Olá! Eu sou Saiazi Bentevi. E hoje serei o contador de uma história que vivi, ora ao lado de inhambus, jacus, jacamins, sabiás, gralhas e outras aves menores, ora até mesmo ao lado de gaviões e tucanos. Mas, sempre ao lado de formigas, muitas e muitas formigas. Afinal, essa é uma história de formigas, formigas taócas, legionárias, saca-saias, marabuntas, formigas de correição...
As formigas de correição congregam mais de 200 espécies diferentes. Algumas espécies são diurnas, outras são noturnas. Assim, elas podem ser encontradas tanto de dia, como de noite, caçando, correndo, marchando, marchando…
As legionárias são nômades e estão sempre de partida, tão logo esgotam um campo de caça.
Um estudo de doutoramento realizado pela física Jandira Oliveira, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), em parceria com a Universidade Técnica de Munique (Alemanha), publicado em 2009 no Journal of the Royal Society Interface demonstrou que as formigas têm sensores magnéticos em suas antenas, capazes de detectar o campo geomagnético da Terra, facilitando a sua orientação e deslocamentos na superfície do planeta.
De acordo com recortes da pesquisa, publicados no site Ceticismo.net, “o campo geomagnético terrestre é semelhante ao gerado por um ímã cujos pólos estariam próximos aos polos geográficos da Terra. Esse campo é detectado pelos animais e transformado em sinais neurais, que são levados para o cérebro pelo sistema nervoso. A informação magnética do grande imã terrestre pode ser usada então para orientação espacial”.
Bentevi, bentevi, bentevi…
Essa é a história de Aziram, uma formiga-rainha nascida em Formiga, MG, Brasil, da espécie tropical Labidus Praedatur, descendente da famosa rainha-formiga Anirapsag Asor, que veio das minas de ouro de Nossa Senhora do Pilar, GO, quando a expedição do bandeirante João Godoy Pinto da Silveira voltou para as Minas Gerais. É uma aventura pelo Reino das Formigas Brasileiras, essas pequenas criaturas de origem milenar.
Acredita-se que as formigas surgiram há cerca de 140 milhões de anos atrás, durante o período Cretáceo e que evoluíram e se diversificaram ao longo da história de desenvolvimento da Terra, chegando aos dias atuais com aproximadamente 18 mil espécies catalogadas e distribuídas por 334 gêneros em 17 subfamílias.
Aziram ficou conhecida como “formiga de chuva”, porque sempre preferiu organizar suas caçadas após as chuvas, embora suas vítimas soubessem que deveriam estar alertas o tempo todo, mesmo nas épocas de seca. Afinal, não é porque não chovia que as caçadoras deixavam de comer, não é mesmo!
E então é isso, meus queridos. Preparem-se porque “lá vem história!” Foi dada a largada. Começou a correição!
Bentevi, bentevi, bentevi…
* * *
O sol já anunciava a sua chegada na cidade de Formiga, Estado de Minas Gerais, região Sudeste do Brasil. Já se podia vislumbrar sua presença pelo lindo colorido que se formava no horizonte. Enquanto a noite ia se dissipando, o dia já vinha chegando. E prometia ser um dia bem quente. O melhor mesmo seria ficar no formigueiro e só sair à tardezinha, quando estivesse mais fresco.
Então, tá. Enquanto as legionárias esperam, vamos conhecer um pouco daquela terra.
Formiga é uma cidade humana fundada em 16 de março de 1839. Completou 179 anos em 2018. Ela recebeu seu nome do Rio Formiga, que corta a cidade. E conta-se que o nome do rio foi decorrente de um ataque de formigas a um carregamento de açúcar conduzido por um grupo de tropeiros que acampou à margem do rio para passar a noite, ainda naqueles tempos que o transporte era feita apenas em lombo de burros e no cangote das formigas.
A cidade ficava na Picada de Goiás, um caminho que cortava as matas mineiras e os cerrados goianos, ligando as ricas minas de Goiás à Comarca mineira de São João Del Rei. A picada era muito transitada.
A Picada de Goiás era um verdadeiro formigueiro humano. Isso mesmo! Tanto que, ao contar a sua “História de Oliveira” e falar sobre o povoamento da região de Formiga, o historiador Luiz Gonzaga da Fonseca disse que “Goiás era uma Canaã. Voltavam ricos os que tinham ido pobres.
Iam e viam mares de aventureiros. Passavam boiadas e tropas. Seguiam comboios de escravos. Cargueiros intérminos, carregados de mercadorias, bugigangas, miçangas, tapeçarias e sal. Diante disso, negros foragidos de senzalas e de comboios em marcha, unidos a prófugos da justiça e mesmo a remanescentes dos extintos cataguás, foram se homiziando em certos pontos da "Picada de Goiás". Essas quadrilhas perigosas, sucursais dos quilombolas do Rio das Mortes, assaltavam transeuntes e os deixavam mortos no fundo dos boqueirões e perambeiras, depois de pilhar o que conduziam. Roubavam tudo. Boiadas. Tropas. Dinheiro. Cargueiros de mercadorias vindos da Corte, o Rio de Janeiro. E até os próprios comboios de escravos, matando os comboeiros e libertando os negros trelados. E com isto, era mais uma súcia de bandidos a engrossar a quadrilha. E do combate a essa praga é que vai surgir a colonização do território e região”.
É possível que o nome da cidade de “Formiga” tenha sido decorrente da grande circulação de pessoas pela “Picada de Goiás”. Mas também é possível que fosse mesmo decorrente do ataque levado a efeito pelas formigas caçadoras contra os tropeiros que acamparam ali, porque, verdade seja dita, é muito alto o adensamento de formigas naquela região.
Aliás, elas estão distribuídas pelos quatro cantos do planeta.
O Brasil já registrou a presença de 2 mil espécies diferentes de formigas. É de especular-se que muitas delas já estavam aqui desde os tempos de Pangeia e Pantalassa.
Segundo Alfred Wagener e outros autores, Pangeia foi um supercontinente hipotético e único que teria existido na Terra até o período cretáceo (aprox. entre 136 milhões e 65 milhões de anos), o qual, ao se fragmentar em dois teria dado origem a Gondwana e Laurásia; e que, novamente se dividindo formaram os cinco atuais continentes: Europa, Ásia, África, Oceania e América. Pantalassa era o grande oceano.
As formigas também podem ter chegado ao Brasil a partir do ciclo das grandes navegações europeias. Atraídas pelos suprimentos doces carregados nas embarcações, podem ter subido a bordo enquanto as caravelas ainda estavam nos portos. Há possibilidades para especulações de todos os tipos, de forma que o que não faltam são respostas às diversas indagações.
Não é dúbio de dizer que diversas espécies de formigas atravessaram o mar nas caravelas que vieram buscar as riquezas do Brasil.
Ou até mesmo nos modernos transatlânticos. E aqui se deram muito bem, adaptando-se ao clima tropical e à densa vegetação das matas brasileiras.
Multiplicaram-se e foram se espalhando por todo o território nacional. É de ver, inclusive, que os seus primeiros núcleos formiguenses ocorreram na região das minas, onde as formigas chegaram acompanhando os sertanistas, bandeirantes e garimpeiros que adentraram pelos biomas brasileiros atrás de suas riquezas minerais, animais e vegetais. Vários formigueiros se instalaram ao longo das “picadas”, das trilhas e das estradas que levavam às zonas de exploração.
É de ver que os primeiros formigueiros também tinham o mesmo espírito desbravador dos sertanistas humanos que vieram de Portugal e alhures. E foi a partir deles que saíram diversas rainhas conduzindo seus filhos para a conquista da terra brasileira.
A história de Aziram, a formiga da chuva traz alguns recortes que retratam um pouco das lutas e conquistas das formigas em prol de sua subsistência nesse planeta.
Aziram queria estender os territórios de caça de sua colônia desde Formiga, em Minas Gerais, onde nascera, até Pilar de Goiás, de onde vieram suas ancestrais, até as terras de Anirapsag Asor.
* * *
O arraial de Nossa Senhora do Pilar surgiu durante o ciclo do ouro, quando um reduto de escravos foragidos encontrou no lugar um abrigo e também, uma grande fonte de ouro. Quando a expedição do bandeirante
João Godoy Pinto da Silveira a procura de escravos fugitivos, ali chegou, descobriu o esconderijo de escravos e também o ouro.
Anirapsag Asor foi a fundadora de uma das colônias de legionárias mais importantes de Formiga. Foi rainha-formiga mãe de mais três importantes rainhas: Sedrul, Adic e Anaoj. Aziram era uma das ta-ta-ta-ta-ta-taranetas de Sedrul. Tinha em seu corpo o ímpeto e a coragem daqueles garimpeiros pioneiros que desbravaram os sertões das Minas Gerais e de Goiás. Crescera ouvindo as histórias das idas e vindas de suas ancestrais através da Picada de Goiás. E então chegara a sua vez de fazer aquela viagem, a qual já durava muitas e muitas marchas.
Aziram liderava as 200 mil legionárias de sua colônia numa aventura em direção à terra de Anirapsag Asor, sua tatatata. E nós viajamos juntos, seguindo-as durante esse processo migratório, observando, aprendendo, registrando os acontecimentos da viagem e enchendo a barriga com os bichos que fugiam atropeladamente ao perceber a aproximação das implacáveis caçadoras. Eles fugiam das garras e caiam em nossos bicos.
Fugiam do espeto e caiam na brasa. Alguém pode achar que é desumano, mas não somos humanos, somos a vida selvagem, responsável pelo equilíbrio ecológico da natureza.
É de ver que toda espécie deve ter o seu predador natural sob pena de prejudicar o equilíbrio na natureza, o estado em que as populações relativas das diferentes espécies permanecem constantes.
E assim prosseguíamos. A marcha seguia na cadência das batidas de um tambor. A coordenação motora e a coreografia eram perfeitas.
Incansável, o pelotão de encouraçadas seguia em frente a sua jornada. Uma grande parte das formigas da coluna levava uma carga equivalente a 14 vezes à sua massa corporal. Isso quer dizer que se fossem como um ser humano de aproximadamente 80 kg, cada formiga estaria transportando uma carga com mais de uma tonelada. E elas eram milhares… Duzentas mil!
Cada mil formigas com tal massa corporal estaria transportando um milhão de toneladas. Já pensou se todo o formigueiro estivesse fazendo aquela marcha de “carga pesada”! Quantas toneladas estariam transportando? Bom, para responder essa especulação precisaríamos fazer as contas. Mais tarde nós responderemos. Agora vamos recordar a contemplação daquele desfile espetacular, o qual, com certeza, nem os soldados das gloriosas forças
armadas fariam melhor. Rataplanplan! Rataplanplan! Rataplanplan! -seguiam em frente as incansáveis belezuras.
Pelo caminho, não havia quem não parasse para apreciar a marcha. A maioria, de longe, justamente por nossa causa, que as seguíamos lado a lado. Ademais, quem seria louco de tentar cortar aquele cortejo! Fico todo arrepiado só de pensar no coitado. Além de ser picado e mordido pelas encouraçadas, dificilmente escaparia de nossas bicadas.
É possível que alguém aqui já tenha visto um ataque de formigas. É terrível. É pior do que o ataque de jiboia e sucuri. As guerreiras envolvem o adversário por todos os lados. A gente olha e só vê aquele bolo de formiga se movendo como se fosse um formigão gigante. A criatura inimiga recebe cortes fatais, injeções químicas e diversas toxinas.
Estrebucha-se até morrer. E então também é transportada para o interior do formigueiro, onde toda a tropa realiza o seu banquete de vitória e sobrevivência. Assim são as formigas. Mesmo vivendo quase sempre em tempos de guerra elas nunca matam apenas por matar, como fazem os humanos. Elas nunca desprezam a vítima morta. Após o ritual de agradecimento, todas as suas vítimas se transformam em comida e são comidas.
* * *
As formigas são seres excepcionais. Quando estão em combate, parecem invencíveis. Se uma formiga tomba, outra ocupa imediatamente o seu lugar. E assim elas mantém o seu potencial ofensivo.
Além disso, não sei se alguém já sabe disso, mas as formigas têm o poder de entrar em estase. Diante de uma necessidade coletiva elas interrompem suas funções essenciais. Stop! Elas ficam como que congeladas e já não sentem mais nada.
Certo dia, a marcha das formigas chegou diante de um penhasco. Mesmo assim, não parou. Começaram a descer em direção ao fundo no mesmo compasso. E aí um novo obstáculo surgiu. No fundo do abismo fluía uma corrente de água. E então, será que elas iriam parar?
Não! Como se estivessem programadas por um computador, elas foram se grudando umas nas outras, formando um plano de mais ou menos 10 cm de largura, tendo em torno de 50 formigas à frente da formação. E, numa coragem sem limites, elas avançaram para a corrente de água, sendo seguidas pelas demais, como em comboio, cada uma grudando-se com firmeza na formiga da frente e também nas que estavam nos lados. Elas pareciam ter grude nas suas patas.
A margem esquerda ficava cada vez mais distante. As formigas da guia nadavam com firmeza e intrepidez, mexendo suas patinhas em grande velocidade e de forma coordenada. Eram 50 pares de patas que se moviam em nado sincronizado com mais 50 pares de cada formiga que vinha atrás. Era algo muito lindo de se ver, principalmente para quem estivesse no plano dos peixes, no fundo das águas. No entanto, alguns peixinhos mais ousados, ignorando a beleza do espetáculo partiram em ataque às legionárias. O socorro, no entanto, não tardou em chegar. Algumas das aves que me acompanhavam nessa viagem desceram em vôo rasante em contra-ataque aos peixes. Elas desciam em velocidade máxima e em segundos subiam com o peixe atacante no bico. Logo, logo, os demais predadores das formigas decidiram se retirar para a segurança das profundezas, passando apenas a comer com os olhos aquele suculento cardápio.
Na medida em que o comboio avançava através das águas, as demais formigas que vinham descendo o paredão do precipício iam também entrando em formação e seguindo atrás.
A corrente de água puxava a balsa de formigas para a sua correnteza. Mas, mesmo enquanto eram arrastadas, elas continuavam nadando e buscando vencer a correnteza. Olhando de cima a formação se assemelhava ao gráfico de uma função exponencial. Começava junto à margem esquerda da corrente de águas e ia se distanciando dela cada vez mais. A partir do centro das águas, as formigas começaram a diminuir a curva e já nadavam quase em reta.
Ao atingir a margem oposta, as formigas da frente avançaram por terra, margeando a corrente de águas, mantendo a formação em plano.
E então, da esquerda para a a direita começaram a desfazer o plano, voltando à formação inicial. Caminho da roça! Uma atrás da outra. E a
marcha continuou. Formigas em terra de um lado do rio, formigas nas águas, formiga nos paredões do outro lado do rio. Lindo! Lindo!
É de destacar que na travessia da corrente de água, a curva do gráfico foi diminuindo na medida em que cada fileira ia aderindo ao plano pela direita. Depois de algumas horas de travessia, o formato do gráfico já era praticamente uma reta. A ponte estava formada por completo. E então, a partir daí, Aziram e as demais formigas começaram a passar o rio através da ponte de formigas. E assim foi até a última chegar do outro lado.
Houve diversas formigas que morreram na travessia. Foram recolhidas pelas sobreviventes mais próximas e levadas pelo comboio. Elas cumpririam sua última missão. Serviriam de alimento para o formigueiro.
Nenhum formiga é inutilmente descartada. O princípio da utilidade é a primeira diretriz que move um formigueiro.
É de ver que a construção da ponte para atravessar a corrente de águas, trouxe a solução de continuidade para que a colônia de Aziram continuasse sua jornada. No entanto, o sol já começava a declinar. Mais um dia se fora. As batedoras já haviam localizado um cupinzeiro abandonado, para onde a colônia adentrou em busca de descanso.
E assim foi esse dia e todos os outros, até finalmente chegarem ao seu destino em Pilar de Goiás.
Fundada 1741 como Arraial de Nossa Senhora do Pilar, a cidade teve seu apogeu no período da mineração do ouro, quando ganhou casarões e igrejas de arquitetura colonial. Com o fim da mineração, passou décadas isolada e chegou a ter apenas 270 moradores em 1950. Na chegada de Aziram contava com 2,7 mil habitantes humanos.
O seu conjunto urbano e arquitetônico fora tombado pelo IPHAN em 1954, restando ainda algumas construções e bens preservados, como a Casa de Câmara e Cadeia e os famosos Sinos de Pilar.
Havia um renascimento da esperança no ar. Segundo a narrativa de Maria de Fátima Fernandes e Sandro Dutra e Silva isso se dava em função da instalação ali, da mineradora canadense Yamana. Os geólogos responsáveis diziam que o Projeto Pilar de Goiás consistiria na lavra de minério de ouro em mina subterrânea, beneficiamento do minério e fundição
de lingotes, por meio de um processo industrializado e regularizado por normas e requisitos que visavam os menores níveis de impactos negativos ao meio ambiente e à sociedade.
E de fato aconteceu a instalação da mineradora. No entanto, o progresso não voltou a acontecer em Pilar.
Segundo o Jornal Correio Braziliense, desde 2013, o município recebe royalties da atividade executada pela Yamana, que extrai 3,7 toneladas de ouro ao ano na mina, situada a cerca de 2 km do núcleo urbano. No entanto, a maioria dos operários e executivos da multinacional não reside, nem gasta o dinheiro em Pilar, por falta de lojas.
Enfim, nem tudo são flores. O ouro do Brasil enriqueceu muitos povos, mas os brasileiros pouco se beneficiaram dessa riqueza. E os resultados que se veem dessa atividade mineradora por todo lado onde se anda é o desastre ambiental.
A Rainha Aziram faleceu em Pilar, vítima de um ataque fulminante de Trinca Ferro Saltador que a devorou. Normalmente, as aves que acompanham as legionárias em suas expedições migratórias não costumam se alimentar das formigas. O Trinca-Ferro Saltador é uma exceção. E contra a fome, sempre há perdão.
As formigas deixam aos humanos um legado de sabedoria na luta pela sobrevivência. Que possam aprender mais com elas e consigam se manter vivos.
* * *
Ao escrever essa história de Saiazi Bentevi tinha em mente atender a orientação do sábio Salomão. Ele mandou que os homens fossem aprender com as formigas; que considerassem os seus caminhos e dominasse a sua sabedoria. E a nossa conclusão é que devemos mesmo fazer isso.
Olhemos para as formigas. Vejamos como se comportam. Que organização! Que disciplina! Que dedicação!
A ordem natural do crescimento e da multiplicação é expressa em relação aos seres aquáticos, às aves e ao homem; no entanto, a mesma regra deve valer para a terra, à qual, pela ordem natural cabe produzir seus animais. A mesma regra deve valer para a água, o ar e a terra.
Especulações!
Quando não temos uma resposta de pronto, devemos especular. Nossos instintos naturais e nossos neurônios desativados podem entrar em ação e nos mostrar o caminho das pedras.
Se a ordem para crescer e se multiplicar também se aplicar às formigas, com certeza elas aprenderam muito bem como fazer isso.
Hoje, há diversas espécies de formigas no mundo e todas são ativas no cumprimento de suas missões de vida. E elas são muitas, muitas, mas muitas mesmo. Achamos que os 7,6 bilhões de pessoas existentes no mundo já é gente pra dedéu. Mas isso não é nada perto da população mundial de formigas terráqueas. Elas totalizam 10.000.000.000.000.000 de formigas. Uma potência de dez elevado a 16. Dez quatrilhões de seres.
Há formiguinhas, formigas e formigonas. Elas estão por toda parte do planeta, com exceção dos polos gelados. Será que elas não gostam de frio, de baixas temperaturas, de gelo?
A questão observada é que, embora estejam por toda parte, elas vivem de forma bastante concentrada. Com isso, reservam a maior parte do planeta, não só para ocupações futuras, mas principalmente como celeiro para produção da matéria prima básica destinada à sua alimentação.
O homem constrói casas e se alastra horizontalmente pela Terra. O crescimento vertical ainda é bastante incipiente. Com essa modalidade, diminui os seus campos de produção de alimentos. Um professor me disse certa vez, em Cuiabá, Capital de Mato Grosso, que não via a necessidade de nós construirmos prédios, tendo tanto espaço para construir casas. Achei interessante a sua colocação naquela época. Hoje talvez não mais.
Observo que o homem das grandes cidades de hoje vive destruindo casas para construir prédios no lugar. Isso é um desperdício de matéria prima. Faríamos melhor se construíssemos grandes estruturas, que
acomodassem milhares de pessoas. O espaço terrestre seria mais otimizado
acomodassem milhares de pessoas. O espaço terrestre seria mais otimizado