sociais de valorização, onde as ações e interações sociais passam a ser centrais – nas relações com a natureza e com o social. O capital, inclusive o imobilizado em tecnologias, passa a mediar as relações entre trabalho, técni- ca e tecnologias.

A midiatização contemporânea é parte destes proces- sos, como sugere a linhagem de pesquisa em economia políti- ca da comunicação. Nesse sentido, pode-se falar em separação entre trabalho, técnica e tecnologias também no que se refere à produção social de signos, linguagem e discursos, visando a interações sociais e com a natureza. Essa separação é indisso- ciável da apropriação pelos capitais dos meios tecnológicos, de produção, consumo e circulação, de informação e comunicação.

Porém, essa condensação não nos permite concluir que a sociedade seja unidimensional.

O primeiro argumento se refere à inserção da tecnolo- gia em processos interacionais e semiocognitivos. A tecnologia se inscreve na semiose, como materialidade-signo manifesto em interfaces com as linguagens, acionadas pela ação e interações sociais como imaginários, referências e símbolos tentativos. Especificamos essa proposição diferenciando o lugar do tecno- lógico e da técnica como objetos-signo das funções e operações semiocognitivas que se mobilizam durante os usos sociais das mesmas. Esse processo remete ao conceito de formas de produ- ção social de sentido.

Em segundo lugar, porque a apropriação é especifica- da conforme a força econômica – a cultura, a política e a eco- nomia –, o que produz conflitos, contradições e tensões entre campos que desenvolvem valores singulares. Este processo é histórico, desde a gênese. A apropriação das técnicas e tecnolo- gias de linguagem, discurso e interações com a sociedade e na-

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tureza tem sua origem na antiguidade, em especial nas formas de agenciamentos dos signos em linguagens, línguas e discursos agenciados institucionalmente. A apropriação cultural e política, portanto, seria correlata à apropriação econômica stricto sen-

su, mesmo que possamos considerar a superação da economia

da subsistência como base da divisão social do trabalho, como sugere o marxismo. Esse processo tende a produzir distinções entre economias diferenciadas. A distinção é, por excelência, re- gulatória, mercantil.

O terceiro argumento: o que é transversal – a produção de um tipo de valor apropriável enquanto capital de distinção – entra em conflito permanente com as fontes das interações a jusante, que acionam uma semiose que tende a ser disruptiva, irregulável e desafiadora às instituições que se apropriam dos meios tecnológicos e que passam a mediar as técnicas de inte- ração. Ou seja, a mobilização das tecnologias como meios de co- municação nem sempre converge, a jusante, com os processos de valorização dos capitais econômicos, culturais e políticos, mesmo quando esses meios tecnológicos estão submetidos às regulações técnicas tentativas. Os algoritmos se constituem no campo de batalhas atualizado, nesta perspectiva.

2 Cognição, semiose e interação com os