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1.6. Atributos relevantes no Basquetebol

1.6.3. Velocidade e Agilidade

Nas competições profissionais de basquetebol masculino, os jogadores executam até 46 ± 12 saltos, com sprints de curtos períodos de tempo (1-2 s) durante 105 ± 52 vezes (McInnes et al., 1995). Durante um jogo de basquetebol, os atletas de elite têm que percorrer 991-m de distância em movimentos a elevada intensidade, tem que executar 40 a 60 saltos em máxima potência e realizar entre 50 e 60 mudanças de direção e de velocidade (Spiteri et al., 2014). De acordo com estes padrões de ações motoras, a força e potência muscular, a agilidade e a velocidade parecem ser capacidades motoras fundamentais no basquetebol (Delextrat & Cohen, 2008; Hoffman et al., 1996; Erčulj et al., 2010), estando diretamente associadas com o tempo de jogo e rendimento desportivo dos atletas de elite (Gonzalez et al., 2013).

De acordo com alguns autores, a velocidade e a agilidade são atributos essenciais no basquetebol visto que os jogadores têm de realizar deslocamentos a alta intensidade, sprints

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de curta duração e constantes mudanças de direção e velocidade durante o jogo num espaço relativamente reduzido de campo (Deletraxt & Cohen, 2008; Spiteri et al., 2014). A agilidade e a velocidade estão frequentemente correlacionada e influenciam consideravelmente o desempenho do basquetebol (Ben-Abdelkrim et al., 2010; Jakovljevic, Karalejic, Pajic, Macura, & Erculz, 2012), em adultos (Hoffman et al., 1996) e em jovens atletas (Hoare, 2000; Jakovljevic et al., 2012). Num estudo com jovens basquetebolistas sub-12 e sub-14 do sexo masculino, verificou-se existir uma correlação positiva entre os testes de velocidade linear (distâncias: 20, 30 e 50-m) e a avaliação da agilidade resultante do desempenho no T- teste, no teste ziguezague e no teste de 4 sprints de 15-m (Jakovljevic et al., 2012).

Estudos prévios no basquetebol jovem referem existir uma associação entre a velocidade e o desempenho desportivo em atletas adultos (Deletraxt & Cohen, 2008) e em jovens (Hoare, 2000; Torres-Unda et al., 2013). Num estudo com jovens atletas sub-16 australianos de ambos os sexos, verificou-se que a velocidade era uma variável diferenciadora entre os melhores atletas e os restantes, tendo os primeiros apresentados melhores resultados nos testes de velocidade em todas as posições especificas de jogo (exceto no sexo masculino na posição de poste) (Hoare, 2000). Noutro estudo com atletas sub-14 masculinos verificou-se diferenças significativas na velocidade (avaliado pelo sprint em 20-m) entre os atletas de elite (3.02 ± 0.27 segundos) e os de sub-elite (3.28 ± 0.35 segundos) (Torres-Unda et al., 2013). O teste de sprint em 20-m é dos testes mais comuns no basquetebol e os resultados observados nos diversos estudos oscilam entre os 3.02 e os 3.77 segundos, dependendo da idade e do nível dos atletas estudados (Deletraxt & Cohen, 2008, 2009; Hoare, 2000; Torres- Unda et al., 2013, 2016). Na literatura, os resultados apresentados no teste de sprint em 20- m sugerem que a velocidade melhora com a idade: (i) 3.77 segundos em Sub-12 (Jakovljevic et al., 2012); e (ii) 3.15 e 3.21 segundos em sub-14, embora os melhores atletas tenham feito resultados inferiores (3.02 e 3.05 segundos) (Torres-Unda et al., 2013, 2016);

Nos estudos comparativos entre categorias ou idades diferentes, os atletas mais novos apresentam piores resultados no teste de 20-m que os atletas mais velhos, o que sugere que o desempenho em provas de velocidade aumenta com a idade dos praticantes. Um estudo com atletas sérvios na categoria sub-12 e sub-14 verificou que os atletas sub-14 eram significativamente mais rápidos no sprint em 20-m do que os atletas sub-12 (3.77 ± 0.21 versus 3.54 ± 0.25 segundos). Noutro estudo com atletas de elite masculinos tunisinos de 3 escalões distintos (sub-18, sub-20 e sénior) verificaram que o desempenho em tarefas específicas de velocidade aumentou com a idade dos praticantes, sendo que os atletas sub- 18 apresentaram piores registros nos testes de velocidade linear (distâncias: 5-m, 10-m e 30-

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m) que os atletas pertencentes à categoria escalão sub-20 e sénior (Ben-Abdelkrim et al., 2010b).

A agilidade pode ser definida como a capacidade para mudar com velocidade e prontidão a posição do corpo no espaço em resposta a um determinado estímulo cognitivo (Sheppard & Young, 2006), manifestando-se em ações dinâmicas e explosivas que envolvem rápidas mudanças de direção e de velocidade (Haj-Sassi et al., 2009). Alguns investigadores (Scanlan, Tucker, & Dalbo, 2014; Sheppard & Young, 2006; Sheppard et al., 2006) consideram a existência de dois tipos de agilidade: em tarefas fechadas (“closed-skill agility”) e em tarefas abertas (“open-skill agility”). A avaliação da agilidade em tarefas fechadas diz respeito à avaliação da velocidade nas mudanças de direção num percurso pré- determinado (Scanlan et al., 2014; Sheppard & Young, 2006), enquanto em tarefas abertas envolve a avaliação da velocidade nas mudanças de direção através de um percurso indeterminado em resposta a um estímulo relevante (Scanlan et al., 2014; Sheppard et al., 2006).

No que respeita à influência da agilidade no desempenho desportivo, Erčulj et al. (2010) verificou que a agilidade (avaliada pelo teste de 6 sprints consecutivos de 5-m) era uma das variáveis que permitia distinguir as basquetebolistas internacionais jovens (13-15 anos de idade) de acordo com o nível competitivo das suas seleções nacionais (Erčulj et al., 2010). Na mesma linha de resultados, Hoare (2000), na categoria de sub-16 feminino, observou que as melhores jogadoras eram, em média, mais rápidas e ágeis que as restantes jogadoras em todas as posições especificas de campo. No entanto, o mesmo autor, no sexo masculino, observou que os melhores jogadores na posição de base, extremo-poste e poste obtiveram piores resultados no teste de agilidade que os restantes (Hoare, 2000).

Apesar dos protocolos de avaliação da agilidade serem díspares entre estudos, o teste-T é um dos mais mencionados na literatura (Delextrat & Cohen, 2008, 2009; Jakovljevic et al., 2012; Spiteri et al., 2014). Em atletas adultos os resultados obtidos no teste-T oscilam entre os 8.94 e os 10.05 segundos. Um estudo com basquetebolistas masculinos da NCAA (18-22 anos de idade) avaliou a agilidade através do teste-T durante quatro épocas consecutivas e registou uma média de 9.05 segundos (melhor época, 8.94 segundos; pior época, 9.15 segundos) (Hoffman et al., 1996). Outro estudo com atletas masculinos universitários observou uma média de 9.21 ± 0.4 segundos para os atletas completarem o teste. Noutro estudo com atletas masculinos tunisinos, os atletas sub-20 realizaram o teste-T em 10.05 ± 0.44 segundos, enquanto os jogadores seniores completaram-no em 9.99 ± 0.40 segundos (Ben-Abdelkrim et al., 2010b). Na comparação entre sexos, as mulheres adultas apresentam

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desempenhos ligeiramente inferiores aos dos homens no teste-T, com Delextrat e Cohen (2009) a registarem valores médios de 10.45 ± 0.51 segundos, e Spiteri e colegas (2014) a registarem valores médios de 11.75 ± 1.15 segundos para o sexo feminino.

Em continuação, no basquetebol jovem os valores obtidos no teste-T são ligeiramente superiores (logo desempenho inferior) aos apresentados pelos jogadores seniores, oscilando entre os 10.53 e os 11.99 segundos. Nos diferentes estudos nas categorias jovens masculinas observaram-se valores médios para o desempenho no teste-T de 11.99 ± 0.55, 10.90 ± 0.83 e 10.53 ± 0.67 segundos, respetivamente, na categoria de sub-12 (Jakovljevic et al., 2012), de sub-14 (Jakovljevic et al., 2012), e de sub-18 (Ben-Abdelkrim et al., 2010b). De acordo com estes resultados, pode-se sugerir que a agilidade melhora com a idade dos atletas desde as categorias jovens (Ben-Abdelkrim et al., 2010b; Jakovljevic et al., 2012) até ao escalão sénior (Ben-Abdelkrim et al., 2010b).

No que diz respeito à relação entre a velocidade e a agilidade e as posições específicas dos jogadores em campo, estudos prévios sugerem que os jogadores exteriores são mais rápidos e ágeis que os jogadores interiores (Ben-Abdelkrim et al., 2010b; Hoare, 2000; Te Wierike et al., 2014). Num estudo com basquetebolistas holandeses do sexo masculino com idades compreendidas entre os 13 e os 16 anos de idade, verificou-se que (i) os bases eram mais rápidos que os postes, e (ii) os bases e extremos eram mais ágeis que os postes (Te Wierike et al., 2014).Noutro estudo, com basquetebolistas jovens australianos sub-16 de ambos os sexos, observou-se diferenças significativas na agilidade entre os bases e os extremos (apenas no sexo masculino, com os primeiros a terem melhores desempenhos), e os extremos-postes e postes (em ambos os sexos, com os primeiros a terem melhores desempenhos) (Hoare, 2000). Resultados similares foram observados em jogadores seniores, com os jogadores bases a registarem significativamente melhores resultados nos testes de velocidade (5-m e 10-m) e agilidade (teste-T) que os restantes jogadores (extremos e postes) (Ben-Abdelkrim et al., 2010b).