3. Ilusão biográfica e ação da memória em The Affair
3.9. Xeque mate: o paradoxo como parte do jogo
Chegamos ao clímax da quarta temporada: a morte de Alison, no episódio 9. O “que” acontece deixa de ser o foco da questão, pois já sabemos disso de antemão, o que importa nesse capítulo é o “como” acontece.
Aqui jaz a grande surpresa da série. O público de costume espera ver a visão de Alison. O episódio começa com a cartela que confirma que estamos vendo a sua visão. Quando sua visão acaba, aparece uma nova cartela também demarcando sua visão, mas revelando uma história completamente distinta.
Em ambas as versões, Ben, o homem com quem ela estava saindo, até descobrir ser casado, vai até sua casa. Na primeira, apesar dele lhe dizer que vai deixar a esposa por ela, ela se posiciona que não quer isso, mas, ao longo da conversa, acabam ficando juntos e a cena termina com Alison pensando em algo que faz seu rosto mudar de figura. Entendemos que ela deve estar pensando em suicídio. Na segunda versão, Ben chega à sua casa em um estado de espírito completamente diferente ao que vimos na cena anterior. Após Alison se impor de que não quer ficar com ele e o ameaçar de contar à sua mulher, ele a imprensa contra a parede, quebra seu pescoço e arrasta seu corpo para o mar.
Essa última versão possui uma narração de Alison em voice-over, em que ela diz que esteve sofrendo toda a sua vida e que, possivelmente, foi por isso que as pessoas a achavam fraca e a tratavam como tratavam. Contraditoriamente ao fato de seu corpo estar sendo jogado ao mar, ela diz que está cansada disso e que quer viver uma vida diferente, ter uma história diferente.
Será que a morte lhe permitiria renascer de outra forma? Com outra história?
A série parece deixar essa possibilidade em suspenso, mas concretiza que, nessa vida, ela não terá mais a oportunidade de se reinventar, seguindo os conselhos de Helen: de deixar de ser vítima em sua própria história.
Na noite em que Alison passou na casa de Helen, se queixou da forma como os homens a viam. Helen lhe diz que, no caso de Ben, ela não sabia que ele era casado, mas de Noah, sim, que ela teve escolha. Aponta que reclamar que coisas ruins sempre lhe acontecem, não muda nada, o que muda é pensar diferente. Diz que ela precisa deixar de ser uma vítima em sua própria história e ter mais agência, se impor, não aceitando certas situações, e deixando claro para homens como Ben
que não podem tratá-la assim. Helen chega a lhe dizer que o pior que poderia lhe acontecer era que o cara a xingasse. Coisa pior aconteceu, mas não temos como saber qual foi a participação de Ben nessa história.
Ambas as versões são plausíveis. Alison até havia, dias antes, transferido seu dinheiro para uma conta no nome da filha. A princípio, poderíamos considerar que são apresentados dois níveis narrativos onde nenhuma versão teria mais peso que a outra. No entanto, Bordwell optaria pela segunda versão.
Bordwell, ao comentar sobre o filme Corra Lola Corra, considera que o último fragmento sempre tem um status privilegiado de real: as partes de uma história não são iguais e a última apresentada ou completada é a menos hipotética.
(BORDWELL apud WILLEMSEN, 2018)
Essa é uma possível chave de leitura, mas não é conclusiva. O fato de como a morte se deu ser mantido em suspenso, faz com que pessoas continuem tentando resolver essa ambiguidade, a fim de construir um sentido sobre o que aconteceu.
Quando o final se mantém ambíguo, deixa espaço para o público decidir o que ocorreu. Willemsen acredita que a imersão narrativa nas condições certas e o prolongamento da dissonância podem se tornar uma fonte de fascinação e não de frustração. Considera que a cognição dissonante pode ser um gatilho para que a audiência continue investindo energia mental na redução de suas incongruências, em vão ou não, fazendo com que o público teste seus diferentes enquadramentos e diferentes soluções interpretativas a partir das possibilidades deixadas pela narrativa. A insolubilidade pode prolongar seus efeitos por um longo período de tempo, mesmo após a experiência de assistir. (WILLEMSEN, 2018)
O fim de Alison pode ser relacionado de maneira metalinguística com uma cena do primeiro episódio da segunda temporada, onde Noah vai falar com seu editor. Ele precisa entregar a versão final do livro que escreveu com base nos habitantes de Montauk, que contém o caso extraconjugal do protagonista com Lana, que todos acreditam representar Alison. O editor quer convencê-lo de manter o final original, que era atropelar Lana na estrada, acreditando ser mais forte; enquanto Noah quer convencê-lo de que é menos clichê terminar com uma conversa entre os dois em um jantar do que apelar para uma morte trágica. O editor considera que a
morte pode ser um fim não clichê quando é surpreendente, mas inevitável em retrospecto.
A morte de Alison se enquadraria nesse quesito. Em toda a série, a morte sempre esteve presente em sua vida, desde a perda de seu filho Gabriel. A morte se tornou um elemento de sua própria identidade. Como vimos, quando na primeira temporada, Alison pergunta para Noah o que ele vê nela, ela imagina que ele responda “morte” e diz ao investigador que não sabia se viveria até os 35.
A água também sempre foi um símbolo presente não só na abertura da série:
a série começa com Noah na piscina; tem várias cenas diante do mar, incluindo quando se reencontraram, quando o caso se inicia, e ela se cortando em um movimento de autopenitencia; a marca do mar em seus tramas, a morte de Gabriel e seu afogamento quando criança, que se repete em seus pesadelos; as viagens de barco, incluindo seu passeio com Ben, em que ela se arrisca até a mergulhar; e ela termina com o corpo no mar.
Surpreendente, mas inevitável em retrospecto. Um fim que em seu teor e sua forma mantém o que foi construído ao longo da série. A forma tem sua ambiguidade mantida.
Ainda que a estrutura da série faça com que o público acabe por naturalizar a ambiguidade por conta do eterno embate entre as diferentes apresentações da história, sua manutenção no fim de uma de suas protagonistas desperta no público o desejo de resolvê-la. Os fãs acordam de um momento em que já veem a ambiguidade como uma opção estética e sem necessidade de problematização a cada episódio, para outro distinto: em que têm dificuldade de conter seu estímulo natural de construir sentido. The Affair encerra a temporada convidando o público a refletir e atuar criativamente.
4.1. Sobre a série: sucesso e polêmicas
Antes de começar a analisar a série, precisamos contextualizar seu lançamento e as polêmicas que o sucederam para, após abordada essa questão, podermos nos centrar estritamente em sua narrativa.
Thirteen Reasons Why (13rw) foi lançada, na Netflix, no dia 31 de março de 2017, rapidamente se tornando um fenômeno de audiência, tanto nos Estados Unidos, quanto no mundo. O canal de streaming disponibilizou, como de costume, todos os 13 episódios da primeira temporada de uma vez.
A série é uma adaptação do showrunner Brian Yorkey, do homônimo romance de Jay Asher. Diana Son é também showrunner da série e Selena Gomez assina sua produção executiva. Foi produzida por July Moon Productions, Kicked to the Curb Productions, Anonymous Content e Paramount Television.
Até o momento de escrita dessa tese, foram disponibilizadas 3 temporadas e já está previsto que a quarta, e última temporada, encerre a saga em 2020. A segunda temporada foi lançada em 18 de maio de 2018 e a terceira, em 23 de agosto de 2019.
Após seu lançamento, em 2017, a série foi a mais comentada do twitter: só no primeiro mês movimentou mais de 11 milhões de tweets. (COOK, 2017) Entre eles, muitos preocupados com a gravidade dos temas abordados na série, tais como violência, drogas, violência sexual, bullying e o grande tabu, o suicídio: evento que inclusive orienta toda a narrativa da primeira temporada, pois cada episódio corresponde a um dos porquês que levaram a personagem Hannah Baker a tirar sua própria vida.
A série ficou famosa pelas controvérsias geradas a respeito da abordagem e principalmente pelo choque das imagens gráficas relacionados ao suicídio. Pais, psicólogos, psiquiatras e educadores ficaram preocupados com a possibilidade da ficção estimular o suicídio dos jovens, como uma nova onda do chamado efeito Werther. Esse efeito considera a possibilidade do aumento no número de suicídios quando atos dessa espécie são tornados públicos pela mídia. O nome se refere ao protagonista do livro de Goethe, The sorrows of the Young Werther, que, assim
como Hannah, decide se matar. Após a publicação do livro, em 1774, a taxa de suicídios sofreu um aumento e, por isso, muitos concluíram que o suicídio ficcional também poderia estimular o real, ainda que esta relação nunca tenha sido comprovada de maneira conclusiva. No entanto, o livro acabou sendo banido de vários locais. (SCHAFFER, 2018) Contudo me pergunto, como seria possível separar a influência da série Thrirteen Reasons Why no aumento de casos de suicídios, da influência da própria mídia, que ao falar extensivamente sobre o assunto também poderia ser capaz de incentivá-lo? Para responder a essa pergunta, seria necessário um estudo bastante aprofundado sobre o tema, com grupo de controle, identificando quem teve acesso a qual informação e, tanto os estudos acadêmicos que serviram como referência das matérias sobre a série publicadas por canais populares, quanto os estudos encontrados no google academics se mostraram pouco conclusivos.
Existem críticas positivas e negativas à série, estudos que a relacionam com o aumento de casos de suicídios entre jovens, com as crescentes buscas no google por palavras relacionadas ao tema, mas também com o aumento da taxa de procura por ajuda anti-suicídio. A maior parte das matérias encontradas pelo buscador do google relacionando o nome da série à palavra suicídio citavam as mesmas pesquisas, que não apresentavam métodos cientificamente comprovados ou careciam de imparcialidade (uma das pesquisas foi encomendada pela Netflix e, apesar de ter seu mérito, não pode ser considerada isenta).
Convém esclarecer que investigar sobre a relação entre a série e casos de suicídio foge ao escopo dessa tese. Contudo, devido a importância da controvérsia suscitada, não poderia simplesmente ignorá-la, assim fiz apenas um breve levantamento sobre essa questão na mídia26 e em artigos acadêmicos.
26 Dados retirados da mídia digital de grande circulação ou especializada em séries que abordaram as controvérsias: http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-140649/,
Segundo pesquisa citada pela mídia, do Nationwide Children‘s Hospital, as taxas de suicídio entre jovens de 10 a 17 anos nos EUA aumentaram 28,9% ao mês após a estreia do programa. Vale ressaltar que essa taxa é em relação ao número de suicídios entre jovens do sexo masculino, pois não houve aumento significativo de suicídios no público feminino (público majoritário da série – 65%) e que o mês anterior também teve índices maiores que os esperados, o que os investigadores justificam forçadamente como sendo efeito da publicidade prévia da série. Por outro lado, foi citado também um estudo da Universidade da Pensilvânia, que concluiu que estudantes que assistiram a toda a segunda temporada estavam menos propensos a cometer suicídio, e mais propensos a ajudar pessoas que pudessem apresentar qualquer tipo de problema, do que os que pararam no meio. Mas qual seria então o efeito da série para os estudantes que a abandonaram? Fica a dúvida.
O estudo encomendado pela Netflix, foi realizado pela Universidade de Northwestern27, nos Estados Unidos, abrangendo seu território nacional, Reino Unido, Brasil, Austrália e Nova Zelândia. Ele revelou que 74% dos espectadores adolescentes pesquisados relataram que pessoas de sua faixa etária lidam com questões similares às apresentadas na série. Cerca de 90% dos entrevistados afirmaram que a série os ajudou a entender como suas ações podem impactar na vida de outras pessoas. A surpresa da pesquisa foi o fato de 60% deles declararem ter se desculpado com alguém a quem haviam tratado mal.
A mídia aborda os dois lados da moeda, mas cita estudos incapazes de sustentar o que apontam. Na busca por outras pesquisas acadêmicas, fiz um breve levantamento bibliográfico sobre o assunto, percebendo que a maior parte dos estudos encontrados a partir da busca do verbete “13 reasons why” no google academics atentam para os perigos da interpretação simplista dos dados sem a realização de pesquisas mais aprofundadas e para a inexistência de dados suficientes para afirmar que a ficção poderia causar ou influenciar suicídios entre os adolescentes. Muito pesquisadores em seus estudos, que eles próprios consideram ainda inconclusivos, encontram evidências de efeitos tanto negativos, quanto positivos. Entre os positivos estão que alguns jovens entrevistados disseram
27 https://13reasonsresearch.soc.northwestern.edu
ter sido incentivados a conversar sobre temas que antes não conversavam após ver a série e que esta os ajudou a perceber o impacto de suas ações sobre os outros.28
Há um estudo que chega a concluir que, entre os 80 jovens pesquisados, não houve nenhuma relação entre a série e comportamentos de risco suicida, destacando que quem teve qualquer aprendizado em relação à questão do suicídio eram pessoas que nunca haviam tido essa pretensão.29
Apesar de poder ser questionável a exibição da emblemática cena do suicídio, não houve um descumprimento de nenhuma lei por parte da Netflix. A Organização Mundial de Saúde tem diretrizes de censura para esse tipo de cena, mas esta só vale para redes sociais. (SCHAFFER, 2018)
Segundo os roteiristas, o suicídio foi mostrado com muito sofrimento, com o intuito de sublinhar o peso e a dor do ato e não para ensinar como se matar. Essa visão gerou opiniões contraditórias, mas foi tanta a pressão social que, em julho de 2019, mais de dois anos após o lançamento da série, a Netflix retirou a cena do ar.
No segundo mês de exibição, a Netflix já havia adicionado, em todos os episódios, notas de alerta que antes estavam só nos três primeiros. Nas temporadas seguintes, foram incluídos também mais avisos antes da exibição dos episódios, com os atores se apresentando e alertando sobre o conteúdo pesado da série, desaconselhando aqueles que estivessem passando por situações difíceis a assistirem ou sugerindo que vissem na companhia de um adulto de sua confiança.
Convém destacar que no final do alerta aparecem os telefones dos centros de ajuda (no Brasil, o 141 do CVV - Centro de Valorização da Vida) e o site da série (13reasonswhy.info) que apresenta mais informações para quem precisar de auxílio ou conhecer alguém que precise. Segundo Schaffer, o impacto desse tipo de advertência nunca foi estudado, mas há autores que defendem que avisos de violência podem estimular, ao contrário, o desejo de ver o programa. (SCHAFFER, 2018)
28 https://ps.psychiatryonline.org/doi/full/10.1176/appi.ps.201800384 https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0277953619302072 https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0890856719302886 https://jamanetwork.com/journals/jamapsychiatry/article-abstract/2734859 https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/sltb.12517
29 https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/07448481.2019.1586713?src=recsys
A série também teve críticas positivas e muitos fãs consideraram que ela os ajudou a falar sobre o tema. O número de pessoas que procuraram ajuda no CVV aumentou 445% e tiveram 170% mais acessos ao site em 201730.
As polêmicas continuaram nas outras temporadas. A segunda temporada contou com outra cena gráfica chocante. O estupro do personagem Tyler: levado por um grupo de atletas para o banheiro da escola, onde colocaram sua cara dentro da privada e outro personagem, Montgomery, o estuprou com o cabo de uma vassoura. A cena seguinte mostra Tyler sangrando e olhando para seu arsenal de armas. Muitos consideraram a violência da cena desnecessária, mas Bryan Yorkey a defendeu dizendo que eles tinham o objetivo de mostrar situações que muitos adolescentes passam e que isso inclui experiências extremamente angustiantes e difíceis de digerir. A temporada quase terminou com uma chacina escolar, impedida por um personagem. Clay se colocou na frente de Tyler que estava com uma metralhadora e conversou com ele, argumentando que Hannah se matou e que isso nada mudou: que se ele fizesse isso, seria só mais uma história que faria as pessoas sofrerem por uma semana, antes que todos seguissem em frente. Muitas pessoas consideraram que essa foi uma solução absurda para evitar uma chacina.
Na terceira temporada, a polêmica ficou a cargo do tratamento mais humano dado ao vilão. Seria certo mostrar também o lado bom de um estuprador? Nesse ponto, apesar das críticas, inclusive de fãs, seguiu um movimento já iniciado na segunda temporada de tentar desconstruir os relatos e mostrar os outros lados da história. Polêmicas à parte, a série talvez possa ser redimida por seus críticos ao mostrar que, apesar de aparentemente estar evoluindo, o personagem ainda conservava comportamentos violentos e egoístas, que provocaram sua morte. A temporada se encerrou com um novo dilema: deve-se deixar alguém já morto levar a culpa por um crime que não cometeu, protegendo assim alguém que está vivo e matou, mas sem a intenção de fazê-lo?
Podemos apenas concluir que as séries podem influenciar tanto positivamente quanto negativamente e às vezes uma mesma narrativa pode causar efeitos diversos em diferentes pessoas. Trabalhar com ficção é sempre uma responsabilidade. Tratar sobre o tema do suicídio vai sempre levantar polêmicas.
30 https://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2017/07/precisamos-falar-sobre-o-suicidio.html
No entanto é uma discussão relevante por este ser um problema crescente, sobretudo entre os jovens. Exige, contudo, uma abordagem muito cuidadosa, sob o risco de despertar um efeito de contágio.
Dito tudo isso e polêmicas à parte, esse capítulo tem como objetivo entender os mecanismos de construção e desconstrução com os quais a série opera.
4.2. Como tudo começou
Ao som de uma música melancólica, o plano revela um armário de escola.
Ele está cheio de flores, bilhetes e cartões colados, além da foto de uma garota sorrindo, com nome Hannah colado em letras coloridas abaixo. Ouve-se a voz de Hannah enquanto o plano vai se tornando cada vez mais aberto.
Oi! Aqui é a Hannah! Hannah Baker! Você está certo. Não ajuste seu... o que quer que esteja usando para ouvir isso. Sou eu, ao vivo e em estéreo. Sem promessa de retorno, sem bis, e, desta vez, com certeza sem atender a pedidos. Pegue um lanche.
Acomode-se. Porque vou contar a história da minha vida.
O plano aberto revela Clay, seu melhor amigo e amor não correspondido, fechando a porta de seu próprio armário. Silhuetas semi desfocadas de estudantes cruzam o quadro, passando pela frente do armário. Vemos o plano do olhar de Clay, em seguida seu plano ponto de vista, no qual vemos Hannah. As silhuetas ao passarem por sua frente fazem-na desaparecer, como uma ilusão que some em um passo de mágica. Vemos novamente o plano do olhar de Clay desiludido. Ele se aproxima do armário de Hannah, diante do qual duas meninas estão batendo uma selfie. Comentam o quanto ela era bonita e uma pergunta à outra qual hashtag usar:
#neverforget.
Assim começa a ser contada a história de uma garota que resolveu tirar sua própria vida, narrada por ninguém menos do que ela mesma. Em cada um dos lados das sete fitas cassetes, serão revelados os treze motivos que a fizeram tomar essa decisão irreversível. Cada episódio constitui uns desses treze motivos, direcionado a um personagem em especial.
Fitas cassetes? Sim! E esta não é uma série de época. Hannah escolheu esse suporte por considerar que ouvir tudo o que ela passou, tinha que demandar esforço.
Precisava que fosse algo mais difícil do que receber um arquivo digital por e-mail.
Envolvia em primeiro lugar conseguir um aparelho que pudesse lê-las. O áudio gravado em uma fita acaba por se apresentar de uma maneira física, o que nos leva a pensar que esta seria uma forma de Hannah materializar seus depoimentos. E
Envolvia em primeiro lugar conseguir um aparelho que pudesse lê-las. O áudio gravado em uma fita acaba por se apresentar de uma maneira física, o que nos leva a pensar que esta seria uma forma de Hannah materializar seus depoimentos. E