Anna Cristina Biagini* Juliana C. Ramaccioto** Anna Beatriz B. Palombini*** Saturnino Aparecido Ramalho****
*Mestre em Implantodontia – Faculdade SLM/Campinas/SP.
**Doutora em Ciências e professora do Programa de Pós-Graduação – CPO São Leopoldo Mandic/Campinas/SP. ***Graduação em Odontologia – Faesa/Vitória/ES.
****Doutor em Ciências – Unicamp.
RESUMO
O objetivo desse estudo foi avaliar a adaptação marginal e a precisão do assentamento protético de cilindros plásticos e de cilindros plásticos com base usinada, fundidos em estruturas protéticas de liga de cobalto-cromo (Co-Cr). Em um modelo semicircular à base de poliuretano, quatro implantes de hexágono externo com conexões protéticas do tipo minipilar foram instalados, sendo oito sensores elétricos colados na superfície superior do bloco. A partir desse modelo foi realizado um índex sobre o qual foram confeccionadas dez barras segmentadas em acrílico, utilizando-se cilindros calcináveis e cilindros sobrefundíveis (n = 5). Depois de fundidas em centrífuga manual com liga de Co-Cr Biosil e soldadas convencionalmente, as estruturas tiveram os espaçamentos verticais entre cilindros e análogos avaliados sob microscopia de luz e as microdeformações determinadas por meio da extensometria. Os resultados foram analisados com o teste de análise de variância (p = 0,636) e teste t Student (p = 0,325), não apresentando diferenças estatísticas signifi cantes. Concluiu-se que os cilindros sobrefundíveis não conferiram às barras nas quais foram fundidos maior adaptação marginal e passividade de assentamento que os cilindros plásticos calcináveis.
Unitermos - Osseointegração; Prótese implantossuportada; Cilindros calcináveis; Adaptação marginal; Assentamento passivo.
ABSTRACT
The aim of the present study was to evaluate the vertical and passive fi t of plastic burnout cylinders and plastic cylinders with a pre-machined cobalt-chromium collar cast in implant-supported frameworks. Four external hex cylindrical implants and their respective conical abutments were placed in an experimental semicircular model on which eight-element strain gauges were attached in close proximity to the implants. The master model was duplicated originating an index that was used to wax-up ten standard bars segmented in four sections (n = 5) and to allow the measurements under an optical microscope. The segments were cast in Co-Cr alloy and soldered conventionally. Initially, the structures were submitted to optical measurements. An average misfi t value was assigned for each group and the Analysis of Variance was applied (p = 0.636). Later, each structure was tightened to the master model and the stress generated was recorded. The mean strain developed at each group was calculated and the Student´s t test was applied (p = 0.325). No signifi cant statistical differences were found. It can be concluded that pre-machined Co-Cr cylinders could not offer better vertical fi t or passive fi t when compared to plastic burnout cylinders.
Key Words - Osseointegration; Implant-supported fi xed prosthesis; Castable cylinders; Vertical fi t; Passive fi t.
Introdução
Os resultados positivos alcançados com a osseointe- gração modifi caram a Odontologia Restauradora, melho- rando de forma visível a qualidade de vida dos indivíduos edêntulos. Utilizados para reabilitações protéticas, os implantes osseointegráveis têm sucesso clínico consisten- te respaldado pela literatura e representam um impacto considerável na situação psicossocial desses indivíduos1-2.
O assentamento passivo de próteses implantossu- portadas tem sido sugerido como um pré-requisito para a bem-sucedida e duradoura osseointegração. No entanto, não existem regras científi cas para o que seria um assen- tamento passivo e como alcançá-lo ou medi-lo3.
Muitas complicações nos tratamentos com implantes dentários podem ser oriundas de um mau ajuste das peças protéticas, pois, na ausência de ligamento periodontal, pequenas alterações protéticas acabam por não serem compensadas2. Essas complicações incluem falhas mecâ- nicas, tais como afrouxamento de parafusos e fraturas nos componentes do sistema4 ou falhas biológicas, incluindo reações teciduais diversas tais como dor, perda do osso marginal e até perda da osseointegração1.
A distorção da barra durante os procedimentos de fundição tem sido citada como a causa primordial de desajuste tanto de próteses convencionais como de pró- teses sobreimplantes. Fatores como contração linear do metal ou liga utilizada, espessura e padrão da barra e técnica de fundição infl uenciam a distorção e devem ser consideradas5. Por mais criteriosa que seja a confecção da prótese, alterações dimensionais acabam por ocorrer e são refl etidas tridimensionalmente6. Os procedimentos empregados para a confecção de estruturas protéticas implantossuportadas são ainda inadequados para ofere- cer um assentamento passivo absoluto a essas estruturas, sendo que uma aceitável adaptação marginal não é sinal de adequado assentamento7.
Devido ao fato dos implantes estarem completamente envolvidos pelo tecido ósseo, o conjunto osso/implante/pró- tese forma uma estrutura unifi cada8, o que torna a ausência de passividade do assentamento protético responsável por forças estáticas no sistema9 e essas forças não se dissipam com o tempo10. Nessa situação, nenhuma proteção à fadiga é obtida. Qualquer carga externa aplicada para separar a prótese do intermediário causa uma tensão adicional no parafuso, pois não é dissipada devido ao estresse de compressão já existente entre as partes unidas9. Estruturas metálicas mal assentadas podem potencialmente causar o contato alterado das roscas, tensão e estresse por fl exão nos parafusos de conexão, resultando em sua perda e fratura4,9.
A fi m de oferecer subsídios que possam auxiliar o profi ssional a realizar uma escolha consciente dos compo- nentes a serem utilizados, a presente pesquisa investigou, com o auxílio da microscopia de luz e da extensometria, a
adaptação vertical e a precisão do assentamento protético de próteses implantossuportadas confeccionadas com cilindros calcináveis ou com cilindros sobrefundíveis e fundidas em liga de cobalto-cromo (Co-Cr).
Material e Métodos
Inicialmente, foi confeccionado um modelo experi- mental semicircular de resina à base de poliuretano F16 (Axson - Cergy, France), com 20 mm de altura, 9 mm de espessura e 48 mm de diâmetro. Nesse bloco foram ins- talados quatro implantes cilíndricos autorrosqueantes, de hexágono externo Master Screw (Conexão Sistemas de Prótese - São Paulo, Brasil), medindo 4 mm de diâmetro por 11,5 mm de comprimento. Os implantes foram insta- lados como em um procedimento cirúrgico convencional (excluindo os cuidados com a assepsia), procurando-se posicioná-los o mais paralelamente possível entre si, com uma distância de 14 mm de centro a centro, simulando reproduzir uma situação clínica onde quatro implantes entre os forâmenes mentuais suportariam uma prótese fi xa parafusada metaloplástica com 12 elementos. Oito sensores elétricos (extensômetros) KFG-02-120-C1-11N30C2 (Kyo- wa Eletronic Instruments Co. Ltda - Tokyo, Japan) foram colados com adesivo de cianocrilato, na superfície superior do bloco de poliuretano, tangenciando a plataforma dos implantes e foram unidos, com pontos de solda, a cabos elétricos blindados 26AWG-0,14 mm (Multicabo - São Pau- lo, Brasil), a fi m de possibilitar a formação de uma ligação chamada de ¼ de ponte de Wheatstone de 120 . Sobre os implantes foram instaladas conexões protéticas Micro Unit (Conexão Sistemas de Prótese - São Paulo, Brasil), com cinta metálica de três milímetros e torque de 20 Ncm com um torquímetro progressivo Conexão (Conexão Sistemas de Prótese - São Paulo, Brasil), conforme recomendação do fabricante (Figura 1).
Figura 1
Modelo experimental de poliuretano com os implantes e as respectivas conexões protéticas instaladas.