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Assim como ocorre no processo de conceituação de acontecimento que acabei de abordar, o conceito de violência agrega uma série de interpretações possíveis. É possível tratar dessa questão sob o leque da Psicologia e outras ciências da saúde ou também debruçar-se nos caminhos do Direito para compreender os códigos que apresentam algumas formas de violência, ao passo que excluem tantas outras. É consensual entre pesquisadores de variados campos que esse conceito dispõe de um vasto conjunto de abordagens possíveis.

Para apontar uma direção para o tema aqui tratado, apresento uma reflexão crítica acerca do conceito de violência. O caminho escolhido para abordar essa questão é delineado de modo a viabilizar um entendimento mais preciso acerca do contexto em que se deu o caso DG. Busco, além disso, articular conceitos de modo que se possa pensar os processos sociais pelos quais passa a sociedade brasileira, frente aos desafios impostos pela contemporaneidade.

Quando se propõe refletir sobre a violência com base no que se observa das interações estabelecidas no nosso cotidiano, é preciso deixar de lado concepções que se valem da ideia de que a violência é uma inclinação natural de todo indivíduo. Por vivermos em sociedade, estamos, a todo tempo, propensos a criar grupos e laços de afinidade. Nessas relações são estabelecidos os parâmetros de gosto, compartilhados

42 valores sociais, forjadas as normas de conduta e os sentimentos de pertencimento e recusa do diferente ou desconhecido.

É em meio a esses processos interacionais que nasce a concepção de identidade. Se por um lado a identidade é vista como um importante e necessário sistema de filiação social em que a noção de partilha, solidariedade e comunidade é potencializada, há uma outra dimensão desse sistema que precisa ser levada em conta. Esse aspecto é destacado por Kathryn Woodward (2012), que trata da relação inerente entre as noções de identidade e diferença. Para ela, os processos balizados pela identificação podem ser diretamente compatíveis com as relações de diferença responsáveis por destacar opressões sociais de grupos que são excluídos em função do outro.

Essa noção é também compartilhada por Amartya Sen (2015), que reflete sobre a implicação das questões identitárias na propagação de discursos e ações violentos. Para o autor, não é possível que se tenha em mente um sentimento de identidade sem que se considere a sua potência enquanto fonte de força e segurança. O sentimento de pertencimento que faz com que pessoas se unam em prol de motivações comuns é igualmente responsável pelo estabelecimento de grupos sociais excludentes. É justamente nessa forte ideia de pertencimento que reside a capacidade que têm as relações identitárias de incitar a intolerância e, por conseguinte, a violência. Segundo Sen, quando o sentimento de pertencimento a um grupo é demasiado forte e segregacionista, estabelece-se uma relação de divergência e discórdia em relação ao outro.

A identidade também pode matar – e matar com desembaraço. Um forte – e exclusivo – sentimento de pertencer a um grupo pode, em muitos casos, conter a percepção da distância e da divergência em relação a outros grupos. A solidariedade dentro de um grupo pode ajudar a alimentar a discórdia entre grupos. [...] A violência é fomentada pela imposição de identidades singulares e beligerantes a pessoas crédulas, defendida por competentes artífices do terror. O sentimento de identidade pode fazer uma importante contribuição à força e ao calor de nossas relações com os outros tais como vizinhos, membros da mesma comunidade ou adeptos da mesma religião. (SEN, 2015)

Buscando apresentar um diagnóstico para o cenário do qual emergem embates e massacres pungentes em nossa realidade contemporânea, Slajov Zizek (2015) propõe tratar da violência e as distintas formas com as quais é operada. O autor, nesse sentido, apresenta uma tríade para tratar do conceito. Os três tipos de objetivo para a violência são, portanto: a violência subjetiva, a violência simbólica e a violência sistêmica (ou objetiva). A primeira forma apresentada faz referência à violência que

43 desestabiliza uma situação que estava em ordem, aquelas que se insere numa situação perturbadora. A violência subjetiva é definida por Zizek como aquela que nos pega de surpresa, que viola o ser humano com sua potência lancinante e letal. Essa é a forma mais visível de violência e é, para Zizek, aquela que nos oferece fascinação.

Seguida à violência subjetiva, o autor nos apresenta à violência simbólica, que existe no campo da linguagem, da representação e suas formas. Conforme explica Zizek, é ingênuo pensar que a violência subjetiva esteja restrita aos exemplos mais evidentes e nítidos. Esses já foram estudados à exaustão e têm lugar nas interações discursivas que fazemos diariamente, reverberando relações de poder e dominação social. Para ao autor, é preciso estar atento às formas violentas que residem na linguagem e são capazes de impor um universo de sentido. Por estar presente no campo da linguagem, há uma diferença marcante entre a violência simbólica e as demais.

Na linguagem, em vez de exercermos uma violência direta uns nos outros, procuramos debater, trocar palavras, e esta troca de palavras, mesmo quando agressiva, pressupõe um mínimo de reconhecimento da outra parte. A entrada na linguagem e a renúncia à violência são muitas vezes entendidas como dois aspectos de um só e mesmo gesto. (ZIZEK, 2015)

O autor infere, contudo, que esse cenário pode mudar a partir do momento em que a linguagem é infectada pela violência. Neste momento, a lógica da comunicação simbólica é distorcida.

Zizek apresenta, por fim, a terceira forma de violência, denominada por ele de violência sistêmica ou objetiva. Essa seria, para ele, a violência que coexiste a determinado sistema sociopolítico. Diferentemente do que se observa na violência subjetiva, os atos de violência objetiva não nos surpreendem – ainda que causem indignação nas pessoas –, justamente pelo fato de estarem imbricadas ao nosso modo de vida. Quando falamos desse tipo de violência, não falamos apenas da “violência física direta, mas também das formas sutis de coerção que sustentam as relações de dominação e de exploração, incluindo a ameaça de violência” (ZIZEK, 2015).

A fim de evidenciar o quão oportuno para a propagação da violência sistêmica é o cenário em que vivemos, o autor apresenta aspectos motivadores da nossa ação cotidiana. Zizek afirma que na sociedade ocidental contemporânea vigora uma atitude chamada por ele de liberal tolerante. Para ele, esse posicionamento difunde um discurso incoerente, em que se destaca um modo de combate a algumas práticas violentas ao passo que encobre outras.

Opor-se a todas as formas de violência – da violência física e direta (extermínio em massa, terror) à violência ideológica (racismo, incitação

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ao ódio, discriminação sexual) – parece ser a maior preocupação da atitude liberal tolerante que predomina atualmente. Uma chamada SOS sustenta esse discurso, abafando todas as outras abordagens possíveis: todo o resto pode e deve esperar... não haveria algo de suspeito, até mesmo sintomático, nesse foco sobre a violência dos agentes sociais, indivíduos maléficos, aparelhos repressivos disciplinados, das multidões fanáticas? Não haveria aqui uma tentativa desesperada de desviar as atenções do verdadeiro lugar do problema, uma tentativa que, ao obliterar a percepção de outras formas de violência, se torne assim parte ativa delas? (ZIZEK, 2015)

A chave apresentada para que esse problema seja efetivamente resolvido está, segundo Zizek, numa atenta análise à interação complexa entre as violências subjetiva, simbólica e objetiva. Para ele, é preciso dar um passo para trás diante a atos de crime, horror, confrontos e massacres. Só assim estaríamos imunes ao fascínio da violência diretamente identificável e desconcertante para, então, atentarmo-nos ao que está por trás desses atos.

De minha parte, entendendo que a proposta de Zizek consiste no direcionamento a uma análise suficientemente afastada dos atos de violência para que se detenha, então, uma noção mais ampla e completa dos aspectos que os sustentam. O que me surpreende na sugestão feita pelo autor é sua insensibilidade em relação a algo tão rotineiro no cotidiano de diversos grupos sociais. Defendo uma postura mais empática do que a do autor, que busque compreender de fato a dor de quem convive diariamente com episódios de violência direta. Não há sentido lógico em atribuir, como faz Zizek, à violência visível um caráter de sedução.

A impressão que fica é a de que, na busca rigorosa pela compreensão do que mobiliza o ser humano a agir de maneira violenta, o autor passa a se distanciar e, por sua vez, minimizar a dor de um igual. Esse posicionamento me instiga a colocar à prova a proposta feita por ele. Questiono, desse modo, se o autor de fato considera que o passo para trás que propõe implica diretamente na indiferença frente a um ato violento visível e concreto. A apatia diante da dor do outro não deveria configurar, por si só, em uma manifestação de violência?

Esse questionamento – que também pode ser entendido como inquietação – me leva a aproximar a reflexão sobre violência à realidade em que vivemos. O cenário contemporâneo brasileiro nos posiciona diante de uma sociedade democrática que se ampara no princípio da igualdade de direitos, mas que ainda reflete uma realidade contrária na maioria desses aspectos. Durante a última década, percebemos avanços significativos nas políticas da promoção de igualdade de oportunidades, no acesso mais amplo a bens de consumo e, sobretudo, na redução da miséria.

45 Embora tais políticas sociais e econômicas tenham sido de grande valia na garantia de direitos fundamentais das cidadãs e dos cidadãos, a desigualdade social ainda perdura na realidade brasileira. Outra crítica que deve ser feita à política governamental dos últimos anos diz respeito à negligência em relação à violência policial que ganha ainda mais força com o poder dado a essa instituição. A ideia de combater o narcotráfico com a implementação de uma polícia divulgada como pacificadora é contraditória com o armamento de agentes. O mesmo pode ser observado na ação truculenta da força policial dirigida em manifestações sociais.

Recorro a Hannah Arendt (2010) para refletir sobre o contexto em que se insere o acontecimento tratado nesta pesquisa. Ainda que bastante distanciada das relações de conflito e opressão que balizam o uso de violência em nosso país, a autora diz que aqueles que se dedicam a refletir acerca da história e da política não devem negligenciar o papel de destaque desempenhado pela violência nos negócios humanos (ARENDT, 2010, p. 23).

Conforme abordado no início dessa reflexão, atos de violência e embates sociorraciais são constituidores da história brasileira. Ainda que os relatos sobre violência tendam a ser minimizados tanto pelo debate público quando construção narrativa da história tradicional, o passado foi fundado por relações de opressão e uso de força. De acordo com Laura Guimarães Corrêa (2006), a literatura histórica tradicional minimiza e omite os maus-tratos e a situação desumana a que eram submetidas pessoas negras durante o regime escravocrata. Na obra clássica de Gilberto Freyre, Casa-Grande & Senzala, muito criticada por autores contemporâneos, a violência dirigida a pessoas negras é muitas vezes tratada como um incidente, fruto da ocasionalidade em situações excepcionais. De acordo com Corrêa, os atos de violência são muitas vezes atribuídos a tendências sadomasoquistas individuais do agressor. Exclui-se da discussão, dessa forma, as relações de poder presentes em um regime opressor.

É sabido, em contrapartida, que a manutenção do regime escravocrata no Brasil esteve condicionada ao uso desumano da força, aos abusos e violações sexuais e à tortura. Após serem privados do convívio com familiares, amigos e a práticas do seu espaço social de origem, as pessoas escravizadas eram condicionadas, portanto, a trabalhar forçosamente em meio a constantes ameaças e ações que colocavam em risco a integridade física e mental. O caminho supostamente pacifista de Freyre mascara relações abusivas ao tratá-las como um processo de partilha ou câmbio cultural. Há, por parte do autor, a preocupação em narrar uma história romantizada da constituição brasileira embebida pelo mito das três raças. Dessa forma, destacam-se as relações afetivas e enaltecem-se os processos de miscigenação.

46 De encontro com a ideia propagada por Freyre, a obra das autoras Lilia Schwarcz e Eloísa Starling relata as condições violentas e abusivas às quais eram submetidas as pessoas escravizadas no Brasil. De acordo com as autoras, fazia-se uso constante de chibatadas nos espaços públicos. Essa tortura, conhecida como quebra-negro, era utilizada geralmente para educar negros recém-adquiridos9 a respeitarem seus senhores e senhoras. Sob a ameaça e violência das torturas, essas pessoas eram forçadas a manter a cabeça baixa diante da presença de alguma autoridade branca (SCHWARCZ; STARLING, 2015).

Um olhar à história passada é importantíssimo para que se acesse de maneira justa a história do presente. Justamente por isso, é importante afirmar que, mesmo subjugados e condicionados a atos de extrema violência, diversas gerações de pessoas negras escravizadas foram movidas pela resistência e pela luta por direitos igualitários. A ideia estereotípica da passividade e conformidade do povo negro deve encontrar um contraponto nas constantes revoltas e oposições contra o sistema opressor que vigorou durante mais de 300 anos. Daí a necessidade de narrar as histórias ocultas e de trazer à tona personalidades que são símbolos de lutas, tal como foram Ganga Zumba, Zumbi dos Palmares e Dandara.

Mesmo que se venda a ideia de que o Brasil é a terra da felicidade e da harmonia entre as raças – ou quando há a pretensão em ocultar a discussão racial sob a alegação de que todos pertencemos à mesma raça: a humana –, sabe-se que a desigualdade sociorracial vigora na contemporaneidade. Essa situação mantenedora do sistema capitalista e do privilégio das pessoas brancas aliado à exploração das não-brancas tem origens bem delineadas no sistema escravocrata. Esses são alguns dos legados desse regime, de acordo com Schwarcz e Starling, que afirmam: “se na época da escravidão, indivíduos negros trafegando soltos eram presos por ‘suspeita de escravos’, hoje são detidos com outras alegações que lhes devolvem sempre o mesmo passado e origem” (SCHWARCZ; STARLING, 2015).

Nesse sentido, o cenário social contemporâneo é marcado pela presença de atos de violência. No cotidiano dos moradores de periferias dos grandes centros, o uso da tortura e da violência de diversas formas é justificado pelo poder público com a chamada “guerra às drogas”. Se à polícia é concedido o poder de controle e segurança pública, o uso abusivo e desproporcional da força letal acaba sendo legitimado por esse poder e resulta em altos índices de mortes causadas por violência policial.

9 O uso dos termos educar e recém-adquiridos dirigidos ao povo negro escravizado não é utilizado de maneira racista pelas autoras. A proposta do estudo feito era, inclusive, a de expor termos utilizados durante o regime escravocrata brasileiro.

47 Essa questão é abordada por Renato Meirelles e Celso Athayde, que fazem uma radiografia atual das favelas metropolitanas do Brasil. Segundo os autores, quando apresentado à população moradora das comunidades, o projeto de implantação das Unidades de Polícia Pacificadora foi bem recebido. De acordo com uma pesquisa feita pelo Data Favela (MEIRELLES e ATHAYDE, 2014), 75% dos moradores se mostraram favoráveis à pacificação (55% totalmente a favor e 20% parcialmente). O que os números não revelam é que, em prática, a pacificação das favelas não é compatível com o projeto inicial. A partir do momento em que é delegada à polícia o papel total de autoridade nas comunidades, o controle da força acaba por legitimar o uso arbitrário da violência.

Em muitos casos, o braço policial passa a ser o único tipo de representação do Estado na comunidade. Quando esse poder substitui o do tráfico, assume as funções de casa executiva, legislativa e judiciária, muitas vezes de modo tirânico. Não se pode imaginar sapiência que justifique a autoridade da polícia para definir se um grupo de jovens poderá ou não organizar um baile funk na noite de sábado. Essa intromissão nos assuntos do cidadão acaba por constituir uma ilegalidade. Se há resistência popular, ela é frequentemente combatida de maneira brutal, em ritos que empregam as simbologias do racismo e do preconceito, ainda que muitos soldados e oficiais venham dos estratos populares” (MEIRELLES e ATHAYDE, 2014, p. 141)

Meirelles e Athayde corroboram essa reflexão quando apresentam registros da Segurança Pública do Rio de Janeiro em relação às mortes causadas por ações policiais. Somente na capital carioca, entre 2003 e 2012, operações da polícia causaram 9646 mortes. Segundo dados obtidos em pesquisa mais recente expedida pela Anistia Internacional10, das 1275 vítimas de homicídio decorrentes de intervenção policial entre 2010 e 2013 na cidade do Rio de Janeiro, 99,5% eram homens, 79% eram negros e 75% tinham entre 15 e 29 anos de idade. Esses números vão ao encontro da situação de vulnerabilidade em que se encontram os jovens negros no Brasil e em outras partes do mundo, como pode ser observado a partir de dados e reivindicações do movimento BlackLivesMatter11 nos Estados Unidos, por exemplo. Conforme indica o Índice de

10 Disponível em: <https://anistia.org.br>. Acesso em 10 de setembro de 2016.

11 Vidas Negras Importam, em português, é um movimento ativista que busca igualdade racial perante a justiça e luta contra a violência policial dirigida às pessoas negras. O movimento teve início em 2013 após a absolvição deGeorge Zimmerman, autor dos tiros que tiraram a vida do jovem negro Trayvon Martin e ganhou mais força após o caso em que outro jovem negro, Michael Brown, foi assassinado pelo policial Darren Wilson. Disponível em: http://blacklivesmatter.com/. Acesso em 10 de junho de 2017.

48 Vulnerabilidade Juvenil do ano passado, jovens negros com idade entre 12 e 29 anos representam a camada populacional mais condicionada a sofrer atos de violência12.

Nesse mesmo sentido, a reflexão feita pelo jurista Adilson Paes de Souza (2013) incide sobre os atos violentos praticados por policiais militares. O autor investiga o treinamento que os policiais recebem no Curso de Formação de Oficiais e revela que, no conteúdo dos cursos, a violência é, por vezes, legitimada e ensinada. Souza defende que seja implantado na formação de oficiais temas que abordem direitos humanos e o princípio da proporcionalidade. “Também conhecido por princípio da proibição do excesso, o princípio da proporcionalidade age como elemento moderador da ação do Estado” (SOUZA, 2013).

Apesar da crítica feita por Souza à formação dos policiais militares e a conseguinte proposta de reparo tenha pertinência, é preciso destacar visíveis fissuras no que o autor defende. Talvez pelo lugar de fala que ocupe – jurista e Policial Militar aposentado – Souza entende a violência como desvio de lei. São igualmente violentos, de acordo com a lógica apresentada pelo autor, aqueles que cometem o crime de violência, seja civil ou policial.

Minha crítica a essa perspectiva reside no fato de que ele ignora a violência que é legitimada pelo Estado e seus códigos de conduta. Na perspectiva do autor, aqui criticada, o uso da força coercitiva e do poder, quando amparado por normas legais não deve ser considerado violência. De minha parte, compreendo que a militarização da instituição policial não apenas configura em violência como é fundada por ela.

Essa reflexão conceitual abre outros caminhos possíveis para o tratamento do conceito de violência e suas dimensões contemporâneas. Ao longo dessa pesquisa e de seus possíveis desdobramentos, esses conceitos serão úteis para que o debate seja alargado e seja possível apresentar uma análise mais completa de nossa realidade social. Por hora, o caminho conceitual por onde a pesquisa seguiu ilumina a análise que fizemos acerca do caso DG. Apresentarei, em seguida, a metodologia utilizada e alguns achados da pesquisa.

12 Disponível em: <http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-05/jovens-negros-sao-mais-vulneraveis-violencia-no-brasil-mostra-relatorio>. Acesso em 10 de setembro de 2016.

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3. A individuação do acontecimento como direção